sábado, junho 26, 2010
sábado, junho 05, 2010
(ainda) dos jacarandás e d'outras coisas...
E é por isso que sorrio, cada vez que me vêm com a história que os portugueses não querem saber, não participam, têm pouca cultura associativa. É como dizer que este ano não conseguimos comer cerejas porque a época foi fraca. Santa paciência!
Gonçalo Rosa
tempo: flor de jacarandá
Há muitos fins de Primavera que não descia a Avenida Dom Carlos I, que nasce na Calçada da Estrela, bem perto do Palácio de São Bento, e desagua na 24 de Julho, como se de um afluente do Tejo se tratasse. Por estes dias, as suas calçadas ganham a sombra das flores dos jacarandás que ladeiam a avenida e despertam os transeuntes que durante meses os ignoraram, achando-os iguais a uma árvore qualquer. Pela dimensão, densidade e ensombramento que proporcionam, talvez sejam estes jacarandás os meus preferidos, a par dos da Rua Castilho e do Parque Eduardo VII, bem no coração da cidade. Mas há-os um pouco por todos os jardins e espaços verdes de Lisboa.
Gonçalo Rosa
sexta-feira, junho 04, 2010
Previsões?
terça-feira, maio 18, 2010
lutos difíceis (tempo) 1
(Maio de 2010)
E trouxe-me à memória um poema de Amalia Bautista…
E ali ficou dias, talvez semanas, como me referiram alguns guias do parque, no seu difícil luto. Porque o tempo, para estes seres, não urge como para nós humanos.
Gonçalo Rosa
quinta-feira, maio 06, 2010
free food, why not?
depois de engodados por clube de mergulho local
Aliwal Shoal, Durban, África do Sul (Maio de 2010)
Em Aliwal Shoal, dezenas de operadores turísticos exploram diversos recursos que a natureza, com mais ou menos gestão, proporciona: o mergulho, a caça submarina, a pesca desportiva, o birdwatching, a observação de grandes mamíferos, a caça maior, o surf, o windsurf e outros desportos/actividades relacionados com mar e vento. Na prática, tornam o património natural economicamente valioso. Promovem-no. Estes operadores e tudo o que com eles se relaciona (desde os próprios turistas que aqui passam, aos hotéis, companhias aéreas e de aluguer de automóveis, restaurantes e, em geral, a população local que beneficia com a circulação de dinheiro) tornam-se pois parte do movimento ambientalista. Ou, pelo menos, na definição ampla que tenho de “movimento ambientalista”. Porque se preocupam com conservação destes recursos que, para muita desta gente, representa assim o seu ganha-pão.
No caso concreto – do mergulho com tubarões - é óbvio que estes operadores se preocupam com duas coisas aparentemente contraditórias: 1) a conservação destas espécies, por forma que possam garantir fartura de animais em cada mergulho, e; 2) com a não ocorrência de ataques que, a acontecerem ainda que em número muito reduzido, seguramente levariam a que muitos dos turistas que visitam estas águas procurassem novos destinos ou, pelos menos, procurassem aventuras menos dramáticas. Para garantir a presença de um bom número de animais em cada mergulho, os operadores que visitei engodam regularmente o local com peixe fresco colocado em tambores de aço, como facilmente se pode observar na figura que se segue.
Aliwal Shoal, Durban, África do Sul (Maio de 2010)
Algumas associações ambientalistas questionam se é correcto mudarmos o comportamento destes animais, associando a presença de mergulhadores a comida, tornando-os assim mais sedentários a uma área restrita e “preguiçosos” na procura de presas. Para além de que tenho muitas dúvidas que boa parte da dieta destas animais seja conseguida através destes operadores, faço notar que o que provavelmente estamos a alterar é o comportamento de uma pequena parcela da população das espécies de tubarões envolvidas. E pergunto-me se o balanço não resulta positivo para a conservação da natureza e destas espécies em particular. É que a valorização económica do património natural e a promoção da ideia de que os tubarões não são devoradores de homens não são, de todo, factores negligenciáveis.
Gonçalo Rosa
sábado, janeiro 09, 2010
O arrefecimento do Reino Unido
Esta espectacular fotografia foi tirada no dia 7 de Janeiro de 2010 por um satélite da NASA. É um presente de ano novo que regalo aos negacionistas. Imagem retirada de aqui.
