sexta-feira, março 10, 2006

Ambiente e obsessão

O recente «remake» da estafada novela «co-incineração» - em que o Ministério do Ambiente (leia-se, José Sócrates) reactivou o processo e a administração da Secil veio logo a seguir anunciar que não está interessada em queimar resíduos na cimenteira do Outão - confirma que a política de ambiente em Portugal tem vindo a ser guiada por obsessões.

José Sócrates terá, por certo, muitas virtudes, mas jamais aguenta ser convencido que as suas convicções estão erradas, tornando-se, portanto, obsessivo. Desde que em 1996 - já lá vão 10 anos - decidiu optar pela co-incineração como solução para os resíduos industriais, o então secretário de Estado soube conviver mal com a contestação. Em vez de tentar compreender as raízes que estavam por detrás da contestação popular (sobretudo a desconfiança em relação a empresas que tinham um passado ambiental negro), usou todos os estratagemas possíveis para levar a sua vontade àvante. Para tal utilizou mesmo três magníficos professores de universidades portuguesas para «cozinharem» um relatório que, ao invés de convencer, mais suspeitas causaram, devido fundamentalmente aos erros de palmatória que continham.

Regressado ao Governo, cerca de dois anos depois de ter abandonado o Ministério do Ambiente,engrandecido mais ainda com a capa de primeiro-ministro, José Sócrates mostrou, em todo o esplendor, a sua faceta obsessiva. E assim (por interposta pessoa, o ministro do Ambiente), além de continuar sem compreender as razões porque as populações não querem a co-incineração, mostrou que também não compreendeu, desde o início, os motivos principais para o interesse das cimenteiras. Estas empresas mais não queriam do que o financiamento estatal para resolverem os problemas ambientais (colocação dos filtros de mangas, que teriam de ser sempre colocados com ou sem co-incineração). Como as cimenteiras conseguiram entretanto isso quase de borla, durante a novela da co-incineração, estando agora bem servidas, obviamente que não estão agora dispostas a queimar nada que lhes possa «queimar» a imagem. Fizeram, portanto, um diplomático «manguito» à abertura do processo na semana passada.

Além disso, a obsessão de Sócrates (por interposta pessoa do ministro do Ambiente) torna-o cego para ver que, de facto, existem soluções técnicas para solucionar os resíduos industriais, muito mais seguras do que a co-incineração. E isto acaba por ser aquilo que mais se lamenta.

4 comentários:

Anónimo disse...

E porquê que está Socrates errado?
LM

Anónimo disse...

A quem pertence a companhia que irá instalar o sistema da co-incineração? A quem pertence a companhia que pretende instalar o sistema alternativo à co-incineração? Acaso haverá ex-ministros entre os proprietários?

O que está em causa em Souselas não é a saúde dos cidadãos nem a qualidade do ambiente: é a companhia que vai facturar a empreitada. Cada político quer que a sua empresa facture. Investiguem e obterão surpresas.

Ingénuos os que pensam haver discordâncias técnicas quanto ao tema, ou sequer preocupações distintas quanto a questões ecológicas e sociais. Não acreditem nessas lágrimas de crocodilo. O que há são conflitos de interesses na concessão de mais uma empreitada de obras públicas.

Ricardo Carvalho disse...

Existem soluções técnicas para solucionar os resíduos industriais muito mais seguras do que a co-incineração? Então, faça favor, apresente o seu estudo à comunidade científica e às autoridades demonstrando tal facto.

Anónimo disse...

Estará o PV Almeida disposto a receber o material para coincenerar no seu quintal ?
Se sim, faça favor de informar.
Desde`que o Socrates ( não morro de amores por ele) foi Ministro do Ambiente que NADA se fez a não ser discutir e dar palpites para atrasar, atrasar, atrasar. Com que intuito ?
´É fácil protestar contra o vento e o mar. Mas soluções e sua implementação atempada ? Nada!
Com os protesto contra tudo e todos, sempre se arranja algum curriculo para se continuar a protestar. Quanto ao lixo, desde que não esteja no meu quintal .....
Quanto aos cientistas que fizeram o estudo deviam merecer~lhe mais respeito, porque primeiro elogia-os e depois diz que estavam feitos. Falta de coerencia total no seu poste opinativo...
Tenha uma Pascoa feliz....