Sábado, Maio 17, 2008

O camarão e o seitan

Quando eu era pequenino lembro-me bem de se fazer lá em casa rissóis de camarão e arroz. E de não ser considerado um prato de festa.
Os camarões seriam provavelmente comprados aos miúdos (e também mais graúdos) que os vendiam de porta em porta a preços muito baixos. Estes camarões eram apanhados nas praias próximas, com meios rudimentares, directamente pelos pequenos pescadores que procuravam a subsistência familiar.
Não havia qualquer sistema de frio envolvido entre a apanha do camarão e a sua venda ao consumidor final. Em minha casa, casa de muita gente para alimentar, o camarão era cozido, descascado e quer um pouco da água do cozedura, quer sobretudo as cascas e cabeças do camarão eram passadas por um passe vite com o objectivo de aproveitar tudo o que fosse possível. O que resultava desta operação era usado para o molho branco do recheio dos rissóis. Tenho a vaga ideia, que não posso garantir, que os camarões, apesar de pequenos, eram ainda cortados em pedaços pequenos antes de se misturarem no molho branco para render mais. Tenho quase a certeza de que nem todos os rissóis tinham camarão (embora todos tivessem um forte gosto a camarão por via da tal técnica culinária) porque nessa altura eu não gostava de camarão (dá Deus nozes a quem não tem dentes) e os poucos bocados que apanhava nos rissóis passava-os a uma das minhas irmãs que era das poucas naquela ponta da mesa (a ponta dos mais novos) que gostava de camarão.
Vem esta crónica familiar (vá-se lá saber se inventada se verdadeira) a propósito de uma discussão sobre as consequências desta perturbação recente nos mercados alimentares, sobretudo com a alta dos preços dos cereais.
Nessa discussão referi o seitan como um produto de luxo e alguém perguntou por que razão falava do seitan e não do camarão.
Ora o camarão apanhado e consumido como descrevi não tem nada a ver com produtos de luxo e tem muito pouco de produto insustentável, pelo contrário, é uma maneira racional de consumir elementos importantes para a nossa alimentação com incorporações mínimas de energia e outros recursos.
A razão pela qual referi o seitan como um produto de luxo prende-se com a necessidade de, do ponto de vista da sustentabilidade, considerar luxo a incorporação de energia e a perda inútil de valor alimentar do que comemos e não o seu preço ou o valor moral que se pretende dar a diferentes alimentos.
O seitan é um substituto da carne em dietas vegetarianas e consiste num elemento manipulado de farinha de trigo à qual se retiram (não sei se sempre mas seguramente muitas vezes sem qualquer aproveitamento) os hidratos de carbono para se obter um produto de elevado valor proteico. O processo usa água em abundância (para lavar a farinha dos componentes que não interessam) e energia (para cozer). Ou seja, produzimos uma cultura exigente em solo como o trigo para depois, através de um processo fortemente consumidor de recursos, extrair proteínas que poderiam facilmente ser obtidas a partir de terrenos muito mais pobres, deitando fora grande parte do valor nutricional do que produzimos.
Confrontar estes dois usos dos recursos para alimentação foi o método que escolhi para procurar demonstrar que em matéria de sustentabilidade alimentar é completamente errado olhar para métodos e componentes da alimentação sem avaliar toda a cadeia que está a montante da chegada dos produtos ao prato.
Dizer de forma simplista que as dietas vegetarianas são mais sustentáveis que as dietas omnívoras, esquecendo que o mercado dos legumes e frutas é hoje um mercado largamente insustentável (mesmo que muitas vezes seja biológico) é o mesmo que dizer que o consumo de camarão é sempre um luxo (não falo sequer do caviar que um dos meus sobrinhos quase bebé comia às colherinhas (de vez em quando) no país em que vivia, um dos maiores produtores do mundo de caviar onde o valor alimentar é popularmente reconhecido como muito favorável para as crianças). Ou o mesmo que dizer que as dietas vegetarianas são sempre absurdas.
Sendo a sustentabilidade do nosso consumo muito influenciada pela alimentação parece-me que seria bom racionalizarmos a discussão e abandonar muitos dos preconceitos que têm dificultado discussões serenas e profícuas sobre a matéria.
Começando por abandonar os anátemas morais sobre tipos de alimentos e concentrarmo-nos na análise de todo o ciclo de vida de cada produto alimentar que nos chega ao prato.
henrique pereira dos santos

