terça-feira, dezembro 08, 2009

Climategate: Resposta de Delgado Domingos a Miguel Araújo

É com muito gosto que publico a resposta do Prof. Delgado Domingos ao meu comentário sobre o seu artigo no Expresso. O blogue da ambio sempre valorizou o debate de ideias, alicerçado em argumentos de substância e com contraditório pelo que é uma honra poder trasladar este importante debate, na primeira pessoa, para este fórum onde pessoas com convicções diferentes discutem temas ambientais com cordialidade e respeito. Como é natural discordo de algumas passagens deste artigo ainda que concorde com outras e a seu tempo entender-se-ão certamente melhor as diferenças e proximidades de posicionamento. Está, portanto, lançado o debate. O Prof. Delgado Domingos já manifestou disponibilidade em participar no mesmo desde que este se processe com cortesia. A minha sugestão é que os comentaristas dêem a cara pelas suas opiniões. Não há delitos de opinião em democracia e todos têm direito à dúvida e à asneira. Se preferirem manter o anonimato peço para que escrevem os comentários imaginando que o vosso nome é publicado. Ou seja, não escrevam nada que não fossem capazes de dizer de cara destapada. Se esta regra de ouro for cumprida, o debate será certamente útil, pedagógico e agradável. Nota: O título original deste texto era "Resposta à Crítica do Prof. Miguel Araújo" que eu alterei para melhor encaixar no estilo do blogue. Miguel Araújo
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Depois de ter afirmado que o Climategate era um “fait-divers”, esquecendo que só o poderia ser para quem sejam triviais as praticas do restrito numero de famosos cientistas no centro do escândalo agora tornado publico, o Prof.Miguel Araújo, numa atitude que agradeço e muito apreciei, comentou o meu artigo de opinião no Expresso , afirmando que a minha argumentação se centra em : “A - Defender que não existe evidência de que o clima esteja a mudar; B - Afirmar que os emails roubados demonstram uma fraude científica que compromete a credibilidade da ciência climática”.

O Prof.Miguel Araújo sabe que as limitações de espaço num artigo para o grande público nunca permitem a fundamentação adequada das afirmações feitas, sobretudo quando contrariam as ideias dominantes. Além disso, o artigo foi editado pelo jornal (com o meu acordo, embora sem revisão do editado), que neste caso adicionou os títulos e acrescentou uma figura e um parágrafo para que o leitor soubesse o que era o hockeystick. O próprio jornalista fez uma notícia resumindo o que, no seu entender, era mais importante. O que o resumo omite e a edição desvalorizou completamente foi a exigência de que se consultassem os meus textos fundamentais sobre o tema (a maioria disponíveis na minha página aqui, com destaque para este link e de que são parte integrante as referências aos trabalhos científicos que as fundamentam, nomeadamente muitas das que o IPCC (WGI) utilizou. Se o Prof.Miguel Araújo tivesse feito aquela consulta não teria sido tão afoito a sugerir a minha ignorância face ao que se infere ser o seu conhecimento.

Respondendo agora de acordo com os seus capítulos.

A-Não existe evidência de que o clima esteja a mudar.
Na sequencia do pertinente comentário de um leitor do seu blog, o Prof.Miguel Araújo alterou-o posteriormente para “Não existe evidência de que o clima esteja a mudar a nível global”.

Se o Prof.Miguel Araújo tivesse sido rigoroso na síntese do que escrevi teria alterado um pouco mais o titulo para: “Não existe evidência de que o clima esteja a mudar a nível global devido principalmente a emissões de CO2eq”.

O Prof.Miguel Araújo tece de seguida doutas mas triviais considerações sobre o que eu teria dito, mas não disse, acerca do IPCC e do furacão Katrina. Efectivamente, o meu texto refere-se ao que a maioria da comunicação social tem transmitido no seu afã alarmista, não ao que o IPCC ou cientistas credíveis tenham dito. Seja como for, reconhecer que o Katrina não é atribuível ao aquecimento global, como o IPCC faz e o Prof.Miguel Araújo vem lembrar, é reconhecer implicitamente que um desastre climático com aquela dimensão não é atribuído às emissões de CO2eq, o que corresponde a uma das teses centrais da minha posição. Afinal estamos de acordo !

A restante argumentação do Prof.Miguel Araújo exprime a confiança que os resultados dos modelos climáticos parecem inspirar a quem não domina em profundidade a fundamentação física e ainda menos a implementação computacional. Posso reivindicar, forçado mas sem falsa modéstia, e penso que sem grande contestação, que fui um dos pioneiros (há mais de 40 anos), pelo menos em Portugal, no desenvolvimento da hoje chamada Mecânica dos Fluidos Computacional, tal como fui eu que iniciei (há mais de 10 anos) a previsão numérica do tempo nas universidades portuguesas com a sua disponibilização diária e gratuita ao grande público (http://meteo.ist.utl.pt/ e http://meteo.ist.utl.pt/new). Os modelos climáticos mais citados são equivalentes a versões simplificadas dos que utilizo (AWRF e MM5, entre outros) para previsão e reconstrução de situações passadas. Posto isto, e como defensor que sempre fui e sou da utilização de modelos matemáticos como ferramenta imprescindível na compreensão dos fenómenos naturais, fico extremamente preocupado com o abuso que deles é feito e só pode levar ao seu descrédito com prejuízo para todos. Por isso, concordo inteiramente com o IPCC quando afirma :

«In climate research and modeling, we should recognize that we are dealing with a coupled non-linear chaotic system, and therefore that the long-term prediction of future climate states is not possibleIPCC, 2001: Climate Change 2001: The Scientific Basis. Contribution of Working Group I to the Third Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change[Houghton, J.T.,Y. Ding, D.J. Griggs, M. Noguer, P.J. van der Linden, X. Dai, K.Maskell, and C.A. Johnson (eds.)]. Cambridge University Press, Cambridge, United Kingdom and New York, NY, USA, 881pp., p. 774

E estou tambem de acordo com um email de Kevin Trenberth, divulgado pelo alegado whistleblower do CRU, com data de 12.10.2009 para Michael Mann em que afirma:

The fact is that we can’t account for the lack of warming at the moment and it is a travesty that we can’t. The CERES data published in the August BAMS 09 supplement on 2008 shows there should be even more warming: but the data are surely wrong.

o texto completo do email está aqui e deve ser consultado para evitar acusações de citação fora do contexto. Aliás, no email também refere intervenções suas anteriores sublinhando a necessidade de mais e melhores dados de observação, com o que estou inteiramente concordo.

A publicação que serviu de base à minha afirmação de não haver aquecimento desde 1998 é a mesmo a que Kevin Trenberth se refere e eu próprio já tinha citado num artigo para o Jornal de Negócios publicado em 3.11.2009. Aliás, encontra-se também no site oficial do MetOffice.

Considero Kevin Trenberth, lead author em praticamente todos os relatórios do WG1 do IPCC, um dos mais sérios e competentes cientistas em várias áreas da Ciências Físicas do Clima, razão porque aparece várias vezes citado em intervenções minhas anteriores. Devem-se a ele (ver Nature.com, Climate Feedback, 4.06.2007) as seguintes afirmações:

since the last IPCC report it is often stated that the science is settled or done and now is the time for action. In fact there are no predictions by IPCC at all. And there never have been”(...)

None of the models used by IPCC are initialized to the observed state and none of the climate states in the models correspond even remotely to the current observed climate”.

O Prof. Miguel Araújo sabe certamente que a formulação matemática fundamental dos modelos de previsão meteorológica/climáticos constitui um sistema de equações em derivadas parciais não lineares, cuja solução exige o conhecimento do estado inicial do sistema e os condições/forçamentos na fronteira. Na perspectiva clássica da Física Matemática Linear, aquele sistema representaria um “problema fisicamente mal posto” pois uma pequena perturbação no estado inicial ou nas condições fronteira seria susceptível de originar uma grande alteração na solução. No actual estado do conhecimento, aquelas equações estão na origem da descoberta do bem conhecido caos determinístico. Neste contexto, as citações acima poderiam ser o ponto de partida para uma esclarecedora discussão no âmbito da teoria dos sistemas não lineares e do que podemos esperar do tratamento estatístico do universo de soluções geradas substituindo o desconhecido estado inicial por valores aleatórios. O frágil significado físico da estatística daquelas soluções constitui o fundamento das tão invocadas probabilidades de catástrofe de que o IPCC fala e os políticos transformaram em certezas.

Como muito bem sabe, o único meio de obter soluções relevantes para aquelas equações é por métodos numéricos e utilizando computadores. Sabe também que estas soluções numéricas são sempre aproximadas (neste caso ao nível da Física e das próprias equações matemáticas). O que talvez saiba menos bem, embora para os reais praticantes de modelos seja trivial e discutido nas publicações especializadas, é que as simulações de longo prazo sofrem do problema, ainda não adequadamente resolvido da deriva (“drifting”) o que obriga a forçar (“constrain”) as soluções a gamas pré-definidas. Tratando-se de situações passadas em que são conhecidos valores observados, os tais forçamentos consistem em fazer aproximar o mais possível as soluções daqueles valores. Tratando-se do futuro, não existe validação experimental possível sem ser à posteriori e o critério é comparar modelos diferentes e concluir que são fiáveis se não derem resultados excessivamente diferentes. O excessivamente diferente é subjectivo. Actualmente, nenhum dos modelos é capaz de prever o El Niño, a PDO ou a NAO, entre outros fenómenos climáticos fundamentais e bem conhecidos. Mesmo querendo desconhecer este facto, já existem suficientes previsões feitas no passado que permitem aferir da confiança que devem merecer para o futuro. Uma das mais famosas foi a de James Hansen (agora tão falado acerca de Copenhaga) pois foi com base nelas que em 1988 fundamentou o alarme do desastre climático dentro de 20 anos se as emissões de CO2eq não fossem drasticamente reduzidas. 20 anos depois, em 2008, as emissões tinham excedido o pior cenário, mas o catastrófico aumento de temperatura não existiu( ver Christy, J.R.Written testimony to House Ways and Means Committee, 25 February 2009). Isso não impediu James Hansen de pedir o fracasso da Conferencia de Copenhaga por não ser suficientemente radical na abolição do carvão e das outras fontes de CO2eq, nem de pedir o julgamento por crimes contra a humanidade dos presidentes das companhias do carvão e das petrolíferas , nem de defender a desobediência civil, tal como não impediu a comunicação social que temos de dar o maior relevo a tudo quanto profetiza ou recomenda, enquanto faz tudo para que se esqueçam as suas previsões, profecias e recomendações passadas. Exagerando uma prática, também apontada ao recente Nobel da Economia Paul Krugman, as publicações estritamente científicas de Hansen são sérias e respeitadas, mesmo quando em total contradição com o que o seu activismo politico o leva a declarar para o grande público. Na sua faceta de puro cientista é de sublinhar a declaração feita (ver J.Hansen at the Climate Change Congress,”Global Risks,Challenges & Decisions”,Copenhagen, Denmark, March 11,2009) na reunião de cientistas realizada Março passado em Copenhaga como preparação para a Conferencia do Clima em Dezembro:

