quarta-feira, novembro 25, 2009

Self interest

Primeiro não queriam aulas de substituição, aceitando o conceito de que os alunos pudessem estar entregues a si próprios, no recreio, em horário lectivo (ao contrário do que se pratica na maior parte da Europa).

Depois não queriam avaliação. Vendo que esta batalha não seria ganha, optaram por criticar o modelo proposto. Mais importante, não aceitaram que qualquer que fosse o modelo de avaliação este tivesse consequências para a progressão da carreira (como acontece nas restantes carreiras docentes) preferindo o velho sistema de progressão por antiguidade.

Agora que conseguem o lastimável resultado de ver retirados os dois escalões da carreira, pretendem que o ingresso nesta não dependa de uma prova específica (como acontece, por exemplo, em Espanha) e que as progressões não estejam dependentes de vagas; ou seja, que todos possam ser generais, catedráticos, etc (coisa que só em Portugal se poderia defender).

Ver notícia original no público de hoje: "Apesar da saudar a proposta de eliminação da divisão da carreira em duas categorias hierárquicas (professor titular e professor), Dias da Silva revelou aos jornalistas que o Ministério da Educação mantém dois aspectos "francamente negativos". Na proposta hoje apresentada aos sindicatos, o Ministério continua a defender a existência de uma prova de ingresso na profissão - uma medida consagrada no Estatuto da Carreira Docente aprovado em 2007 - e sobretudo propõe a existência de vagas para a progressão dos docentes para o 3º, 5º e 7º escalão da carreira. Ou seja, em vez da progressão ser apenas ditada pela antiguidade e pela avaliação do docente, passará também a estar dependente da abertura de vagas."

E assim vai este País. Em vez de andar para a frente anda-se para trás.

7 comentários:

marmeleiro disse...

Parabéns aos professores por esta vitória!

Zé Bonito disse...

Bom, num blogue "especializado" em questões ambientais, este post, tal como está, só pode ter um objectivo: estragar o ambiente.

Anónimo disse...

No "cabeçalho" do blogue pode ler-se: "Blogue de Reflexão sobre Ambiente e SOCIEDADE"

Miguel B. Araujo disse...

Caro Zé Bonito,

Tem razão que este é um blogue especializado em temas ambientais mas como referiu o anónimo anterior, o blogue não se esgota numa interpretação estrita do ambiente e abrange temas sociais que os autores do blogue considerem relevantes. Relevantes por terem uma ligação indirecta com o ambiente (p.e., discussão sobre fundamentos e mecanismos dde funcionamento da democracia, educação, etc), ou simplesmente porque são considerados interessantes pelos seus autores. Se for ver nos arquivos do blogue encontrará muito material vagamente relacionado com o ambiente.

Em todo o caso tenho em crer que o que motivou o seu comentário foi não estar de acordo com o post. Está no seu direito mas a tentativa de resolver o problema sugerindo que o post é "off topic" não é provavelmente a melhor forma de fazer valer os seus pontos de vista (como também não é o comentário anterior em tom comicieiro).

Anónimo disse...

Num grupo tão numeroso como os professores do ensino básico e secundário, é óbvio que encontramos gente muito diferente. Há-os acomodados e resistindo como puderem a fazer mais do que o mínimo dos mínimos. Sim, esses são contra esta e qualquer avaliação.

Mas há também professores do ensino básico e secundário altamente empenhados e esforçados (serão uma minoria, ou talvez não, teríamos que ver isso bem aferido), e esses, não sendo contra qualquer avaliação, são maioritariamente contra esta avaliação.

E há professores do ensino básico e secundário que lamentam que os seus colegas não tenham colaborado com o processo de avaliação (definindo os seus objectivos individuais e sujeitando-se a ver as suas aulas assistidas pelos avaliadores), porque se todos o tivessem feito, a avaliação, esta avaliação, teria sido impossível por falta de capacidade de resposta do sistema. Esses, mesmo aceitando e colaborando com o processo, estão também contra esta avaliação.

Há de tudo entre professores do ensino básico e secundário. Mas quase todos, por razões diferentes, umas melhores que outras, estão contra esta avaliação. Entre as várias razões para esta objecção, para além das que refere ou insinua no seu post, não será de considerar também a possibilidade de esta avaliação ser errada, difícil, impraticável e não avaliar coisa nenhuma?