Sexta-feira, Maio 16, 2008

As estradas despistaram-se

“15 Mai 2008, 08:46h
Estradas de Portugal senta Quercus no banco dos réus
O presidente da associação ambientalista Quercus, Hélder Spínola, e o presidente do Núcleo da Quercus do Ribatejo e Estremadura, Domingos Patacho, vão ser julgados no Tribunal de Tomar, pela acção de protesto que realizaram em Julho de 2006 contra as obras do IC9. A primeira sessão do julgamento está marcada para quartafeira, 21 de Maio, às 14h30. Os dois responsáveis estão acusados de quatro crimes cometidos através da imprensa, uma vez que a E.P considera que os protestos e declarações dos ambientalistas aos meios de comunicação social causaram danos na imagem da empresa.
A acção judicial prende-se com os factos ocorridos a 29 de Julho de 2006, aquando da construção do traçado do IC9-Alburitel/Tomar e do sublanço IC3 Carregueiros/Tomar. Na ocasião, vários membros da associação ambientalista estiveram presentes no local a participar numa acção de protesto contra as obras de construção do traçado. O protesto foi objecto de várias reportagens televisivas, tendo sido entrevistados Hélder Spínola, na qualidade de presidente da Quercus, e Domingos Patacho, enquanto representante do Núcleo da Quercus do Ribatejo e Estremadura. Este último envergava uma t-shirt com o desenho de uma caveira e declarou às televisões que a obra que decorria “era ilegal” porque foi aprovada sem ter sido cumprido “o procedimento de impacto ambiental”. O responsável disse ainda que a EP “não tinha autorização para proceder ao abate de sobreiros e azinheiras”, salientando que não estavam contra a obra mas contra a maneira ilegal como consideravam que a EP estava a actuar.
Já Hélder Spínola referiu que o traçado “era o pior em termos de conservação de natureza” e que a empresa pública “não foi sensível” aos argumentos dos ambientalistas. A EP critica ainda o facto da Quercus terem adulterado em cartazes a sigla EP atribuindo-lhe o significado de “Estragos de Portugal – Entidade Prevaricadora do Estado”, considerando que tal situação lhes causou danos altamente lesivos no nome e imagem. A empresa pública considera que a acção ultrapassou “todo e qualquer limite de manifestação”.
No boletim electrónico da associação ambientalista foi publicado um artigo a
29 de Abril, com o título “A verdade inconveniente para a Estradas de Portugal”, onde os ambientalistas rejeitam as recentes críticas do presidente da EP, Almerindo Marques, aquando da inauguração do troço e reforçam a ideia de que a obra avançou no terreno “sem ter a devida autorização para abate e conversão dos povoamentos de azinheiras e sobreiros até Novembro de 2006”.
Na nota, assinada pela Direcção Nacional da Associação, os ambientalistas apontam que desde Novembro de 2005 que a associação tomou uma posição firme devido ao facto deste sublanço do IC9 atravessar um local proposto para “Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000, Sicó-Alvaiázere”. Os ambientalistas insistem que o mesmo foi construído “sem que tivesse sido cumprida a legislação ambiental nacional e comunitária”, considerando ainda que existiam alternativas de localização que não foram ponderadas”

Li esta notícia do Mirante e não quis acreditar. É irrelevante o que penso sobre o processo, é irrelevante o que penso sobre a forma de actuação da QUERCUS em geral ou neste caso em particular mas é para mim totalmente absurdo e inaceitável que as Estradas de Portugal, que são financiadas com os meus impostos, gastem dinheiro e energia a perseguir judicialmente uma organização de cidadãos por não ter claro na cabeça que existe um direito constitucional de liberdade de expressão.
henrique pereira dos santos

Sábado, Maio 03, 2008

teste de atenção

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Novo Presidente do ICNB

Por estes dias tomou posse um novo presidente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.
Este foi o seu discurso de tomada de posse:
"Exmo Senhor Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Senhores Secretários de Estado, minhas senhoras e meus senhores:
Apenas duas breves notas neste momento em que assumo a responsabilidade de conduzir os destinos do ICNB.
A primeira para agradecer a confiança profissional e pessoal que o Senhor Ministro e o Senhor Secretário de Estado do Ambiente depositaram em mim ao convidarem-me para aceitar a concretização deste projecto.
A segunda para manifestar-vos a minha firme disposição de sair vencedor deste desafio, o desafio de contribuir para que o ICNB se afirme como uma organização competitiva:
- competitiva desde logo no core business da sua actividade: a gestão da conservação da natureza e da biodiversidade – para tanto conto com todo o saber e toda a dedicação dos seus colaboradores; uma gestão que se deseja mais activa, mais inovadora, nos domínios não apenas técnicos e científicos, mas também organizativos e financeiros
- competitiva na capacidade de atrair todos os actores do desenvolvimento sustentável fomentando a cooperação e a parceria na concretização de projectos e iniciativas que contribuam para essa gestão activa. Sempre convictos mas sempre disponíveis para encontrar os equilíbrios que permitem as soluções.
- finalmente, dando passos significativos na mobilização desse autêntico exercito adormecido que, no futuro, garantirá que a conservação da natureza e da biodiversidade fará, de forma natural, parte da atitude de todos nós perante a vida. Refiro-me, aos cidadãos, aos nossos jovens, à nossa população. “Levar a natureza à cidade para que a cidade possa conservar a natureza” A abertura do ICNB ao exterior é uma condição para a sua competitividade.
Assumirei este projecto com o mesmo profissionalismo que noutras ocasiões e em outros projectos de outras actividades sempre o fiz
Muito obrigado!
Tito Rosa"

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Choveu? E então?