We do not have measurements of aerosols going back to the 1800 –we don´t even have global measurements today. Any measurements that exist incorporate both forcings and feedback. Aerosol effects on clouds are very uncertain". I didn´t know what forcings to use when we started our IPCC runs 4 years ago, so I went to my grand children and asked them ‘What is the Net forcing?’

A questão levantada por Hansen ‘What is the Net forcing?’ é honesta e profundamente esclarecedora para quem perceba bem o que os actuais modelos podem e não podem fazer. Os aerossóis, consoante a sua natureza e a altitude a que se encontram, tanto podem reforçar, como diminuir, o efeito do CO2eq , mesmo ignorando a sua influencia nas nuvens. Sem medidas globais, o “Net forcing” nem sequer é um palpite fundamentado para se tornar no parâmetro arbitrário que melhor reproduz períodos passados. Pela sua natureza, é diferente de modelo para modelo e tem que ser alterado consoante o período temporal que se quer reproduzir. Como o arrefecimento acentuado dos anos 40 era contrário aos modelos que previam aquecimento devido ao CO2eq, aumentou-se o peso dos aerossóis para fazer arrefecer e explicou-se que tal se devia ao maior uso do carvão e à poluição de uma indústria ainda sem controlo de emissões de poluentes atmosféricos. Como, a partir dos anos 80, foi necessário diminuir o seu peso porque houve aquecimento, explicou-se o resultado como sendo o efeito da legislação de combate à poluição atmosférica. O que se omitiu foi que, não havendo valores de observação, os valores escolhidos foram os que davam jeito. Em qualquer dos casos não se tratou de uma previsão, mas sim e quando muito de uma tentativa de explicação do que tinha sido observado. Como é evidente, estes modelos não têm capacidade para prever o futuro com a segurança suficiente para neles basear decisões políticas com as gigantescas implicações económicas e sociais das propostas dos alarmistas em Copenhaga.

Tendo em conta que todo o alarmismo referente ao aquecimento global devido a emissões de CO2eq tem como fundamento único os resultados dos modelos climáticos que o IPCC utilizou, ficaria profundamente reconhecido aos nossos colegas físicos, climatologistas, estatísticos, matemáticos, etc se me demonstrassem que as minhas reservas quanto à fiabilidade dos resultados dos actuais modelos climáticos não têm fundamento. Espero, naturalmente, que essa demonstração não seja a ladainha da mera citação do que outros disseram mas sim uma opinião própria baseada no seu domínio das áreas científicas relevantes.

Peço desculpa, Prof.Miguel Araújo, se fui tão longo, embora muito longe de ser exaustivo, na resposta ao que diz que eu afirmei e condensou em A-“Não existe evidência de que o clima esteja a mudar a nível global”. Na verdade, o que efectivamente afirmo é : “Existiu um aquecimento global nos últimos 150 anos que não excedeu 0.8ºC se os dados tomados como referencia pelo IPCC forem correctos. Na última década não houve aquecimento significativo face aos dados disponibilizados. Não existe evidência científica nem observacional sólida que permita afirmar ser aquele aquecimento devido, predominantemente, ao CO2eq. Existe uma influência directa da acção humana na alteração do clima, sobretudo observável e mensurável a nível local, resultante das alterações no uso do solo, tal como existe um agravamento dos efeitos de fenómenos climáticos devido ao modo como tem evoluído a ocupação do território pelas populações ”.

Acrescento ainda que um aumento de 0.8ºC não tem nada de preocupante, tal como sublinho o facto de os alarmistas exaltarem um aquecimento crescente baseado em observações, mas omitindo, quase sempre, que os 0.8ºC (possivelmente menos) abrangem mais de 150 anos.

É também importante sublinhar que a componente biótica, apesar da sua influencia no sistema climático ser um feedback reconhecidamente importante, é praticamente ignorada nos actuais modelos climáticos globais. Na verdade, a complexidade do sistema climático é demasiado elevada para que se justifique a presunção de que se conhecem todas as relações de causa-efeito que determinam os fenómenos observados e ainda menos a de que se sabem modelar e quantificar.

Reconhecer que se não sabe é um passo fundamental para se poder vir a saber.

Clarificado o que os actuais modelos climáticos podem e não podem fazer e reconhecido que não têm fiabilidade suficiente para neles basear politicas com tão gigantescas implicações, leva a perceber porque motivo o hockeystick se tornou politicamente tão importante e está no cerne do climategate. A extrordinária cruzada de promoção do hockeystick teve por finalidade convencer os políticos e a opinião pública de que o aquecimento global não teve precedente nos últimos 1000 anos pelo que, tendo tal aquecimento coincidido com o aumento antropogénico das emissões de CO2eq, só pode ter sido o aumento do CO2eq na atmosfera a sua causa determinante. Sublinhe-se que esta conclusão se baseia inteiramente na apresentação visual de uma correlação, seguidamente convertida numa relação de causa-efeito.

Este tipo de actuação lembra irresistivelmente a (pseudo) justificação/legitimação da guerra do Iraque devido à existência de armas de destruição maciça, cujas provas se garantiu existirem e que o actual presidente da UE até disse ter visto. O famoso consenso assim obtido foi quase unânime. As provas eram falsas, mas a verdade só emergiu muito tempo depois e após centenas de milhares de mortos, de indizível sofrimento humano e de milhões de milhões de recursos materiais destruídos.

A segunda síntese que o Prof. Miguel Araújo fez do que eu supostamente disse foi:
B - Os emails roubados demonstram a existência de uma fraude científica que compromete a credibilidade da ciência climática

O que escrevi foi:
“Em termos da comunidade científica, o Climategate é um dos maiores escândalos científicos da história, não só pelo modo como afecta a credibilidade pública da comunidade científica mas sobretudo pelas implicações económicas e politicas de que se reveste

E mais adiante:
“O comportamento escandaloso e intolerável de um grupo restrito de cientistas que atraiçoaram o que de melhor a Ciência tem (...)

O Prof.Miguel Araújo tresleu o que afirmei. Como se constata, não só não restringi a credibilidade pública à “ciência climática” como tive o cuidado de cingir o comportamento inadmissível e intolerável “a um grupo restrito de cientistas.

O Prof.Miguel Araújo afirma que confundi dois problemas distintos, mas a verdade é que na sua suposta identificação os confunde, o que dificulta a resposta. Comecemos pela minha afirmação de que o climategate afecta a credibilidade da comunidade científica. Trata-se, obviamente, de uma previsão que o tempo se encarregará de mostrar se foi ou não precipitada. Em meu entender, e no de muitos outros cientistas, a credibilidade da comunidade científica será tanto mais afectada quanto mais a dita comunidade se esforçar por ignorar/negar a existência de actos reprováveis, por parte do tal grupo restrito, que atentou (comprovadamente) não só contra a lei mas sobretudo contra princípios éticos fundamentais em Ciência. Esses princípios encontram-se nos códigos de conduta das melhores universidades e dos mais prestigiados centros de investigação. Para mim, este tipo de princípios não tem nada a ver nem com o que a lei diz ou pode dizer, pois também não fico à espera dos editoriais da Nature para julgar um comportamento face às documentadas provas públicas que já conheço. Extrapolando para o que passa em Portugal, não sou dos que afirmam e praticam que “a ética na república é a lei”, pois tal tornaria legitimo tudo que a lei, interpretada por um tribunal, não condena.

Em meu entender, a critica que o Prof.Miguel Araújo faz às minhas afirmações revelam que só agora despertou para o climategate e os seus antecedentes. O foco central do climategate foi a supressão de todo o período quente medieval que levou ao chamado hockeystick e à afirmação, que se tornou no ícone dos alarmistas, de que o aquecimento após o inicio da revolução industrial não tem precedente nos últimos 1000 anos e se deve à emissões de CO2eq. Questionado o fundamento dessa conclusão, os autores recusaram fornecer dados e algoritmos que permitissem verificar e reproduzir as suas conclusões. Esta recusa, a que a Nature avalisou é contrária a todo o espírito que deu credibilidade à ciência, e era além do mais ilegal o que motivou uma intervenção do Senado Americano para obrigar os autores a disponibilizar os dados. Na sua sequencia, a National Academy of Science (NAS) nomeou um painel, presidido pelo prestigiado e respeitado Prof. E. J. Wegman ( Presidente da Sociedade Americana de Estatística) que elaborou o famoso relatório Wegman (disponivel aqui) no qual se afirma, p 4 -5 que:

“In our further exploration of the social network of authorships in temperature reconstruction, we found that at least 43 authors have direct ties to Dr. Mann by virtue of coauthored papers with him. Our findings from this analysis suggest that authors in the area of paleoclimate studies are closely connected and thus ‘independent studies’ may not be as independent as they might appear on the surface. (…)


It is important to note the isolation of the paleoclimate community; even though they rely heavily on statistical methods they do not seem to be interacting with the statistical community. Additionally, we judge that the sharing of research materials, data and results was haphazardly and grudgingly done. In this case we judge that there was too much reliance on peer review, which was not necessarily independent. Moreover, the work has been sufficiently politicized that this community can hardly reassess their public positions without losing credibility. Overall, our committee believes that Mann’s assessments that the decade of the 1990s was the hottest decade of the millennium and that 1998 was the hottest year of the millennium cannot be supported by his analysis.