O texto abaixo, também do dia 7 de Janeiro, é retirado da revista Brasileira ADEGA que, como o nome indica, trata de vinhos. É o meu presente aos alarmistas.
"Apesar do verão atípico do ano passado, os vinicultores classificaram a safra de 2009 como "uma das melhores da história.
O mês de julho na Inglaterra foi marcado pelo clima úmido, principalmente no sudoeste do país, o que poderia ter afetado a safra, se não fosse o calor percebido no outono.
Pelo visto, essa confusão de climas e temperaturas apenas tornou a uva ainda mais gostosa. A associação dos Produtores de Vinho da Inglaterra reportou que foram colhidas frutas excepcionais em todo o país, com as variedades Chardonnay e as Pinots possuindo nível alcoólico possivelmente entre 11% e 13%". Ver notícia completa aqui
A vantagem de confundir meteorologia com clima é a possibilidade que nos oferece de agradar a todos.
terça-feira, dezembro 29, 2009
O elogio da ignorância (II)

Fui acompanhando mais ou menos a discussão, apesar daquilo ter muita física, muita matemática, muita estatística para a minha pobre ignorância.
Mas o que mais me espantou foi a quantidade de gente, que sabendo tão pouco como eu, tinha opiniões absolutamente seguras sobre um assunto que é mais que muito complicado. Por isso fui tentar perceber e descobri a técnica: só lêem as opiniões que estão alinhadas com o que pensam e se por acaso tropeçam em alguma informação que os contrarie, ignoram-na dizendo que foi manipulada.
Confesso que fiquei fascinado com a inteligência desta opção: não só não temos de nos preocupar com a realidade para pensarmos de determinada maneira, como estamos sempre cheios de razão porque se não estivermos é porque os outros estão comprados e nos querem manipular.
É uma maneira desarmantemente simples de lidar com problemas complexos.
Fez-me lembrar uma conversa que há tempos tive com um surfista da Costa a quem perguntei se as ondas tinham melhorado ou piorado com os enchimentos da praia.
A diatribe que eu ouvi contra tudo e todos que tinham alguma coisa, por vaga que fosse, com os ditos enchimentos de praia. Quem pôs aqui a areia devia ser enforcado, pelo menos, garantia o rapaz. A questão é que a areia tem a estúpida mania de se mexer e demora algum tempo até atingir um equilíbrio dinâmico e naquela altura os fundos estavam maus, pelo que percebi da conversa, ou melhor dizendo, da irritação, que da conversa não percebo nada com agueiros, ondas tortas e outras coisas que tenho dificuldade em perceber bem o que são (para mim todas as ondas se entortam).
Mas ao contrário dos outros das alterações climáticas, que não querem ouvir nada com o qual não estejam de acordo, o rapaz ficou interessado quando lhe disse que talvez não fosse bem assim.
Apontei-lhe para a Serra de Sintra e expliquei-lhe que ali estava um esporão natural que impedia a foz do Tejo de se deslocar para Norte. Depois voltei-me para o outro lado e lembrei-lhe que o cabo Espichel era outro esporão natural. E que entre os dois estavam então extensas zonas de areias.
Em tempos estes areais eram alimentados pelo que o Tejo trazia. Mas com a quantidade de barragens que entretanto se tinham feito no rio, e com o aumento de cobertura do solo da bacia do Tejo, a quantidade de areias que o Tejo trazia tinham diminuído drasticamente.
E aqueles areais, que viviam de um sistema dinâmico de perdas e ganhos de areia, passaram a ter permanentemente um défice de sedimentos que as faria inevitavelmente recuar.
Como o défice é permanente, o mais natural é que as defesas costeiras, a mais ou a menos longo prazo, sejam também engolidas pelo mar, por mais fortes que se tentem construir.
Por isso a solução, também temporária, mas que alguns acreditam ser a melhor e mais barata, é ir buscar areia ao canal de navegação do Tejo, numa zona em que as areias já estão fora deste vai e vem que todos conhecemos, e despejá-la o mais a Norte possível, esperando que assim se resolva não só o problema destas praias como se evitem os problemas futuros das praias a Sul.
Confesso que achei que a reacção do surfista tinha sido tão serena que olhei com mais atenção.
