sábado, novembro 27, 2004

Fraude na conservação do Lobo Ibérico?



Esta semana fui surpreendido com uma notícia insólita. O Grupo Lobo (http://lobo.fc.ul.pt/), uma insuspeita ONG criada para conservar os Lobos, possui um Centro de Recuperação para o Lobo Ibérico (o CRLI) na Tapada de Mafra e procede a vasectomia dos machos alojados neste Centro. Para quem não sabe a vasectomia é uma operação que visa a esterilização dos organismos.

Os centros de recuperação de espécies animais ameaçados de extinção têm um papel internacionalmente reconhecido, designadamente pela “Society for Conservation Biology”. Estes estão integrados no que se convencionou chamar de conservação “ex-situ”, ou seja, o conjunto de práticas de conservação que recorrem à manutenção, fora do seu ambiente natural, de espécies animais e vegetais ameaçadas. Ver, por xemplo:

http://www.biodiv.org/programmes/cross-cutting/taxonomy/ex-situ.asp

O objectivo é assegurar a conservação de germoplasma e permitir, sempre que necessário e possível, a reintrodução, na natureza, de efectivos populacionais mantidos ou reproduzidos em cativeiro.

A importância da conservação ex-situ está consagrada na convenção para Diversidade Biológica que lhe dedica o seu artigo 9, onde defende:

"Each Contracting Party shall, as far as possible and as appropriate, and predominantly for the purpose of complementing in-situ measures:

"(a) Adopt measures for the ex-situ conservation of components of biological diversity, preferably in the country of origin of such components;

(b) Establish and maintain facilities for ex-situ conservation of and research on plants, animals and micro- organisms, preferably in the country of origin of genetic resources;

(c) Adopt measures for the recovery and rehabilitation of threatened species and for their reintroduction into their natural habitats under appropriate conditions;

(d) Regulate and manage collection of biological resources from natural habitats for ex-situ conservation purposes so as not to threaten ecosystems and in-situ populations of species, except where special temporary ex-situ measures are required under subparagraph (c) above; and

(e) Cooperate in providing financial and other support for ex-situ conservation outlined in subparagraphs (a) to (d) above and in the establishment and maintenance of ex- situ conservation facilities in developing countries."


Esta é a justificação universalmente aceite para a criação de centros como o CRLI e é seguramente beneficiando deste enquadramento que o CRLI obtém financiamentos públicos e privados. Outras justificações, como a componente educativa, são acessórias e complementares. De certa forma só são justificadas se, associada à exposição de animais ameaçados, estiver uma mensagem de esperança.

A prática da vasectomia, no alegado Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, põe em causa a justificação mais elementar para a sua existência. Que razão para existir terá um Centro de Recuperação do Lobo que procede à esterilização dos machos impedindo assim a reprodução dos indivíduos captivos?

Estarão os financiadores deste Centro, nomeadamente os que procedem do Reino Unido, onde tais práticas são condenadas, cientes da irrelevância do seu investimento?

Estarão os apoiantes desta ONG a par da original estratégia de conservação adoptada?

Qual a posição e papel da agência nacional de conservacão, o ICN, perante esta matéria? Terá este instituto aprovado tal medida? Ou foi pura e simplesmente posto de parte no processo de decisão?

Explicações precisam-se.

Sem que estas sejam fornecidas e sejam satisfatórias é dificil defender outra coisa que não seja o eventual encerramento do CRLI.

14 comentários:

Miguel B. Araujo disse...

Aqui ao lado, na vizinha Espanha, um pequeno centro de Navarra, com poucas pretencoes, acaba de ver nascer 4 pequenos lobos. Os pais sao 2 lobos oriundos de outro centro um pouco maior em Madrid.

Apesar de pouco ambicioso este pequeno centro de Navarra pretende vir a integrar o programa Europeu de reproducao de especies ameacadas e desta forma contribuir para a conservacao do patrimonio genetico da especie.

Para mais ver:

http://www.sendaviva.com/cas/noticias/

Miguel Araujo

Anónimo disse...

http://zoo.sapo.pt/conservacao/345844.html

Em 1985, foram criados os primeiros Programas Europeus para Espécies Ameaçadas (EEP).

Para muitas espécies, a reprodução ao longo de diversas gerações deriva de poucos animais importados há muito tempo (fundadores). A variabilidade genética é, portanto, restrita, o que leva a um aumento da consanguinidade e consequentemente da mortalidade juvenil.

Os geneticistas pensam que é necessária uma população geneticamente válida de 250 a 500 indivíduos para poder haver sucesso a longo prazo (200 anos). Tal programa de reprodução não pode, portanto, ser levado a cabo por uma única instituição, para mais sabendo-se que cada vez é mais difícil importar animais capturados em liberdade.