O relatório faz, além disso, recomendações específicas quanto a trabalhos futuros nesta área. O grupo de autores aqui citado figura proeminentemente nos ficheiros agora divulgados e o tempo mostrou que as recomendações do relatório foram por eles siste¬mati¬camente ignoradas. O resultado esperável ficou agora à vista.

Consequência (alegadamente) directa desta comprovada “scientific misconduct” foi a criação do blog http://www.realclimate.org/ para defesa das suas teses com o pretexto de divulgar a ciência climática entre os não especialistas. Com o tempo, transformou-se na bíblia dos alarmistas, como muitos exemplos o documentam, não só em blogs como na imprensa (entre nós, o Público é um notório exemplo).

O Wegman_Report é de 2006. A descrição e critica de todo o processo ( até ao presente), bem como a cópia ou link para os documentos mais importantes encontra-se no blog de Steve McIntyre, (http://www.climateaudit.org/?page_id=354). Como seria de esperar,

Steve McIntyre é um dos que mais aparece nos emails do climagate, como alguém a quem deve ser impedido, a todo o custo, o acesso aos dados e contra quem parecem ser justificadas todas as tentativas para o desacreditar cientificamente. Steve McIntyre limitou-se sempre e só a exigir algoritmos estatísticos fiáveis, dados de qualidade comprovável e resultados finais replicáveis. Aliás foi ele que esteve na base da intervenção do senado que motivou o painel presidido por Wegman, o qual lhe veio dar razão.

Para quem tiver um mínimo de prudência e de preocupações de objectividade a consulta regular de ambos os sites acima referidos é fundamental. Se o tivesse feito, o Prof.Miguel Araújo não teria sido tão imprudente e precipitado nas críticas que me fez.

A fraude propriamente dita está claramente explicada e documentada no artigo do American Thinker, “Understanding Climategate's Hidden Decline” acabado de sair e disponivel aqui. Um comentário muito pertinente a este artigo foi já feito pelo Eng.Rui Moura no seu blog http://mitos-climaticos.blogspot.com/.

A minha afirmação de que dados base da rede de estações meteorológicas que serve de referencia ao IPCC para aferir o aquecimento global tinha sido destruída não se baseia, como procura inferir o Prof.Miguel Araújo, numa afirmação dos emails, mas sim em declarações de Phill Jones ainda antes do climagate, as quais foram posteriormente objecto de comunicado oficial.

Conclusão
Descontadas as diferenças de estilo, de tom, de background cientifico e experiencia profissional, as minhas posições de fundo e as que o que Prof.Miguel Araújo defende talvez estejam muito mais próximas do que superficialmente poderia parecer. Na origem da aparente diferença está o primarismo com que expeditamente se classifica de negacionista ou céptico ignorante quem não perfilha o “consenso” de um desastre climático global e iminente devido às emissões de CO2eq, tendo como fundamento o hockeystick e os actuais modelos climáticos.

Confrange-me que, genericamente, o movimento ambientalista tenha também aderido a este primarismo reducionista sem se dar conta de que ao faze-lo sacrificou algumas das mais importantes causas por que se bateu e o credibilizaram para se transformar num avalizador de interesses que não domina. Justificar todos os meios e atropelos em nome duma mítica salvação da humanidade, pode ser uma ideologia, uma religião ou um dogma mas não é seguramente Ciência.

A minha intervenção nestes temas é motivada por convicções e conhecimentos científicos longamente sedimentados, tendo a consciência clara das suas implicações políticas. Não esperem por isso que dê prioridade a objectivos políticos em detrimento do que entendo ser o rigor científico e a minha responsabilidade social como engenheiro/cientista.

Nota: São meus os sublinhados e negritos em todas as transcrições

8 de Dezembro de 2009

José Delgado Domingos

43 comentários:

Paulo disse...

E entretanto:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/8377128.stm

José M. Sousa disse...

Sobre Kevin Trenberth, O Prof. Delgado Domingos equivoca-se quanto ao fundamental:

"Let me end with Trenberth’s science-based call to action, from the Bali Declaration:

«Based on current scientific understanding, this requires that global greenhouse gas emissions need to be reduced by at least 50% below their 1990 levels by the year 2050. In the long run, greenhouse gas concentrations need to be stabilised at a level well below 450 ppm (parts per million; measured in CO2-equivalent concentration). In order to stay below 2ºC, global emissions must peak and decline in the next 10 to 15 years, so there is no time to lose.»

joserui disse...

Respondi aqui. Aproveito para avisar que o link para o PDF do site Republicans tem um erro (HTTP). -- JRF

José M. Sousa disse...

Sobre Michael Mann

Relatório da National Academy of Sciences (EUA):

Pág.3
«The basic conclusion of Mann et al. (1998, 1999) was that the late 20th century warmth in the Northern Hemisphere was unprecedented during at least the last 1,000 years. This conclusion has subsequently been supported by an array of evidence that includes both additional large-scale surface temperature reconstructions and pronounced changes in a variety of local proxy indicators, such as melting on ice caps and the retreat of glaciers around the world, which in many cases appear to be unprecedented during at least the last 2,000 years.»
Pág. 4:
«Based on the analyses presented in the original papers by Mann et al. and this newer supporting evidence, the committee finds it plausible that the Northern Hemisphere was warmer during the last few decades of the 20th century than during any comparable period over the preceding millennium»

Nuno disse...

É de louvar a iniciativa do Ambio em promover o debate e o cuidado com que o Dr.Delgado Domingos aborda concisa e claramente as críticas que lhe foram dirigidas.

Como leigo, é para mim importante este alerta que o Dr.Domingos faz ás limitações dos dados que são oriundos de modelos de computador e que terão limitações sérias na descrição de fenómenos que ocorrem á escala global e numa vastidão temporal e geográfica.

Posso no entanto concordar com várias coisas ditas nesta resposta:

1.Não está em questão a qualidade dos dados e dos profissionais envolvidos ccom o IPCC, embora as conclusões e recomendações políticas possam e devam ser bastante discutidas, nomeadamente nas questões das responsabilidades oriundas das emissões e do seu efeito local e/ou global. Tanto o realclimate como o climateaudit parecem ser faces opostas que pouco me dizem, portanto o IPCC será a referência neste assunto, a prevalecer sobre blogues de qualquer tipo.

2.Existem alterações provocadas e empiricamente verificáveis a nível local, fruto de acções prejudiciais pelo homem e realizadas por todo o globo. Isto é um ponto fulcral que ambos os lados negligenciam e é á escala local que devem estar focados quaisquer esforços de mitigação, quanto mais não seja por ser o melhor modo de envolver a população directamente. O alerta do Dr. Domingos faz todo o sentido.

3.A politização de um assunto científico é deplorável. Não podia concordar mais.

(criticas a seguir)

Nuno disse...

(continua)

Como a politização deste assunto não é desejável lamento apenas que as referências que o Dr. Domingos apresenta, após acusar de parcialismo outras fontes como o realclimate ou Hansen (que são de certeza parciais), sejam ironicamente extremamente tendenciosas também e fragilizadoras da posição coerente que as precedeu: o blogue Mitos Climáticos, averso a qualquer debate deste tipo (um extremista em relação aos alarmistas- basicamente fundamentalismos de um tipo ou outro não me dizem nada); o climateaudit de McKintyre, conselheiro estratégico para empresas de exploração de petróleo e carvão; o Wegman report, que não percebo como pode ser uma referência, uma vez que pelo que li nunca foi sujeito a um processo formal de peer review (agradeço confirmação de que tenha sido) para além de que este relatório está alojado num site do partido republicano americano. Esta é uma circunstância bizarra para um documento científico, bizarria reforçada pelo seguinte: quem encomendou o Wegman report foram Joe Barton, que chamou á tectónica de placas um "disparate" (quando lhe explicaram num debate no senado de onde vinha o petróleo), que recebe a maioria dos fundos de campanha de um lobby do carvão e petróleo (irónico) e Ed Whitfield, criacionista, um dos maiores investidores privados em stocks de petróleo e contra a separação de igreja e estado. São insuspeitos patrocinadores da ciência, desde que não seja muito escrutinada. Ambos votaram a favor da guerra do Iraque (já que foi aqui mencionada), o que prova de facto que são imunes a quaisquer consensos ou recomendações das UN, que aliás patrocina a corrente conferência sobre o clima (com uma delegação do partido republicano enviada para o boicote em determinada direcção).

Mencionei apenas factos políticos, mas que são para mim, que nada sei sobre Climatologia, a única ferramenta que tenho para avaliar quaisquer fontes de conhecimento científico. Os implicados directos no "climategate" afastaram-se dos cargos que detinham e o seu trabalho vai ser revisto? Óptimo, é tudo o que queria. Não me parece apesar de tudo que a fiabilidade da origem dos dados do Wegman report se compare á dos do IPCC.

(continua)

Nuno disse...

