terça-feira, agosto 28, 2007

Verde-eufémia

Encontrando-me ausente da Internet durante o lastimável acto da auto-denominada verde-eufémia (apropriação ilegítima do apelido de uma mulher, corajosa, que deu a cara e a vida por uma causa) não escrevi sobre assunto. Após o meu regresso verifico que tudo o que tinha de ser dito (e mesmo o que não deveria ter sido dito) foi dito. Desta forma não irei acrescentar mais linhas ao verbo derramado.

Porém, para registo e eventual troca de impressões, deixo aqui dois textos escritos por assinantes da lista ambio e que reflectem opiniões musculadas e dispares sobre o significado da acção da verde-eufémia. O primeiro texto (publicado no jornal Público) foi escrito por António Eloy, figura controversa e incontornável do movimento ecologista Português e veterano em acções de desobediência civil não violenta. O segundo texto é uma resposta de Nuno Quental, Engenheiro do Ambiente e dirigente da jovem associação de defesa do ambiente Campo Aberto, ao artigo de António Eloy.


Confusões, Por Antonio Eloy

Não há palavras suficientes para manifestar o total repúdio pela acção violenta e idiota levada a cabo por um grupo chamado “VerdeEufémia” (sendo o nome desde logo motivo para análise da psique politicamente perturbada dos seus epígonos).

De facto para alem da acto criminal, realizado com a passividade e quiçá conivência da G.N.R. (tão diligente em exercer a autoridade, e bem, noutras circunstâncias!) e a “gloriosa” cobertura mediática (que neste caso é tudo!), para além da vergonha que é vermos encapuçados a agirem (dizem eles) em favor do ambiente, para além de absoluta e total censura que o acto mereceu de quem com racionalidade procura limitar os efeitos dos O.G.M.s, há que levantar algumas questões sobre outra dito nesta acção violenta e selvática.

E essa é, FOI UMA ACÇÃO VIOLENTA E SELVÁTICA!

Claro que foi desobediência civil, isso também é o assalto a bombas de gasolina (que até podem ser feitas por estes bandalhos com o objectivo de reduzir os lucros de multinacionais petrolíferas!), mas desobediência civil não violenta e por objectivos claros e transparentes é que não foi!

Participei em inúmeras acções de desobediência civil não violenta, e fui por elas detido, nalguns casos em circunstâncias de risco (na R.D.A. que os Eufémias emulam...em luta pelas liberdades políticas), em Portugal acompanhei e testemunhei o heroísmo de Serafim Riem e outros quando se amarraram, face a retroescavadoras a carvalhos, para lutar contra a eucaliptação, entrei pacificamente na embaixada e deixei um balde de lixo ao embaixador inglês, em protesto contra os despejos nucleares no Atlântico e com o povo de Barrancos acompanhei a resistência colectiva, a desobediência civil e não violenta a legislação do tempo da ditadura nacional, pelos direitos ambientais, patrimoniais e cívicos.

Em Espanha também enfrentei riscos quando nos opusemos de cara descoberta ao avanço de projectos de destruição ambiental do “matoral”.

Em Itália acompanhei lutas do Partido Radical, libertário/liberal e não violento seja pela legalização da interrupção voluntária da gravidez seja pela legalização de drogas e um quadro legal para essas, em acções não violentas de desobediência civil que teve desfecho em tribunal ou em modificação das leis.

Este grupo de energúmenos, pagos sabe-se lá por quem (são os mesmos que andam a destruir propriedade por todo o lado de Seattle, a Tóquio, de Lavos a Porto Alegre) mas devo dizer que suspeito que pela Monsanto, ou Exxon ou outra que tal, esta bando de bandidos agiu claramente com o intuito de prejudicar os que se opõe em nome da lei e do direito a actos ou lógicas sociais que consideramos injustas e favorece objectivamente a causa dos O.G.M.s.

Há que também denunciar os métodos, porque a não violência não se pode confundir com hipocrisia, leviandade e cobardia.Os meios são os fins. Este eco-fascismo esverdeado de Eufémia é o terror sobre as nossas cabeças. Deve o movimento ambientalista ser claro, ser muito mais claro do que foi na sua denúncia.

A não violência não se pode confundir nem em palavras nem actos com a violência.