Sem tempo para mais mas sem querer deixar de assinalar o seguinte.
Tem chovido bem e de forma contínua nestes últimos dias. Parou há muito pouco tempo (dois, três dias).
Ontem depois das sete da tarde quando saí do sítio onde trabalho senti, inesperadamente, o tempo característico do vento Leste.
Já em casa procurei quer no tempo presente, quer na previsão sinais do dito. Não eram conclusivos nem concludentes.
Hoje de manhã parece-me mais sólida a informação do instituto de meteorologia.
Sendo assim, e apesar da chuva abundante e recente, prevejo uma rapidíssimo agravamento da situação no que diz respeito aos incêndios.
Quis fazer a previsão agora, antes das sete da manhã de sexta feira 24 de Abril, quando ela é ainda arriscada porque quero correr o risco de a testar sem margem para dúvidas.
Veremos a evolução dos fogos nos próximos dias e tiremos depois conclusões.
henrique pereira dos santos

Quinta-feira, Abril 17, 2008

A santa aliança

Vários factos encadeados nestes dias me trouxeram a este post.
Tenho defendido a aliança estratégica essencial entre agricultura (incluindo produção florestal, pastorícia e etc.) e conservação da biodiversidade.
Esta aliança conduz à defesa da afectação de dinheiros públicos à remuneração da biodiversidade produzida pelos sistemas agrícolas e que o mercado não consegue remunerar, baseando assim numa lógica de produção, que implica regulamentação, subsidiação e etc..
Continuo a pensar que é uma aliança estratégica que precisa de ser reforçada, mesmo reconhecendo os riscos principais para a sua sustentabilidade como sejam a oposição dos contribuintes e o desvio dos recursos públicos para outros objectivos que não a remuneração dos serviços prestados e a resolução das falhas de mercado, como acontece em Portugal.
Sinto crescer a convicção de que a verdadeira santa aliança é entre a alimentação e a biodiversidade, o que implica uma lógica de marketing, baseada no conhecimento e na informação.
Há riscos, claro, como a colonização da aliança pela lógica vegan, sucedâneos e próximos, a dificuldade de traceabilidade dos alimentos, não só pelo modo de produção mas também pela distância e por aí fora. Lembro-me, por exemplo, de num supermercado ter de optar entre um tomate biológico vindo da Holanda e um tomate de produção indiferenciada de Portugal e ficar sem saber quem tem maior incorporação de produção de biodiversidade.
Mas há também oportunidades, sobretudo porque a aliança se faz pelos sectores mais dinâmicos da sociedade e por via das decisões voluntárias dos consumidores.
Fazer estudos de ciclo de produção para a alimentação parece-me um caminho de oportunidades para separar o trigo do joio e permitir consolidar a santa alinaça entre a alimentação e a biodiversidade.
henrique pereira dos santos

Segunda-feira, Abril 14, 2008

O interior e a demagogia

Aqui há dias foi o Ministro da Agricultura que impôs uma afectação dos dinheiros públicos para o mundo rural que penaliza fortemente o interior a dizer que para apoiar o seu desenvolvimento iria lá colocar os técnicos do Ministério.
Agora foi Luís Filipe Menezes a dizer que a sede do ICNB deveria passar para Bragança.
Eu acho graça a estas coisas assim ditas para o ar sem a menor avaliação do que é dito mas simplesmente porque se acha que sim.
Não se pense que é um ataque meu de centralismo: há anos que defendo que o País deveria avaliar seriamente a possibilidade de mudar a sua capital administrativa para Castelo Branco. Não só por diminuir a pressão do litoral deslocando o emprego na administração mas sobretudo porque tenho a noção que as discussões sobre a terceira travessia rodoviária do Tejo ou do Novo Aeroporto de Lisboa seriam muito diferentes se os decisores estivessem em Castelo Branco (pelo menos durante o tempo que estivessem no Governo ou na Assembleia da República).
Mas estas propostas soltas de caridade em relação ao interior fazem-me muita azia.
Se Luis Filipe Menezes quer ter uma política diferente para o interior basta-lhe dizer com clareza que é preciso que os dinheiros para o mundo rural sirvam para pagar os serviços prestados pelas actividades económicas que não podem ser remunerados pelo mercado e não para apoiar a competitividade das fileiras que já são competitivas.
Mas acho que seria pedir muito.
henrique pereira dos santos