Assim, a qualidade dos programas tem de ser cada vez melhor, o que obriga a um aumento considerável do número de pessoas que estão envolvidas nas actividades dos diversos EEP, em virtude de os programas de procriação de alta qualidade serem de trabalho intensivo. É necessária, portanto, uma grande dose de boa vontade por parte dos Zoos e instituições afins, para colaborarem e gerirem as suas colecções de animais colectivamente, porque só assim o objectivo de conservação poderá ser atingido.

Actualmente existem 181 programas EEP, geridos a cinco níveis:

Nível 1
Gestão genética relativamente intensa, para animais ameaçados no seu habitat natural. Os zoos devem assinar um acordo para participar a este nível.

Nível 2
Gestão genética menos intensa mas que poderá passar para o nível 1 caso seja necessário.

Nível 3
As espécies pertencentes a este nível são apenas monitorizadas com uma observação anual de modo a manter as TAGs informadas.

Nível 4
Neste nível tenta-se gerir populações pequenas mantidas em cativeiro que são consideradas vulneráveis mas para as quais o risco de extinção é baixo. Nestes casos a importação de animais selvagens para os programas de reprodução em cativeiro não é desejável, porque a necessidade de conservação não justifica os riscos inerentes à sua importação.

Nível 5
Engloba normalmente espécies comuns que não estão integradas nos outros níveis. Servem exclusivamente para fins educativos permitindo assim que se dê mais atenção às espécies mais ameaçadas.
Cada espécie tem um coordenador que pode também ser o responsável pelo studbook para essa espécie. O coordenador recolhe e examina toda a informação proveniente das colecções que possuem a espécie da qual é responsável, informação essa que resulta normalmente de uma avaliação anual. Os dados recolhidos deverão ser, no mínimo, referentes aos nascimentos, às mortes e aos movimentos de animais entre instituições, mas poderão ser, também, relativos às dimensões das instalações onde os animais estão acondicionados, aos acasalamentos, às necrópsias, a dados veterinários e às dietas. Toda a informação recolhida é tratada num programa informático designado por SPARKS (Sistema de Registo e Análise de uma População – Single Population Analysis Record Keeping System) que permitirá ao coordenador efectuar recomendações, com base numa análise genética e demográfica, da espécie em questão.

Anónimo disse...

O CRLI é um canil com uma certa mística porque os cães
são um pouco diferentes e estão em semi-cativeiro. A
sua contribuição para a conservação da natureza
restringe-se à educação ambiental, onde de facto tem
algum valor. Mas as falsas ideias que vende de si
próprio são-lhe indispensáveis para os financiamentos
que consegue, quer através de patrocínios quer outros
apoios. E eu pessoalmente tenho alguns problemas com o
modo enganador como se tenta representar.

É um zoo mono-específico, com mais interesse para a
protecção dos direitos dos animais, recuperando lobos
feridos, do que para a conservação da natureza.

Quanto à contribuição do senhor Fonseca para a
conservação do Lobo em Portugal, entra na mesma linha
do Catarino para a botânica e tantos outros senhores
dessa academia portuguesa. Serviu-se do lobo para a
sua carreira académica, e até aí tudo bem. Mas ocultou
os resultados dos seus estudos, impediu o acesso de
outros investigadores à informação e ao campo tendo
sido necessário correr com ele do Parque de Montesinho
para se fazerem progressos na sua conservação e
conhecimento. Querer fazer deste senhor algum heroi
dos lobos é uma injustiça porque não o é.

Pedro Lérias

Miguel B. Araujo disse...

Penso que e' justo difundir esta mensagem, enviada por Joao Morais, para a lista ambio:

---
"Em defesa do Grupo Lobo e do CRLI

Desde os meus tempos de estudante da Fac.Ciências de Lisboa (já lá vão quase 30 anos) que conheço o trabalho em prol do Lobo em portugal, desenvolvido pelo grupo de investigadores que vieram a constituir o Grupo Lobo.

Este Grupo é um dos membros mais prestigiados de uma série de grupos congéneres em diversos países, constituídos com o mesmo objectivo - a conservação do
Lobo.

A população portuguesa de lobos, ou melhor, a parte portuguesa da população ibérica (não existe uma população "portuguesa") deve ter sido uma das mais
bem conhecidas a nível europeu, tendo os investigadores do grupo Lobo conseguido determinar, por vezes com um detalhe impressionante, a constituição (número de alcateias e número de efectivos), territórios,
sucesso reprodutor e hábitos alimentares de uma parte significativa das alcateias que resistiam no nosso país.
A par do trabalho puramente científico, o Grupo Lobo fez e faz inúmeras exposições e sessões de divulgação em todo o país, mesmo (e até, sobretudo) em áreas difíceis onde o sentimento anti-lobo é muito intenso. E fez um esforçado trabalho de pressão e esclarecimento junto das entidades oficiais, batendo-se sempre pela aprovação de legislação de protecção ao Lobo, o que
felizmente veio a suceder há uma dúzia de anos atrás. É fácil hoje defender (por vezes de forma inconsequente) a conservação do Lobo, mas há 30 anos, quem se atrevia?

