quinta-feira, dezembro 18, 2008

Post scriptum com Madoff



Este post é um post scriptum do anterior.

No fundo sinto-me como se todos nós fôssemos Madoff vivendo sobre uma economia cuja riqueza produzida vem da mobilização permanente de novos recursos em vez de provir da produtividade dos recursos efectivamente usados no processo produtivo.

Malthus enganou-se sem dúvida. O Diabo é se ele só se enganou no tempo e não na substância.

Temo que no dia em que tenhamos a certeza de quem tem razão já tenhamos gasto uma boa parte dos recursos disponíveis para a economia do futuro.

henrique pereira dos santos

2 comentários:

O Raio disse...

"No fundo sinto-me como se todos nós fôssemos Madoff vivendo sobre uma economia cuja riqueza produzida vem da mobilização permanente de novos recursos em vez de provir da produtividade dos recursos efectivamente usados no processo produtivo."

Nã senhor, a pseudo-riqueza vem da invenção de dinheiro e de papéis onde o aplicar. Quando gripa qualquer coisa sobra dinheiro que é o que acontece actualmente e assim, o injectar ainda mais dinheiro na economia é como deitar gasolina na fogueira.

O dinheiro que está envolvido em papéis de futuros e de não sei que mais é cerca de oito vezes o PIB mundial... é aqui que está o problema...

Malthus, coitado, enganou-se redondamente...

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Raio,
Confesso que a minha ignorância em economia não me permite comprender o seu raciocínio. Eu tinha ideia de que o excesso de dinheiro implicava inflação, quando o que está a acontecer é o risco de deflação. E muita falta de crédito, basicamente por falta de confiança mas também por falta de recursos.
Estranho pois a sua ideia sobre o excesso de dinheiro (que me parece diferente da ideia, que compreendo, de excesso de contocionismo financeiro sem a correspondente contrapartida em dinheiro real).
O caso de Madoff é a esse nível paradigmático: foi a falta de dinheiro, e consequente necessidade dos seus clientes resgatarem activos, que desvendou o que era uma pura fraude.
Quanto a Malthus, veremos o que o tempo nos traz. Que se enganou no momento, disso não há dúvida, que se tenha enganado na crítica à ideia de que o crescimento não tem limites é preciso mais tempo para avaliar.
henrique pereira dos santos