Tinha adormecido com tanta explicação.
Talvez na práctica ficasse tão ignorante como estava antes, mas ao menos, ao contrário do pessoal da negação das alterações climáticas não é uma atitude orgulhosamente voluntária, é apenas um agudo sentido das prioridades dos momento.
E não havendo boas ondas, é razoável que a prioridade seja dormir.
segunda-feira, novembro 30, 2009
terça-feira, novembro 17, 2009
Animais proibidos
4 — Arachnida (classe dos aracnídeos):
4.1 — Araneae (ordem das aranhas) — todas as espécies;
4.2 — Scorpiones (ordem dos escorpiões) — todas as espécies não listadas no anexo I.
5 — Chilopoda (classe das centopeias) — todas as espécies não listadas no anexo I.
sendo que o anexo 1 refere:
4.1 — Scorpiones (ordem dos escorpiões) — todas as espécies das famílias Buthidae e Buthridae;
4.2 — Chilopoda (classe das centopeias) — todas as espécies da ordem Scolopendromorpha.
Não dando muita ênfase ao facto dos escorpiões da familia Buthridae não existirem e que é possívelmente um gafe com a família Buthidae, já referida no mesmo anexo. Solicito a todos o receptores desta mensagem que regularizem a sua situação legal até ao dia 12 de Dezembro como mencionado na mesma portaria), uma vez que certamente serão detentores de exemplares das espécies referidas (muitos de vós possivelmente possuem sotãos, caves, garagens ou jardins, e mesmo no interior das vossas casas certamente já terão visto aranhas).
O texto a enviar poderá ser algo do tipo:
Enviando em anexo fotos dos referidos exemplares, para que se possa proceder à sua identificação e registo.
..........; ......., ../../..
Refira-se que o referido registo tem uma taxa de inscrição inicial de 125,00 €, podendo o valor ser acrescido de um pagamento anual de 50,00 €, conforme a parte V da tabela de Taxas anexas à Portaria nº1245/2009, de 13 de Outubro.
Sérgio Henriques
Almargem
quinta-feira, outubro 15, 2009
Don Abel não gosta de lixo!
domingo, setembro 27, 2009
ideia radical

Bartoon (integralmente roubado do Público de hoje)...
... radicalismo esse que aconselho vivamente!
Gonçalo Rosa
segunda-feira, agosto 03, 2009
Fundo para a Conservação da Natureza

Foi hoje publicado o diploma que institui o Fundo para a Conservação da Natureza.
Vejamos a origem dos recursos:
- As dotações do orçamento do Estado (sobre isto estamos conversados, dado o nível de afectação de recursos que já hoje, e desde há muito, a Assembleia da República atribui à conservação);
- As taxas, contribuições, impostos e percentagens de coimas que lhe venham a ser atribuídas (que eu saiba, até hoje, nenhumas);
- Rendimentos financeiros, doações e coisas que tal (um mão cheia de vento);
- Os recursos resultantes de comprar ao Estado a isenção de responsabilidades pela execução de medidas compensatórias que o próprio Estado define em situações excepcionais (uma situação pantanosa geradora de corrupção institucional).
Vejamos agora para que serve este Fundo:
- Apoiar projecto de conservação na Rede Fundamental de Conservação;
- Promover projectos que contribuam para alargar a Rede Fundamental de Conservação;
- Incentivar projectos de conservação de espécies ameaçadas (estes três pontos são generalidades que estariam sempre entre as atribuições de qualquer fundo deste tipo mas que, ao não deixarem de fora os projectos do próprio Estado, se transformam numa sobreposição das funções do ICNB);
- Apoiar a aquisição de terrenos para a conservação, mas apenas por entidades públicas (curiosa esta estranha preocupação de explicitamente blindar o fundo em relação à sua utilização por terceiros que não o Estado);
- Participar em fundos e sistemas de créditos de biodiversidade (futurismo);
- Educação, sensibilização, investigação, comunicação, visitação;
- Apoio ao empreendedorismo nas áreas classificadas (extraordinária esta visão do fundo para a conservação da natureza: não são os fundos de apoio à economia que devem incorporar os critérios de apoio ao empreendedorismo nas áreas classificadas, é o fundo da conservação, financiado com as coimas, as medidas compensatórias e etc., que deve apoiar a economia das áreas classificadas. Notável como se chega a este ponto de inversão conceptual na gestão da biodiversidade).
