Sempre houve este comércio da terra, talvez menos visível porque a relativamente recente entrada das imobiliárias lhes dá mais visibilidade.Mas não me lembro de tanta coisa à venda ao mesmo tempo.
Os mais velhos, quer tivessem ficado na terra ou não, descobrem que já lhes falta força e vontade para manter propriedades que os herdeiros desconhecem, seja nas extremas, seja na forma de gerir.
O primo, o amigo, o caseiro que ainda dava conselhos sobre a venda da madeira ou sobre a melhor altura da vindima entretanto também já não está à mão de semear.
E quando chegarem as partilhas, é mais fácil dividir dinheiro que terras.
E o que se vê de placas de venda é nas melhores propriedades, que os montes, as bouças, os tapados são, muitas vezes, pura e simplesmente abandonados, tanto mais que já muitos donos não lhes conhecem as extremas e nem sabem onde procurar os marcos ou as cruzes nas pedras, mesmo que seja possível lá chegar no meio do mato.
henrique pereira dos santos
Aqui do chamado "Portugal profundo", permita que lhe proponha outra versão da história. Após anos e anos de luta a "empobrecer alegremente", vendo as gerações mais novas a virarem as costas à terra, a especulação imobiliária trouxe uma derradeira esperança: o seu valor enquanto mercadoria. Nalguns casos a coisa resultou e a história dos PDM traçou um novo mapa de Portugal quanto a zonas urbanizáveis. Noutros, ficou apenas a esperança e o abandono. Agora que a crise bate forte, há quem regresse e há quem espere. Já dizia o barão de Rothschild: "quando vires o sangue a escorrer pelas ruas, compra terra".
ResponderEliminarCaro Zé Bonito,
ResponderEliminarA sua história não é diferente da minha. Lá chegarei às principais fontes de financiamento deste mundo, em que claramente o sector da construção (incluindo a venda das propriedades acumuladas ao longo dos anos pela família) e a segurança social desempenham um papel central.
henrique pereira dos santos