sexta-feira, janeiro 25, 2013
If you hold a stone
Seguindo a sugestão do Luís Lavoura, aqui fica o primeiro dos artigos que escrevi para o publico on line.
henrique pereira dos santos
quinta-feira, janeiro 24, 2013
terça-feira, janeiro 15, 2013
Um agradecimento verdadeiro
Não havendo a categoria de blogs ambientais, ainda assim tiveram a simpatia de integrar este blog na lista do blogs de ciência.
Apesar de este não ser um blog de ciência, apesar de estar moribundo (sendo optimista) e apesar da extensa lista de pessoas que teoricamente escrevem neste blog (alguns deles nunca tendo escrito um único texto, apesar de se terem comprometido a isso, a maior parte, onde me incluo, tendo deixado de escrever, uns neste blog, outros de escrever em blogs) que nem sequer saberão desta nomeação (como era o meu caso), o blog tem dois votos.
A esses dois fiéis moicanos o meu muito obrigado.
henrique pereira dos santos
PS Não costumo entrar em votações deste tipo, não é agora, para votar em mim, que vou quebrar esse hábito
quinta-feira, janeiro 03, 2013
Cabras, outra vez (e fogo, mais uma vez)
Um dos trabalhos em que estou envolvido e que mais prazer me dão (felizmente, para quem detesta trabalhar, como eu, tenho com frequência que trabalhar em coisas de que gosto) é o que tenho vindo a fazer para a Aguiar Floresta.
É um trabalho interessante de modelação da paisagem com objectivos económicos e de sustentabilidade que, sem surpresa, aponta para soluções ambientalmente interessantes.
Uma parte vem de trás, do que a Aguiar Floresta já faz há mais tempo, como o fogo controlado, que talvez se consiga fazer no fim desta semana e princípio da próxima, integrando-o quer no aumento da resiliência do território ao fogo, quer na potenciação dos efeitos benéficos do pastoreio tradicional que subsiste.
A outra parte, que depois de muitos avanços e recuos dá os primeiros passos concretos, com boas surpresas, é o pastoreio dirigido, que dá origem a estas duas fotografias.
A questão não é apenas afinar a técnica, é torná-la um instrumento económico competitivo, mas para isso é cedo.
Para já o gosto vem de verificar como realmente foi possível derrotar o mato, com pouco recursos a combustíveis fósseis, com menos mão de obra e com manutenção da matéria orgânica no local.
A comunicação é um aspecto fundamental a que dedicamos muita atenção como se pode ver nestes dois videos.
Estamos longe do objectivo, mas estamos um passo menos longe.
henrique pereira dos santos
É um trabalho interessante de modelação da paisagem com objectivos económicos e de sustentabilidade que, sem surpresa, aponta para soluções ambientalmente interessantes.
Uma parte vem de trás, do que a Aguiar Floresta já faz há mais tempo, como o fogo controlado, que talvez se consiga fazer no fim desta semana e princípio da próxima, integrando-o quer no aumento da resiliência do território ao fogo, quer na potenciação dos efeitos benéficos do pastoreio tradicional que subsiste.
A outra parte, que depois de muitos avanços e recuos dá os primeiros passos concretos, com boas surpresas, é o pastoreio dirigido, que dá origem a estas duas fotografias.
A questão não é apenas afinar a técnica, é torná-la um instrumento económico competitivo, mas para isso é cedo.
Para já o gosto vem de verificar como realmente foi possível derrotar o mato, com pouco recursos a combustíveis fósseis, com menos mão de obra e com manutenção da matéria orgânica no local.
A comunicação é um aspecto fundamental a que dedicamos muita atenção como se pode ver nestes dois videos.
Estamos longe do objectivo, mas estamos um passo menos longe.
henrique pereira dos santos
terça-feira, janeiro 01, 2013
To Chile and back again
Tive a sorte de realizar uma viagem de estudo ao Chile com um colega meu. O objetivo era visitar empresas florestais da fileira de celulose chilenas e comparar práticas, dificuldades e soluções.
Chile é um país extraordinário. Em todos os sentidos. A sua geografia e geologia únicas, as condições fabulosas de produção primária em grande parte do seu território, proporcionadas por solos muito fertis e condições edafoclimáticas favoráveis.
A economia chilena, como muitas outras sulamericanas, tem tido crescimentos do PIB na casa do 5% ao longo dos últimos anos. O clima social de otimismo e confiança no futuro está presente em todo o lado. É notável como se vê sempre muitas pessoas a trabalhar, sejam em explorações agrícolas ou florestais, no comércio, nos hoteis e restauração, na construção.
