terça-feira, julho 14, 2009

Corram-nos à pedrada

A notícia abaixo foi retirada do Público e é meio doce meio amarga para mim.
Meio doce porque Fernando Ruas foi condenado, meio amarga porque a condenação é pouco mais que simbólica para um acto que, para além revelar o paupérrimo nível das elites em Portugal, é gravíssimo.
Um dirigente público eleito, que é simultaneamente o Presidente da Associação Nacional de Municípios, no exercício das suas funções não só dá cobertura ao não cumprimento da lei como ainda apela à violência sobre os agentes do Estado que apenas cumprem a sua obrigação de fiscalizar o seu cumprimento e tudo se resolve com uma ninharia de 2000 euros e não se fala mais nisso.
Na altura procurei mobilizar meia dúzia de pessoas para entrar com uma acção popular contra o senhor mas não consegui. E eu não tenho dinheiro para entrar por aí sozinho.
Espero que as agora as mesmas ONGs que boicotaram o fundo EDP de biodiversidade boicotem os financiamentos autárquicos até a Associação Nacional de Municípios se demarcar claramente desta atitude lamentável (tanto mais que vários presidentes de Junta estão a organizar uma coleta para pagarem a multa). Ou será que isto é menos grave que a campanha da EDP?
henrique pereira dos santos

"Autarca de Viseu sentenciado dois mil euros de multa
Fernando Ruas condenado por ter incitado a "correr à pedrada" vigilantes da natureza
13.07.2009 - 15h39 Lusa
O presidente da Câmara de Viseu e presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, foi hoje condenado a 100 dias de multa, à taxa diária de 20 euros, por ter incitado a "correr à pedrada" os vigilantes da natureza.Ruas foi, assim, condenado a um total de dois mil euros de multa, uma decisão da qual o seu advogado, Marçal Antunes, prometeu recorrer.Hoje, na leitura da sentença, Fernando Ruas não esteve presente por ter sido dispensado devido a um compromisso no Brasil em representação da ANMP. Na sessão anterior, o Ministério Público havia pedido a condenação do autarca a uma pena de multa não inferior a 120 dias. No julgamento estiveram em causa declarações feitas na Assembleia Municipal de 26 de Junho de 2006, onde o presidente da Junta de Freguesia de Silgueiros fez queixas dos vigilantes da natureza, o que levou Fernando Ruas a afirmar: "Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada. A sério, nós queremos gente que nos ajude e não que obstaculize o desenvolvimento. Estou a medir muito bem o que estou a dizer". No mesmo dia, perante a intervenção de um deputado do PS, que disse a Fernando Ruas ser "grave" o que estava a afirmar, este justificou que falava em "sentido figurado", como se pôde ouvir na gravação áudio daquela reunião levada a tribunal. No entanto, o procurador da República disse nas alegações finais que nunca foi explicado o sentido real da expressão "corram-nos à pedrada"."

5 comentários:

  1. peixe-porco14/7/09

    Portugal no seu melhor!

    Mas chamar o Fernando Ruas de "elite" parece-me abusivo. "Bagaço" parece-me mais adequado.

    Cumprimentos.

    PP

    ResponderEliminar
  2. Anónimo14/7/09

    O Fernando Ruas pertence a este mui exclusivo grupo de pessoas: (escrevo em inglês porque soa melhor e para não adulterar o original):

    "Pack of low grade morons who ought be locked in portable toilets and set on fire"

    ResponderEliminar
  3. Anónimo14/7/09

    "Set on fire", não sei; mas haveria uma certa justiça divina (ou, pelo menos, simetria) se fosse corrido à pedrada, em "sentido figurado", obviamente.

    ResponderEliminar
  4. Caros Anónimos,
    Não estou de acordo.
    Uma pessoa que é várias vezes eleita pelas pessoas da sua terra e que depois é eleito pelos seus pares para presidente da Associação Nacional de Municípios faz necessariamente parte das elites.
    As nossas elites é que podem ser diferentes do que vocês gostariam, mas isso...é a vida.
    henrique pereira dos santos

    ResponderEliminar
  5. neste dia, tive vergonha de ser visiense.

    ResponderEliminar

Comentários anónimos são permitidos sempre e quando os seus autores se abstiverem de usar este espaço para desenvolver argumentos de tipo "ad hominem". Comentários que não respeitem este princípio serão apagados ou, no caso do sistema de moderação de comentários estar em funcionamento, não publicados.

Os autores do blogue reservam-se ainda o direito de condicionar a publicação de comentários depropositados, insultuosos, ou provocadores mesmo quando assinados.