O Centro de Recuperação do Lobo Ibérico foi concebido para abrigar animais resgatados de cativeiro, por vezes em condições miseráveis, e animais feridos, frequentemente por armadilhas. De um modo geral, animais
irrecuperáveis para a libertação na Natureza. Decerto o nome do Centro parece mais ambicioso, e acredito (sei) que o objectivo / esperança do Grupo Lobo é que um dia essa ambição contida na designação do nome se possa
concretizar - infelizmente, depois de correr muita, muita água debaixo das nossas pontes.

Para preparar um grupo mínimo de lobos (uma alcateia com 3 a 5 animais) para a reintrodução na Natureza seria necessário mantê-los durante alguns anos
num espaço muito maior que a área total do centro - talvez 4 a 5 vezes maior. E abrigá-los de qualquer interferência humana. Um lobo habituado à presença do homem, uma vez libertado na Natureza, seria rapidamente abatido pelo primeiro caçador que lhe aparecesse à frente (pois, está bem, eu sei que é proibido).

Mas no estado actual das coisas a reintrodução de lobos em Portugal é impraticável e inútil, porque as causas da sua regressão (que continua) são as alterações dos habitats, o desaparecimento, em muitas áreas, das
condições de tranquilidade necessárias, e algumas alterações sócio-económicas no nosso mundo rural - nomeadamente o desaparecimento dos grandes rebanhos (as presas naturais há muito que se extinguiram). Enquanto
prosseguir a contrução de auto-estradas e IPs sem passagens para a fauna, a multiplicação de parques eólicos nas nossas serras, a proliferação de
monoculturas de pinheiros e eucaliptos em antigas áreas agrícolas ou de mato, a submersão de rios bem conservados por barragens predadoras, reintroduzir lobos seria condená-los a uma morte rápida por atropelamento, ou lenta pela fome.

Os lobos no CRLI estão em razoáveis condições de cativeiro, mantendo muitos dos seus hábitos naturais. Estão abrigados dos olhares indiscretos dos
visitantes. E para recuperar uma adjectivação utilizada no despoletar deste debate, é estúpido confundir uma vasectomia com uma castração: a capacidade sexual, a produção de hormonas sexuais e espermatozóides não é interrompida, não há alteração de comportamentos.

O CRLI é hoje um eficaz meio de divulgação da causa da conservação do Lobo, que recebe a vista de inúmeras escolas e famílias, onde os animais mantêm a
sua dignidade e não são aviltados por condições degradantes de cativeiro, como acontece nos jardins zoológicos, ou no antigo cercado da Tapada de
Mafra.

Se não há dinheiro para alimentar mais animais, nem espaço para os abrigar, qual seria a solução defendida pelos que criticam a esterilização (apenas
dos machos, note-se)? O que propõem para as sucessivas ninhadas que surgiriam? E porque recusam aos lobos do CRLI o direito a uma vida digna e independente, dentro do possível?

Actualmente há provavelmente à volta de 1.500 lobos em liberdade na Península Ibérica, dos quais apenas 250 a 300 em Portugal. Estes lobos estiveram nas décadas de 70 e 80 confinados à zona Noroeste da Península, mas nos ultimos anos estão a recolonizar algumas áreas em Espanha, expandindo-se em direcção a Sul (ultrapassando já o Rio Douro) e a Leste (tendo sido avistados recentemente no País Basco). Não é necessário, por
enquanto, recorrer à criação de animais em cativeiro para hipotéticas reintroduções, havendo uma fonte suficiente de animais nas populações selvagens.

Quanto a pôr o ICN a auditar o grupo Lobo, parece-me uma ideia engraçada. Sabendo o que nós sabemos sobre que é o ICN, o que é a "gestão" das nossas áreas protegidas, de como a capacidade de alguns bons técnicos é inutilizada pela incompetência de burocratas... Acho boa ideia auditar as ONGAS, mas
talvez fosse melhor começar por algumas das mais mediáticas. E seria muito interessante uma auditoria completa e independente ao ICN, à gestão do PN do
Douro, da reserva da Serra da Malcata, do PN da Arrábida, de Sintra-Cascais, do PN da Peneda-Gerês, do PN de Montesinho... algumas espécies emblemáticas
extinguiram-se ou estão em vias de se extinguir em áreas supostamente protegidas: que é feito da Águia-pesqueira no PN do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina? Onde estão os linces da Serra da Malcata? O que aconteceu à Águia-real na Peneda-Gerês?

João Morais"

Gonçalo Pereira disse...
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Anónimo disse...

