quarta-feira, novembro 25, 2009

Ainda a questão da mulher de César


A história é conhecida, podem ser encontradas milhares de versões diferentes.
Usemos a versão de Suetónio, retirada de "Os Doze Césares" (cuja leitura integral recomendo vivamente e pode ser encontrado numa edição com preço razoável na Biblioteca de editores Independentes).
"Quando apelaram para o seu testemunho contra Públio Clódio, amante de sua mulher Pompeia, e por essa razão acusado de sacrilégio, respondeu que nada sabia, conquanto sua mãe, Aurélia, e sua irmã Júlia, tivessem dito toda a verdade aos juízes; e quando lhe perguntavam porque repudiara então a mulher, respondeu: "Porque, em meu parecer, os meus devem estar tão isentos de suspeita como de crime"."
Vem esta história a propósito de um dos comentários ao post anterior.
Retira-se desse comentário, que não havendo nenhum sinal de falcatrua nas contas da SPEA (o que me interessa aqui são as questões gerais e por isso onde se ler SPEA pode ler-se qualquer outra ONG) está tudo bem.
Imaginemos, por exemplo, que um dia aparecia um Presidente da SPEA (insisto, pode substituir-se SPEA por outra qualquer ONG porque de qualquer maneira os exemplos são fictícios, embora nem toda a coincidência com a realidade seja mera coincidência) numa televisão defendendo que era preciso aprofundar os estudos de avifauna, por exemplo, referentes ao novo aeroporto de Lisboa. A toda a gente pareceria lógica esta reivindicação, podendo concordar-se com ela ou não, mas é natural que seja essa a posição da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves dadas as interacções entre os aeroportos e as aves.
Imaginemos que passado algum tempo, a mesma pessoa aparecia de novo, mas agora a falar como consultor de ornitologia responsável pelos estudos das aves referentes ao novo aeroporto de Lisboa.
Há alguma ilegalidade nisto? Não me parece. Há alguma quebra estatutária da SPEA nisto? Não conheço em detalhe os estatutos da SPEA mas muito me espantaria que contivessem uma norma que impedisse os profissionais da ornitologia de exercerem cargos nos orgãos sociais da SPEA (e se por acaso contivessem essa norma, eu seria contra essa norma). Há alguma relação entre os dois factos (fictícios) descritos acima e alguma irregularidade contabilística na SPEA? Não seguramente.
Todos os sócios e não sócios (convém lembrar que estas associações têm estatuto de utilidade pública, tendo por isso vantagens pagas pelos contribuintes) da SPEA se sentirão confortáveis com os factos fictícios sucessivos descritos? Tenho as maiores dúvidas.
Aliás existem situações concretas que, passados alguns anos, continuam a fazer mossa nalgumas ONGs, sendo talvez o mais conhecido o caso de José Manuel Palma, um brilhante empreendedor da área do ambiente cuja carreira no mundo dos negócios de consultoria ambiental tem um antes e um depois de ter sido Presidente da QUERCUS, sem que até hoje exista qualquer suspeita de irregularidade na sua actuação, que eu saiba.
Ainda hoje a QUERCUS se tem de defender da acusação de ser uma plataforma de gestão de carreiras, para alguns, bem entendido, sendo essa acusação muitas vezes ilustrada com este exemplo de sucesso empresarial.
É por isso razoável o desconforto que alguns sentem quando acham que a mulher de César não está isenta de suspeita, mesmo que considerem que está isenta de crime.
E é muito pouco razoável que a mulher de César reaja desconsiderando, omitindo, ridicularizando e escondendo a dúvida, querendo reduzir tudo a questões de legalidade e regularidade de procedimentos.
Em organizações que dependem estritamente da confiança que a sociedade deposita nelas para a sua sobrevivência a prazo, a ética é um assunto muito mais sério que os estatutos.
Os princípios chamam-se princípios por não dependerem das circunstâncias, por virem no princípio de tudo.
Pelo contrário, a ética é a escolha que cada um faz do que é o bem e o mal em cada situação concreta. A ética é, antes de mais, um juízo irredutivelmente pessoal da aplicação dos princípios às situações concretas
Por isso ética nas organizações precisa de discussão constante para poder ser reconhecida por um conjunto alargado de pessoas.
E é por isso que me recuso a deixar de discutir o interior do movimento ambientalista neste blog.
Mesmo que por isso passem a vida a colar-me um rótulo idiota e completamente infundado de inimigo das ONGs e do movimento ambientalista.
henrique pereira dos santos

14 comentários:

Gonçalo Elias disse...