--
Verde Eufémia: recentrando a questão, por Nuno Quental

O texto que António Eloy assina no Público de hoje (23 de Agosto) levou-me a escrever alguns parágrafos de reflexão sobre a acção que o "Movimento Verde Eufémia" - movimento ad hoc provavelmente sem qualquer sequência futura -protagonizou em Silves. Acho caricato que António Eloy se dê ao trabalho de descrever as diversas iniciativas de não violência em que participou sem ser capaz de explicar em que medida são diferentes da acção anti-OGM. Nem tão pouco cuidou de demonstrar o que tornou esta acção tão violenta, visto que ao que se sabe ninguém foi ameaçado ou ferido. Apesar da falta de argumentos, Eloy não deixou de insultar os protestantes, atalhando com um nada simpático “energúmenos”.

A acção de Silves é inédita em Portugal, pelo menos no que respeita ao seu carácter ambientalista. Aqueles que hoje condenam de forma tão veemente a iniciativa talvez tivessem outra posição se os transgénicos fossem já comprovadamente causa de morte ou de grave dano para a saúde ou se, porventura, a iniciativa visasse a defesa dos direitos humanos. Da mesma forma, imagino que essa vontade tão esmagadora de fazer cumprir a lei e de condenar os criminosos não encontre paralelo noutras situações, como salientou Paulo Varela Gomes num comentário publicado no blogue de Miguel
Portas. De facto, por alguns momentos vestimos a pele do justiceiro e, munidos de uma fúria que teima em explodir, condenamos tudo e todos pela maldade. Já repararam que praticamente ninguém escapou às críticas? Os participantes é o que se sabe, a GNR foi benevolente e irresponsável, o Ministro deixou escapar mais umas gafes, Miguel Portas falou de mais... Nem o pobre IPJ foi poupado, apesar da sua evidente inocência no caso. Não haverá aqui algum exagero?

Não pretendo propriamente desculpabilizar os autores da iniciativa, na qual não me revejo, que critico e considero não dever ser repetida. Mas também não compro as críticas ferozes que foram feitas, nem tão pouco as comparações a “eco-terrorismo” e outras similares, perfeitamente ridículas por abusivas. Realmente acho que este caso não deve ser transformado em algo que ele não é: “um grave precedente”, uma “ofensa séria ao Estado de Direito”. Se assim fosse, então pobre Estado de Direito, que já há muito sucumbiu face a situações incomparavelmente mais graves – como diversos casos famosos de corrupção – a que a justiça nunca foi capaz de responder.

Afinal, o que distingue o Movimento Verde Eufémia de outros agentes que agem de forma ilegal é o facto de o primeiro lutar por uma causa que considero justa – a luta anti-OGM –, sem quaisquer benefícios pessoais, enquanto os segundos normalmente visam interesses próprios à custa de outrem. É lógico que deve ser dado benefício à primeira parte, ainda que os meios usados não sejam legítimos. Encontrar a punição justa deve ser tarefa de um tribunal.

É pena que várias pessoas, nesse ímpeto agressivo de condenação dos protestantes, desvalorizem os riscos dos transgénicos, citando por exemplo as posições da Food and Drug Administration, organismo oficial norte-americano pró-OGM e nada isento na matéria em causa. Seria preferível, no mínimo, que confrontassem essas posições com as de outras instituições credíveis como a Union of Concerned Scientists: “The Union of Concerned Scientists believes that GE food crops engineered for pharmaceutical, industrial, and specialty food purposes pose a sufficient threat to the safety of the U.S. food supply to warrant a federal ban on their outdoor
production
” (ver pdf aqui. Ignoram ainda as provas científicas que já existem contra os transgénicos. Num estudo recente publicado na Archives of Environmental Contamination and Toxicology, sujeito a revisão pelos pares, Séralini et al. advogam que “with the present data it cannot be concluded that GM corn MON863 is a safe product” (ver artigo aqui).

Os investigadores, reexaminando um estudo da empresa Monsanto - na qual a Comissão Europeia se baseou para aprovar, em 2005, aquela variedade de milho transgénico – descobriram alterações de crescimento e grave prejuízo para a função hepática e renal dos ratinhos que o consumiram. Em Portugal, deve ser salientado o trabalho fundamental que a Plataforma Transgénicos Fora do Prato vem realizando (ver aqui), inclusivamente com recurso aos Tribunais para aceder a informação que o Ministério da Agricultura tenta deliberadamente esconder mas que, segundo a legislação de acesso aos documentos administrativos e legislação específica que regulamenta os OGMs, é pública.

