
Acompanhei diariamente a corrida eleitoral à Presidência dos EUA, desde as primárias até ao 4 de Novembro final. Atentamente, sigo a constituição da nova administração americana. Nunca alinhei em Obamamanias, mas agrada-me Barak Obama. A primeira, para desencanto dos mais naifs, começa previsivelmente a ruir, mesmo antes da tomada de posse da nova administração. Sinal de extrema confiança e de sensatez, Obama nao se coibiu em convidar alguns dos seus adversários políticos. Bons exemplos disso são Joe Biden e Hillary Clinton, em cargos tão relevantes como a Vice-Presidência e a Secretaria de Estado, respectivamente. E ainda Robert Gates, um republicano "moderado", na crucial pasta da Defesa.
Não questiono a inegável estratégia política implícita, que, por exemplo, visa anular potenciais adversários em eleições futuras, mas não é esta a vertente que aqui desejo salientar.
Um dos cronistas do El Pais afirmava, recentemente, que este é um governo da competência sobre a ideologia, a lealdade e a amizade. Concordo com esta análise, incómoda a muitos governos (e não só), nomeadamente europeus, que tanto vociferam contra tudo o que vem do outro lado do Atlântico.
Este tipo de estrutura governativa apresenta inegáveis riscos, é certo. Mas, como dizia Carlos Magno, um dos bons analistas políticos da nossa praça, em crónica recente, espera-se que "seja uma administração onde cada pessoa traga as suas próprias competências, a sua própria experiência, em vez de se estarem a vigiarem uns aos outros". Pessoalmente, acredito na capacidade de comando de Obama, de tão poderosa armada. O tempo confirmará (ou não), as minhas convicções. Mas creio interessante assinalar esta nova forma de fazer política, que dá prioridade às competências em deterimento da amizade e côr da camisola. Válido para governos de países e não só.
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