(continua)

Finalmente, parece-me extraordinariamente contraditória a comparação com a novela Iraquiana, por ser eminentemente política, na parte final da intervenção.
Tenho a certeza de que o Dr. Domingos está ciente que as Nações Unidas (via Hans Blix) concluíram que não existiam armas de destruição maciça no Iraque antes de uma invasão realizada pelo titular do partido político norte-americano que apresenta na sua resposta como fonte científica, em conluio conhecido com diversas empresas do ramo da defesa, construção civil e exploração de petróleo. Estas coisas não estão totalmente dissociadas do que se está a discutir. O papel como promotor do debate científico da Exxon Mobil (via Heartland Institute) e outros produtores de combustíveis é conhecido nesta questão: http://motherjones.com/environment/2009/12/dirty-dozen-climate-change-denial-exxon#comment-267381

Por isso deixo uma analogia que em torno de um assunto científico, ao contrário do Iraque:
Desde o início dos anos 80 que existe um consenso científico em torno dos riscos de saúde associados ao consumo de tabaco, nomeadamente do chamado "fumo em segunda mão". Extensas campanhas foram lançadas com o objectivo de fornecer a informação contrária, fundadas indirectamente por tabaqueiras (e, por coincidência, pelo mesmo Heartland Institute), bem como por comissões científicas a soldo de lobbys com apoiantes de ambos os partidos norte-americanos. As campanhas foram um sucesso: a maioria do público estava convencido de que o tabaco seria inofensivo para não fumadores e de que não haveria lugar para "alarmismos"- o tabaco era usado há anos e quaisquer mortes não teriam razões imediatamente associáveis. E mais: que existia uma conspiração política para retirar "liberdades" de fumar, inclusivamente interesses obscuros da comunidade médica, que teria fabricado as suas conclusões. O assunto só acabou em tribunal e a acção política sobre o problema só se trivializou décadas depois (em Portugal há pouquíssimos anos), e é agora de conhecimento comum algo que pareceu na altura uma conspiração mirabolante, mas que terá tido um custo humano que não pode ser contabilizado.

Pouco tem a ver a compreensão do corpo humano com eventos climáticos que se dão á escala global, não o discuto. Mas já que falamos de conspirações políticas pareceu-me uma comparação mais próxima.

Cumprimentos
Nuno Oliveira

Filipe disse...

Se me é permitido, deixo aqui um agradecimento ao Prof. Delagado Domingos pela sua dedicação, abertura e coragem, plasmadas através desta e de outras intervenções autorizadas. Estas constituem um verdadeiro serviço público e, mais ainda, uma grande lufada de ar fresco, no actual clima de pensamento único.

Filipe Batista e Silva

José M. Sousa disse...

Como se vê, a desinformação a que o Prof. Delgado Domingos dá cobertura, produz resultados. É escusado o sr. prof. vir dizer que os jornalistas deturparam o que pretendia dizer. É extraordinário que diga o que diz de cientistas respeitados como James Hansen e Michael Mann e que dê como uma das referências o Rui Moura do Mitos Climáticos [e, o que é ainda mais grave, a RTP, no telejornal de ontem, contrapõe um respeitado cientista português (Prof. Filipe Duarte Santos)com o dito Rui Moura, qualificado pela estação como climatologista!!! Gostava de saber que trabalho científico é que o Rui Moura tem publicado].
É que já não é a primeira vez que o sr. prof. diz verdadeiros disparates. Leia-se a entrevista que deu ao jornalista Pedro Almeida Vieira ou a intervenção que fez na Agência de Ambiente e Energia de Lisboa (Lisboa Enova A apresentação em powerpoint já lá não está, mas posso facultá-la a quem quiser!
Já agora, para alguém que diz pertencer à American Meteorological Society, eis a posição desta sobre o caso dos e-mails

Lowlander disse...

Muito bem Nuno e obrigado.
Estava a pensar em escrever um longo comentario essencialmente com os pontos que voce mas nao tive paciencia. Assim e mais facil, admito. hehehe

José M. Sousa disse...

Caro Nuno

"e é á escala local que devem estar focados quaisquer esforços de mitigação, quanto mais não seja por ser o melhor modo de envolver a população directamente. O alerta do Dr. Domingos faz todo o sentido.»

Nem aqui o prof. Delgado Domingos tem razão. Quando falamos de alterações climáticas estamos a falar de um problema global, transfronteiriço, multicontinental. Abordar o problema numa perspectiva meramente local, embora necessária, é muitíssimo insuficiente. Um exemplo interessante que envolve o Reino Unido e China ilustram o problema num relatório elaborado pela New Economics Foundation: "Chinadependence":
«In particular, Chinadependence reveals a striking rise in our dependence on a wide range of Chinese imports. And, because the greenhouse gas pollution that results from their manufacture is blamed on China, not the consumers in the UK, we are turning China into our 'environmental laundry' with devastating consequences for the planet»

Ou seja, tentar resolver um problema localmente (RU), varrendo para debaixo do tapete (países em desenvolvimento, no caso China) não resolve nada, porventura, como se tem visto, apenas o agrava. A abordagem tem que ser global e sistémica.

José M. Sousa disse...

Depois há uma certa confusão a propósito da "politicização" do problema das AC. A que é que nos referimos exactamente?
Hoje em dia parece que falar de política é o mesmo que falar da peste, mas o significado de "política" é nobre. Para a além de que política também abarca a noção de "política pública". Os anglo-saxónicas têm duas expressões distintas: "politics" and "policy" e ambos os conceitos são importantes neste contexto das AC.
A partir do momento em que a ciência afirma que é necessária uma redução drástica do CO2 nas próximas décadas, entramos necessariamente no âmbito da política, das políticas públicas e, nomeadamente, na área da economia. Pela simples razão de que uma redução de tal ordem das emissões de CO2 implicam alterações profundas na nossa economia, na nossa sociedade, logo nas nossas instituições, política portanto!
Faz-me impressão que muitos julguem que tudo possa ficar na mesma - nomeadamente os que se referem à globalização económica tal qual se desenrola hoje - mantendo o "business as usual".A globalização implica circulação em massa de pessoas e bens. Essa circulação consome quantidades colossais de energia, logo emissora de CO2.

Mas como sempre aconteceu no passado, há sempre quem apenas valorize o presente imediato e tenta fazer política - aqui sim no sentido pejorativo- no sentido de confundir os incautos, lançando confusão sobre os resultados provenientes da ciência.
Se há cientistas que decidiram ser também activistas, provavelmente é porque acham que o problema em causa é de uma tal dimensão e com consequências tais que não basta ficar sentado à espera que as coisas aconteçam, quando ainda por cima há tantos grupos de interesse organizados em denegrir a ciência.

Nuno disse...

Caro José Sousa,

Fui eu que me expliquei mal.

1.O problema em discussão é de facto um problema global, o que não exclui que também seja local. Estando a vertente global sob tanta discussão, por vezes esquece-se sobre a "microintervenção" a nível individual. Pode haver quem desconfia da ciência em áreas que não domina ou em coisas que são difíceis de demonstrar empiricamente mas toda a gente constata os problemas locais da qualidade do ar, da água, etc. Foi este sentido que retirei do que disse o Dr.Domingos. Existe um bocado o perigo, como já constatei pessoalmente, de que algumas pessoas achem que são os caps de emissões das grandes empresas que vão resolver o problema. Isto é uma distracção grave.

2. Provavelmente utilizei o termo errado- a solução deste problema é eminentemente política, certo, mas dá-se alguma partidarização (se calhar um termo mais correcto) neste assunto. Este problema nos EUA é enorme devido á identificação liberal-conservative. Não é uma questão partidária ou de qualquer outro tipo de "clubismo".

Cumprimentos

José M. Sousa disse...

Caro Nuno

De acordo quanto à necessidade de "microintervenção", embora esta também tenha fortes limitações derivadas da organização da vida moderna: as pessoas andam num lufa-lufa e atiram-lhes para cima uma série de obrigações, etc. Também de acordo que o Cap and trade tem sido um fracasso no resultado final.
No entanto, a propósito da poluição do ar nas cidades,p ex., há uma circunstância curiosa: é que a necessidade de limpar o ar de aerossóis (estes funcionarão como reflectores da radiação solar) resultantes das emissões de SO2 (dióxido de enxofre) pode agravar ainda mais o aquecimento. Também aqui se vê as limitações de uma intervenção local, neste caso diria até contra-intuitiva. O aquecimento global não é apenas um problema de poluição em sentido estrito...

EcoTretas disse...

Miguel,
Deve apreciar estas guerrinhas. Infelizmente, a sua opinião no Expresso deixa muito a desejar!
Transcrevo a análise que fiz no blog em http://ecotretas.blogspot.com/2009/12/as-resposta-de-miguel-ambio.html embora muito desformatado.

Ecotretas

Miguel Araújo, do blog ambio, conseguiu que um artigo seu fosse publicado na versão online do Expresso. Tentou rebater a argumentação de Delgado Domingos, num artigo absolutamente espectacular que havíamos aqui anteriormente referido. Todavia, para além de confirmar envergonhada e subrepticiamente muitas das afirmações de Delgado Domigos, o problema dele é que não deve ler o Ecotretas, senão teria visto que a sua argumentação é infeliz e errada:

* Miguel refere que O que se afirma no relatório de 2007 (página 281, Capítulo "The Physical Basis") é que se estima que os furacões do atlântico poderão tornar-se "menos frequentes mas mais intensos"
mas isto já foi demonstrado errado aqui, sendo que a realidade é que o valor do ACE (Accumulated Cyclone Energy) é o mais baixo dos últimos 30 anos!
* Miguel refere que Ora todos sabemos que as projecções de tendências têm associadas a si uma variação inter-anual que é de carácter estocástico (melhor dizer, não se pode explicar à luz do conhecimento actual), e que escolher um ano quente para depois demonstrar uma evolução é negativa é certamente uma boa forma de produzir argumentos retóricos
mas o que Miguel pretende ignorar é que o IPCC posiciona convenientemente os seus gráficos depois de períodos frios, como foram a década de 1970 e a Pequena Idade do Gelo. Nestas circunstâncias, a subida é garantida!
* Miguel entende que é abusiva e carece de demonstração, a possibilidade de ter havido uma fraude que compromete a ciência climática no seu conjunto
mas esquece-se, como aqui já referimos, que Phil Jones, o cientista no centro do escândalo, é o quarto autor mais citado, em investigação no âmbito das mudanças climáticas, no período 1999-2009!
* Miguel refere que A verdade é que hoje se questiona que o Período Quente Medieval tenha sido um fenómeno global
mas esquece-se de dizer que este é um artigo de Michael Mann, o autor do hockey-stick, repetidamente desmascarado no passado! O Miguel devia dar uma vista de olhos a www.co2science.org/data/timemap/mwpmap.html onde facilmente constata que dados publicados por 772 cientistas distintos, de 458 instituições de investigação, de 42 paises diferentes, confirmam a existência do Período Quente Medieval por todo o planeta Terra!

