segunda-feira, outubro 01, 2007

Golfinhos e lobos

Hoje, 1 de Outubro, a operação dos ferries que ligam Setúbal a Tróia passa para a Atlantic Ferries (penso que é assim que se chama a empresa).

Com esta mudança uma outra ocorre: a partir de hoje de cada bilhete vendido para a travessia 10 centavos são afectos a um fundo de conservação dos golfilnhos roazes do Sado a que se pode candidatar qualquer pessoa ou grupo (com excepção da Imoareia e do ICN).

O fundo financia preferencialmente acções concretas de conservação e não estudos ou campanhas de sensibilização (que podem existir as associados a acções concretas e ainda assim com em percentagens limitadas do fianciamento).

Um esquema semelhante está em plena actividade para a conservação do lobo nas serras de Freita, Arada e Montemuro (pode ser visto aqui).

Estas não são acções business and biodiversity, são acções obrigatórias decorrentes de medidas compensatórias de processos de AIA.

Mas para quem, como eu, sempre defendeu que o ICN nunca se deveria candidatar a financiamentos do LIFE por entender que um dos maiores problemas da conservação em Portugal é o peso excessivo do Estado, são boas notícias.

Assim haja quem para além de explicar todas as asneiras que os outros fazem em matéria de conservação consiga ter ainda energia e criatividade para desenvolver projectos úteis, tirando partido destas novas fontes de financiamento.

henrique pereira dos santos

7 comentários:

JOY disse...

Aqui está uma boa noticia ,penso que já que o estado nada faz relativamente a protecção da natureza, é bom que outras entidades chamem a si esse trabalho e sejam justamente ajudadas para a concretização dos seus objectivos .

JOY

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Joy,

Atenção que isto são medidas que resultam da acção do Estado, não são voluntárias, portanto a sua opinião de que o Estado não faz nada não é justa.

henrique pereira dos santos

Nuno Oliveira disse...

Caro Henrique Pereira dos Santos,

Tendo a concordo consigo no que concerne ao impacto positivo que este tipo de projectos, obrigatórios ou não, possam trazer efectivamente à conservação da Natureza em Portugal.
Mais importante do que o projecto propriamente dito, acho interessante ver como é que as entidades promotoras (neste caso a Sonae) os estão a entender e 'absorver', pois fico sempre com o receio que para eles possa sempre ser mais um 'side-project' e não seja plenamente integrado na sua filosofia de gestão.
Daquilo que conheci da pessoa responsável pela área de gestão ambiental da Sonae Turismo, creio que há um esforço pró-activo em criar um espaço de entendimento e compreensão, dentro da empresa, de como estas acções se conjugam com o próprio modelo de gestão, e aqui haverá certamente espaço para exlorar a filosofia de B&B.

Enfim, com B&B ou sem B&B, vivemos uma altura interessante para mobilizar o sector privado em direcção à conservação da Natureza, e passar um bocado paera além da fase das campanhas de sensibilização e de marketing ambiental, assim haja esforço e mais acção (e menos reclamação) por parte de todos os interessados.

Anónimo disse...

Caro Henrique Pereira dos Santos,

Tendo a concordo consigo no que concerne ao impacto positivo que este tipo de projectos, obrigatórios ou não, possam trazer efectivamente à conservação da Natureza em Portugal.
Mais importante do que o projecto propriamente dito, acho interessante ver como é que as entidades promotoras (neste caso a Sonae) os estão a entender e 'absorver', pois fico sempre com o receio que para eles possa sempre ser mais um 'side-project' e não seja plenamente integrado na sua filosofia de gestão.
Daquilo que conheci da pessoa responsável pela área de gestão ambiental da Sonae Turismo, creio que há um esforço pró-activo em criar um espaço de entendimento e compreensão, dentro da empresa, de como estas acções se conjugam com o próprio modelo de gestão, e aqui haverá certamente espaço para exlorar a filosofia de B&B.

Enfim, com B&B ou sem B&B, vivemos uma altura interessante para mobilizar o sector privado em direcção à conservação da Natureza, e passar um bocado paera além da fase das campanhas de sensibilização e de marketing ambiental, assim haja esforço e mais acção (e menos reclamação) por parte de todos os interessados.

Nuno Oliveira
ngoliveira@ambiodiv.com

Barreto disse...

Boa tarde e parabéns.
Só agora tive oportunidade de tomar conhecimento com o V/ blogue e, devo confessar, fiquei deveras impressionado com a qualidade do V/ trabalho. Continuem. O Ambiente agradece.

Anónimo disse...

Boa boa.

Parece-me uma iniciativa de louvar.
Lendo apenas o que foi publicado, é uma forma interessante de se financiar o que na minha opinião deveria ser o estado a garantir. (eventualmente não a financiar)
Para mim e no que concerne ao estuário do Sado e ao Habitat dos golfinhos residentes, apenas desejo que um dia os meus/seus netos, tenham a oportunidade de os ver.

Cump´s

miguelbarbosa disse...

"Assim haja quem para além de explicar todas as asneiras que os outros fazem em matéria de conservação consiga ter ainda energia e criatividade para desenvolver projectos úteis (...)"

Pois é Henrique mas a palavra-chave aqui é... profissionalismo.
O Henrique é profissional da Conservação da Natureza mas muitos dos que se interessam pelo mesmo tema não são. E isso faz toda a diferença.

A crítica que é feita habitualmente ao ICNB não é tanto pelas asneiras que faça em matéria de conservação mas antes pela ausência de trabalho de conservação.

Não se enerve com a afirmação. "Picou-me" e eu estou a "picá-lo" a si.

Miguel Barbosa
www.faunaiberica.blogspot.com