quinta-feira, abril 29, 2010

Por interposta pessoa

Dizem-me que o tretas tem invadido caixas de correio alheias com mails sobre a nossa troca de argumentos em matéria de custos de produção de energia.
Acontece que verifico que tretas não quer ouvir, nem quer explicar para que servem algumas contas que faz, das quais tira conclusões estapafúrdias como a da energia perdida de Alqueva.
Acaba aqui a minha discussão sobre o assunto com o tretas: é que eu acho que direito à asneira é sagrado (máxima que o professor Osório praticava e explicitava vezes sem fim) mas eu não tenho de participar nos rituais.
E termino transcrevendo um mail que me chegou à caixa de correio.
"Confesso que tenho dificuldade de entender qual a relevância do valor da energia perdida pelas comportas do Alqueva. Essa energia seria sempre perdida, independentemente de haver renováveis ou não. O Alqueva terá estado naturalmente a turbinar à potência máxima durante todo o período de excesso de caudal (suponho eu) sem bombar. Não faria qualquer sentido ... bombar energia para abrir comportas em vez de utilizar esse caudal em excesso. Alterar os ciclos só desgasta as máquinas e nem todas as horas do vazio tiveram custo zero. Seria economicamente mais interessante turbinar a preço ligeiramente superior a zero com água que seria desperdiçada, do que bombar energia a preço muito barato, mas com algum custo, quando em ponta existe água em excesso a preço zero. Ligar a bombagem ao aumento das descargas é passar um atestado de irracionalidade aos algoritmos de despacho.
Em boa verdade, só se poderia ter evitado esse desperdício que referem com mais potência em Alqueva. Mesmo que não existisse um único MW de eólica em todo o país.
Veja-se o dia 26 de Fevereiro ou outros em que se verificaram descargas em Alqueva. Nesse dia não houve qualquer bombagem e Alqueva funcionou a 87%, próximo do máximo.
A bombagem verificada no período ocorreu em dias sem descarga aproveitando energia muito barata e colocando-a em horas de ponta onde tinha valor económico, evitando o desperdício de energia e a sua exportação a preços muito baixos.
A bombagem evitou que desperdiçássemos energia no vazio e não o contrário conforme referido.
Os investimentos em termos de potência para efeitos de bombagem, estão também a criar maior capacidade de aproveitar o caudal em períodos extremos de hidraulicidade. E com racionalidade económica.
A dedução lógica deveria ser: devíamos ter mais bombagem!
Mas atenção que em termos económicos não faz sentido aproveitar esta água em excesso. Não podemos dimensionar as nossas barragens e as suas potências para a cheia milenar. O investimento ficaria lá à espera e só seria aproveitado de 1000 em 1000 anos. A descarga e o desperdício em anos atípicos de hidraulicidade é uma inevitabilidade. Não tem a ver com excesso de energia no sistema, mas com excesso de caudal para as condutas e turbinas instaladas e de volume para os reservatórios existentes.
Confesso que não percebo o raciocínio deturpado e irracional destas almas.
Há certas “tretas” sem relevância que às vezes não merecem que se lhes dê muita importância."

Simples e claro.
henrique pereira dos santos

15 comentários:

EcoTretas disse...

Eheheheh!
Não consigo parar de rir!!! Então, primeiro queriam números, agora não dão jeito? Os números estão absolutamente correctos; ou tens números para contrapôr, HPS?

Quanto ao teu amiguinho, que te enviou o email, que se dirija a mim, que eu elucido-o. O email é ecotretas@gmail.com No entanto, consigo perceber o teu interlocutor, quando se sai com charadas como:

Essa energia seria sempre perdida, independentemente de haver renováveis ou não.
Errado, já o provei!
O Alqueva terá estado naturalmente a turbinar à potência máxima durante todo o período de excesso de caudal (suponho eu) sem bombar
Supõe mal. Obviamente, mais um a falar do que não sabe!
Não faria qualquer sentido ... bombar energia para abrir comportas em vez de utilizar esse caudal em excesso
Exacto! Ele até percebe a imbecilidade do que está a acontecer...
Em boa verdade, só se poderia ter evitado esse desperdício que referem com mais potência em Alqueva. Mesmo que não existisse um único MW de eólica em todo o país.
Errado. Demonstrei que ainda sobravam 10 dias de descanso no trimestre....
A dedução lógica deveria ser: devíamos ter mais bombagem!
Deduções lógicas são deduções lógicas... Mas o problema é que isto não tem lógica, para começar...
Não podemos dimensionar as nossas barragens e as suas potências para a cheia milenar
De rebolar pelo chão a rir!