Para nós, técnicos florestais Portugueses, custa sempre um pouco olhar para essa realidade.
Ficamos intimidados com as produções florestais que são conseguidas no Chile.
Ficamos admirados com a organização da fileira, com o professionalismo das empresas que atuam nela, tanto as da gestão florestal como as de serviços de exploração.
Ficamos espantados com a cultura omnipresente de saúde e segurança em trabalho.
Ficamos inspirados com a engenharia hidráulica, empregue por todo o lado na floresta.
Ficamos invejosos com a objetividade e espírito de apoio ao investimento florestal que os serviços florestais chilenos manifestam, ajudando o proprietário com a gestão do seu terreno.
Ficamos incrédulos com a simplicidade e eficácia da legislação florestal Chilena que, com base em meia dúzia de regras simples de conduta e boas práticas, baliza o espaço para o produtor florestal, deixando a este as decisões sobre onde investir e em quê, sem preconceitos ou pretenções moralistas sobre o que é bom ou o que deve ser. Desde que não se toca nos "bosques nativos", cartografados e protegidos integralmente, para o legislador chileno, tanto lhe faz o investimento ser em vinhas, pomares, pinhais, eucaliptais, morangueiros ou prados, isto é deixado ao critério do proprietário do terreno.
Verificámos que temos muitos desafios em comum. Desde as pragas da cultura, os incêndios florestais, as espécies exóticas invasoras, as condições de segurança no trabalho, as exigências da certificação florestal, os desafios do diálogo com as partes interessadas, as pressões de organizações de proteção ambiental, conciliar áreas de produção florestal com biodiversidade.
Observámos soluções semelhantes, desde a aposta no melhoramento genético das plantas, o reconhecimento da importância dos tratamentos culturais, a solidez técnica das operações, o aprofundar do diálogo com partes interessadas, o envolvimento de especialistas na procura das soluções.
Concluímos que estamos em portugal à frente em áreas como produção em talhadia, em projetos de conservação de natureza e biodiversidade, em luta integrada de pragas, em sistemas de informação e inventariação.
Foi muito bom. Agora, de regresso à realidade portuguesa, às vezes o Chile parece tão longe e tão irreal como a Neverland (a de Peter Pan, não a de Michael Jackson) ...
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| Projeto de florestação com Eucalyptus nitens - Nascimiento - IX Região |
Chile é um país extraordinário. Em todos os sentidos. A sua geografia e geologia únicas, as condições fabulosas de produção primária em grande parte do seu território, proporcionadas por solos muito fertis e condições edafoclimáticas favoráveis.
A economia chilena, como muitas outras sulamericanas, tem tido crescimentos do PIB na casa do 5% ao longo dos últimos anos. O clima social de otimismo e confiança no futuro está presente em todo o lado. É notável como se vê sempre muitas pessoas a trabalhar, sejam em explorações agrícolas ou florestais, no comércio, nos hoteis e restauração, na construção.
Para nós, técnicos florestais Portugueses, custa sempre um pouco olhar para essa realidade.
Ficamos intimidados com as produções florestais que são conseguidas no Chile.
Ficamos admirados com a organização da fileira, com o professionalismo das empresas que atuam nela, tanto as da gestão florestal como as de serviços de exploração.
Ficamos espantados com a cultura omnipresente de saúde e segurança em trabalho.
Ficamos inspirados com a engenharia hidráulica, empregue por todo o lado na floresta.
Ficamos invejosos com a objetividade e espírito de apoio ao investimento florestal que os serviços florestais chilenos manifestam, ajudando o proprietário com a gestão do seu terreno.
Ficamos incrédulos com a simplicidade e eficácia da legislação florestal Chilena que, com base em meia dúzia de regras simples de conduta e boas práticas, baliza o espaço para o produtor florestal, deixando a este as decisões sobre onde investir e em quê, sem preconceitos ou pretenções moralistas sobre o que é bom ou o que deve ser. Desde que não se toca nos "bosques nativos", cartografados e protegidos integralmente, para o legislador chileno, tanto lhe faz o investimento ser em vinhas, pomares, pinhais, eucaliptais, morangueiros ou prados, isto é deixado ao critério do proprietário do terreno.
Verificámos que temos muitos desafios em comum. Desde as pragas da cultura, os incêndios florestais, as espécies exóticas invasoras, as condições de segurança no trabalho, as exigências da certificação florestal, os desafios do diálogo com as partes interessadas, as pressões de organizações de proteção ambiental, conciliar áreas de produção florestal com biodiversidade.
Observámos soluções semelhantes, desde a aposta no melhoramento genético das plantas, o reconhecimento da importância dos tratamentos culturais, a solidez técnica das operações, o aprofundar do diálogo com partes interessadas, o envolvimento de especialistas na procura das soluções.