Henrique,

Os exemplos apresentados podem ser fictícios, mas estão bem próximos da realidade.

Basta comparar esta notícia: http://tinyurl.com/y8wx5zs

com esta:
http://tinyurl.com/yhnfz2g

E mais não digo. Cada um que tire as suas conclusões.

Miguel B. Araujo disse...

A questão é interessante mas não é simples. Toda a gente sabe que os Primeiros Ministros dos diferentes países, depois de o serem, são convidados para inúmeros cargos bem remunerados no sector privado e por vezes público. Ver, por exemplo, António Guterres. Há algum problema nisto? Eu creio que não. A experiência e contactos destas pessoas vale, obviamente, ouro e é normal que sejam pessoas com vantagens comparativas no "mercado laboral".

Salvaguardadas as diferenças, um presidente de uma ONGA, especialmente se foi um presidente activo, carismático e competente, pode também atrair ofertas de trabalho interessantes no sector público ou privado.

Há algum problema nisto? Deve este ex-dirigente associativo prescindir destas ofertas por alegados problemas éticos? Em que medida é que estes alegados problemas éticos não são mais do que uma simples "dor de cotovelo" bem à moda Portuguesa?

Ninguém nega que a experiência laboral noutros âmbitos de actividade é importante. Porque seria o caso dos dirigentes de ONGAs diferente?

Outro assunto são questões de incompatibilidade durante o exercício da direcção de uma ONGA. Por exemplo, um dirigente que seja simultaneamente consultor de uma empresa pode criar factos políticos que criem vantagens à sua empresa. Estas s4ao obviamente questões sensíveis que requerem escrutínio apertado.

Não obstante, não creio que ninguém tenha o direito de restringir a vida profissional de outros por estes terem, num dado momento da sua vida do passado, exercido funções de direcção de uma ONGA. Isto teria efeitos desvastadores sobre a qualidade dos dirigentes das ONGAs.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Miguel,
A generalidade dos países capitalistas liberais têm restrições legais ao exercício de cargos privados por decisores políticos. Guterres, que eu saiba, continua a exercer um cargo política e mesmo Pina Moura esperou o fim dos dois anos de incompatibilidade para assumir formalmente funções numa empresa de um sector anteriormente tutelado por ele.
Em qualquer caso a questão não se prende com o que as pessoas fazem depois mas durante o exercício dos seus cargos. Essa é a questão central, e é esse o problema associado aos exemplos que dei.
E mais uma vez a questão não é o direito que os outros têm, mas o dever que cada um sente.
O que tu falas é do domínio do direito e das regras.
E o post fala de coisas do domínio da ética.
henrique pereira dos santos

Miguel B. Araujo disse...

Henrique,

Normas e ética andam de mãos dadas e quando não andam há latitude de interpretações sobre o que é ético ou não. Excepção feita para países onde as normas de ética estão fortemente enraizadas na sociedade: o caso das sociedades de base protestante mas não o caso das sociedades de base católica (sobre isto há estudos interessantes que demonstram que a variável que melhor explica os níveis de corrupção é a presença ou não de religião protestante).

De resto, estamos perfeitamente de acordo sobre o principio da incompatibilidade durante o exercício de funções de directivas. Assim como um ministro da energia não pode ser empresário do sector, um director de uma ONGA não deve usar esse cargo para se beneficiar financeiramente no mundo dos negócios da área do ambiente. Penso que isto é de inquestionável bom senso e talvez por isso a tradição Portuguesa do passado era ter professores universitários no topo das carreiras a desempenhar estes cargos (mas os tempos mudaram e hoje essa condição não chegaria para assegurar a inexistência de conflito de interesses). Se não existe nenhuma norma que limite este tipo de ocorrências talvez fosse de pensar em criá-las a bem da credibilidade do associativismo Português.