Com uma gama de aplicação tão horizontal e tão sobreposta ao que é suposto o Estado fazer através do ICNB e com o dinheiro dos nossos impostos, pareceria sensato que a gestão deste fundo tivesse um sólido processo de decisão autónomo face ao ICNB.
Mas isso seria se o Fundo fosse para levar a sério.
O Presidente do ICNB é o gestor do Fundo por inerência, há um gestor operacional na dependência do Presidente do ICNB e não existe um único mecanismo de transparência na gestão do Fundo e muito menos de participação de outros interessados na gestão da biodiversidade. Com excepção da risível disposição que permite à direcção do fundo fazer protocolos com outras entidades... públicas, claro.
Bom, para o Fundo funcionar, para além de dinheiro, ainda vai ser criado um regulamento que definirá tipologias de apoios e beneficiários elegíveis (pensei que qualquer pessoa ou entidade com bom projectos poderia ser apoiada pelo Fundo, mas pelos vistos a ideia é mesmo que o dinheiro tenha um circuito especial e alterável a qualquer momento) e coisas que tal.
Mas o fundo tem disposições divertidas face a esta arquitectura do diploma, como é a de que o incumprimento na execução dos projectos determina a devolução do dinheiro.
Já estou mesmo a imaginar o Gestor do Fundo (que por inerência é o Presidente do ICNB) a pedir ao Presidente do ICNB (que por inerência é o Gestor do Fundo) a devolução do dinheiro do Fundo que o aplicará de novo, provavelmente, nas entidades públicas que fazem a gestão das áreas classificadas (que agora não me estou bem a lembrar quem seja).
henrique pereira dos santos
terça-feira, julho 21, 2009
mais barato de bicicleta :)))
A notícia é verdadeiramente deliciosa. Um bordel de Berlim está a oferecer um desconto de 5 euros a quem provar utilizar a bicicleta como meio de transporte!
Segundo o seu dono, «é bom para os negócios, é bom para o meio ambiente e é bom para as meninas». O que eu não duvido. O propritário confirma ainda que a promoção tem ajudado a aliviar o trânsito e o estacionamento em redor do bordel Maison d'Envie, assim como tem ajudado a empresa a conquistar novos clientes. «Nós temos cerca de três a cinco novos clientes que chegam diariamente para aproveitar o desconto».
Cá está uma simpática ideia para alargar a outros negócios :)))
Gonçalo Rosa
quinta-feira, junho 25, 2009
sábado, janeiro 24, 2009
A negação da realidade
Ao ver este cartoon, literalmente roubado daqui, lembrei-me de diversos comentários a um par de posts recentes, aqui publicados, sobre o aquecimento global...
terça-feira, janeiro 20, 2009
No meu quintal !
Porque a rir também se dizem e ouvem verdades... um bom exercício também para todos aqueles que se preocupam mais com o seu "quintal" do que com o seu país. E para os outros, também!
quarta-feira, novembro 26, 2008
Lino & Pino
sábado, novembro 08, 2008
sábado, maio 03, 2008
Bem vindo ao AMBIO
Destaques do AMBIO
- Alterações globais, biodiversidade e cépticos, por Miguel Araújo
- Informalidade nos processsos de decisão, por Henrique Pereira dos Santos
- O Estado da Política de Conservação em Portugal, Por Miguel Araújo
- Eólicas, Paisagem e Impacto Ambiental, Por José Carlos Marques
- as hienas sorriem, Por Pedro Bingre
- Caos urbanístico em Portugal: escolha política ou fatalidade cultural? Por
- Pinheiro e eucalipto: caminhos para actualização de atitudes e posições no
- Endogamia nas universidades promove fuga de cérebros e o atraso do País,
- Os mitos e falácias da energia, Por Pedro Barata
- trágicas para o mundo rural, Por Henrique Pereira dos Santos, Carlos Aguiar, e Miguel Araújo
- Nuclear e a percepção do risco , Por Pedro Barata
- Para uma crítica da paisagem, Por Henrique Pereira dos Santos
- A política de ciência não se constroi com medidas avulsas, Por Miguel Araújo
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