José M. Sousa disse...

Não há limites para o ridículo!

Nuno disse...

Caro Sr./Sra. ou Menino/Menina "Ecotretas" (desculpe-me, não sei de que modo me devo dirigir)

Não compreendo a sua participação em qualquer tipo de debate, uma vez que o seu veículo dá a entender que terá alguma alergia a este tipo de diálogo.

Também não percebo esta obsessão pelo CSCDGC como fonte científica, quando é um negócio familiar abertamente patrocinado pela Exxon e com ligações ao Summit Power Group. Já que aprecia conspirações, atribuindo-se a si mesmo um nome secreto e tudo, fique a pensar nos interesses reais e comprovados que as petrolíferas têm em espalhar a confusão (via astroturfing anónimo na blogosfera, p.e.) antes de começar pelos nefastos interesses imaginários que atribui ao IPCC.

Cumprimentos

EcoTretas disse...

Nuno,
Se quiser discutir ciência, discuta! Ou não quer discutir ciência?

Ecotretas

Miguel B. Araujo disse...

Caro Prof. Delgado Domingos,

Vamos lá então discutir alguns temas levantados pelo seu texto. Em primeiro lugar devo um pedido de desculpa se retratei erradamente o conteúdo do seu artigo. Obviamente não era a minha intenção. Porém existe uma diferença entre retratar erradamente as ideias veiculadas num texto e retratar erradamente um pensamento que, por algum motivo, não está inequivocamente explicado no texto. Ora eu entendo que os textos que aparecem nos jornais são frequentemente editados para melhor encaixar em critérios “jornalísticos” e os resultados são por vezes desastrosos. Por exemplo, mais do que uma vez as minhas declarações a jornalistas foram completamente deturpados. As deturpações mais graves ocorreram com a imprensa conservadora Britânica que pretendia veicular opiniões cépticas e que distorceu o meu natural cepticismo científico e o converteu num cepticismo político. Portanto, não me surpreende que o seu texto tenha sido simplificado ao ponto de levar um apressado leitor a ler o que não era a intenção do autor.

Não obstante há alguns aspectos referidos no seu post que merecem ser esclarecidos. Avanço desde já que esta não é uma resposta aos inúmeros aspectos científicos que teremos de discutir e que surgem em diversas passagens do seu artigo, mas tão somente uma clarificação sobre interpretações e mal entendidos. Quando houver tempo escreverei sobre os outros assuntos, provavelmente em formato de post pois cada um dos temas em apreço merece um destaque especial.

Por exemplo, uma das suas críticas ao meu texto centra-se num dos sub-títulos que utilizo: “Não existe evidência de que o clima esteja a mudar a nível global”, argumentando que deveria ter acrescentado “devido principalmente a emissões de CO2eq”. Obviamente isto é tão desnecessário quanto a omissão do mesmo CO2eq no sub-título do seu artigo “Catástrofe de Nova Orleães não foi causada pelo aquecimento global”. Com a agravante que o seu sub-título sugere que alguém (assumo eu: relevante) diz o que o seu sub-titulo diz. Entendo agora que se estava a referir a jornalistas, mas francamente usar o argumento dos ciclones para consubstanciar um crítica à tese do aquecimento global é peculiar já que, de todos os eventos extremos, os ciclones são os que menos claramente se encontram associados ao aquecimento global no 4 relatório do IPCC. Portanto, ao ler este argumento dos ciclones (e já agora o das cheias de Lisboa), não consigo evitar a sensação de que se está a simplificar o argumento adversário por forma a melhor fazer passar um argumento (ou seja, a lançar um “strawman argument”). É óbvio que é um absurdo considerar eventos extremos, de forma isolada, para fazer passar uma teoria geral sobre o funcionamento do clima. E é óbvio que sobre o valor destas caricaturas estaremos todos de acordo mas porque razão apresentá-las quando o debate está tão polarizado e é, geralmente, tão pouco informado?

Na sua resposta diz que reconhece existir um aquecimento de global 0.8 graus a nível global no século XX mas depois usa o argumento da estabilidade dos últimos 10 anos como demonstração que o CO2 não estará na origem do aquecimento. Quer isto dizer que o aquecimento do século XX é descontínuo – de origem natural - e que agora iniciaremos um período de arrefecimento? E se assim não acontecer, se este ano voltar a ser quente (e os próximos também) demonstra-se que o aquecimento global é de origem antropogénica e associado ao aumento de concentração de CO2eq? Imagino que não concorde com a segunda afirmação mas se não o faz, como pode afirmar o contrário, i.e., que a ausência de aquecimento num dado horizonte temporal de 10 anos invalida a tese do aquecimento global? Em abono da verdade nenhuma das afirmações pode ser feita pois há limites sobre o que podemos interpretar a partir de correlações em séries temporais curtas e por isso a comparação de padrões climáticos observados com as projecções de modelos que incorporam diferentes assunções sobre os mecanismos que governa o clima ajuda (tema para mais tarde).

(cont)

Miguel B. Araujo disse...

A segunda parte da sua crítica ao meu texto versa sobre a questão do alegado escândalo científico. Agradeço os seus esclarecimentos sobre o assunto mas o essencial do meu argumento é que, da leitura dos emails publicados, não está provado que existe um escândalo pelo que é apressado classificá-lo como um dos maiores da história. Neste caso o alegado escândalo alicerça-se nuns “tricks” estatísticos, na não disponibilização dados a pares, na destruição dos mesmos, na censura de artigos no relatório do IPCC). Ora todos estes aspectos dos emails já foram contestados publicamente e se estamos de acordo que é necessário esclarecer este assunto de forma cabal (e tenho a certeza que tal será feito) também é verdade que a evidência vinda a lume com os emails roubados é, no mínimo, parcial e ambígua sendo portanto é apressado fazer julgamentos bombásticos como aquele que fez no Expresso.

Comentários sobre questões menores:

- Não, não acordei para o debate climático recentemente (mas sim é verdade que não tenho por hábito acompanhar as polémicas climáticas nos blogues). Na realidade quem conhece o meu percurso sabe que comecei por ter posições muito próximas das suas – senão mais extremas – mas com o acumular de evidências em vários campos concluí que a balança pesava a favor da tese maioritária. Certezas? Não existem em ciência mas isto não nos impede de termos teorias mais ou menos robustas que são descartadas quando substituídas por outras mais credíveis. Ora o que nos falta é uma teoria alternativa, credível. Na ausência de tal teoria , é normal aceitar provisoriamente a que existe.

- A minha afirmação sobre “fait divers” tem um peso meramente semântico, como já tive oportunidade de explicar a colegas. Por defeito profissional estou habituado a distanciar-me dos eventos e procurar analisá-los como se fossem passados. Ora a minha opinião é que o “climategate” não terá consequências maiores pois 1) não falsifica as teses actuais; 2) não terá um efeito duradouro sobre a credibilidade da ciência pois os factos científicos são sólidos, provêm de diversas fontes (não só da extensa rede dos autores visados) e continuarão a acumular-se; 3) o curso das políticas continuará independentemente dos emails, como se está a constatar com a cimeira de Copenhaga; e 4) é provável – mas obviamente temos de esperar pelos resultados – que se comprove que a “montanha pariu um rato” no que toca o alegado escândalo. Veremos, mas se tudo o que eu disse neste parágrafo se verificar, daqui a uns anos será mais fácil concordar que isto foi um “fait diver”.

Esclarecidos estes mal entendidos de menor importância, espero que possamos agora centrar-nos nos temas que realmente interessam.

Miguel B. Araujo disse...

Caro Ecotretas,

> "problema dele é que não deve ler o Ecotretas, senão teria visto que a sua argumentação é infeliz e errada:"

De facto não leio. E não leio porque não gosto de ler blogues escritos por anónimos e menos ainda blogues que não permitem contraditório. Quando mudar estas duas políticas no seu blogue prometo que o visitarei mais vezes.

> "* Miguel refere que O que se afirma no relatório de 2007 (página 281, Capítulo "The Physical Basis") é que se estima que os furacões do atlântico poderão tornar-se "menos frequentes mas mais intensos" mas isto já foi demonstrado errado aqui, sendo que a realidade é que o valor do ACE (Accumulated Cyclone Energy) é o mais baixo dos últimos 30 anos!"

A demonstração é uma palavra cara para quem trabalha em ciência. Indique lá a fonte de literatura científica (não me faça perder tempo com blogues republicanos). Já agora, se lhe interessa o tema contraste as suas fontes com as páginas 305-316 do relatório do IPCC onde poderá ler sobre padrões observados, desvios ás tendências gerais, fontes observacionais, discussão sobre incertezas, etc.

> "* Miguel refere que Ora todos sabemos que as projecções de tendências têm associadas a si uma variação inter-anual que é de carácter estocástico (melhor dizer, não se pode explicar à luz do conhecimento actual), e que escolher um ano quente para depois demonstrar uma evolução é negativa é certamente uma boa forma de produzir argumentos retóricos
> mas o que Miguel pretende ignorar é que o IPCC posiciona convenientemente os seus gráficos depois de períodos frios, como foram a década de 1970 e a Pequena Idade do Gelo. Nestas circunstâncias, a subida é garantida!"

A maior parte dos gráficos do IPCC começam quando começa o registo instrumental, ou seja a partir de 1850. Os dados anteriores provêm de reconstruções que, como sabe, são objecto de intenso debate.