Para terminar, tenho pena que o movimento ambientalista português seja tão pequeno que, em boa verdade, distinções entre “Movimento Verde Eufémia” e a associação GAIA sejam tão ténues que quase não devem ser referidas. Embora esta associação se tenha demarcado publicamente do protesto, ela é efectivamente a sua inspiradora, porquanto as pessoas são basicamente as mesmas. Esse Movimento, criado a partir do encontro Ecotopia, foi a forma encontrada para tentar separar o que não pode nem deve ser separado, sob pena de vivermos na hipocrisia. Não se pode ter sol na eira e chuva no
nabal.

14 comentários:

aeloy disse...

Como já referi nem me interessa discutir os transgénicos enquanto não ficar evidente e claro que esta acção de eco-fascismo não tem nada a ver com o movimento ecologista.
O Nuno, pessoa que aprecio, não leu com atenção o que escrevi (e que reforçarei explicando em maior detalhe as diferenças entre violência e banditismo e não violência e desobediência civil).
Aqui vão desde já algumas notas:
(...)
Fiz sempre tudo de cara descoberta, assim como todos os companheiros, fomos detidos, eu passei três noites num "governo civil" hostil, respondi em tribunal pelas minhas opiniões. Ganhei. Nunca usámos a minima violência, antes pelo contrário fomos pontapeados e esmurrados.
A diferença ente a cobardia e a hipocrisia e a coragem das convicções não é retórica.
(...)
Aproveito para esclarecer que não estive com Serafim Riem e outros na serra, mas logo na hora o acompanhei com preocupação e amizade, mas me ofereci para ser co-réu e aceitei (quando outros que sei não o aceitaram!) ser testemunha de defesa quando me disse, dado não ter sido identificado no acto não poder ser réu.
A diferença Nuno não é obvia?

Zé Bonito disse...

A "colecção" de artigos que a maior parte da comunicação social divulgou sobre o assunto, pouco ou nada adiantou à questão dos OGM. O tema de fundo,foi a violação da propriedade, assunto que, de facto,convém ser debatido por todos quantos se preocupam com as questões ambientais e que- espero-já perceberam que não se podem refugiar numa pseudo superioridade científica e ignorar a estratégia política (os movimentos ambientalistas cairam, durante muitos anos, nesta armadilha). O artigo do António Eloy, para além de roçar o auto-elogio, nada adianta para estes debates: sobre os OGM e sobre o fundamentalismo da propriedade. É pena. Até porque questões como a "Lei dos Solos", a privatização das águas e os biocombustíveis, vão colocar-nos de novo perante estes debates e exigir uma resposta menos ingénua do que a acção da "Verde Eufémia".
António Gil Campos

aeloy disse...

E aproveito, que nos próximos posso esquecer, para agradecer os elogios do Miguel certos mas exagerados, que considero um dos mais brilhantes cientistas da nossa área e também um empenhado activista ambiental.

Eu muitas vezes temo que o meu lado polemista faça esquecer que já tenho 7 livros, meus, publicados e colaborações noutros dez, além de dispersas participações em documentos e relatórios cientificos. Mas como diria o outro, é a vida.
saud.
António Eloy

O Raio disse...

Já escrevi sobre este assunto no meu blog e já o comentei noutros blogs.
E o que eu acho espantoso é que praticamente toda a gente que escreve sobre este assunto salta o que é provavelmente o ponto mais importante.
Claro que atitudes como a do Verde Eufémia não podem ser toleradas.
Claro que o problema dos OGM não é o de prejudicarem a saúde humana pois há mais de dez anos que são consumidos nos Estados Unidos e noutros países e, até á data, não se notam alterações nos mais de 300 milhões de pessoas que os consomem.
O problema dos OGM é ambiental ao espalharem pela natureza genes sintéticos.
E é por este problema que os OGM têm de ser combatidos e combatidos a sério.
Ora, combate-los não é destruir a propriedade de um pequeno ou médio agricultor, combatê-los é atacar quem os autorizou.
E quem é que os autorizou? Quem os autorizou foi a União Europeia e é esta vaca sagrada que tem de ser atacada.
Mas isto, os ambientalistas da Verde Eufémia ou da Gaia são demasiado cobardes para o fazer...
E é aqui que está o verdadeiro problema!