Sobre a vasectomia dos lobos do CRLI

À primeira vista a vasectomia dos lobos do CRLI parece de facto ser uma medida errada, o que pode justificar a reacção do Miguel. Afinal os lobos do CRIL não deveriam ser mantidos como um núcleo de criação em cativeiro,
com o objectivo de libertar os animais no seu meio? Os manuais estão cheios de bons exemplos desta estratégia de conservação. Devemos, portanto, ponderar o que levará pessoas tão dedicadas à conservação do lobo a fazer a vasectomia dos machos do centro.

Como já foi aqui escrito para libertar lobos é necessário ter onde. Ora o lobo infelizmente não é nada bem-vindo nas áreas rurais do nosso país. Quem
tenha a experiência de em simples conversa nas aldeias do norte de Portugal defender o lobo sabe bem que isso desperta em muita gente uma agressividade fortíssima. Não é uma simples opinião negativa – é uma forte emoção a roçar o ódio! A que se deve tanta emotividade? A enraizados mitos e medos acumulados ao longo de milénios e aos prejuízos que os lobos por vezes
causam a quem tem rebanhos nas áreas onde ocorre.

Apesar de não terem nunca sido libertados lobos em Portugal as populações de zonas de lobo acusam muito frequentemente as autoridades e as ADA de o fazerem. Descrevem por vezes situações bem concretas em que “um carro castanho foi visto a libertar 20 lobos…”. Estas histórias são infundadas e propagadas por boatos mas nas zonas rurais há muito quem acredite nelas.

Os lobos que existem nas serras de Portugal fazem parte das serras há milhares de anos. Os serranos estão preparados para viver com essa “contrariedade” que herdaram dos seus pais e avós, mas não com animais
trazidos por “gente de fora que tem a sorte de só ver lobos na televisão”.

Nestas condições libertar lobos seria fortemente prejudicial à sua conservação.

Queiramos ou não esta é a dura realidade com que ainda teremos que viver durante muitos anos. Entretanto devemos ir trabalhando para desmistificar a
imagem do lobo e compensar os prejuízos que causam (o que é hoje feito, ainda que com atrasos, graças a legislação que creio ser resultado do trabalho do Grupo Lobo).

Se a libertação de lobos está presentemente fora de questão então há que limitar o crescimento das suas populações em cativeiro. Daí a vasectomia, que é certamente uma “solução” que decerto desagrada mais aos activistas do Grupo Lobo que a qualquer um de nós…

Felizmente neste momento a manutenção do lobo na Península não está dependente da libertação de animais criados em cativeiro e em algumas áreas as suas populações são saudáveis e até estão em expansão.

Qual é então o papel do CRLI? Não sei se participa em qualquer programa de reprodução em cativeiro, em gestão coordenada com outros centros. Se existe um tal programa parece-me desejável que participe. Um papel importante é a recolha, por razões humanitárias, de animais feridos, crias ilegalmente capturadas, etc. Isto não é uma medida de conservação mas o simples facto de acontecer eleva o estatuto do lobo aos olhos do cidadão.

O CRLI desempenha também uma missão educativa, particularmente relevante no caso de uma espécie com tão má imagem pública. Nunca visitei o CRLI mas os meus
filhos já o fizeram em excursões organizadas por iniciativa das suas escolas e tanto eles como os colegas aprenderam muito com a experiência…

A questão da legalidade do centro seria decerto importante se o Grupo Lobo estivesse a capturar animais para os meter no centro mas estou convicto que
isso não acontece. O estatuto legal dos lobos no CRLI parece ser semelhante ao das aves que estão nos vários centros de recuperação geridos por ADA e outras entidades e que por razões várias não podem ser libertadas. Terá o Grupo Lobo autorização para esterilizar os animais à sua guarda? Não faço
ideia mas parece-me que no actual contexto se não os esterilizar o ICN terá que criar outro CRLI para receber os descendentes dos lobos que estão neste.

Não sou sócio do Grupo Lobo e conheço relativamente mal o detalhe das suas actividades e funcionamento mas parece-me que o balanço geral do trabalho do grupo é muito positivo. Se as outras espécies ameaçadas de Portugal tivessem “o seu Grupo Lobo” creio que o panorama de conservação no nosso país não seria tão negativo…

Jorge Palmeirim

Anónimo disse...

Bom dia,

O CRIL não é de facto um centro de recuperação da espécie mas um centro de recuperação dos animais que ali entram pelas mais diversas razões (ninguém captura lobos para lá meter e não se negoceiam lobos, no que se
distingue de alguns zoológicos que de facto compram, vendem e trocam animais mesmo fora de programas de conservação).