Acontece que no teu post és algo equivoco (ou pelo menos pouco claro) pois nos teus exemplos não é evidente se se tratam de casos em que existe coincidência entre funções directivas e outras actividades económicas, cuja compatibilidade é duvidosa, ou se se trata de actividades profissionais realizadas depois do exercício de cargos directivos. Por exemplo, quando dizes: "Ainda hoje a QUERCUS se tem de defender da acusação de ser uma plataforma de gestão de carreiras, para alguns, bem entendido, sendo essa acusação muitas vezes ilustrada com este exemplo de sucesso empresarial" fica-se sem perceber o contexto temporal em que a gestão destas carreiras se faz.

Quanto ao resto da tua resposta creio que é um pouco extemporânea. É indiferente se o cargo pós-actividade directiva/governativa é político (o caso do Guterres ou Tony Blair) ou empresarial (o caso de Pina Moura ou Constâncio). O que realmente conta é que a mais valia laboral destas pessoas advém das competências que obtiveram em cargos para os quais foram eleitos e por isso são convidados (saliento a palavra convidados) a exercer outras funções quando termina o mandato para o qual foram eleitos. Sobre isto não vejo qualquer problema. .

Henrique Pereira dos Santos disse...

Miguel,
Não me parece que seja indiferente o cargo ser político ou empresarial, porque a questão que se põe é se o cargo empresarial não é um pagamento de favores obtidos anteriormente através da decisão política.
Quanto ao resto, o única coisa dúbia seria em relação ao José Manuel Palma, mas aí a questão é simples: pode haver cargos e vantagens competitivas que foram obtidas sem que exista um curriculum que o justifique. É o caso da presidência das salinas do Samouco (o Zé Manel respondeu-me um dia que tinha um tio salineiro e para quem achar este curriculum como suficiente para nomear alguém para gerir salinas, naturalmente nem existe problema nenhum) ou de uma série de Estudos de Impacte Ambiental, de que o Zé Manel talvez hoje seja um especialista, mas que na altura não era. É legítima (o que não quer dizer verdadeira) a hipótese dé que as fontes de rendimento suplementares obtidas pelo Zé Manel não decorrerem das competências adquiridas enquanto Presidente da Quercus, mas serem sim uma utilização da sua visibilidade ambiental para facilitar a lavagem dos projectos.
Volto a dizer, apenas a suspeita é legítima, não a acusação do crime.
E é a equivalência das duas coisas que César faz, não por serem equivalentes, mas porque as duas minam igualmente a autoridade de César.
Por isso é importante que as organizações discutam a forma como as pessoas, cada uma das pessoas que representam a organização, lida em concreto com a situação.
Mesmo que elas mantenham a liberdade de poderem escolher estar-se nas tintas para a ética, isto é, para a sua convicção pessoal, insisto no pessoal, do que está certo e errado.
Repara que o Conselho Fiscal da SPEA não propôs a demissão da direcção (não faz sentido quando não existe quebra das regras estabelecidas) apenas se demitiu ele próprio porque não se sentia confortável na apreciação que na Direcção da SPEA se fazia do que está certo ou errado, independentemente das regras não o sancionarem (a meu ver, ainda bem que não sancionam).
henrique pereira dos santos

Miguel B. Araujo disse...

Henrique,

Sobre o José Manel Palma não me procunciarei pois desconheço os contornos do caso e na verdade tenho pouco interesse na fulanização desta discussão ainda que entenda e aceite que casos concretos podem servir de "case study" para melhor compreender os problemas.

Com o meu comentário apenas quis referir que não era claro, da leitura do teu post, se centravas a tua crítica a casos de acumulação de cargos com eventual conflito de interesses durante o exercício de cargos na direcção de ONGAs ou se o comentário era extensível aos "empregos" posteriores a esse exercício.

Tenho em crer que a intenção do post é referir-se ao primeiro caso mas a forma como está escrito e o teor das tuas respostas levanta dúvida sobre o verdadeiro alcance da crítica.

De resto, quando dizes: "Não me parece que seja indiferente o cargo ser político ou empresarial, porque a questão que se põe é se o cargo empresarial não é um pagamento de favores obtidos anteriormente através da decisão política"... tens de convir que este fenómeno se pode generalizar, i.e., é frequente os políticos prestarem favores para subir na hierarquia política, ganhando com isso mais poder e possivelmente melhor remuneração. Por exemplo pode-se imaginar a situação de um pequeno político de um pequeno país prestar favores a outros políticos de países maiores para poder ascender a cargos de relevância Europeia e que, para depois manter o posto adquirido, faça mais uns quantos favores a outros políticos.