(cont)

Miguel B. Araujo disse...

(cont)

> "* Miguel entende que é abusiva e carece de demonstração, a possibilidade de ter havido uma fraude que compromete a ciência climática no seu conjunto
> mas esquece-se, como aqui já referimos, que Phil Jones, o cientista no centro do escândalo, é o quarto autor mais citado, em investigação no âmbito das mudanças climáticas, no período 1999-2009!"

Isso só abona a favor de Phil Jones e demonstra que é um cientista lido e citado. Era só o que faltava que o sucesso dos investigadores servisse para justificar teorias conspirativas contra eles.

> * Miguel refere que A verdade é que hoje se questiona que o Período Quente Medieval tenha sido um fenómeno global
> mas esquece-se de dizer que este é um artigo de Michael Mann, o autor do hockey-stick, repetidamente desmascarado no passado!"

Não esqueço, está lá para quem abrir o link mas não parece que seja relevante pois para mim não existe qualquer caça às bruxas e salvo prova contrária o Prof. Mann é um cientista respeitável que muito tem contribuído para o conhecimento sobre clima actual e climas passados.

"> O Miguel devia dar uma vista de olhos a www.co2science.org/data/timemap/mwpmap.html onde facilmente constata que dados publicados por 772 cientistas distintos, de 458 instituições de investigação, de 42 paises diferentes, confirmam a existência do Período Quente Medieval por todo o planeta Terra! "

Deduzo que este mapa seja uma versão reduzida da figura 6.11 do relatório do 4 IPCC (página 470) e cuja legenda começa do seguinte modo: "Location of proxy records with data back to AD1000, 1500, and 1750 (...) that have been used to reconstruct NH and SH temperatures by studies shown in Figure 6.10 (...). Traduzido por miúdos, este mapa parece representar a localização dos pontos onde existem "proxies" usados para reconstruir o clima no Período Quente Medieval. Ou seja, os mesmos dados usados por Mann que, como é natural, teve se contrastar dados de diversas localizações para concluir que o fenómeno não era global.

Insisto que a refutação de teorias não se faz com as armas da política, i.e., a retórica. Faz-se com "longo estudo e muita experiência misturada" como dizia Camões. Ora nenhum destas atributos parece caracterizar os especialistas de climatologia que comentam nos blogues Portugueses (curiosamente nenhum Português participou no relatório do IPCC, capítulo da base física, o que contrasta com o elevado número de especialistas desaproveitados nos nossos blogues).

EcoTretas disse...

Muito bem Miguel!
Continue a assobiar para o lado...

Ecotretas

Lowlander disse...

Caros comentadores,

Aconselho que deixem de responder a comentadores que tem comportamento tipico de
Troll


Caro Miguel e demais gestores deste blogue:

Aconselho vivamente a enfrentarem este comportamento disruptor da discussao equilibrada e racional nas vossas caixas de comentarios determinadamente e o mais rapido possivel porque este tipo de comportamento tende a se comportar como uma bola de neve.

Miguel B. Araujo disse...

A pedido do Prof. Delgado Domingos publicam-se os seus comentários a comentários feitos sobre este post.

--

Delgado Domingos: Resposta a Comentários

Não é meu hábito participar nos comentários que habitualmente se seguem ao que escrevi, ou disse, sobretudo quando estão em causa questões científicas e se aproveita o pretexto para ataques pessoais ou militância por causas ideológico/religiosas por mais legítimas e respeitáveis que possam ser.
Os termos em que me comprometi a responder, neste blog, na resposta às criticas que me fez Miguel Araújo, são bem claras e vou repeti-las:
“ ficaria profundamente reconhecido aos nossos colegas físicos, climatologistas, estatísticos, matemáticos, etc se me demonstrassem que as minhas reservas quanto à fiabilidade dos resultados dos actuais modelos climáticos não têm fundamento. Espero, naturalmente, que essa demonstração não seja a ladainha da mera citação do que outros disseram mas sim uma opinião própria baseada no seu domínio das áreas científicas relevantes” .
Pareceu-me ser ofensivo, e por isso não o escrevi, que repudio vivamente os truques pouco sérios, mas infantis, repetidamente utilizados pelo Sr. José M. Sousa sempre que o meu nome aparece, seja em Portugal ou no estrangeiro. O truque consiste em indicar o link para as minhas publicações com um erro, pequeno mas suficiente, para que página não seja encontrada. Pode também informar que esteve mas foi retirada. Seguidamente, o prestimoso Sr. José M. Sousa indica sempre que a disponibiliza ou, mais expeditamente, envia directamente o leitor para o seu blog, cujo endereço está sempre disponivel. Neste blog o Sr. José M. Sousa exemplifica-o com a sua afirmação:
“É que já não é a primeira vez que o sr. prof. diz verdadeiros disparates. Leia-se a entrevista que deu ao jornalista Pedro Almeida Vieira ou a intervenção que fez na Agência de Ambiente e Energia de Lisboa (Lisboa Enova A apresentação em powerpoint já lá não está, mas posso facultá-la a quem quiser!
Já agora, para alguém que diz pertencer à American Meteorological Society, eis a posição desta sobre o caso dos e-mails”
A apresentação está na minha página em http://jddomingos.ist.utl.pt .Para a Lisboa E-Nova existem dois links. Um com o pdf do power point em http://lisboaenova.org/images/stories/Ponto%20de%20Encontro/2008/24012008/Apresentacao_DelgadoDomingos_24012008_Final.pdf O outro com o podcast e o pdf do powerpoint em http://lisboaenova.org/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=332&Itemid=176 .
O Sr. José M. Sousa esteve presente na sessão, que foi gravada. Seguiram-se emails pessoais, a que respondi. Foi por isso e com alguma surpresa que, passado mais de um ano, alguém me chamou a atenção para o facto de a minha entrevista ao jornalista Pedro Almeida Vieira ter sido vertida para inglês, posta num blog europeu e originado uma interessante controvérsia. Nos comentários aparecia o Sr. José M. Sousa afirmando que tinha assistido e participado na apresentação que agora invoca aproveitando para dar os seus juízos definitivos sobre mim mas dando um link errado, para que o leitor fosse ter, não ao pdf da minha exposição mas sim à sua página pessoal, na qual fazia uma extensa critica ao que eu disse ou teria dito, seguida dos efusivos aplausos dos seus fiéis. A saga porem não acaba aqui e prolonga-se por um comentário no blog www.realclimate.org em que, surpresa das surpresas, além dos seus habituais comentários a meu respeito, pede aos gestores do blog que confirmem as referencias que eu fazia ao IPCC naquela apresentação. As minhas referencias estavam certas e colocam na adequada perspectiva as apreciações anteriores do Sr. José M. Sousa sobre algo que completamente desconhecia e de todo não percebia. Seja como for, consultem o que de facto disse e escrevi, incluindo a posterior adenda de clarificação das dúvidas surgidas, nomeadamente quanto ao significado a atribuir ao que a American Meteorological Society ( de que faço parte) terá dito.

(cont)

Miguel B. Araujo disse...

Delgado Domingos: Resposta a Comentários (cont)

No âmbito deste blog, o primeiro comentário que o Sr. José M. Sousa fez foi para afirmar que estou equivocado quanto ao que Kevin Trenberth afirmou, contrapondo-lhe seguidamente uma transcrição acerca de Bali. O que o Sr. José M. Sousa quer que se infira é que a minha transcrição do que Kevin Trenberth afirmou no blog da Nature é falsa (poderia ter consultado, como anteriormente fez, o realclimate e teria, como anteriormente, a confirmação de que está correcta). Estando correcta, o que o Sr. José M. Sousa deveria ter feito era confrontar Kevin Trenberth com as suas contradições e não com os equívocos que me quer atribuir. Tal como assinalei para James Hansen, há os artigos e trabalhos científicos peer-reviewd de que são autores e aprecio e há as declarações politicas a que são forçados pelos cargos que desempenham ou pela simples militância numa causa em que possivelmente acreditam. Quem não perceber a diferença, terá muita dificuldade em entender o que se passa. Devo acrescentar que as afirmações que transcrevi de Kevin Trenberth no blog da Nature são tão básicas em termos científicos que qualquer físico-matemático competente as poderia ter subscrito. Quanto ao Sr. José M. Sousa que, ao que parece, me transformou no anticristo da sua religião não posso fazer mais do que desejar-lhe toda a felicidade que a sua religião lhe promete se continuar na sua saga.
Permitam-me agora, os restantes comentadores, que restrinja o comentário ao que se me afigura de mais relevante. Aparentemente, a minha sumária referência ao blog do Eng.Rui Moura, http://mitos-climaticos.blogspot.com/ estimulou umas quantas diatribes só pelo facto de o citar. Deploro veementemente esta atitude, pois este blog, tal como o http://ecotretas.blogspot.com/ , p.ex., tem tido um papel relevante na divulgação de informações significativas que de outro modo teriam passado despercebidas para a maioria. Mas uma coisa é a informação objectiva, outra a interpretação pessoal que lhe é dada pelos autores do blog. Na informação objectiva, não encontrei erros dignos de menção, tanto mais que a sua pratica tem sido a de incluir a sua reprodução ou o link para o documento original. Quanto às interpretações pessoais, discordo de muitas, mas isso não me impede de reconhecer que o confronto com as suas ideias tem sido um útil teste para as minhas. É assim que se progride.
Houve também critica ao facto de o link para o WegmanReport estar no site de um conservador americano levando a supor que o relatório exprimia a sua posição pessoal. Na verdade, trata-se de um documento oficial da “U.S. House Committee on Energy and Commerce” actualmente presidida por um democrata, o bem conhecido Henry A. Waxman, co-autor da proposta de Cap & Trade em discussão no Senado e completamente insuspeito de simpatias cépticas ou negacionistas. Será que um documento, numa Comissão oficial, muda de validade ou credibilidade consoante o site que fornece o seu link ou consoante o Presidente da “U.S. House Committee on Energy and Commerce”. Penso que não. Acresce que o documento foi elaborado por um grupo, sem remuneração, sob a presidência de uma personalidade científica e não política.