Anónimo disse...

O grande problema dos OGM é que a abordagem que normalmente se faz é tipo "religiosa": ou se é totalmente a favor ou se é totalmente contra! Na UE só pode ser utilizado um evento da Monsanto resistente à broca do milho: este milho só pode ser utilizado na alimentação animal e portanto falar de OGM em termos gerais não faz grande sentido, pelo menos na Europa. Parece-me que a coexistência entre agricultura biológica, convencional e GM é perfeitamente possível, desde que sejam cumpridas regras, aliás estipuladas em Decreto-Lei. Por outro lado, as culturas GM também podem ser encaradas como amigas do ambiente. Já se pensou, por exemplo, na diminuição drástica de aplicações de produtos fitofarmacêuticos que se verifica, ao não ter que se combater esta praga, com todas as vantagens que esse facto implica para o solo e para os lençóis freáticos? E a elevada diminuição na emissão de gases poluentes para a atmosfera proveniente dessas mesmas aplicações? Não existem verdades absolutas! Sob determinada perspectiva, a utilização de milho GM é ambientalmente mais correcta do que a cultura de milho convencional!

aeloy disse...

Os meios são os fins, volto a repetir- NÃO ME INTERESSA: ALiÁS ACHO QUE NÂO FAZ QUALQUER SENTIDO DISCUTIR OS OGMs FACE A ESTE INTOLERÀVEL ACTO, prejudicial a todos que procuram controlar a sua disseminação (ainda ontem vários agricultores , claro grandes agrários!, me disseram que não fora a minha tomada de posição e iriam converter-se aos transgénicos!).
O que me interessa é afastar o movimento ambientalista de bandidos encapuçados hipócritas e cobardolas.
Discutir OGMs? Depois muito depois de estar clarificada esta situação.
Assim como hoje é claro que os animalistas não são parte do mov.ambiental anyes seus inimigos aos violentos deve traçar-se uma fronteira.
A discussão proseguirá, queiram eles ou não. Amecem eles ou nãp.
Saud.
AEloy

rui disse...

Isto agora é assim... se não fosse o antónio eloy recusar discutir os transgénicos e os "grandes agrários", e logo vários deles, converter-se-iam de imediato aos transgénicos.
Já que se descobriu finalmente o tipo de análise racional que os agrários utilizam para tomar as suas decisões, por favor, sugiro que como atitude ambientalista, ele continue a recusar-se a discutir o tema. E com mais força e insultos coerentes com o discurso da "não violência" daquela que "não deve confundir-se NEM EM PALAVRAS nem em actos com a violência". Há que explicar ao josé bové e a outros cobardolas como o greenpeace quando abalroa baleeiros japoneses o conceito de não violência que leva a que se critique com veemência a GNR por usar de POUCA violência.
Faz, talvez, sentido.
Uma pessoa que é referência incontornável do movimento ecologista português terá os seus direitos e uma pessoa que foi agredida na defesa de causas até se pode dar ao luxo de apenas atribuir legitimidade a quem defender outras desde que isso se traduza directamente em equimoses, passagens pelo hospital, permanência em calabouços e responsabilizações criminais.
Para os restantes criminosos de delito comum que tentam informar-se sobre os transgénicos, o que está aqui em causa é meramente saber se os transgénicos autorizados têm os riscos gravissimos que alguns lhes atribuem. Se têm, meus caros amigos o que é que interessa propriedade privada?
Se reconhecidamente não têm, então trata-se de um acto de vandalismo.
E tratando-se de um acto de vandalismo que apesar do simbolismo de que se revestiu representou um prejuízo de cerca de 4mil euros justificará a "não violência verbal" do aeloy?
Vá lá que ao menos houve a intervenção do anonimo das 11:01 que na minha opinião contribui efectivamente para o debate e de forma incómoda. Na sua opinião o tipo de milho transgénico utilizado em Portugal é até benéfico para o ambiente. É sobre este tipo de coisas que interessa ouvir o verde eufémia e as pessoas ligadas à investigação cientifica que se opõem aos transgénicos.
O resto é palha, quem quiser recusar-se a discutir ( se é que alguma vez discutiu o tema com verde eufémia ou sem verde eufémia) que recuse, quem preferir discutir casos de policia e teorizar sobre os sacrossantos direitos da propriedade privada que o faça.
A mais não é, felizmente, obrigado.