Concluímos que estamos em portugal à frente em áreas como produção em talhadia, em projetos de conservação de natureza e biodiversidade, em luta integrada de pragas, em sistemas de informação e inventariação.
Foi muito bom. Agora, de regresso à realidade portuguesa, às vezes o Chile parece tão longe e tão irreal como a Neverland (a de Peter Pan, não a de Michael Jackson) ...
145 mil
Passo a passo.
Não é a única base de registo de observações, é uma pena que várias bases não conversem mais entre elas para as potenciar a todas e etc., mas 145 mil observações são 145 mil observações.
A seu tempo estas 145 mil serão 200 mil, depois 300 mil e daqui a uns anos um milhão de observações estarão disponíveis para quem as quiser usar da forma que as quiser usar.
Espero que nessa altura alguns observadores, que guardam as suas fantásticas observações em fantásticos cofres virtuais de acesso condicionado a iniciados percebam finalmente a utilidade da partilha franca e aberta.
Até lá é isto: uma observação hoje, outra amnhã e o projecto vai andando e fazendo o seu caminho.
henrique pereira dos santos
sexta-feira, dezembro 28, 2012
Duas boas perpectivas de futuro
Ao ler o jornal reparei em duas boas notícias.
São apenas boas perspectivas de futuro.
Uma, a proposta da plataforma de Moreira da Silva de transferir taxação de trabalho para a emissão de CO2. Por mim prefiro a transferência da taxação do trabalho para o consumo de energia, é mais simples e mais universal, mas o princípio de diminuir a taxação do trabalho, aumentando a taxação do consumo (em especial do consumo de energia) parece-me uma bandeira que o movimento ambientalista nunca deveria deixar cair.
A segunda, a iniciativa da Câmara de Mação de lançar um projecto piloto de transport-on demand. Torço para que seja bem gerido e tenha bons resultados para que passe de experiência piloto de seis meses a modelo permanente de transporte público e que contagie aos poucos todos os outros municípios com territórios de baixa densidade. A exploração deste modelo de transporte público tem muito maiores probabilidades de sucesso a uma escala supra-municipal que a uma escala municipal, mas antes quem avance que ficarmos à espera de soluções ideiais.
Bom 2013
henrique pereira dos santos
São apenas boas perspectivas de futuro.
Uma, a proposta da plataforma de Moreira da Silva de transferir taxação de trabalho para a emissão de CO2. Por mim prefiro a transferência da taxação do trabalho para o consumo de energia, é mais simples e mais universal, mas o princípio de diminuir a taxação do trabalho, aumentando a taxação do consumo (em especial do consumo de energia) parece-me uma bandeira que o movimento ambientalista nunca deveria deixar cair.
A segunda, a iniciativa da Câmara de Mação de lançar um projecto piloto de transport-on demand. Torço para que seja bem gerido e tenha bons resultados para que passe de experiência piloto de seis meses a modelo permanente de transporte público e que contagie aos poucos todos os outros municípios com territórios de baixa densidade. A exploração deste modelo de transporte público tem muito maiores probabilidades de sucesso a uma escala supra-municipal que a uma escala municipal, mas antes quem avance que ficarmos à espera de soluções ideiais.
Bom 2013
henrique pereira dos santos
quinta-feira, dezembro 06, 2012
As elites e o ordenamento do território
Uns pobres de espírito que desconhecem o mundo maravilhoso do licenciamento zero e da ausência de REN na decisão de ocupação do território a queixarem-se de terem caído uns pingos de água em vez de glorificarem os maravilhosos ganhos económicos previamente obtidos
Ao passar à porta de um café vi Ribeiro Telles sentado a ler os jornais do dia.Quem tem lido o que escrevo sabe que, de maneira geral, onde estiver Ribeiro Telles eu estarei na oposição.
Mas nunca confundi as minhas divergências de opinião com a genuína simpatia que tenho por Ribeiro Telles pelo que, apesar do tempo contado, entrei no café e fiquei por ali dez minutos a conversar sobre o projecto da Faia Brava ou sobre o que estamos a fazer em Vila Pouca de Aguiar com o controlo de combustíveis através do pastoreio dirigido.
Como sempre a curiosidade de Ribeiro Telles, as perguntas que faz, o interesse pelo que desconhece é cativante e saí dali, atrasado (coisa que me incomoda profundamente) mas a achar que tinha valido a pena.
Vem isto a propósito da coincidência de ter ouvido, ao princípio da tarde do mesmo dia, uma intervenção de José Gomes Ferreira para uma plateia de empresários e gestores.