Segunda-feira, Abril 07, 2008

O interesse público, os estradistas e os ambientalistas

Neste endereço pode ser lido o mais recente relatório do tribunal de contas sobre as parcerias publico privadas no sector rodoviário.
Como romance o enredo é cativante mas os punhos de renda obrigam a um esforço acrescido para se perceber bem o que é dito.
Mas por vezes surge uma clareza meridiana que vale a pena citar:
"Verificou-se o desenvolvimento de projectos sem motivos de tráfego que o justificassem, prejudicando a aferição do value for money das respectivas PPP.
Conforme refere a CFMOPTC: O principal critério de selecção de projectos rodoviáios tem sido a conclusão da Rede de Estradas Nacionais conforme previsto no PRN, bem como o conceito de coesão territorial. O critério de tráfego e congestionamento tem sido um critério secundário, o que prejudica o Value a obter num cáculo de Value for Money.
Por seu turno, a EP salienta que: Em algumas zonas do interior, face aos custos das infraestruturas e aos níveis de tráfego, a cobrança de um preço adequado ao custo do investimento torna-se inviável, dada a dificuldade que isso representaria na aceitação pública."
O que o tribunal de contas aqui diz é que, pelo menos em algumas situações, é caro fazer estradas cuja justificação é próxima da metafísica.
E eu a pensar que eram os lobos que bloqueavam o desenvolvimento do país.
"Riscos com maior impacto financeiro
Constatou-se que os processos de reequilírio financeiro foram essencialmente devidos aos seguintes motivos:
Modificaçõs contratuais, decorrentes de alteração de políticas, no âmbito de cada uma das PPP
Incluem-se aqui, por exemplo, as modificações contratuais que ocorreram, no passado, no caso da Lusoponte.
Alteraçõs legislativas específicas
Foi o caso, por exemplo, da SCUT – Grande Porto com a obrigatoriedade de colocação de dispositivos de protecção para motociclistas.
Alteraçõs de Projecto
Neste campo constitui exemplo flagrante, como já o frisou, anteriormente, o TC, o sucedido com a concessão SCUT – Costa de Prata. ― que neste caso se verificou foram, por parte do Estado, duas alterações unilaterais consecutivas, sobre o mesmo objecto, tendo aquele, finalmente, retomado a solução inicial, perto de quatro anos depois (a primeira alteração foi pretendida em 2002).
Não obtenção prévia das DIA
Neste campo há que ter em conta que a desarticulação e a falta de estratégia global do Estado tem feito com que o concedente seja duplamente penalizado. Ao impor alterações unilaterais, o Estado não só fica exposto aos encargos directamente resultantes da alteração da obra, como, adicionalmente, aos riscos ambientais inerentes, cujos efeitos financeiros terá também que suportar. Neste aspecto, o IGOPTC, na sequência de um dos seus relatórios de 2006, veio referir que: Os montantes reclamados pelas concessionárias referem-se a sobrecustos por atrasos no programa de trabalhos e nos processos expropriativos, por introdução de eventos não considerados na proposta inicial, por traçados fora do corredor da proposta e por perda de receitas."
Notável descrição e notável discrição pública dos grandes opinadores face ao barulho dos lobos.
Onde está o interesse público? Ou será que o tribunal de contas é um coio de perigosos ambientalistas?
"Fundamentação e orçamentação dos processos de REF (reequilíbrio financeiro)
Constatou-se a não existêcia de condições para o adequado controlo da orçmentação prévia das modificações impostas pelo Estado.
Actualmente, já é obrigatória a prévia orçamentação das alterações unilaterais, por força do regime legal das PPP, em vigor. Porém, não se mostram reunidas as condições adequadas para o respectivo controlo pelas comissões nominativas, havendo, neste ponto, que ter em conta o que foi atrás referido quanto aos mecanismos de funcionamento destas comissões. Acresce que este seria um aspecto que poderia ganhar em transparência ao ser objecto do reporte público já atrás referido.
De facto, mais do que a existência de meros orçamentos prévios, o que está em causa é a possibilidade de aferir, de forma sistemática, o realismo dos valores dos mesmos e, portanto, de se verificar se são cumpridos os objectivos da sua existência: accountability, value for money e affordability."
Outra vez o tribunal de contas a dizer o mesmo que os ambientalistas: falta transparência e reporte público em todo este processo (os 100 milhões do lobo, por exemplo, não sabe de onde e como apareceram).
Acho que não vou citar mais este relatório por não querer ser responsável por uma vaga depressiva em quem tenha um mínimo de interesse pela boa gestão dos dinheiros públicos e pela boa afectação dos recursos públicos e privados disponiveis para o desenvolvimento do país.
henrique pereira dos santos