Não é de facto possível pensar na libertação de lobos em Portugal pelas razões apontadas por Jorge Palmeirim. Isto não é apenas uma questão de falta de coragem para o fazer, é mesmo um problema de fundo da política
de conservação em Portugal. Não sei se alguém liberta lobos em Espanha (excluindo da pergunta as áreas em que se caça lobo, porque admito que tenham uma lógica de gestão diferente). Lembro-me com clareza de várias
sessões públicas sobre a Rede Natura (não me canso de dizer que fora Mário Baptista Coelho e Humberto Rosa que escreveram um importante artigo conjunto num jornal não houve ninguém que defendesse publicamente o processo da rede natura para além dos técnicos do ICN) e sobretudo das sessões públicas para a criação do Parque Natural do Douro Internacional onde a questão da libertação dos animais era das mais importantantes
armas arremessadas contra a criação do parque. Não se pense que era apenas a velhinha que na primeira fila de uma dessas sessões de vez em quando, fora de qualquer contexto, batia com o bordão no chão dizendo bem alto, "queremos fábricas, não queremos feras", eram também professores do ensino secundário, que a conversa posterior permitia perceber que eram pessoas razoáveis e sérias na discussão do problema da criação do parque, que asseguravam ter visto operações de libertação de
lobos, não esquecendo os que referiam precisamente o CRIL como o viveiro de onde sairiam os lobos para a libertação em todo o Portugal.

Mas acresce a isto que não tem qualquer sentido, do ponto de vista de conservação da espécie, um programa robusto de conservação ex-situ: a espécie está estável ou em ligeira expansão (estimam-se em Portugal entre duzentos a quatrocentos lobos, e em Espanha a situação ainda é melhor) e não tem qualquer dificuldade a sua reprodução em cativeiro.

Poder-se-á justificar, como medida de precaução, alguma coordenação de jardins zoológicos na gestão de uma população mantida em cativeiro, mas nada mais que isso.

Ora o que acontece é que o nascimento de animais no CRIL, para além de criar um problema logístico sério, estava a apoiar a difusão da ideia de que se andavam a criar lobos em cativeiro para a sua libertação
posterior. É pois por pressão do ICN, ao que me dizem, que efectivamente o CRIL adopta um programa de controlo de natalidade. A ideia que me transmitiram era a de que o CRIL teria adoptado a política de estirilizar alguns machos e algumas fêmeas, juntando posteriormente
machos reprodutores com fêmeas estéreis e vice-versa, resolvendo assim o problema do controlo de natalidade e mantendo intacta a possibilidade de em qualquer altura que fosse necessário iniciar de imediato um programa
de repodução em cativeiro. Não sei se é isto que se passa ou não, mas penso que seria esta a ideia inicial.

O Miguel levanta o problema de saber se o CRIL não estaria a ser pouco sério fazendo passar a ideia de que o centro contribui alguma coisa para a conservação da espécie (o que realmente é mentira, para além dos
benefícios marginais que poderão advir da educação ambiental que pode proporcionar) para motivar os seus financiadores. Esse é um problema privado entre o centro e os seus financiadores enquanto não estiverem
envolvidos dinheiros do Estado, e tanto quanto sei o ICN não gasta dinheiro no CRIL. Se os financiadores não controlam o destino do seu dinheiro convenhamos que o problema é deles.

Mais complicada parece ser a relação de promiscuidade entre uma entidade pública (a faculdade de Ciências) e o CRIL, mas convenhamos que esse é um problema geral do nosso Estado em que cada universidade vai criando à
sua volta dezenas de entidades supostamente privadas em que a troca de recursos é mais que opaca (considerando que o tempo dos senhores professores é o bem mais escasso de uma universidade, espero que não se
argumente que isso corresponde a custo zero).

Acho de uma enorme injustiça pôr no mesmo saco o Professor Francisco Fonseca e o Profesor Catarino. O primeiro pode ter muitos defeitos e uma gestão pessoal dos problemas da conservação e investigação do lobo em
Portugal, mas nunca, que eu saiba, fez como o segundo que recebeu (não estou a dizer ele pessoalmente, mas grupos de investigação que chefiou) milhares de contos do Estado para fazer tabalhos que nunca apresentou, e
entre uma coisa e outra vai uma enorme diferença.
Quanto a um extremismo que passa em várias mensagens, com loas ao trabalho do grupo lobo por um lado e críticas ao ICN por outro (chegando ao ponto de uma pessoa informada como Jorge Palmeirim dizer que a
legislação do lobo se deve ao grupo lobo, o que é um manifesto exagero.

Mesmo reconhecendo um papel central na criação dessa legislação (cuja dimensão desconheço) é evidente que nunca poderia haver essa legislação sem o empenho de muito mais gente, incluindo os técnicos e dirigentes do
ICN). Será talvez bom lembrar que entre 1994 e 1998 ou 1999, o grupo lobo (melhor dizendo, os investigadores ligados ao grupo lobo, porque não sei exactamente se é o grupo lobo ou a faculdade de ciências) receberam do ICN cerca de trinta mil contos para estudos sobre a
espécie. Dizer nestas circunstâncias que quem faz a investigação é que produz resultados fantásticos e quem a encomenda são umas bestas que não fazem nada parece-me um bocadinho excessivo.