Enfim, puseste-te a jeito. Eu sei que não gostas do resultado, nem os teus amiguinhos gostam, mas isto está lançado. As contas estão aí. E contra factos não há argumentos. Um ditado velho!

Ecotretas

Henrique Pereira dos Santos disse...

Tretas,
Não demonstraste coisa nenhuma.
Mostra em quantos dias houve bombagem e descarga, No mesmo dia, não é em médias que incluem dias com descargas (e evidentemente sem bombagem) e dias com bombagem mas sem descargas nas horas de cheio.
E é exactamente porque se percebe que é evidente que percebes muito bem o que estou a dizer (e por isso evitas cuidadosamente discutir a referência do dia concreto citado, mas que é apenas um exemplo) que não vale a pena discutir: tu não estás á procura da verdade, tu estás à procura de tratar da tua vidinha.
Assina com o teu nome e talvez conclua de facto não é má-fé.
henrique pereira dos santos
Ninguém está contra as contas, simplesmente foste fazer contas sem o menor sentido.
henrique pereira dos santos

EcoTretas disse...

HPS,

Tenho pena de ti! Afinal não procuras a verdade, procuras que a tua miragem não desapareça!

Se quiseres discutir adicionalmente comigo, como deve ser, faz o trabalho de sapa, que evidentemente não queres fazer, ou não sabes fazer: vai buscar os dados, à REN e OMEL, mete-os numa folha de cálculo, e depois discutimos. O dia a que te referes é irrelevante, até porque um dia não faz a diferença no Alqueva: basta pensar que turbinar tem pouco impacto na dimensão da albufeira.

O V/ problema é que não querem ter trabalho a fazer contas. Não aceito argumentação bacoca, daqueles que falam de coisas que não conseguem consubstanciar!

É por isso que me repugna este tipo de ambientalismo: a daqueles que argumentam que têm razão, voltando sistematicamente aos ataques ad-hominem quando não lhes resta mais nada, como foi o teu último post/comentário.

Quanto ao nome, é irrelevante. Não preciso de ser arquitecto, ou ter tido um cargo importante, para fazer estas contas; aliás, deve ser isto que te faz mais confusão: qualquer pessoa com a antiga 4ª classe consegue fazer estas contas à mão! É claro que uma folha de cálculo acelera o processo...

Ecotretas

Miguel B. Araujo disse...

Caro Tretas,

Qualquer pessoa com a quarta classe antiga sabe fazer contas de somar e subtrair. Nisso estamos de acordo. O que pode não saber fazer é contextualizar essas contas e explicar para que servem. É isso que o HPS tem andado - com uma paciência de Jo - a tentar descortinar sem que o Tretas se digne a dar respostas claras.

PS. Já agora: eu fui uma das pessoas que recebeu na caixa do correio o spam por si enviado. Agradecia que removesse a minha morada da sua mailing list. Se quiser ler o que o tretas escreve basta seguir as conversas do ambio e/ou os monólogos do seu blogue. Obrigado.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Tretas,
Para que haja ataque ad hominem é uma ccondição essencial que exista homem. Ora no teu caso existe apenas uma coisa virtual que não chega para fazer um homem (ou uma mulher, é irrelevante).
O meu argumento não é ad hominem, nem que existisse homem.
Já expliquei que a questão é demonstrar que existe bombagem que é feita para que a água seja largada sem ser turbinada (não uso perdida porque os barragistas é que têm a mania que a água que não passa por uma turbina está perdida e não é água não é nada).
Para isso é preciso demonstrar que a mesma, sublinho, mesma água (bem entendido, não a mesm água fisicamente, mas o volume equivalente) é primeiro bombada e depois há abertura de comportas.
Se o caudal afluente (já agora, a água turbinada não se relaciona primariamente com o volume da albufeira mas com o caudal disponível, sendo que o volume armazenado na albufeira nos permite represar o caudal afluente numa altura e turbiná-lo noutra que nos dê mais jeito) em determinado dia é mais que aquele que pode ser turbinado, e a albufeira está suficientemente cheia para não ser aconselhável armazenar mais, são feitas descargas sem turbinamento. Mas se o caudal afluente desce (porque parou a chuva, porque uma albufeira a montante o está a represar, etc.) e passa a estar abaixo da capacidade de turbinamento, ainda que por poucas horas, e se há procura nessas horas, faz sentido bombar quando a electricidade tem baixa procura porque vai ser possível turbinar mais no momento em que fizer falta.
Dizer, nestas circunstâncias, que a gestão concreta de cada dia é irrelevante porque o volume da albufeira é enorme é simplesmente um disparate. É em cada dia e cada hora concreta que se faz essa análise.
Dizer que não acredito que não saibas isto e que portanto estás de má-fé quando fazes contas cujos objectivos se desconhecem não é um ataque ad hominem (mesmo que houvesse homem, ou mulher) é, pelo contrário, considerar a tua inteligência e conhecimentos, embora desconsiderando o teu carácter, é verdade.
Mas como o carácter é uma característica pessoal e intransmissível e tu não passas de um pseudónimo num espaço virtual, isso não tem a menor importância.
henrique pereira dos santos