Custa-me concordar com avaliações de classe "Os professores são isto!" "Os políticos são aquilo!". Podemos também avaliar colectivamente a classe dos professores universitários ou a dos investigadores científicos. Tenho a certeza de que, nesses grupos, há também de tudo. O Miguel gostava que eu o misturasse com a minha percepção (certa ou errada) do que é a média desses grupos?

João Soares disse...

Caro Miguel
Será moral e sustentável submeter anualmente(!) milhares de avaliações individuais, baseados em montanhas de papéis, propostas de actividades, planos de aula, justificando toda uma actividade ? Uma avaliação que se um professor ambicionar o valor máximo nunca o terá pois não há reais condições de desenvolver confortavelmente a sua tarefa pedagógica e científica(nomeadamente em horas para preencher os formulários e em casa porque não há espaços- vulgo gabinetes), num processo em que os professores estão em constante estágio de estágio, até ao infinito? Se leres os "objectivos individuais" e irás concordar comigo que são meras critérios para funcionário público e não contemplam a vertente complexa e difícil de medir a didáctica e a pedagogis. As quotas com ou sem os titulares apenas são medidas de limitar e reduzir o pagamento de melhores salários. E há mais: a falta de ajudas de custo. Repara que muitos professores pagam do seu bolso os PC que levam para a Escola (dita Tecnológica),por um lado e não têm ajudas de custo de fixação no interior (tão atractivas como muito recentemente estão a fazer com os médicos),por outro lado. E quanto a formação: pagam do seu bolso os mestrados, doutoramentos. Se eu quiser frequentar congressos, seminários, etc...enfrento uma enorme "barreira" financeira e legal que leva a desistir grande parte dos professores. Muitos professores são "obrigados" (é quase o termo) a frequentar acções que não se sentem intelectualmente atraídos.
Os professores entre si conhecem muito bem a excelência de alguns colegas, porque podes ter a certeza que bons professores abundam neste país um pouco envergonhado e com medo de existir, e isso é transversal e social. Talvez neste aspecto estou de acordo contigo quando dizes "E assim vai este País. Em vez de andar para a frente, anda para trás"
A avaliação deve ter um carácter formativo e nunca punitivo. Repara que os professores que demonstrem capacidade científica e grande dinamismo na escola é porque encontrou boa vontade entre os colegas. Não é liderança. A escola vive disso: de cooperação. Há professores mais "calados" mas brilham nas metodologias e na partilha do seu saber. Ora este modelo de avaliação além do mais exactamente vem destruir estas redes de confiança, de sonho colectivo por uma escola melhor, a escola onde trabalham os professores (na maioria bons) todos os dias. Um abraço

Rui Pedro Lérias disse...

Miguel,
Vivo com um professor e partilho - inevitavelmente e apesar da saturação natural - os problemas impostos pela visão da anterior ministra da educação.
Mostras, no teu post, um grande desconhecimento da realidade do que se tem imposto aos professores. Como imaginas, telejornais e declaraçoes de ministros e secretários de estado de um lado e de de líderes sindicais de outro pouco acabam por informar.
Existe muita coisa que precisa de ser mudada e muitos interesses instalados mas existe também muita gente a desunhar-se e a ser enxovalhado pelas novas regras.
A estrutura da carreira universitária não tem aplicação na carreira docente não universitária.
São coisas diferentes.
Podemos falar ponto a ponto do que mencionas: o exame de admissão à profissão ser imposto a pessoas que já exercem há vários anos; a avaliação ser baseada em pressupostos irreais como dizer que notas se vão dar antes de se conhecer sequer os alunos que se vai ter; avaliares um professor pelas notas que dá e pelo que os pais dos alunos acham deles; professores que são contratados há mais de 10 anos, com um ordenado de mil euros; integrar alunos considerados 'difíceis' nas turmas 'normais' ao mesmo tempo que se aumenta o número de alunos na turma e se retira o apoio pedagógico; etc, etc.
O teu post é uma snap-shot que mostra algum desconhecimento de causa.

Não deixa, apesar disso, de ser verdade que algums coisas tinham e têm que ser mudadas. Mas não é a enxovalhar uma classe profissional que se consegue a colaboração de quem quer trabalhar a sério.