Um comentário final sobre a águia pesqueira, um exemplo típico de manipulação de resultados de conservação para motivar financiamentos para a investigação. Fui responsável por ter aprovado um programa de uns
milhares de contos para a recuperação da águia pesqueira no SO Alentejano no pressuposto de que as garantias dadas por Luís Palma de que haveria fortes indícios de diferenciação genética das populações
mediterrânicas se verificavam e que haveria disponibilidade das autoridades corsas para cedência de animais para o programa. Qual não é o meu espanto quando verifico anos mais tarde (depois de gastos uns
milhares de contos do primeiro programa, exclusivamente em estudos e sem um tostão gasto em acções concretas de recuperação da população do SO alentejano) que havia uma nova campanha mediática em curso para a
conservação da águia pesqueira, onde mais uma vez participava activamente a LPN, organização a que pertence Luís Palma, um pedido de financiamento paralelo dos mesmos investigadores, mas agora com base em animais vindos da escócia porque afinal a questão genética já não era determinante (esquecendo-se de explicar que não sendo determinante a questão genética, claramente a águia pesqueira não é nenhuma prioridade
de conservação porque não está especialmente ameaçada, incluindo em Portugal. Há muitas águias pesqueiras em Portugal, o que não há é uma população residente ao contrário do que já aconteceu no passado).

henrique pereira dos santos

Miguel B. Araujo disse...

Congratulo-me com as mensagens enviadas pelo Jorge Palmeirim e pelo Henrique Pereira dos Santos. A segunda clarifica a questão que para mim não era de pouca importância: de que a vasectomia dos lobos no CRLI não só teve o acordo do ICN como resultou da pressão deste último.

Este pormenor é importante pois desvia a discussão inicial sobre a legitimidade do grupo lobo para fazer esta operação aos lobos cativos para uma discussão mais interessante sobre a pertinência da medida. Entremos, pois, na discussão mais aprofundada sobre este aspecto.

1. Vasectomia - o argumento utilizado é o da escassez de espaço e recursos financeiros para alimentar um número crescente de lobos. A vasectomia é a solução mais fácil. Uma solução que segue o mesmo raciocínio mas que tem a vantagem de não ser irreversível é o da utilização de outros métodos anticoncepcionais como seja a pílula. Centros semelhantes, em África, para recuperação de “grandes símios”, adoptam esta medida. A vantagem desta opção é grande: não é um processo irreversível podendo-se, a qualquer momento, reiniciar o processo de reprodução das espécies. Outra possibilidade mais trabalhosa seria a separação dos machos e fêmeas, como já aqui foi sugerido. Neste contexto continua a ser discutível que a vasectomia tenha sido a opção tomada mas entende-se que sendo o ICN incapaz de cumprir com as suas obrigações em matéria de conservação do lobo – vide os atrasos no pagamento das compensações aos pastores – tenha dificuldade em manter uma postura mais reflexiva quando se trata de uma questão, alegadamente, menor como seja o destino genético de meia dúzia de lobos mantidos em cativeiro.

2. Medidas alternativas - medidas menos drásticas, mas talvez mais trabalhosas, estariam também ao alcance dos decisores pela vasectomia. Por exemplo poder-se-ia estudar a possibilidade de oferta de lobos nados no CRLI a outros centros de recuperação existentes em Espanha. Uma outra possibilidade seria a venda de lobos nados no CRLI a jardins zoológicos que estejam integrados na rede Europeia de conservação da espécie (rede liderada pelo Zoo de Barcelona). Qualquer uma desta possibilidades daria a este Centro uma dimensão efectiva na conservação ex-situ da espécie. Dimensão que actualmente não tem (a componente educativa pode ser importante mas como se depreende da leitura da Convenção da Diversidade Biológica – ver excerto no blog da ambio – só pode ser vista como acessória e não fundamental deste tipo de centros).

3. Largada de lobos no campo - finalmente abordamos a questão de fundo, i.e., a da utilidade destes centros como retaguarda de políticas de conservação in-situ. Em primeiro lugar é importante distinguir a) a reintrodução de lobos em áreas onde actualmente não existem mas poderão ter existido no passado; e b) o repovoamento de lobos, ou seja, a largada de indivíduos nos territórios de onde vieram originalmente e onde, actualmente, existem populações de lobos. A primeira enferma de muitos dos problemas referidos pelo Jorge Palmeirim e Henrique Pereira dos Santos mas a segunda não tanto. Uma coisa é dizer às populações que serão reintroduzidos lobos onde não existem, outra é a devolução de lobos, recuperados no CRLI, ao território de onde teve de sair por algum infortúnio causado pelo Homem.

