domingo, março 20, 2016

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Estive ontem na Assembleia Geral de uma associação ambientalista.

Às tantas foi dito que as seis maiores (enfim, não sei o critério usado) associações ambientalistas terão, no conjunto, 20 mil sócios, dos quais 5 mil pagam quotas. Mil serão os que pagam quotas da LPN, a associação a que assembleia geral em que estava dizia respeito.

Havia duas listas candidatas aos órgãos sociais da LPN mas, para meu grande espanto, as duas procuravam mostrar que eram as melhores herdeiras dos velhos caminhos do movimento ambientalista, discutindo, pro exemplo, se a derrota do movimento ambientalista no processo da barragem do Tua se devia a falta de empenho ou a falta de suporte social.

Em nenhum momento se põe sequer a hipótese do movimento ambientalista ter vindo a somar derrotas simplesmente porque está errado no seu caminho.

E no fim lá fomos todos votar, num sistema em que somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros: os sócios da ralé têm um voto, os sócios da ralé mais velha têm cinco votos, e a aristocracia que em algum momento da sua vida passou pelos órgãos sociais da associação, tem dez votos.

Para pagar, somo todos iguais, mas para votar uns são mais iguais que outros.

A pergunta que as duas listas, e todos os outros, se deveriam fazer é a seguinte: "que razão têm os 99,95% de portugueses que não pagam quotas de associações ambientalistas para o fazer se estas organizações têm medo da democracia?".

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