Quinta-feira, Abril 03, 2008

Natureza de massas

Sob este título Manuel Rocha critica em dois posts no seu blog o projecto escola na natureza.
Se bem percebo as reservas de Manuel Rocha prendem-se com a alegada natureza da natureza, isto é, a natureza não seria um bem de consumo mas o resultado da nossa inter-acção com o meio e o outro.
Manuel Rocha considera o projecto como uma nova burocracia para promover o consumo de natureza.
Até aqui, nada de especial a assinalar, de facto o projecto é uma burocracia (nova ou não poderíamos discutir) para promover o consumo de natureza.
O que importa discutir é se isso é bom ou mau. Se o consumo de natureza é bom ou mau e se sendo bom, é mau que exista uma burocracia que o promove.
Declaração de interesses: eu sou um burocrata de profissão que acredito nas virtudes de uma burocracia inteligente.
Continuando.
A primeira objecção é a de que o projecto não está articulado com os projectos de educação ambiental das escolas porque estes projectos não existem. Notável objecção. Dando de barato que as escolas não têm projectos estruturados de educação ambiental (o que quer que isto queira dizer) é errado promover iniciativas que aumentem a oportunidade de existirem! Eu uso muito poucos pontos de admiração (como também se chamavam, não sei se ainda se chamam, aos pontos de exclamação). Mas desta vez estou mesmo admirado.
A segunda objecção é a de que não há professores qualificados para tirar partido da oportunidade criada! Outro ponto de admiração.
A terceira objecção é a ideia de que tudo o que compete à sociedade tem de passar pela escola! Extraordinário! Então faz-se uma iniciativa não escolar dirigida às escolas, procura-se levar a escola a fazer o que lhe compete, ensinar, com toda a liberdade e mantendo as opções que a escola entender mas num contexto diferente, criando oportunidades de inter-acção entre a escola e a não escola e é errado porque traduz a ideia de que tudo o que compete à sociedade passa pela escola?
O grande final: "Em conclusão, as minhas reservas ao projecto "Escola na Natureza" nada têm a ver com “não querer que as pessoas não tenham oportunidades”, mas de querer que essas oportunidades não descambem no cultivo de mera irrelevância quantitativa por falta de enquadramento qualitativo e de melhores ideias para a prática da EA em contexto escolar. Caso contrário, o relatório dirá que 130.000 estiveram três dias em AP’s. Pois sim , com certeza! Mas com que resultados ?"
Caro Manuel Rocha, hoje temos uma situação em que os mesmos 130 000 não estiveram três dias em áreas protegidas. E com que resultados? Brilhantes? Nós achamos que não.
E por isso em vez de discutir o sexo dos anjos preferimos tentar actuar sobre um problema central da política de conservação da natureza em Portugal: a ausência de integração social do conceito de área protegida no quotidiano das pessoas.
Com certeza que as visitas a áreas protegidas integradas em projectos estruturados de educação ambiental, com professores excepcionais e essas coisas todas serão as que mais aproveitarão do projecto.
As outras aproveitarão menos, dou de barato. Mas o saldo é previsivelmente mais negativo que a situação actual?
Se achar que sim agradeço que me explique porquê. E nessa altura, se me convencer, eu passarei a dizer que este projecto não deve ser executado.
henrique pereira dos santos

Quarta-feira, Abril 02, 2008

O costume

A previsão até sábado, pelo menos, é de vento leste. Fraco.
A verificar-se parece-me que por volta de sexta feira comeceremos a ter notícias sobre fogos.
Amanhá poderemos verificar no site da autoridade nacional de protecção civil se o número de fogos e a quantidade de meios envolidos não começa a subir hoje.
henrique pereira dos santos

Domingo, Março 30, 2008

Estranho mundo

Li ontem no público que o Sr. Ministro da Agricultura pretende diminuir o peso dos funcionários do ministério em Lisboa para 20% como contributo para a diminuição da desertificação do mundo rural e do interior do país.
Primeiro nem estranhei porque há coisas a que não ligo nenhuma se não me explicarem como se fazem.
Mas depois involuntariamente a minha cabeça começou a trabalhar sozinha, fora da minha vontade.
E lembrei-me de que este Ministro é o mesmo que tem na sua mão a responsabilidade de formatar o apoio das políticas públicas ao mundo rural através da definição da regras de aplicação das formidáveis verbas que a política agrícola comum canaliza.
Lembrei-me das discussões havidas na altura da definição destas regras. O Sr. Ministro preferiu apoiar os sectores competitivos da produção agrícola e agro-industrial com essas políticas públicas, deixando para a floresta o resto do país (que é muito mais que 50% do território, a grande maioria do qual nem sequer suporta uma floresta competitiva).
Este Ministro preferiu alocar cerca de 11% dessas verbas ao projecto de Alqueva (ou seja, ao apoio ao turismo e olival intensivo, cuja importância económica não desprezo mas me parecem ser sectores que dispensam as ajudas públicas).
Este ministro preferiu não ter um programa sólido de apoio às componentes sociais da produção do mundo rural que não podem sr convenientemente remunerados pelo mercado (como a produção de biodiversidade e a gestão de combustíveis, por exemplo).
Isto é, este ministro preferiu apoiar os sectores mais dinâmicos e mais aptos a sobreviver no mercado abandonando todos os sectores para so quais as falhas de mercado não permitem ter soluções sem políticas públicas mas cujos benefícios sociais são mais que reconhecidos.
E agora diz que transfere uns funcionários de Lisboa para o mundo rural.
Ou seja, dará um chouriço a quem lhe der um porco.
henrique pereira dos santos

Domingo, Março 16, 2008

Escola na natureza

Declaração de interesses: este projecto está neste momento sob a minha responsabilidade.