No meio de muitas certezas sobre economia e um ataque cerrado aos banqueiros (cai sempre bem em qualquer demagogo que se preze e é uma constante de todas as épocas de crise, não deixando eu de me lembrar a queima de Jacques de Molay para resolver os problemas financeiros de Filipe, o Belo) aparece um tópico sobre a RAN e a REN, como uma questão magna para libertar a economia nacional.
José Gomes Ferreira não é uma pessoa qualquer, desinformada e que lê o Correio da Manhã no café da esquina. É inegavelmente um membro das elites portuguesas.
O que ele disse, aliás, não se afasta muito do que têm sido posições dominantes das elites satisfeitinhas consigo próprias e distantes da curiosidade e interesse em ouvir de Ribeiro Telles (outro membro das elites em Portugal, claro, mas frequentemente desalinhado do pensamento dominante).
É inacreditável a quantidade de asneiras sobre ordenamento do território ditas por José Gomes Ferreira. Falo de asneiras factuais, não falo de opiniões, que dariam mais meia dúzia de posts.
José Gomes Ferreira diz que os PDMs foram feitos para integrar 90% em RAN e REN e deixar apenas 10% para a urbanização, de modo as que os lobbies (financiados pelos bancos, sempre os maus da fita) pudessem especular com o preço dos terrenos devido à escassez de oferta.
A quantidade de informação factual errada nesta tese é impressionante, mas não satisfeito José Gomes Ferreira continua, argumentando que se os PDMs previssem 50% de RAN e REN e 50% para a urbanização se acabaria com o poder dos funcionários que prejudicam os empresários com os seus pareceres (uma versão soft da tese da máfia verde já aqui tratada várias vezes) e a economia poderia prosperar, defendendo uma coisa chamada licenciamento zero.
Resumindo, José Gomes Ferreira não sabe que o uso urbano, em qualquer país normal, não passa dos 3% (talvez na Holanda seja um pouco acima, não sei), não sabe que os PDM em Portugal prevêem duplicar a área construída (um aumento de 100% não chega para travar a especulação provocada pela escassez com uma população estagnada?), não sabe que talvez a Alpiarça tenha 90% do concelho em RAN e REN, e até talvez haja um ou outro concelho onde isso aconteça (eu tenho as minhas dúvidas de que, a existirem, eles sejam mais de meia dúzia) mas que a generalidade dos concelhos em Portugal têm muito menos de 90% da sua área m RAN e REN, não sabe que há mais mundo que RAN e REN e urbanização nos zonamentos dos planos, não sabe que o negócio não é especular em 10% do território por escassez de oferta de terreno urbanizável, mas sim comprar terreno não urbanizável e conseguir as decisões administrativas para o tornar urbanizável, de maneira geral com base em argumentos semelhantes (mas falsos, na maioria das vezes) aos de José Gomes Ferreira, não conhece as ineficiências de uma localização dispersa da habitação, indústria e equipamentos, desconhece os custos para os contribuintes em investimento estrutural e operação do fornecimento de bens básicos, como esgotos, água, electricidade, correio, transportes, etc., etc., etc..
E não sabe também das ineficiências estúpidas a que estas conversas de treta das elites sobre estas matérias têm conduzido, como à inefável plataforma logística de Castanheira do Ribatejo, que continua vazia, apesar dos investimentos privados imensos (dívida privada, falta de crédito, sufoco financeiro, imparidades bancárias nos activos imobiliários, alguém saberá de onde virão estes problemas?) e, até agora, inúteis, e investimentos públicos absurdos em acessibilidades e isenção de taxas (dívida pública, austeridade, crowding out, será que alguém saberá de onde vêm estes problemas).
Mas acima de tudo, José Gomes Ferreira aceita ter opiniões definitivas sobre esta matéria sem que até hoje exista um único estudo que demonstre a influência negativa da RAN e da REN na economia do país, embora exista abundância evidente do preço a que nos está a ficar o recente peso excessivo do sector da construção na economia do país, em grande parte à custa destes jeitinhos de ajustar as regras ao sector, em vez de ajustar o sector às regras, bem dos custos sociais que nos estão a ser cobrados pelo ajustamento que consiste em reduzir o peso da construção e afins dos seus 30% da economia para os saudáveis 6 a 7% a que teremos de chegar.
E estamos a falar de uma pessoa que tem obrigação de estar especialmente bem informada.
Imaginemos o que vai na cabeça de pessoas com informação média, filtrada por estas elites bem informadas.