Gonçalo Rosa disse...

Ecotretas: "Quanto ao nome, é irrelevante. Não preciso de ser arquitecto, ou ter tido um cargo importante, para fazer estas contas; aliás, deve ser isto que te faz mais confusão: qualquer pessoa com a antiga 4ª classe consegue fazer estas contas à mão! É claro que uma folha de cálculo acelera o processo..."

Tenho muito pouca paciência para a desonestidade intelectual com que normalmente se apresenta. Só confunde o nome com grau académico ou profissão porque quer. Sabe muito que a questão é de apenas ter a miníma coragem para dar cara. Mas enfim, se um dia nos cruzarmos estou certo que, coerentemente, se apresentará com "o rabo entre as pernas".

Gonçalo Rosa
Gonçalo

EcoTretas disse...

Gonçalo,
Coragem, é apresentar os números. Cobardia é não ter números para contrapôr.
De que lado quer ficar?
Ecotretas

EcoTretas disse...

HPS,

Eu poderia demonstrar o que tu queres. Tenho os dados e os gráficos que o provam! Só que não o vou fazer, para já, para não te envergonhar!

Mas se tu fizeres questão de te enterrares mais, apita!

Percebes que te estou a fazer um favor?

Ecotretas

EcoTretas disse...

MBA,

És a única pessoa, pelo que vejo, que se preserva intelectualmente nesta discussão. Fazes bem! Só vou acrescentar que te falta a multiplicação. Mas até tens razão, na medida em que uma multiplicação pode ser traduzida numa soma....

Ecotretas

Gonçalo disse...

Tretas,

Do mesmo lado de sempre e onde frequentemente (e mais uma vez) não o encontro. Do da honestidade intelectual.

Não tendo por regra o hábito de alimentar discussões deste tipo com quem se esconde no anonimato, pelo que me toca deixa-lo-ei a falar sozinho, enquanto não tiver a coragem de dar a cara. É o mínimo da decência.

Gonçalo Rosa

Miguel B. Araujo disse...

Tretas, Agradeço as simpáticas palavras mas continuamos sem contexto e com muitos "sound bytes". Cumprimentos,

EcoTretas disse...

Para todos aqueles que ainda duvidam, que não sabem nem querem fazer contas, vejam o que se está a passar aqui ao lado em Espanha.

Mais informações no meu blog.

Ecotretas

Anónimo disse...

tretas

também podias calcular o prejuizo da suposta avaria na central hidroelectrica de Miranda.
Desde 18 de Janeiro até à presente data que só está a produzir a 50%.
Desta forma em vez de produzir mais de 8 GWh por dia, tem produzido pouco mais de 4. A potencia é de 360 MW e desde o referido dia a ponta tem sido de 180 MW.
4 GWh vezes 130 dias - 520 gwh, bastante mais que o supostamente perdido no Alqueva

Anónimo disse...

4 GWh vezes 100 dias (até ao momento) - 400 gwh, bastante mais que o supostamente perdido no Alqueva

EcoTretas disse...

Anónimo,

Não conheço a situação de Miranda que referes. Uma pesquisa rápida na Internet também não revela nada... Os dados da REN parecem confirmar o que referes. Terá algo a ver com o reforço de potência no Douro Internacional?

Tens mais dados que possas referir? Tal como referes é escandaloso: pedem-nos para ser poupadinhos, e depois isto?

Ecotretas