Anónimo disse...

Sendo A Eloy um lutador que já concluiu da inconsequência dos escritos nos livros de reclamações, conforme li algures saído da sua pena, não poderia ele compreender um pouco quem "se passa" com tanta benevolência relativamente às inúmeras patifarias que se vão fazendo impunemente? Por acaso, quando tinha sangue fresco na guelra - entre a adolescência e a juventude - nunca terá ele praticado nenhum acto que cala em público mas que no fundo se orgulha? Não é nenhuma vergonha. Até o Durão Barroso, já em plena DEMOCRACIA, praticou actos destrutivos contra a propriedade. Santos só no Céu e não me parece que A Eloy tenha essa vocação, antes pelo contrário. Não lhe fica bem tanto apelo às forças policiais, lei, ordem e respeito pela propriedade, tal qual um padre no púlpito mais papista que o Papa.

Nota: Em lugar de DEMOCRACIA poderá ler-se fascinismo, cujo significado li algures tratar-se de "sistema polí­tico e social partidário introduzido pelos democratas em Portugal, que se caracteriza pelo controle dos cargos públicos, pela concentração do poder nas pessoas de determinado partido e por interesses vários relacionados com o dinheiro".

Anónimo disse...

http://dn.sapo.pt/2007/09/02/opiniao/dias_contados.html

Dias contados

Alberto Gon�alves
soci�logo

O FUZILAMENTO DE UM ACTIVISTA

O sr. Gualter Baptista sobre o pacifismo te�rico dos Verde Euf�mia e o registo filmado da agress�o ao agricultor de Silves: "N�o sei se existe um pontap� ou se existe um levantar de p�." O sr. Gualter Baptista sobre as m�scaras dos Verde Euf�mia: "As pessoas tamb�m t�m o direito de tapar a cara, tamb�m podem ter medos (sic) que a justi�a caia sobre elas."

O sr. Gualter Baptista sobre a destrui�o do milho transg�nico: "Eu n�o estava na ac�o, estava a dar voz � ac�o."

O sr. Gualter Baptista sobre o suporte log�stico: "O GAIA n�o aprova essa ac�o, o GAIA apoia essa ac�o."

O sr. Gualter Baptista sobre a legitimidade: "A ASAE, quando entra num restaurante e deita fora a carne estragada, est� a invadir uma propriedade."

As frases acima s�o uma selec�o casual das dezenas de momentos hilariantes que o sr. Gualter, doutorando com bolsa, porta-voz do Verde Euf�mia e talvez coordenador de uma seita de ociosos intitulada GAIA (ele pr�prio n�o est� seguro), proporcionou na entrevista � SIC Not�cias e a M�rio Crespo.

O sr. Gualter, um sujeito desagrad�vel versado na arrua�a, e para quem a liberdade come�a onde acaba a dos outros, n�o merece coment�rios. M�rio Crespo, em contrapartida, parece suscit�-los em abund�ncia. Num �pice, os blogues, os exactos blogues aparentados do Bloco de Esquerda que a princ�pio fingiram lamentar a invas�o do milheiral, encheram-se de cr�ticas ao profissionalismo do jornalista, que ao que consta foi persecut�rio, desonesto, impreparado, tendencioso e arrogante. Tradu�o: M�rio Crespo n�o permitiu que o sr. Gualter publicitasse a sua delinquente causa, nem dedicou ao bravo desobediente civil as meiguices que o seu bando n�o teve para com o agricultor algarvio. Em consequ�ncia, o sr. Gualter saiu da SIC num estado pr�ximo do pranto, o que n�o se faz.

Ou faz? � evidente que M�rio Crespo percebeu em dois minutos o fil�o de bo�alidade autorit�ria que tinha � sua frente, e que n�o resistiu a passar os vinte e tal seguintes a divertir-se com ele. N�o foi uma aula de isen�o jornal�stica, foi um prolongado prazer, que eu, espectador, agrade�o. E quanto �s afli�es humanit�rias, pede-se calma: conforme se demonstrou, o pobre sr. Gualter n�o precisa de M�rio Crespo para se cobrir de rid�culo. Se o Pa�s fosse menos folcl�rico, nem precisaria de M�rio Crespo para coisa nenhuma: h� muito que o sr. Gualter deveria ter sido entrevistado por um juiz.

