sexta-feira, novembro 10, 2006

Números e território



Obrigado a ir verificar o que se passava pelo facto do Pedro Vieira apresentar números concludentes que não me pareciam colar com a realidade descobri a resposta nestas imagens.
As duas imagens, sem grande qualidade por responsabilidade minha no seu tratamento, são retiradas da news letter do EFFIS sobre os fogos de 2006 (até Agosto) e as áreas encarnadas são as áreas ardidas.
O Pedro adopta como base territorial a Galiza como um todo e compara com distritos em Portugal.
Ora o que é claramente verificável é que na Galiza este ano existem duas realidades bem distintas: as províncias (não sei bem se a terminologia espanhola correcta) do oeste arderam muito, as duas províncias do leste quase não arderam.
Ao uniformizar tudo numa percentagem do território galego (o que não está errado, tem é limitações de interpretação que devem ser observadas) e comparar com os distritos portugueses chega-se então há maior afectação relativa nos distritos Portugueses.
Mas se utilizarmos o mesmo critério dos dois lados da fronteira (as províncias na Galiza, os distritos em Portugal, ou a Galiza no seu todo e o Entre Douro e Minho no seu todo), outras relações se tornarão evidentes.
Se optarmos por comparar províncias galegas com distritos minhotos, provavelmente encontraremos, a julgar pelas imagens, distâncias maiores entre as províncias oeste e leste da Galiza que entre as províncias oeste da Galiza e os distritos noroeste do Minho.
O que me parece que suporta a tese de que condições meteorológicas conjunturais extremas ajudam mais a explicar anos excepcionais de fogos que qualquer outro factor.
Já o mesmo tipo de conclusões não se podem tirar em relação a anos médios, em que é visível a diferença entre o que acontece de um e do outro lado da fronteira, o que deverá ser explicado por outros factores que não as condições meteorológicas extremas.
henrique pereira dos santos

5 comentários:

Pedro Almeida Vieira disse...

Henrique,

Nem um numerozito sequer apresentas, credo! Umas imagens mal amanhadas, em que não se percebe nada de nada; umas considerações entre as diversas províncias da Galiza (o que dizes da Galiza é também comparável com o que acontece com Portugal: o vasto Alentejo, em termos proporcionais, não arde quase nada e, no entanto, é Portugal...).

E depois esqueces-te de um pequeno pormenor: a Galiza (e mesmo as províncias do Oeste) são muito, mas mesmo muito mais arborizadas do que o Minho e qualquer região de Portugal. Se fores ver o inventário florestal espanhol (www.mma.es), verás que 2/3 da Galiza (e da generalidade das suas províncias) é ocupado por floresta. E sabes quanto tinha o Minho em 1995? E agora em 2006?(se não sabes, está no meu livro...).

Logo, se a Galiza tem mais árvores (e uma das causas é não arder tanto como Portugal), as contas ainda saem mais desfavoráveis a Portugal. Aliás, eu já disse a páginas tantas que as comparações com a Galiza até saem favorecidas para Portugal quando se compara apenas a área territorial ardida. Se se comparar a percentagem da área florestal ardida, então o desastre minhoto será ainda maior.

Mas, pronto, estás à vontade para apresentar mais mapas, mesmo sem qualquer número nem sentido...

Este será o meu último comentário a posts teus sobre incêndios e floresta. Desisto de discutir mais contigo. Entrego-te a «bicicleta»...

Henrique Pereira dos Santos disse...
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Henrique Pereira dos Santos disse...

O Pedro tem toda a razão: as imagens são de má qualidade.
Os originais podem ser vistos aqui
http://effis.jrc.it/documents/2006/EFFIS_Newsletter-2006_01.pdf
Para quem também prefere a mesma informação sobre a forma numérica em vez da forma cartográfica, aqui vai:
província/ comunidade autónoma área ardida área total %
A Coruña 34 504 795 000 4,34%
Lugo 6 079 985 600 0,62%
Ourense 12 067 727 300 1,66%
Pontevedra 40 290 449 500 8,96%
Galiza 92 941 2 957 400 3,14%
Distrito/ região
Braga 10 247 267 300 3,83%
Viana do Castelo 15 890 225 500 7,05%
Porto 6 870 239 500 2,87%
Entre Douro e Minho 33 007 732 300 4,51%

Anónimo disse...

Bom Dia, como este blog trata-se de informacao sobre o ambiente e a sociedade, podias-nos dar informacoes sobre a situacao actual do pólo sul? ficavamos agradecidos. podia-nos mandar as suas informacoes para o seguinte e-mail: ruben_palma1@hotmail.com
Os nossos melhores cumprimentos.

Anónimo disse...

ora boa tarde, desculpem o meu optimismo, mas ao menos as declarações dos políticos vão no sentido que acho bem, não?

Claro que depois ainda faltam os factos.

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1277039&idCanal=90

jc