O ICNB tem um projecto que irá terminar a sua fase piloto neste ano e entrará num ano zero de desenvolvimento no próximo ano lectivo. Nesta fase piloto terá tido a participação de cerca de seis a sete mil alunos divididos pelos quatro anos que durou esta fase.
O projecto descreve-se em poucas linhas: consiste em levar todos os meninos do oitavo ano de escolaridade a passar três dias (duas noites) numa área protegida usada como recurso para a escola leccionar o programa lectivo normal.
Em relação à fase piloto há diferenças significativas: o tempo, que passa de dois dias (uma noite) para três dias, a alteração do acompanhamento dos alunos que passa a ser dos professores e não do ICNB e a alteração da origem de financiamento do ICNB para a escola.
E sobretudo a diferença de ambição: atingir anualmente 130 000 mil alunos em vez dos mil a dois mil alunos.
O projecto constitui uma enorme operação logística (deslocar mais de 130 000 pessoas, assegurar mais de 250 000 mil dormidas e mais de meio milhão de refeições em áreas maioritariamente economicamente deprimidas e com poucas infra-estruturas de suporte) e consequentemente tem um custo de operação enorme (estimam-se 10 milhões de euros anuais, não contando o investimento em infra-estruturas, sobretudo de alojamento).
Está fora de causa olhar para estes números e esperar que os orçamentos do ICNB ou do Ministério da Educação suportem o projecto em fase de cruzeiro (a atingir em cinco a dez anos, dependendo da capacidade de mobilizar o alojamento em áreas protegidas).
Mas está também fora de causa resignarmo-nos à apagada e vil tristeza de poucos alunos em Portugal terem a oportunidade de usar as áreas protegidas como recurso pedagógico, ao menos uma vez na vida.
Estes números apontam para custos per capita de 70 a 80 euros, o que estará ao alcance de muitas famílias mas não de todas. O objectivo é conseguir uma participação média de financiamento directo pelas famílias de 50% do custo do programa, sendo que umas pagarão 100% e outras zero.
Este projecto só é possível se for verdadeiramente um projecto nacional e não do ICNB. Conseguir isso é o principal desafio que o ICNB tem pela frente para pôr de pé o projecto (para além de capacitar as áreas protegidas para este uso, apoiar os professores na exploração pedagógica das áreas protegidas e apoiá-las no duro trabalho de auto-financiamento da actividade).
Todas as indicações que temos neste momento, quer de prestadores de serviços contactados e que provavelmente nos permitem descer as estimativas de custo, quer de empresas que queremos envolver no financiamento do projecto quer mesmo da dinâmica das escolas na angariação de fundos (apoiadas pela dimensão nacional do projecto e pelo trabalho de base feito pelo ICNB) permitem olhar para o projecto com optimismo.
Será uma boa oportunidade para os professores, peça central neste projecto de participação voluntária, demonstrarem o seu empenho num ensino diferente e mais rico.
Não tenho nenhuma razão para pensar que não será possível.
Nem para pensar que será fácil.
henrique pereira dos santos

Quinta-feira, Março 13, 2008

Privatizar o ambiente

"Iremos privatizar o sector do ambiente"
Luis Fillipe Menezes, Grande Entrevista, 13/03/2008
Dê a sua opinião no inquérito ao lado

Sábado, Março 08, 2008

Os professores e a avaliação

Os professores são profissionais de avaliação. Como tal, supõe-se que conheçam a sua utilidade e espera-se que acreditem no seu significado.

Sim, ser avaliado dá trabalho. Obriga um esforço constante de preparação. Implica premiar o mais esforçado e descriminar o mais indolente.

Que argumentos de substância existem contra o processo de avaliação de professores? Que vantagens terá o País em permitir que a progressão na carreira docente não seja dependente de uma avaliação externa sobre o desempenho dos professores? Ganharão os estudantes? Ganhará a qualidade do ensino? Ganhará o País?

Há alguém que tenha a clarividência para explicar as razões destes protestos, sem entrar na lenga-lenga dos direitos adquiridos?

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

E enquanto os portugueses desconsideram o seu trabalho...

...ingleses participam num programa de voluntariado para o melhorar.