Não creio que seja fácil balizar estas questões e muito menos será provar que existem conflitos reais de interesses. Por mim prefiro pensar que a política pode ser encarada como uma carreira (para quem goste) e quem nela entrar (nesta perspectiva) tem várias saídas profissionais. Uma delas é a gestão no sector privado; outra é a continuação de trabalho no sector público mas evoluindo de uma posição instável, de dependência do processo eleitoral, para uma situação em que em virtude do mérito demonstrado é passível de convite e nomeação para cargos de responsabilidade e prestígio político.

Paulo Eduardo Cardoso disse...

Fico perplexo com o que aqui se escreve. Não só com o conteúdo extensíssimo de algumas mensagens mas também com as barbaridades que muitas delas contêm.
Para divertir-me com o que de mais ridículo se pode escrever, venho ao ambio. É raro mas venho.

Eu por estes dias tenho andado bastante ocupado com a aprendizagem de uma biblioteca muito particular de um software cujo nome é também linguagem informática: R
Basicamente ando a fazer gráficos.

Na procura de dados para "graficar", deparei-me com uma motivação interessante: estudar o padrão do comportamento de um bloguer na sua relação com o meio que utiliza para vincular as suas [estúpidas] ideias [leia-se barbaridades].

Ok, e qual a relação entre o blogue, a minha perplexidade e os extensíssimos textos estúpidos? Explico.

Decidi estudar aquele padrão, a partir do número de "posts" de um dado bloguer [o mais estúpido que encontrei] ao longo do dia, em vários dias.

O que intrigou-me foi o padrão que o gráfico revelou. Para já prefiro cingir o interesse desta abordagem ao desenvolvimento do código informático daquela biblioteca gráfica.


Para o exercício, retirei 117 "timestamps" dos "posts" do bloguer estúpido e avaliei a distribuição daqueles "posts" ao longo de um dia (24 horas). Ao gráfico sobrepus o horário laboral de um funcionário público.

O resultado não me surpreende.

Alguém virá explicar-me como inserir a imagem. Gostaria de a partilhar convosco para depois reflectir sobre o mesmo.

Vou continuar com o meu exercício, que é reprodutível por qualquer um.

Para quem aprecia R
graf <- qplot(postsDia$Hora,postsDia$Freq,geom="bar",stat="identity", fill = I("grey50"),xlab="Hora",ylab="N.º de Mensagens")
graf + geom_rect(aes(NULL, NULL, xmin = inicio, xmax = fim, fill = Período), ymin = 0, ymax = max(postsDia$Freq),data = diaTrab) +
scale_fill_manual(values =alpha(c("blue","red"), 0.2))

Miguel B. Araujo disse...

Caro Paulo,

Além de evitar discutir argumentos e preferir distribuir insultos, tem alguma contribuição intelegível para a discussão?

Miguel Araújo

PS. Aproveito para lhe comunicar que o referido blogger não é funcionário público por decisão própria pelo que os pressupostos da sua análise não fazem qualquer sentido.

Paulo Eduardo Cardoso disse...

Estou em horário de trabalho. O horário da função pública serve bem de referência para quem trabalha por conta de ontrem.

Para ser breve. Como se insere uma imagens?

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Paulo Eduardo Cardoso,
Se quiser mandar a imagem para o meu mail as1075017@sapo.pt, tenho todo o gosto em publicar um post com as suas ideias (suponho que as terá).
Só não percebo para que serve essa análise para quem trabalha apenas por conta de si próprio e portanto não deve explicações sobre o seu horário de trabalho senão a si próprio.
Por exemplo, se ontem não lhe respondi não foi por não achar graça aos seus comentários, foi apenas porque decidi doar o meu dia inteiro a uma ONG que me fez um pedido específico a que acedi, em troca de me pagarem os bilhetes da camioneta para ir e vir.
henrique pereira dos santos

Paulo Eduardo Cardoso disse...

Servem-lhe como uma luva os meus comentários. Ainda bem.
Ficaria agradecido se me indicasse como inserir uma imagem num post. As minhas ideias publico-as eu, obrigado.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Paulo Eduardo Cardoso,
Penso que nos comentários não são editáveis imagens (pelo menos eu não sei como se faz) e por essa razão ofereci-me para lhe dar espaço num post publicando o que quer mostrar.
Se é para publicar noutro lado qualquer, não faço a menor ideia.
Aqui é fácil: há um ícone no editor de textos que tem uma imagem, carrega lá, pede-lhe o endereço da imagem et voilá.
henrique pereira dos santos

Rui Pedro Lérias disse...

