segunda-feira, dezembro 13, 2010

Caderno de campo

Umas plantas de uma observação do Francisco, que não faz a mínima ideia do que seja. Alguém, cedo ou tarde, identificará e dir-lhe-á o que isto é. Noutras circunstâncias corrigem-se obervações com identificações erradas.
Sou um péssimo naturalista. Mas de vez em quando vejo alguma coisa que gostaria de saber o que é. De maneira geral telefono para quem eu ache que sabe do assunto e tento descrever o que vejo na esperança de que me expliquem o que é.
Foi o que fiz um dia destes com duas rapinas que vi. E liguei para o Francisco Barros.
A conversa foi parar ao biodiversity4all, em que o Francisco é um observador muito activo.
A verdade é que o que o Francisco me disse sobre a sua utilização do projecto me pareceu interessante.
Citando de memória e esperando não trair muito a ideia transmitida, o Francisco no essencial disse-me que tem aprendido muito com o uso do site.
Começou a usá-lo por ser um caderno da campo prático, sempre acessível em qualquer ponto onde haja internet e que vai usando aos poucos, à medida da disponibilidade, em qualquer parte.
Mas mais importante, o Francisco, porque estava doente e não estava a registar os grupos que conhecia melhor, começou a registar grupos que conhecia pior, em que tinha muitas dúvidas ou mesmo que não conhecia, fotografando e enviando fotografias.
Mas como o Francisco é um bom naturalista, mesmo que não saiba identificar o que vê, distingue o que é comum do que não é comum, ou simplesmente regista o que por qualquer razão lhe chama a atenção.
E de repente começou a receber feedback dos especialistas, entusiasmados com algumas observações, alguns invertebrados que não eram dados para a Península há uns anos, algumas plantas com localizações pouco expectáveis e por aí fora. E mais que tudo, como qualquer outro observador que entre no sistema, começou ver outros identificarem o que via e a aprender o que não sabia.
Hoje é essa possibilidade de ir à procura do que não conhece e receber em troca informação de quem sabe mais que o motiva na sua intensa participação.
Como utilizador de observações de terceiros e como não obervador, a mim interessa-me mais o resultado, a manipulação de mapas e coisas que tal.
Nunca tinha percebido como uma base de dados destas, apoiada numa rede de observadores não especialistas (mas que pode integrar, e integra, especialistas entre os mais de 1000 utilizadores registados), mas com o apoio de uma rede de especialistas (aliás internacional) constitui de facto um poderoso intrumento de formação e difusão de conhecimento.
Que cedo ou tarde se reflectirá na capacidade do país gerir melhor o seu património natural, porque o conhece melhor, mas sobretudo porque ajudou a criar um público mais informado e exigente.
henrique pereira dos santos

3 comentários:

  1. Anónimo13/12/10

    Ninguém está com vontade de comentar os resultados a Cimeira de Nagoya e
    a COP?

    ResponderEliminar
  2. Sérgio Murra Martins14/12/10

    Isso parece-me uma Crassula ovata. Não percebi se era para responder aqui mas como não estou no
    biodiversity4all...

    Cumprimentos,

    Sérgio Martins

    ResponderEliminar
  3. A ideia do post não era essa mas ainda bem que respondeu. Mas não se acanhe de estar no biodiversity4all que aquilo é 4all.
    henrique pereira dos santos

    ResponderEliminar

Comentários anónimos são permitidos sempre e quando os seus autores se abstiverem de usar este espaço para desenvolver argumentos de tipo "ad hominem". Comentários que não respeitem este princípio serão apagados ou, no caso do sistema de moderação de comentários estar em funcionamento, não publicados.

Os autores do blogue reservam-se ainda o direito de condicionar a publicação de comentários depropositados, insultuosos, ou provocadores mesmo quando assinados.