Resolvi fazer este novo post quando me chegaram mais estas fotografias em que finalmente se vê a passagem a partir do seu interior.

Independentemente de faltar o desenvolvimento da vegetação (e eu perceberia facilmente que se criticasse o ICNB por eventualmente não ter ainda obrigado a empresa a fazer as acções necessárias) parece óbvio o "desaparecimento" da estrada para quem circula nesta plataforma.

Mesmo em relação ao ruído (que não pode ser discutido a partir da fotografia) há um isolamento proporcionado pelos taipais em madeira que é bastante eficaz.

Repito o que já disse num comentário: o projecto desta passagem (bem como os de adaptação de outras que existem por outros motivos que não a fauna) foi precedido de uma viagem a França (o concessionário é maioritariamente francês) acompanhada de técnicos com experiência na construção de ecodutos, tendo sido visitados vários onde foram dissecadas as soluções que se tinham mostrado eficazes e aquelas que constituíam erros anteriores a evitar repetir.

Os mesmo técnicos foram co-responsáveis pela discussão de todos os detalhes destas passagens, incluindo a sua localização, nesta estrada, tendo havido um fortíssimo trabalho conjunto entre administração e promotor para encontrar no terreno as melhores soluções.

As fotografias são de um projecto de voluntariado com um grupo de ingleses que trabalharam uns tempos na melhoria da envolvente da passagem contribuindo para a sua naturalização e integração.

henrique pereira dos santos

Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

O lobo dos milhões

Com a cortesia do Paulo Barros que me mandou as fotografias volto aos lobos de Vila Pouca para dois comentários:

Basta olhar para estas fotografias para perceber que só quem nunca foi ver o que é o ecoduto da A24 pode achar que se poderiam gastar 100 milhões de euros nessa passagem (nem pavimentada a pedras preciosas).

O segundo comentário responde a um comentário feito numa mensagem anterior e que tem sido recorrente: foram fazer a passagem no pior sítio, cheio de pedreiras, onde não há lobos, etc..

Convém contrariar esta ideia que tem dois erros.

O primeiro é o de considerar que por haver pedreiras de certeza que não há lobos. É uma ideia errada, os lobos usam a área, o que se compreende já que muita da actividade dos lobos é feita de noite, quando as pedreiras estão paradas. Como dizia Robert de Moura ontem ou anteontem, os homens trabalham de dia e o lobo trabalha de noite. De qualquer maneira a questão não é a de saber se aquela área é a mais favorável para a instalação de alcateias, criação, etc., mas se serve como zona de passagem.

O segundo erro parte do princípio de que a passagem específica para fauna, o tal ecoduto, foi feita porque não existem outros pontos de atravessamento da estrada.

Ora tal não é verdade. Há dezenas de pontos de passagem da estrada pela fauna e a passagem específica existe naquele ponto porque havia um troço demasiado extenso de estrada sem qualquer outro tipo de passagem. Por exemplo, na fotografia em baixo podemos ver uma passagem inferior, projectada em função das necessidades de circulação humana mas que foi adaptada, no seu desenho e no tratamento que terá na envolvente, a passagem para grande fauna.

Sobre estas fotografias apenas a chamada de atenção para o facto de precisarem ainda de trabalho e tempo para estarem totalmente maduras para a sua função, já que a vegetação desempenha um papel relevante na sua funcionalidade.

henrique pereira dos santos

Sábado, Fevereiro 09, 2008

"Pegada" dos climas passados na biodiversidade actual

A diversidade de espécies de anfíbios e répteis existentes hoje na Europa terá sido condicionada pelas alterações climáticas há 21 mil anos atrás, no período da última glaciação. Segundo um estudo publicado pela revista científica "Ecography", as regiões com uma elevada concentração de espécies endémicas devem mais ao Quaternário do que às variações do clima contemporâneo.

Ver notícia completa no Ciência Hoje

Acesso gratuíto ao artigo original aqui

Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

Até uma onda?

Volto à carga com uma ligação ao site surftotal para esta história da onda que parou uma auto-estrada (até ver, claro).
Para mostrar como viadutos para lobos, túneis para sapos, atrasos no enchimento de albufeiras por causa de ninhos de cegonha (já agora, que o Sr. Director do Expresso se esqueceu de dizer, de cegohas pretas, não das comuns), boas ondas para surf e outras coisas ridículas e caríssimas só existem mesmo no terceiro mundo onde os processos de decisão são controlados por máfias ambientalistas que pretendm apenas assegurar uns trocados através de estudos de impacte ambiental.
henrique pereira dos santos

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Coisas ridículas e caríssimas