Este post é ridículo. E sim, caro Henrique, também idiota.

O caso do José Manuel Palma é sem dúvida um exemplo de comportamento inético porque esse senhor tentou limitar a acção da Quercus para beneficiar a sua carreira e quem lhe pagava. Fê-lo em reuniões, publicamente desautorizando a Quercus - teve que ser proibido de falar em nome da Quercus - etc. Tomava acções contrárias à sua posição de líder de uma ONGA para proveito pessoal.

Isso não tem nada a ver com o trabalho da grande maioria das pessoas que são líderes de ONGAs.

Não se pode querer que as ONGAs sejam financiadas só por sócios e depois lamuriar-se de quem trabalha para as ONGA tenha vida profissional.

O Henrique é completamente autista, incapaz de contextualizar situações, de ver nuances de comportamento. Para si é tudo ou branco ou preto. Excepto o seu comportamento, claro.

Haverão situações em que um líder de uma ONGA se deve excusar a participar em certas decisões. Usando o seu exemplo, o suposto líder da SPEA dever-se-ia abster de uma votação da direcção para escolha de uma firma de consultores de que fizesse parte. Mas não há razão para, uma vez escolhido, não fazer o seu trabalho. Para a própria SPEA ou para outra organização.

Ao assumir posições extremistas o Henrique é um inimigo claro de quem quer melhorar o funcionamento das ONGA. O seus gritos de 'insultem-me à vontade que não vou parar de dizer verdades' são cada vez mais ocos. Mas impedem que quem quer de facto chamar a atenção para coisas a melhorar seja ouvido.

Se quer dar um contributo deixe de hostilizar tudo e todos e de se fazer de herói.

Não deixa de ser curioso que a sua imagem do projecto Faia Branca, para o qual se não me engano é consultor voluntário, seja tão mais positivo do que tudo o resto para o qual não foi convidado.

No entanto, note-se, isso não me impede de achar na mesma que é um projecto fantástico, que já tive prazer de divulgar. E não me impede de ter assinado e divulgado a petição da REN de que é primeiro assinante, porque concordo com ela.

Qual é o seu objectivo, Henrique? O que pretende alcançar com as suas intervenções?

Acha que está a conseguir? Sozinho - e em conjunto com AEloy - são os maiores responsáveis que muita gente tenha deixado de fazer parte ou de participar na lista Ambio. Quando é que o seu espelho se volta para si?

Pergunto de novo: qual o seu objectivo neste seu trabalho? Melhorar o ambiente ou insuflar o seu ego? Será possível que não sejam muitas vezes todos os outros que estejam errados quando mostram a sua irritação consigo?

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Rui Pedro Lérias,
Não percebi bem os seus argumentos.
Em algum lado eu defendi que as pessoas trabalham para as ONGs não tenham vida profissional? Bem pelo contrário, acho muito bem que o façam.
Por acaso sou totalmente contra o facto dos dirigentes eleitos das ONGs prestarem trabalho pago para as mesmas ONGs (excepto para lugares que estatutariamente esteja prevista uma remuneração e para os quais exista uma eleição nominal) mas o post nem sequer toca nesse assunto.
Quanto à Faia Brava reparará que faço sempre referência ao facto de ser um consultor pago do projecto, mas eu não desempenho qualquer cargo de direcção na ATN, ou seja, não tenho qualquer poder na ATN.
Não sei que números (e análises) lhe permitem dizer que o António Eloy e eu somos as pessoas responsáveis por afastar mais pessoas da lista de discussão da Ambio porque desde que lá estou o número de subscritores aumentou de pouco mais de cem para quase seiscentos. Claro que não foi por minha causa, só me parece que é difícil concluir que afasto assim tanta gente.
Qual é o meu objectivo?
Aqui, no blog, é dizer o que penso. E no que diz respeito às ONGs, que funcionem bem em função dos seus objectivos.
Mas não percebi é por que razão desatou a desancar-me se não tinha nada a dizer sobre o post.
henrique pereira dos santos