Estamos feitos.
henrique pereira dos santos
sábado, dezembro 01, 2012
Redes de anónimos
Há quem já tenha percebido que neste momento sou responsável pela gestão da ATN, Associação Transumância e Natureza, que gere a Reserva da Faia Brava, a primeira área protegida privada de Portugal.
A ATN tem muitas coisas a correr, incluindo neste momento uns cabazes de Natal com produtos locais que ajudam a financiar os projectos de conservação (todo o que existe em curso na associação é anterior ao meu trabalho, não tenho por isso qualquer responsabilidade ou mérito no que está a ser feito e já estava antes).
Como acontece em associações pequenas e com orçamentos apertados, vai-se fazendo o que nos parece útil, o que faz com que de vez em quando eu assuma funções de marçano, carregando uns sacos de coisas para pessoas que em Lisboa apoiam a ATN.
Num destes dias, na entrega de uma encomenda, falam-me de outro projecto, de que já tinha ouvido falar, o Re-Food.
E pronto, é a minha vez de vos sugerir que contribuam para um projecto tão inteligente e útil como discreto: se quiserem transferir qualquer coisa para este NIB (0036 0000 9910 5880 0342 2) o que transferirem vai para a compra de uma (ou duas) bicicletas de carga que ajudam na distribuição das refeições.
Um projecto solidário, feito por voluntários que fazem uma actividade simples: vão, de bicicleta, buscar refeições onde elas sobram (restaurantes e que tais) e entregar onde fazem falta.
É uma boa idea e um passo no caminho da sustentabilidade.
henrique pereira dos santos
Flora-on
Para agir informadamente e com sucesso sobre a realidade é necessário: 1) torcê-la, reduzi-la, simplificá-la para caber num sistema de classificação; 2) dominar a sua taxonomia. Assim é com tudo, e com as plantas. Para conservar plantas e as suas socializações (a vegetação) é preciso dominar a sua taxonomia, do mesmo modo que para cozinhar comida vegetariana é necessário conhecer os legumes, ou para gerir adequadamente uma pastagem identificar as suas leguminosas.
As plantas alimentam-nos, curam-nos e envenenam-nos. Interagir com os seres vivos faz-nos felizes. Classificar plantas deve ser importante, mesmo. Por isso a botânica como ciência começou por ser taxonómica. E por certo éramos já botânicos profissionais quando deambulávamos sem destino, no limiar da extinção, nas margens do lago Turkana.
Se a sistemática botânica é importante então seria expectável que o sistema público de ensino (a todos os níveis), ou os institutos de conservação da natureza liderassem o seu ensino e difusão. Algo semelhante ao que se reclama para o sistema público de radiodifusão, não é assim? Informação livre regulada pelo estado!!! Mas, não. Cada vez se ensina menos o fundamental, e mais o assessório, o ultraespecializado de escassa utilidade prática, que embota a nossa capacidade agir sobre o mundo. Na escola aprende-se tudo sobre OGM's. Enxofradelas desconexas e sem convicção sobre como maltratratamos o mundo são o prato do dia. Na biologia desce-se ao pormenor da estrutura e função dos organitos, dos mecanismos moleculares da célula, da bioquímica da respiração e da fotossíntese contabilizada ao átomo, mas nada ou muito pouco de botânica clássica. Do mesmo modo gastam-se horas com fitorremediação (uma técnica de escassa utilidade, Darwin explica porquê) ou a falar de algas para produzir combustíveis (explicando como se fertilizam com CO2 mas omitindo o fósforo), mas nada sobre o mais importante ramo da botânica aplicada: a agricultura. Aqui, em Portugal, e no mundo fora.
Felizmente a sociedade civil quer lá saber de ideias e grupos dominantes. Livres dos sistemas de reprodução social que colonizam o estado (e que bem se identificam na educação!), das ideias feitas dos pensadores da educação, dos licenciados disto e daquilo, de quem vence o concurso de catedrático, dos Lysenkos e dos comissários, teimam em seguir o seu caminho, e viver a sua liberdade.
Por isso admiro tanto o projecto Flora-on (www.flora-on.pt). Informação livre, democrática para todos sobre uma coisa muito importante: as plantas. Quem sabe e quer contribuir,contribui. Quem não quer, não consegue estragar. Sem subsídios ou concursos públicos, a utilidade social do Flora-on cresce de dia para dia. São estas coisas que me dão esperança.
quarta-feira, novembro 28, 2012
Greenwashing?
Tenho sido muitas vezes acusado de fazer ou defender o greenwashing de algumas empresas a propósito do meu apoio a algumas das suas acções, ou por não alinhar no mainstream que postula que os interesses económicos são por definição inimigos da resolução dos problemas ambientais.
