
Passei há uns dias pela Quinta Grande, bem perto de Coruche. Foi ali que há mais de vinte anos ocorreu a primeira destruição de ninhos de Cegonha-branca condenada em tribunal (ver senteça aqui). O caso ocorreu na Primavera de 1988, quando existiam na Herdade da Quinta Grande, três pinheiros-mansos com mais de duas dezenas de ninhos ocupados por casais de Cegonha-branca. Em trabalhos de recenseamento, uma equipa da Quercus apercebeu-se que os ditos pinheiros iriam ser cortados dias depois, durante o período de incubação da maioria dos casais. Apesar de informada, a administradora daquela propriedade não hesitou em cortar as grandes árvores. O caso foi denunciado às autoridades e a dita administradora constituída arguida e posteriormente condenada a pagar 130.000$00 de multa e a construir duas estruturas artificiais para suportarem plataformas que pudessem compensar, para as aves, a perda daqueles pinheiros. A notícia correu o país, sendo este caso, ainda hoje, bem conhecido no meio rural.
Este condenação e a sua mediatização, ocorridas numa época em que a Cegonha-branca saía de uma forte e longa regressão, serviu como exemplo preventivo para outras situações análogas. Hoje em dia, a destruição ilegal de ninhos de Cegonha-branca deverá ser a causa de insucesso de apenas 1% a 2% dos casais que nidificam no nosso país.
Gonçalo Rosa
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