Mostrar mensagens com a etiqueta Alimentação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alimentação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Alimentação e sustentabilidade



A relação entre alimentação e a sustentabilidade é tão forte como a da energia. Aliás nem seria de esperar outra coisa sendo a alimentação apenas um detalhe particular da questão da energia.
Esta é uma das áreas que mais me interessam actualmente, desenvolvi para a ATN um programa em parceria com o Chef António Alexandre exactamente chamado "O gosto da biodiversidade" e que espero que tenha realizações concretas dentro de relativamente pouco tempo.
Lembrei-me disto quando ontem vinha para casa, de metro, e resolvi passar por um supermercado. Havia uns camarões em promoção e resolvi comprar um quarto de quilo (sim, um quarto de quilo) porque sabia que tinha um arroz branco de sobra com o qual poderia facilmente fazer o almoço das minhas três meninas que saem para o trabalho de manhã, acrescentando um bocado de tomate, uns legumes e dando destino a um parte da mayonaise que tinha feito (há uns anos, e garanto que a história é verdadeira, ouvi duas miúdas já meias adolescentes a conversar num supermercado onde tinham ido comprar mayonaise. E uma dizia para a outra que lhe tinham dito que se podia fazer mayonaise em casa, mas a outra recusava-se a acreditar).
Claro que da dita salada de camarão me sobraram umas cabeças e cascas, não muitas é certo. Fervi-as algum tempo numa pouca de água, deixei reduzir para um terço, e o resultado está ali à espera que logo faça um molho branco onde substituirei parte do leite por esta água de camarão coada num chinês, para por por cima de uma base de puré em que vou substituir a manteiga por azeite, pôr um bocado de pescada cozida e desfeita por cima (duas ou três postas vão dar seguramente para umas dez refeições, ou melhor, para refeições para dez pessoas) e o dito molho que espero que retenha um bocado do gosto do camarão, tudo no forno (provavelmente um bocado de queijo por cima a gratinar).
Se eu fosse bom cozinheiro poderia depois discutir que tal o resultado, mas como não sou escrevo este post só para dizer que, por exemplo, reduzir o consumo de carne e peixe, aproveitar os restos, usar azeite em vez de manteiga, usar menos alimentos processados não me parece um esforço brutal e uma ameaça ao nosso modo de vida.
E no entanto é isto que se discute quando se discutem alterações climáticas e as opções que temos disponiveis para correr menos riscos.
Não se trata de definir o que cada um deve ou não comer, trata-se de ter consciência dos efeitos das opções que fazemos, livre e individualmente.
henrique pereira dos santos