Agora ao ler isto perguntei-me o que o distingue de tantas outras acções consideradas como greenwashing.
Será mesmo o conteúdo do projecto ou simplesmente a diferença está em escolher os parceiros certos?
henrique pereira dos santos
domingo, novembro 18, 2012
Stakeholder engagement - um exemplo prático
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| Imagem obtida aqui |
Em Portugal, o envolvimento de partes interessadas ainda é um assunto relativamente desconhecido; no entanto, em certas áreas começa a entrar na agenda dos conselhos de administração. A área de gestão florestal é muito propícia para implementar iniciativas de envolvimento de partes interessadas e os processos de certificação florestal têm sido um dos motores destas iniciativas.
Surgiu agora um exemplo prático de envolvimento de partes interessadas: a empresa Altri Florestal lançou recentemente um projeto de envolvimento, em que oferece a possibilidade a organizações interessadas, no sentido mais lato possível, de estabelecer uma parceria na gestão da biodiversidade de duas propriedades florestal no SIC da Serra de Monchique.
Trata-se de duas propriedades, no total de cerca de 90 hectares, ocupadas por vegetação mediterrânica típica da serra, com dominância de medronhais e urzais, mas também com formações interessantes e relativamente raras, como os adelfeirais de Rhododendron ponticum subsp. roboris. A zona é de ocorrência habitual da águia de Bonelli e tem condições muito favoráveis para o lince-ibérico.
O que se pretende nesta iniciativa é ceder a gestão destas propriedades a uma entidade com mais conhecimento e mais vocação para estas áreas de conservação. A parceria permite por um lado dar uma nova dinámica à gestão das propriedades em causa, como por outro lado partilhar experiência e conhecimento entre as duas organizações envolvidas na parceria.
A Altri Florestal abriu um processo de concurso público para a apresentação de propostas para a gestão das propriedades, aberto a qualquer entidade com ambição para assumir a gestão de propriedades florestais. Para tal, é preciso descarregar o caderno de encargos através do blogue da empresa e elaborar a proposta. Depois de analizadas as propostas recebidas, será escolhida a proposta mais interessante em termos de gestão dos valores de biodiversidade e natureza.
Henk Feith
Responsável para gestão florestal da Altri Florestal
domingo, novembro 11, 2012
A tal senhora...
Amanhã a chancelera Angela Merkel visita Portugal.
Nada me leva contra a chancelera nem tenho particular simpatia pela corrente política que representa. Reconheço-a como uma das pessoas mais poderosas do mundo e provavelmente a mais poderosa de Europa. Para mim é mais uma numa longa lista de estadistas que criaram em formaram a Europa que temos hoje em dia, com todos os seus defeitos e virtudes.
Mas o que me estranhou sempre foi o curioso hábito dos adversários políticos, maioritariamente de esquerda, de a tratar por "a senhora Merkel". A senhora... Sem entrar em piadas bacocas sobre a eventual falta de beleza física da chancelera, pouca relevante para a função que cumpre, nunca entendi essa mania de referir, invariavelmente, o facto da chancelera ser uma "senhora".
Não me lembro de ter ouvido falar em "o senhor Cameron", "o senhor Hollande", "o senhor Rutte" ou "o senhor Passos Coelho". Então porquê "a senhora Merkel"? Muito mais, porque a forma como normalmente é exprimida o adjetivo "senhora" (basta ouvir a eurodeputada Ana Gomes da PS a bradar contra "a senhora") transpira desprezo e rejeição, que, embora entenda-se como uma rejeição da política da chancelera, rapidamente contamina o adjetivo. Aparentemente, é factor agravante que a política alemã (europeia?), supostamente nefasta para o povo Português, seja representada por uma mulher em vez de um homem, e que motiva os seus adversários políticos a referir a torto e direito o género da chancelera.
Ser obrigado a abandonar a festa despesista que reinou durante 2 décadas em Portugal é doloroso, mas aparentemente o facto de o abandono ser imposto por uma mulher fera ainda mais o orgulho latino, mesmo o orgulho esquerdista. Pois é, a emancipação é um estado mental difícil de adquirir...
Chancelera Merkel, seja bem-vinda a Portugal, país acolhedor e tolerante, apesar da surda gritaria de uma minoria.
domingo, novembro 04, 2012
Viva a privataria- Portugal experiência e palco do maior roubo à sua gente
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| Adicionar legenda |
Época de uns vermes forbianos e de milhões/biliões de pessoas boas e, em certa forma, inocentes. Inclusive os próprios alemães.