� por isso que, como algumas cabe�as t�m repetido, a triste hist�ria de Silves convida a um debate. Mas n�o acerca dos transg�nicos: acerca da Justi�a. E, j� agora, dos crit�rios de atribui�o das bolsas de doutoramento.|

Rita disse...

Lamento sinceramente que haja gente a integrar a Ambio que não tem princípios nenhuns e tempo a mais nas mãos. Se são tão defensores do milho transgénico talvez devessem ir cavar algum em vez de andarem a melgar blogs alheios. Eu não enviei nada para a Ambio sobre a acção de Silves mas graças ao Henrique Pereira dos Santos o que *eu* tinha publicado no *meu* blog foi lá parar, com link e tudo, tipo soltar a lebre aos cães. Agora tenho lá um bando de mal educados a atacarem-me pessoalmente. Eu não ataquei ninguém pessoalmente, ataquei *opiniões*, não pessoas. Mas quando faltam os argumentos, bate-se em tudo o que estiver à vista. Já tive o cuidado de explicar que aquilo não é uma democracia - é o meu blog, e quero-o no estilo em que o decidi construir, e por isso não permito mensagens irracionais, insultuosas ou demagogia parva. Da mesma maneira o blog da Ambio tem as suas regras. Fico triste por numa lista de Ambiente com base na Universidade de Évora se encontrarem pessoas que vão para lá deixar o mensagens com tipo de linguagem que já tive que ler. Isso diz muito sobre a comunidade que subscreve a Ambio. Ainda por cima, relembro:nem fui eu que enviei nada para a Ambio, foi divulgado nesta por terceiros. Mas isto só reflecte o estado da lista e como o conhecimento científico não anda emparelhado com a decência,o que já se tinha visto no caso da "Minuta" do Miguel Araújo. Talvez queiram debruçar-se sobre isso um pouco, porque é por estas e por outras que eu e já muitas pessoas deixaram de participar na Ambio.
Sem mais,

Miguel B. Araujo disse...

Cara Rita,

O seu comentário foi publicado para evitar a proliferação de lendas sobre censura indevida.

Mas o comentário não faz qualquer sentido. Primeiro, porque o blogue não é a lista. O blogue é público e lido por pessoas que livremente circulam na internet.

A lista é semi-pública e distribuída por quem a assina. Assinam a lista quase 500 pessoas. A subscrição é livre pelo que os seus comentários sobre "as pessoas da ambio" não fazem qualquer sentido e pecam pela generalização.

Não leio o seu blog, não sei quem lá comenta, mas sei que nada tenho a ver com isso.

Se alguém que também subscreve a lista foi mal educado diga-lhe o que tem a dizer pessoalmente mas evite poluir o bom ambiente alheio.

Cumprimentos,

Miguel

Mário da Silva disse...

Sobre isto se calhar faziam melhor em lêr isto.

aeloy disse...

ou ist:
http://www.gazetacaldas.com/Desenvol.asp?NID=19169,
sendo que discutir transgénicos agora é extemporâneo e vendo o debate que houve na A.R. influenciado muito, muito negativamente pela acção deste bando violento e cobarde.
E incrivel que nenhum dos seus putativos apoiantes se tenham constituido arguido e referido a sua intervençao na dito acto junto das autoridades policiais.
AEloy

Henrique Pereira dos Santos disse...

Cara Rita,

Não fui eu que publicitei o seu blog, pelo contrário, foi alguém que gostou do seu texto, que como sabe não é o meu caso.

Fê-lo na lista da Ambio e com frontalidade preferi comentá-lo no seu blog visto que nem sabia se a Rita era subscritora da lista.

Dei-lhe assim inteira possibilidade de contestar o meu texto. A Rita continuou a discussão na lista da ambio, expressamente referindo que até tinha deixado o meu texto no seu blog como demonstração do seu apreço pela discussão aberta.

Depois retirou-o, não por ser ofensivo, por fazer ataques pessoais, mas apenas por ser, na sua opinião, demagogia barata.

Ou seja, retirou-o por discordar de mim (ou por eu discordar de si). É um direito que lhe assiste e que me parece que define muito bem o tipo de discussão para a qual está disponível.

Quanto mais não fosse por isso eu nunca estaria interessado em fazer a divulgação do seu blog.

henrique pereira dos santos