quarta-feira, janeiro 04, 2012

Contos da loucura normal



Li hoje uma notícia do Público sobre a diminuição de consumo de electricidade em 2011. A meio do que estava a ler fui ver quem era o jornalista que escrevia para ver se valia a pena continuar. Era o Ricardo Garcia, portanto li até ao fim, porque é um jornalista sério e rigoroso, o que quer dizer que o absurdo que estivesse a ler seria da responsabilidade das fontes e não falta de juízo do jornalista.
Mas mesmo assim, mesmo confiando no jornalista, fui às fontes confirmar que não havia lapso nas transcrições e lá estava:
Leio, releio, releio e ainda assim não acredito que a QUERCUS ache que o preço dos bens e serviços é uma variável exógena e não faz parte das políticas de gestão da procura eficiente. De certeza que a QUERCUS já ouviu falar do princípio do utilizador pagador e da tragédia dos comuns. De certeza.
Eu sei que a QUERCUS tem um namoro prolongado com o Estado e com as medidas administrativas e tem uma antipatia pelos mercados e pela liberdade de escolha, mas daí a concluir que a política de preços de bens essenciais como a energia é um pormenor sem dignidade política (como aliás me respondeu um dirigente da dita organização há anos quando, perplexo, o questionei sobre o silêncio da QUERCUS perante as medidas idiotas do Governo da altura que visavam manter artificialmente baixa a tarifa da electricidade), vai um passo de gigante.
Foi com certeza uma corrente de ar que baralhou momentaneamente as ideias de quem escreveu o comunicado.
Só pode ser isso.
henrique pereira dos santos

3 comentários:

  1. Não é só a QUERCUS. Outras organizações ambientalistas mais direitistas, nomeadamente o GEOTA, têm a mesma atitude. Ainda me lembro do João Joanaz de Melo em 2000, quando eu defendia que os ambientalistas deveriam pugnar por uma liberalização do preço dos carburantes que permitisse a subida desse preço, me responder que tal não valeria a pena uma vez que a elasticidade no consumo de carburante é nula ou muito pequena. Ou seja, a defender que as pessoas consomem a mesma quantidade de gasóleo seja qual f o preço deste.

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  2. É de facto irracional e sem sentido o excerto do comunicado(?).
    A política de preços é um indutor de poupanças e melhorias energéticas, como aliás de prova pela diminuição da intensidade energética por unidade de produto.
    Incompreensível, pois.
    E atenção o mercado da energia é um mercado político, onde as regras da economia são muito manipuladas( mais uma razão para defender os aumentos!!!)
    Hoje na área das renováveis e da micro geração estamos outra vez a regredir, ou a abrir portas fechadas....
    António Eloy

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  3. Anónimo8/1/12

    "me responder que tal não valeria a pena uma vez que a elasticidade no consumo de carburante é nula ou muito pequena."

    Que rica novidade. Já pelo menos desde os anos 70 que se tem dados empíricos sobre a elasticidade ao consumo de carburantes, e no curto prazo a elasticidade é quase nula (menos de 0.1), só no médio-longo prazo (5-10 anos) é que começa a tender para os 0.4 e os veículos mais gastadoras começam a ser substituídos (e o paradoxo de Jevons começa a actuar e o número de kms percorridos aumenta e lá se vai a poupança).


    "uma liberalização do preço dos carburantes que permitisse a subida desse preço"

    LOLOL.
    A liberalização do preço dos carburantes foi feita para que alegadamente o mercado concorrencial permitisse que estes baixassem.

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