Miguel B. Araujo disse...

Delgado Domingos: Resposta a Comentários (cont)

Para quem deseja ter um conhecimento fundamentado e se recusa a emitir juízos baseados em preconceitos e aparências o resumo do relatório encontra-se, em “U.S. HOUSE COMMITTEE ON ENERGY AND COMMERCE PRESS OFFICE, (202) 225-5735 , HTTP://ENERGYCOMMERCE.HOUSE.GOV.” .. Como o site daquela Comissão tem muitos documentos, o link mais directo para ele é: http://republicans.energycommerce.house.gov/108/home/07142006_Wegman_fact_sheet.pdf.
Recomendo vivamente a consulta deste fact_sheet completo, que não citei na minha resposta a Miguel Araújo e de que reproduzo em seguida o que me parece fundamental a propósito do comentário que me foi feito, além de me permitir corrigir lapsos formais de que entretanto me dei conta, nomeadamente gralhas:p.ex. onde anteriormente escrevi NSA (National Science Foundation) deveria er escrito NAS (National Academy of Science). Agradeço desde já a quem me apontar este tipo de erros.
Numa transcrição parcial do documento pode ler-se

“Report Raises New Questions
About Climate Change Assessments
(...)
Background: On June 23, 2005, following reports of a dispute surrounding two key historical temperature studies prominently used in the U.N.’s Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) 2001 assessment report, the Energy and Commerce Committee wrote the three authors of the studies, the IPCC, and the National Science Foundation for information relating to the use of the studies by IPCC.
The studies in question, by Dr. Michael Mann, et al, formed the basis for the IPCC assessment’s conclusion that the increase in 20th century Northern Hemisphere temperatures is “likely to have been the largest of any century during the past 1,000 years” and that the “1990s was the warmest decade and 1998 the warmest year” of the millennium.
Questions about the reliability of the Mann studies were of interest because they raised policy-relevant questions concerning the objectivity of the IPCC and its reliance upon and “promotional” use of the studies’ ‘hockey stick’ shaped historical temperature reconstruction.
Following receipt of the letter responses, committee staff informally sought advice from independent statisticians to determine how best to assess the statistical information submitted. Dr. Edward Wegman, a prominent statistics professor at George Mason University who is chair of the National Academy of Sciences’ (NAS) Committee on Applied and Theoretical Statistics, agreed to independently assess the data on a pro bono basis. Wegman is also a board member of the American Statistical Association.
About the Wegman committee: Dr. Wegman assembled a committee of statisticians, including Dr. David Scott of Rice University and Dr. Yasmin Said of The Johns Hopkins University. Also contributing were Denise Reeves of MITRE Corp. and John T. Rigsby of the Naval Surface Warfare Center. All worked independent of the committee, pro bono, at the direction of Wegman. In the course of Wegman’s work, he also discussed and presented to other statisticians on
aspects of his analysis, including the Board of the American Statistical Association.

Among the panel’s findings and recommendations:
(…)”

Miguel B. Araujo disse...

Delgado Domingos: Resposta a Comentários (cont)

Não reproduzo esta parte porque desejo acreditar que quem desejar comentar começou pela sua leitura atenta e pelo relatório completo. Links para ambos podem ser encontrados em
http://wattsupwiththat.com/2009/11/28/mann-to-investigated-by-penn-state-university-review/.
Estes, como outros documentos, devem ser avaliados pelo seu conteúdo e por quem domina o assunto. É por isso que daqui faço um apelo veemente aos nossos especialistas em Estatística para que os analisem em profundidade e os comentem. A questão central no Hockeystick tem puramente a ver com Estatística. A questão da qualidade dos dados só surgiu depois de a Estatística ter mostrado que eram inconsistentes com as conclusões vertidas para o IPCC.
Tenho também de reiterar que a minha escolha dos autores que cito não parte de pré-julgamentos acerca do que podem ou não ser as suas convicções mas sim do fundamento que dão às conclusões que extraem. Tenho também o cuidado de examinar, tanto quanto possível, as posições contrárias. E agradeço sempre que me apontam falhas, omissões ou conclusões indevidamente justificadas.

O Nuno faz comentários pertinentes, a alguns dos quais já respondi na generalidade, mas que convém esclarecer. No que se refere à Guerra do Iraque e a Hans Blix ( com quem tive recentemente o gosto de conversar sobre este e outros assuntos), a verdade é que as suas informações, de que não havia no Iraque armas de destruição massiva foram ignoradas e ele demitiu-se. O que é relevante e justificou a minha escolha do exemplo, é o facto de as suas declarações não terem tido eco suficiente na comunicação social para alterar o consenso dominante. A analogia com o que se tem passado com os chamados cépticos do aquecimento global é semelhante. Em ambos os casos trata-se fundamentalmente de politica, embora no caso dos alterações climáticas envolvam cientistas para as credibilizar.

Miguel B. Araujo disse...

Delgado Domingos: Resposta a Comentários (cont)

Quanto ao IPCC é fundamental distinguir o relatório fundamental, que é o do WG1, do seu resumo( SPM-Summary for Policy Makers), pois o SPM foi elaborado com finalidade politica e para ser votado linha a linha pelos representantes oficiais dos governos e de organizações não governamentais. Além disso foi elaborado por um grupo muito reduzido de autores. Entre o relatório do WG1 (com 996 páginas) e o respectivo SPM (18 paginas) há enormes diferenças como já mostrei em trabalho anterior e cuja leitura considerei obrigatória (na minha reposta a Miguel Araújo), para quem me quiser criticar. Mais grave ainda do que o SPM, é o facto de uma esmagadora de jornalistas, de políticos e de comentadores nunca terem lido sequer nenhum destes documentos e se ficarem, na melhor das hipóteses, pelos comunicados de imprensa para não dizer dos seus resumos (basta considerar a generalidade dos grandes meios de comunicação em Portugal para se ter uma ideia esclarecedora ).
Sempre considerei o relatório do WG1 como referencia muito importante ( mau grado as divergências quanto a alguns aspectos), tal como sempre pus as maiores reservas ao seu SPM, pois distorce, com finalidades puramente politicas, os factos científicos e conclusões discutidos pelo WG1. Por isso, nunca aceito referencias genéricas, nem quanto a qualidade nem quanto a fiabilidade das conclusões do IPCC sem clarificar primeiro a que documento se referem. Um só exemplo das falsas informações que massivamente circulam por aí: nem o IPCC enquanto organismo, nem o WG1 nem o SPM indicam 2ºC como o limite para o desencadear da catástrofe nem tão pouco um limite aos ppm de CO2eq que a provocariam. Tais valores, são puras decisões políticas da destinadas a convencer a opinião pública com a aparência do rigor e da certeza.
Também não aceito a tese conspiratória de que um trabalho que foi pago reflecte necessariamente os propósitos do financiador, sem deixar de reconhecer que em certos casos o foi. Se aceitasse genericamente esta tese, condenaria imediatamente todos os que Al Gore financiou e/ou promoveu através da sua Repower América, entre outros, ou os realizados com financiamento dos governos (será que os objectivos dos políticos no governo são sempre louváveis e os das petrolíferas e outros de que não gosta sempre perversos ?) . Também não sei como teria de classificar as tentativas do CRU, etc, para obter financiamentos da Shell e da BP como os emails agora divulgados revelam. É por isso que tenho novamente de reafirmar que os documentos valem pelo que contêm e que um trabalho peer-reviewd , só por o ter sido, não garante a qualidade e a verdade mas apenas que merece, em princípio, ser escrutinado com atenção e compe¬tência tanto maiores quanto maior for o seu potencial impacto social e económico. Também não tenho nada contra os blogs que transmitem informação objectiva que pode ser comprovada. Goste-se ou não, os blogs são a forma disponível e mais eficaz de combater o pensamento único pelo cidadão comum. Como sempre há de tudo, do muito mau ao execrável, e por isso nos confrontam com o imperativo de saber ter e fundamentar uma opinião própria e informada, sem o que uma real Democracia é impossível. Penso que o climategate vai ser um “turning point” para o modo como os académicos olham para os blogs, como para muitasmais coisas.

10 de Dezembro 2009

José M. Sousa disse...

Peço desculpa ao Prof. Delgado Domingos quanta à questão do link. O link para a apresentação do Prof. na sessão da Lisboa Enova que coloquei no meu blogue a dada altura não mostrava a apresentação. Confirmo agora que afinal continua lá. Quanto ao resto mantenho o que disse.

José M. Sousa disse...

Já agora a minha crítica à intervenção do Prof. na Lisboa Enova foi esta Chamo a atenção para os muitos links que não são imediatamente visiveis porque estão a cores para melhor salientar os pontos.

José M. Sousa disse...

Sobre o Kevin Trenberth, o que eu sugeri foi que um texto que consta dos e-mails roubados que por aí circulam fosse lida à luz deste artigo do mesmo.

O texto era este:

« Well I have my own article on where the heck is global warming? We are asking that here in Boulder where we have broken records the past two days for the coldest days on record. We had 4 inches of snow. The high the last 2 days was below 30F and the normal is 69F, and it smashed the previous records for these days by 10F. The low was about 18F and also a record low, well below the previous record low….

The fact is that we can’t account for the lack of warming at the moment, and it is a travesty that we can’t. The CERES data published in the August BAMS 09 supplement on 2008 shows there should be even more warming: but the data are surely wrong. Our observing system is inadequate.»

Baco disse...

Queria agradecer quer ao Prof. Domingos (de cujas ideias me sinto mais próximo), quer ao Prof. Araújo, a abundante quantidade de informação estruturada que providenciam.