4. Repovoamento – naturalmente existem riscos com esta operação. Os lobos recuperados podem não ser aceites pelas alcateias dos locais onde são soltos. Sendo assim poderão ser forçados a dispersar para outros locais. Nesse acto de dispersão podem causar danos a agricultores e produtores de gado (que são caros), como podem também ser abatidos ou atropelados por viaturas. O risco é grande mas não é absoluto. Isto é, existe também a possibilidade de que sejam capazes de se estabelecer, de constituir família, e assim contribuir para a consolidação das populações de lobos na Península Ibérica. Não sei qual a probabilidade de sucesso de uma operação desta natureza mas sei que a probabilidade de os lobos no CRLI constituírem o fim de uma linha genética é, actualmente, de 100%. Por outro lado o estudo destes processos de largada de lobos produz dados invariavelmente mais úteis para o estudo do comportamento dos lobos do que a simples manutenção “ad eternum” de populações em cativeiro.

5. Reintrodução – esta é a estratégia mais interessante do ponto de vista da conservação da espécie mas é naturalmente a mais difícil e aquela que ofereceria maiores resistência locais. Por exemplo nos Alpes Franceses, no Parque do Mercantour, uma população de lobos terá atravessado a fronteira Italiana estabelecendo-se neste novo território. A posição das populações não poderia ter sido mais antagónica e o argumento utilizado era de que os lobos teriam sido introduzidos pelas autoridades já que não entendiam como poderiam os lobos ter atravessado algumas centenas de quilómetros sem serem detectados (santa ignorância). Enfim, o moral da história é que mesmo num contexto de colonização natural as autoridades tiveram problemas em gerir a situação. Se a colonização tivesse sido antrópica teria sido muito mais complicado. No entanto Portugal não é França, nem os agricultores Portugueses são como os Franceses. Por outro lado existem casos de reintrodução de lobos em territórios novos que podem servir de exemplo.

6. Reintrodução em Espanha – O mais próximo é em Espanha, nas serras de Leon. Infelizmente não possuo muita informação sobre esta processo já que esta informação me foi dada por Biólogos Espanhóis sem que tenha sido capaz de encontrado qualquer documentação sobre o assunto. Em todo o caso imagino que neste caso tenha sido relativamente fácil dada a dimensão destas serras e o quase absoluto despovoamento de comunidades humanas em dezenas de milhar de hectares.

7. Reintrodução em Yellowstone – Outro exemplo que conheço melhor, por existir ampla documentação e por ter visitado o local é a reintrodução de lobos no Parque de Yellowstone, nos Estados Unidos da América. Em Yellowstone não existem assentamentos humanos o que, em principio, teria facilitado o processo. Porém não terá sido assim. Os agricultores Americanos são poderosos, influentes e aguerridos e a simples possibilidade de que os lobos saíssem de Yellowstone e assumissem como territórios de caça as zonas envolventes onde os produtores de gado se habituaram a deixar o gado, gerou a celeuma suficiente para que esta operação de reintrodução se revestisse de muita tenção social e política. A experiência de Yellowstone é, consequentemente, útil para o estudo de eventuais reintroduções em Portugal. A chave para o sucesso de reintroduções parece estar na determinação, competência e capacidade de diálogo dos gestores do processo. Em Yellowstone esta reintroução foi acompanhada de duas garantias dadas aos agricultores. A primeira seria que qualquer dano provocado por lobos seria imediatamente compensado pelas autoridades. Em Portugal o principio existe mas a prática é irresponsável. A segunda garantia foi a de que as populações de lobos seriam devidamente acompanhadas e que se algum ou alguns indivíduos se habituassem a sair do território de Yellowstone para caçar nos rebanhos domésticos seriam abatidos. Esta medida era fundamental pois a única forma de evitar que os agricultores iniciassem um processo furtivo de abate de lobos era confiar que este processo seria feito, de forma séria e responsável pelos gestores do Parque. E assim foi, quando um lobo, infelizmente um belo alpha, começou as suas incursões fora do parque, reincidindo posteriormente, os responsáveis do parque foram obrigados a abatê-lo. O custo da vida deste lobo foi o inicio da confiança dos agricultores. E graças a esta confiança uma população de lobos voltou a ocupar os territórios de Yellowstone contribuindo para a regeneração deste Parque.

8. Poderiam tais experiências ser feitas em Portugal? Talvez. O primeiro passo seria haver vontade política que, obviamente não existe, nem existirá se o grupo que promove a conservação do lobo desiste mesmo antes de tentar. Não cabe aqui entrar nos detalhes técnicos de tal processo de reintrodução mas faço notar que existem território de alguns milhares de hectare no Alentejo (o caso da Contenda) que estão parcialmente vedados e que poderiam constituir o local ideal para estudar tal processo de reintrodução. O primeiro passo seria a transferência do CRLI, ou similar, para este local. Cercados um pouco maiores do que actualmente têm em Mafra poderiam ser instalados nesta herdade pública, sendo que, progressivamente, os cercados seriam aumentados. Este procedimento, utilizado em Yellowstone, asseguraria que os lobos se assentariam, primordialmente, na área da Contenda. O aturado seguimento destas populações poderia, depois, fazer o resto do trabalho. Este poderia ser um contributo importante para a consolidação das populações de Lobo a sul do Douro que, como se sabe, estão em piores condições do que as populações a norte deste rio.