Ler/ divulgar/ (re) agir: A CARTA À ALEMANHA
Esta senhora Merkel vai ganhar €23.000 mensais, e quer que nós tenhamos mais 5 anos de austeridade. Não somos números em folhas de excell nem meros telecomandados.
Temos que enterrar este neo-liberalismo e colocá-lo no Museu dos Horrores o quanto antes! [fonte texto BioTerra]
sábado, novembro 03, 2012
Acções de erradicação de eucaliptos?
"A acção será feita por voluntários e por todas as equipas ECOs-Locais que queiram participar, com a orientação de técnicos da LPN. A actividade consistem na erradicação de plantas invasoras (acácias e eucaliptos). O objectivo será o de todos os voluntários contribuírem para a preservação e desenvolvimento das espécies autóctones e do ecossistema associado."
Este parágrafo vem directamente do último boletim electrónico da Liga para a Protecção da Natureza.
Uma associação séria, que se dá ao respeito, não permite que uma palavra a mais num parêntesis destrua credibilidade em vez de criar valor.
É incompreensível o acrescento dos eucaliptos como invasora a erradicar:
1) Não existe consenso científico sobre a classificação do eucalipto como invasora (pelo contrário, existe quase consenso em não considerar o eucalipto como invasora e um pequeno grupo de investigadores que questiona, legitimamente, esse quase consenso);
2) Ainda que o eucalipto se considere uma invasora, a sua erradicação não tem qualquer dificuldade (as celuloses têm-no feito em centenas de hectares em que recuaram na produção de eucalipto, pelas mais variadas razões);
3) Misturar um problema gravíssimo e difícil como o controlo das acácias com uma birra ideológica como a erradicação do eucalipto só desvaloriza o problema das acácias, sem nenhum ganho para o combate à expansão do eucalipto.
E aqui estamos, num movimento ambientalista preso em fantasmas, sem consistência estratégico e refém das agendas dos seus activistas que infelizmente têm pouca relação com os problemas ambientais da sociedade portuguesa.
henrique pereira dos santos
sábado, outubro 27, 2012
Novas histórias do lobo mau
Um dia um pastor, a quem a idade ia já pesando, lembrou-se de declarar mais uma cabra para subsídio.
"Mais cabra, menos cabra, a eles tanto lhes dá, e a mim sempre me ajuda a passar a velhice".
Com o tempo a passar, foi aumentando o negócio: o rebanho ia diminuindo no campo e aumentando no subsídio.
"Mais cabra, menos cabra, que mais dá?".
Vendendo uns cabritos aqui, comendo umas chanfanas acolá, e rebanho ia minguando, mas o dinheirito ia sempre aumentando, que no papel o rebanho prosperava e "eles" pagavam, que bem tinham com quê.
Um dia veio uma inspecção e perguntou-lhe pelas 200 cabras. Aqui estão vinte e uma, mas ali para cima, lá pelo monte, andam aquase duzentas, que algumas até me esqueço de as meter ao subsídio.
Mas quê, o homem da inspecção queria vê-las, tinha de registar os números dos brincos, e sem isso não recebia o dinheiro da inspecção.
O pastor coçou a cabeça, foi à adega ao presunto, trouxe um caneco valente, e sentou-se a conversar com o inspector, dizendo-lhe que esperasse que as cabras já tornavam para baixo.
Vai da broa, vai do presunto, o caneco ora vazava ora enchia, mas o raio do homem que não se calava com os números dos brincos.
O vinhito não era mau, mas já se vê, uma espécie de verde, que ali era mais para o frio, era difícil ter mais de sete de grau, os homens até lhe chegavam bem, mas a coisa não se resolvia.
"As cabras já vão chegando, eu pelo menos já vejo umas quarenta, mas esta cabeça já não está tão boa como quando chegou, volto daqui a dias para ver as outras cabras, por agora vou-me embora que me parecem os números todos turvos."
O pastor dava voltas e voltas na cama para saber como resolver o assunto.
Ele bem sabia onde andavam as cabras, nos tachos e panelas deste e daquele e o problema é que ainda lhe pediam que voltasse a entregar o dinheirinho que estava gasto.
A mulher, farta de o ver às voltas a dizer que se ia desgraçar, sempre lhe disse: "és sempre o mesmo cabeça no ar, deixa-me dormir sossegada, diz ao homem que o lobo te levou os animais na semana passada".
E foi assim, depois do sono dos justos, que o homem passou os dias seguintes a dizer em tudo quanto era aldeia e vila, que andavam feras no monte a roubar-lhe os animais.
Não sei o que me deu para escrever esta história completamente absurda.