Com a cortesia da Alfarroba, retirado do site http://surf.sapo.pt/ só para demonstrar até onde chega o radicalimo dos fundamentalistas desse terceiro mundo chamado Califórnia.
Parece que os furiosos mentecaptos ambientalistas que existem em Portugal têem uns seguidores algures no planeta. E que os tontos que tomam decisões na Califórnia o fazem em reuniões públicas.
Quem diria que as coisas ridículas e caríssimas também existem fora de Portugal.
henrique pereira dos santos

TRESTLES SALVO POR AGORA
Chumbo da comissão responsável pela costa adia estrada
A luta por salvar Trestles deu ontem um enorme passo em frente, visto que houve uma votação da Comissão de Costa Californiana contra a construção da auto-estrada que ponha em risco a zona costeira onde se encontra Lower Trestles. A votação foi feita numa reunião pública onde apareceram cerca de 3500 activistas, que lutam pela preservação da costa da California. O protesto contra a construção da estrada não se deveu apenas à famosa onda, deveu-se muito à ameaça que esta construção constituí a uma enorme zona protegida, que seria totalmente destruída se este plano fosse para a frente. Mas esta última vitória poderá não valer de nada, visto que os interessados em construir a estrada vão recorrer para a comissão Federal do desenvolvimento da costa litoral. Fotos: Joe Ewing Alfarroba Press Center

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

A roleta

Li hoje no público que uma equipa da BBC veio ver como Portugal conseguia chegar às suas ambiciosas metas para a produção de energias renováveis.
O que prendeu a minha atenção foi uma nota marginal: um dos motivos de espanto da equipa inglesa era a rapidez de decisão em coisas sérias como barragens. Já há anos, com uma equipa de um parque nacional inglês, esta questão tinha irrompido na conversa pela sua surpresa com os tempos tão curtos entre a ideia de fazer alguma coisa e a construir em Portugal (naquele caso o centro de alto rendimento desportivo em Rio Maior).
É curiosa afirmação de que em Inglaterra esse tipo de decisões são muito morosas, o que toda a gente aceita porque parte do princípio de que o escrutínio público é um processo lento e caro, mas imprescindível para decisões deste tipo.
Imprescindível, direi eu, não por uma questão ideológica mas porque o risco associado a decisões erradas é demasiado elevado.
Ora em Portugal há uma enorme tradição da decidir políticas públicas como quem joga na roleta, querendo retornos rápidos, sem grande trabalho e com o mínimo de interferência de terceiros nos objectivos definidos.
São muitos anos de habituação ao respeitinho pelo Estado e pelo Chefe.
Por isso preferimos a rapidez da decisão à sua qualidade.
Dois exemplos recentes de projectos que se prolongam por vários governos sempre com o mesmo tipo de preocupações: mostrar capacidade de decisão e obra é mais importante que avaliar em toda a extensão as consequências das decisões e as margens de incerteza.
A decisão sobre a barragem do Sabor arrasta-se há anos (a primeira causa de vários anos de atraso foi fazer apenas a avaliação ambiental daquela barragem sem discutir seriamente alternativas) e hoje o processo segue o seu curso. Tudo indica que a Comissão Europeia vá arquivar a queixa do movimento ambientalista sobre a decisão de construir a barragem.
Curiosamente no debate público esta decisão da Comissão aparece como a decisão final a partir da qual se acabaram as discussões.
Mas a coisa não é assim tão linear. Ainda podem ser usados alguns mecanismos jurídicos que podem inclusivamente pôr em causa a decisão da Comissão Europeia.
O que me interessa agora não é discutir quem tem razão nesta disputa é apenas vincar que forçar a decisão na Comissão Europeia parece boa ideia mas se esse forcing aumentar o risco dos tribunais pararem o processo a meio, valerá a pena?
Aparentemente esta hipótese pura e simplesmente não entra na ponderação que necessariamente todos os decisores fazem dos diferentes interesses em presença antes de tomar uma decisão.
Segundo exemplo, o novo aeroporto de Lisboa.
Li com atenção os documentos em discussão pública. Neles é claro que não existe informação suficiente para dizer com um mínimo de probabilidade se há ou não afectação significativa de valores protegidos pela legislação comunitária e nacional.
A opção parece ser avançar com uma decisão de localização e depois então aprofundar os estudos para despistar esta hipótese. Parece uma boa opção para ganhar tempo. Se de facto se verificar que os estudos mais pormenorizados concluem pela não afectação significativa de valores protegidos pela legislação comunitária e nacional terá sido uma decisão acertada.
Mas se pelo contrário se verificar que o aprofundamento dos estudos conclui pela afectação significativa de valores naturais, então a questão das alternativas volta à estaca zero (legalmente, politicamente é outra discussão).
Nessa altura, porque entretanto se cristalizaram compromissos e opções, encontrar uma saída será sempre difícil e, provavelmente, muito caro.
É por isso que nos países com bons modelos de decisão estas decisões são muito demoradas, o que é apesar de tudo muito mais barato que jogar na roleta.
henrique pereira dos santos