Idealismo? Talvez mas é das ideias que nascem as políticas. E as políticas sem ideias não são mais do que a simples gestão do quotidiano.

Cumprimentos

Miguel Araújo

Anónimo disse...

Apenas um comentário: não é apenas o ICN que não cumpre as suas responsabilidades em relação ao pagamento das indeminizações devidas aos pastorespelos prejuízos causados pelo lobo, é toda a sociedade portuguesa: a lei que prevê estsa indeminizações esqueceu-se de prever a sua fonte de financiamento, os sucessivos orçamentos de Estado esquecem-se desta obrigação e se a direcção do ICN resolver cumprir essa obrigação (como já aconteceu no passado com outra direcção do ICN) tal siginificará a paragem ou redução de outros projectos com custos públicos enormes dado que a falta do pagamentos das indeminizações aos pastores não socialmente sancionada e a paragem de outros projectos implica uma forte sanção pública para a direcção do ICN.

Anónimo disse...

Subscrevo por inteiro as afirmações do João Morais.

Impressiona-me que pessoas que nunca sequer visitaram o CRLI falem do que não conhecem . Pela m / parte, em ambas as vezes que visitei o Centro foi dito que a vasectomia era praticada e aduzidas as razões que a recomendavam. Não obstante , a provar que a intervenção não afecta a capacidade sexual dos animais está o facto de o casal " Manchas - Clarinha " ter tido pelo menos 3 ninhadas depois de vasectomizado o primeiro! Ana Cristina Figueiredo

Anónimo disse...

Para já gostaria de informar o Sr. Miguel que o CRLI é independente da Tapada de Mafra. E depois gostaria de lhe dizer que já que gosta tanto de opiniar tanto era melhor informar-se mais.
Só quem não está por dentro da dinâmica de um centro deste tipo, quem desconhece por completo a organização social de uma alcateia, quem desconhece o seu país a nível de conservação de espécies ameaçadas, é que pode fazer um comentário imbecil àcerca do uso da vasectomia e que usa analogias utópicas idiotas de reintrodução em Yellowstone, como se houvesse comparação possível.
Meu amigo, aconselho-o a conhecer melhor a realidade de comenta.
Nem tudo o que acontece no CRLI são rosas mas garanto-lhe que há uma excelente equipas de técnicos e voluntários a tentar mudar imensos mitos e crenças em relação al lobo, bem como a tentar mudar maneiras ridiculas de pensar como a sua!

Miguel B. Araujo disse...

A coberto do anonimato ouvem-se vozes insultuosas desprovidas de argumentos e pestilando ódio e preconceito.

Terei todo o gosto de responder a todos os comentários inteligentes e substanciais mas "posts" como o anterior apenas corroboram o que escrevi no "post" original e demonstra que toquei num ponto sensivel das capelinhas de alguma conservacao que se faz em Portugal.

Estude, pense e depois escreva meu caro; e' o que lhe recomendo.

Anónimo disse...

gostaria que o senhor pedro lérias me contactasse obrigado! paulasantos_10@hotmail.com

Anónimo disse...

Olá e boa noite em relação àquilo que escreveu no seu post só tenho uma unica coisa a dizer...antes de dizer a asneirada que disse sobre o CRLI, aconselho a informar-se no local, aliás se acha que n vai obter essa informação aconselho vivamente a candidatar-se durante uns tempos ao programa de voluntáriado como eu o fiz, falar com os funcionários, conhecer a história e os recursos e a verdadeira missão daquela instituição e só depois acho que t~em as capacidades de dizer o que disse...até porque toda a gente faz os possiveis por aqueles animais, dão-lhes os cuidados que eles precisam e sofrem quando n conseguem fazer mais nada por eles, mas falar é facil, fazer melhor é dificil, chegaram a existir 30 lobos naquele centro, se esse programa não fosse optado então n seria possivel conseguir alimentar tantos animais visto que 3 vezes por semana são alimentados com cerca de 2,5 kilos de carne a 3 kilos, faça as contas...e depois tente dividir cerca de 4,5 hectares por tantos animais, informe-se do estado em que aqueles animais lá chegam tambem, vai ficar admirado com as histórias por detrás daqueles magnificos exemplares e depois ai critique o que tem a criticar...agora fraude? por amor de deus isso é conversa de intlectuais de trazer por casa que fazem destas causas as suas lutas sem nunca terem visto a realidade no terreno!