Só se foi este post do melhor surrealismo que tenho lido em Portugal desde o António Maria Lisboa.
henrique pereira dos santos
quarta-feira, outubro 17, 2012
Asneira grossa
Este governo, tal como o anterior, parece apostado em desvalorizar o regulador e tomar a opção de estabelecer preços políticos para a electricidade.
Na verdade o pequeno aumento da electricidade não significa que se pague menos, significa que se paga diferido e com juros (uma boa metáfora do país).
E tal como critiquei o Governo anterior, e o movimento ambientalista que ficou calado com esta obsessão pelos preços baixos da electricidade, critico este Governo, e o movimento ambientalista que ficar calado, por esta opção anti-sustentabilidade que consiste em dar o estímulo errado para a eficiência energética ao mesmo tempo que se cria mais dívida no défice tarifário.
Não estou de acordo e não me conformo. Com o Governo, e com o movimento ambientalista que temos.
henrique pereira dos santos
segunda-feira, outubro 15, 2012
Olha, uma boa ideia.
Imagem vinda daqui
O lançamento oficial parece que é daqui a três dias.
O coordenador é o meu Professor de biologia dos primeiros anos da universidade, dos poucos de que me lembro com absoluta clareza, sem que isso tenha qualquer relação com o facto de conhecer o filho, anos mais tarde, mas apenas com a qualidade do ensino.
henrique pereira dos santos
PS Enquanto o mundo pula e avança, produzindo coisas sempre prometidas (quer o que falo no post, quer a flora-on, quer o naturdata, quer o biodiversity4all, etc., etc.), o SIPNAT há dez anos que vai ficar fantástico e disponível nos próximos seis meses.
O lançamento oficial parece que é daqui a três dias.
O coordenador é o meu Professor de biologia dos primeiros anos da universidade, dos poucos de que me lembro com absoluta clareza, sem que isso tenha qualquer relação com o facto de conhecer o filho, anos mais tarde, mas apenas com a qualidade do ensino.
henrique pereira dos santos
PS Enquanto o mundo pula e avança, produzindo coisas sempre prometidas (quer o que falo no post, quer a flora-on, quer o naturdata, quer o biodiversity4all, etc., etc.), o SIPNAT há dez anos que vai ficar fantástico e disponível nos próximos seis meses.
quinta-feira, outubro 11, 2012
Gerir paisagens é comer inteligentemente
“Alimentação e Biodiversidade”
19 Outubro 2012
Auditório da Santa Casa da Misericórdia
Vila Pouca de Aguiar
Programa
9.30 Sessão de Abertura
10.00 O Fundo EDP de biodiversidade, balanço de cinco anos
de existência.
10.20 "Estratégias de patrimonialização alimentar. Do
fumeiro do Barroso à salicórnia de Lavos", Daniela Araújo
10.40 “Alimentação e fertilidade do solo”, Carlos Aguiar
11.00 Pausa e prova de produtos locais
11.30 "Dinâmica e criatividade jovem a favor da
valorização do território" – João Ministro, “Projeto Querença”
11.50 “Valorização da Multifuncionalidade e Dinâmica dos
Soutos e suas Paisagens”, Anabela Doreta, Agroaguiar
12.10 Debate
13.00 Almoço com base na produção local, incluído na
inscrição
14.30 “Cuidar o meio ambiente tem um sabor: Queixos do
Xures", António da Cunha, Pastor Galego
14.50 “Segredos com sabores de ortiga e cogumelos”, Manuel Paraíso,
Confraria da Ortiga
15.10 “A TerriuS e o papel da produção na preservação e
valorização do ecossistema da Serra de S. Mamede – Marvão”, Rita Martins,
TerriuS
15.30 Debate
16.30 Pausa e prova de produtos locais
17.00 Apresentação da componente de valorização de produtos
do projeto da AguiarFloresta, Henrique Pereira dos Santos
17.30 Encerramento
Informações e inscrições:
AGUIARFLORESTA - Telf: 259 417 634 - E-mail:
biodiversidade@aguiarfloresta.org
quarta-feira, outubro 10, 2012
Vale a pena pensar nisso
Uma empresa de celulose celebra alegremente o seu registo mil na maior (e a única não dedicada a grupos específicos, sendo mesmo a única que tem trabalhado a possibilidade de registo de habitats e não apenas de espécies) base de dados de biodiversidade que existe em Portugal.
Ao mesmo tempo grande parte da academia e das associações de conservação teimam em estar ausentes destas bases de dados. E quando têm bases de dados de grupos específicos resistem a encontrar os mecanismos de partilha de dados entre as diferentes bases existentes.
Não deixo de me perguntar que diabo de relação a academia e as associações mantêm com a sociedade e com as pessoas comuns.
henrique pereira dos santos
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