Sob outra identidade, Xyzt, tinha deixado um comentário ao artigo do Prof Araújo no Expresso, dizendo que havia de comentar. Não vou fazê-lo, para não perdermos o nosso tempo. A propósito, espero que não se aborreçam por usar um identificador em vez de um nome. Isso não se deve a um desejo de impunidade, mas a uma vontade de discrição.

As discussões respeitosas aumentam os nossos conhecimentos. Por isso me indisponho quando vejo nos media uma atitude sinóptica, que mal passa de propaganda. Isso conduz-me imediatamente a procurar compreender os argumentos da parte que é silenciada sistematicamente.

Por isso fico muito satisfeito por ter havido um climategate (embora a generalidade dos portugueses nem ouça falar dele!), e por haver blogs cujos conteúdos se opõem à perspectiva dita maioritária.

Obrigado a ambos.

José M. Sousa disse...

Ao que isto chegou. Como se vê o furto do e-mails não foi um acto casual:

IPCC witch-hunt: Attempt to blacklist climate scientists must be rejected

O Wall Street Journal chama "estalistas" a cientistas:
«charges that they are guilty of “utopianism,” “anti-humanism,” “intolerance,” and “indifference to evidence»

Em contrapartida:

Declaração de Comité da Câmara dos Representantes dos EUA sobre o caso dos e-mails.

Miguel B. Araujo disse...

Em seguida publicarei mais comentário do Prof. Delgado Domingos. Pela parte que me toca este comentário do Professor fecha um ciclo de debate sobre a questão das interpretações sobre o que cada um disse e quis dizer. fico muito agradecido ao Prof. Delgado Domingos pela disponibilidade para conversar no blogue e esclarecer os mal entendidos. Foi uma honra poder estabelecer este diálogo directo com o autor de algumas obras que tanto influenciaram o meu pensamento quando era mais jovem. Refiro-me, nomeadamente, à obra "Inteligência e Subserviência Nacional" que sendo um texto datado ainda hoje tem muito elementos de actualidade. Abaixo segue então a sua resposta dividida em várias partes...

Miguel B. Araujo disse...

Delgado Domingos (11.12.2009)

Debate com o Prof.Miguel Araújo

Caro Prof.Miguel Araújo

Agradeço os comentários que fez (em 10.12.2009) ao que escrevi e dos quais só tomei conhecimento depois de responder genericamente a outros bloguistas. Era louvável que o tom utilizado no blog seguisse o seu exemplo.
Seria indesculpável se eu tivesse afirmado que o Prof.Miguel Araújo, só agora despertou para o debate climático. Não. Não foi para o debate climático mas sim para o “climategate e os seus antecedentes”. E os antecedentes são fundamentais, porque o cerne da questão nem sequer teve a ver com Ciências do Clima mas sim e apenas com Estatística, qualidade e representatividade dos dados e fiabilidade das conclusões. A Estatística é uma área reconhecida do conhecimento científico, com métodos bem testados e consagrados e nos quais se baseiam decisões de milhões de milhões de euros em operações de bolsa e em tudo que se refere a investimentos na exploração de jazidas de recursos naturais, seja de petróleo, de urânio etc. É por isso que os antecedentes que motivaram o “U.S. HOUSE COMMITTEE ON ENERGY & COMMERCE” a solicitar a criação do painel presidido por Wegmam ( um prestigiado professor de estatística) são tão importantes. Sobre isto, remeto para o que já escrevi no comentário genérico aos outros bloguistas. No entanto, chamo a atenção para mais um importantíssimo contributo de Steve McIntyre (http://climateaudit.org/2009/12/10/ipcc-and-the-trick/ ) pois coloca no adequado contexto a parte mais significativa dos emails do climategate . A serenidade, objectividade e contenção, deste revisor convidado do IPCC para o capítulo central da polémica, levam-me a recomendar vivamente a sua leitura a todos que desejam ter uma opinião própria e fundamentada do climategate e das suas implicações. Permito-me por isso sugerir ao Prof.Miguel Araújo que o analise atentamente antes de voltar a insistir nas críticas que já me fez sobre este assunto.

Miguel B. Araujo disse...

Tendo-se tornado indesmentível que eu reconheço a existência de um aquecimento global que nos últimos 150 anos não excedeu 0.8 ºC ( e que nas décadas de 30~40 teve taxas de crescimento médio anual superiores às das seguintes décadas) a que se seguiu um arrefecimento, não percebo porque motivo é contestada a minha afirmação, baseada em dados supostamente fiáveis, de que não há aquecimento assinalável desde 1998. Não fiz inferências para o futuro mas sublinhei que as emissões de CO2eq não pararam de crescer apesar de os modelos do IPCC preverem todos um aquecimento com aquela origem, que não se verificou. No estado actual do conhecimento, todas as previsões se baseiam em modelos e estes merecem-me as reservas fundamentadas que anteriormente explicitei. As afirmações que me atribui “ usa o argumento da estabilidade dos últimos 10 anos como demonstração que o CO2 não estará na origem do aquecimento” e que “a ausência de aquecimento num dado horizonte temporal de 10 anos invalida a tese do aquecimento global” não só não as fiz como não fariam sentido face ao que sempre escrevi. A única conclusão que se pode legitimamente extrair do que escrevi é que os resultados dos modelos falham rotundamente a previsão. Nada mais. O que se verifica, fazendo justiça à útil e interrogativa afirmação que fez, é a recusa em aceitar a ausência de uma causa que não seja predominantemente devida ao CO2eq. A interpretação feita pelo Hadley Centre (entre outros), foi a de que o não aquecimento global recente se deveu à predominância duma variabilidade climática natural de arrefecimento sobre o aquecimento devido ao CO2eq. Esta interpretação, implica o reconhecimento de que a variabilidade natural é, pelo menos, tão grande como o aquecimento que os modelos actuais atribuem às emissões de CO2eq. O El Niño e La Niña,p.ex. têm sido repetidamente utilizados para este tipo de justificação. Neste contexto, o que tenho repetidamente dito, é que a variabilidade natural é demasiado importante para que se subalternize o combate aos seus efeitos. Se para os combater, bem como para a concretização da imprescindível mutação energética, fossem canalizados os fundos que se discutem em Copenhaga desapareciam as miragens tecnológicas da CCS (captura e sequestro do CO2) e a energia nuclear como salvação, de entre muitos efeitos que considero perversos. Como os políticos que temos se guiam cada vez mais pelas sondagens de opinião, e essa opinião é sobretudo criada pelos grandes órgão de comunicação social. Como esta, tanto de forma directa como subliminar, associa praticamente todas as catástrofes climáticas ao aquecimento global provocado pelas emissões de CO2eq, é evidente que um artigo dirigido ao mesmo público teria de utilizar idênticas imagens e exemplos para assinalar o embuste dos que invocaram como causa o aquecimento global provocado pelo CO2eq.

Miguel B. Araujo disse...

Para os especialistas do que diz o IPCC, para os professores, investigadores e universitários em geral, já tinha escrito, há mais de um ano, um texto com a linguagem mais apropriada para esse tipo de audiências. Esse texto foi pré-publicado no blog da De Rerum Natura e aberto aí à discussão, disponibilizado na minha página da internet e publicado como capítulo do livro “A Energia da Razão” na sequência de um encontro realizado pela Universidade Técnica de Lisboa. A edição, feita pela Gradiva, foi coordenada pelo Prof.Ramôa Ribeiro, antigo Presidente da FCT e actual Reitor da UTL. Nesse livro são também autores, entre outros, o Prof.Filipe Duarte Santos e o Prof. Viriato Soromenho Marques (consagrados especialistas das Alterações Climáticas para a nossa comunicação social e Organismos Públicos afins). Apesar das múltiplas oportunidades e das próprias solicitações directas, continuo a desconhecer criticas fundamentadas que eles ou outros possam ter feito ao que escrevi. É por isso que o Prof. Miguel Araújo, efectivo e reconhecido participante nos Relatórios do IPCC (os acima citados nem sequer são mencionados, seja a que título for) merece um louvável e honroso destaque entre os cientistas portugueses, o que não tem nada que ver com a nossa eventual divergência de opiniões. Caro Prof. Miguel Araújo, sejamos muito claros: os exemplos que dei no Expresso e poderia repetir às dezenas, referem-se a exemplos dados pela comunicação social, nomeadamente o Expresso, o Público, a National Geographic etc e toda a TV. Afirmar que o IPCC os não usou, vem apenas dar-me razão.
Também penso que o debate desta questão está encerrado entre nós. Aguardo com o maior interesse o seu prometido post sobre questões científicas de fundo. Não deixarei de corresponder no que puder e souber.

Lisboa 12.12.2009

José M. Sousa disse...

Então e isto deepest solar minimum in nearly a century

e ainda assim temos isto

Quanto às previsões



http://www.metoffice.gov.uk/corporate/pressoffice/2007/pr20070104.html

«Over the previous seven years, the Met Office forecast of annual global temperature has proved remarkably accurate, with a mean forecast error size of just 0.06 °C»

Jorge Oliveira disse...

O material revelado no âmbito do Climategate é bastante elucidativo acerca da forma como os principais cientistas do global warming não hesitaram em manipular os dados, sobretudo “retocar” as temperaturas de que dispunham, para que os resultados vindos a público confirmassem a sua teoria alarmista. A qual, não esqueçamos, justifica os seus lugares e remunerações. Se há verdade inconveniente, é esta!

Nas mensagens trocadas entre eles, tanto a letra como o espírito dos textos não deixam dúvidas acerca da existência de uma intenção deliberada em manipular os dados.

Depois do Climategate quem é que, no seu perfeito juízo, ainda acredita numa construção teórica que se pode classificar, sem hesitações, como a grande farsa do global warming ?

Por isso, eu gabo a paciência do Prof. Delgado Domingos quando perde o seu tempo a dar troco aos adeptos de uma teoria que o escândalo do Climategate veio revelar que está morta e enterrada. Para mais quando a forma cordata como se lhes dirige não encontra correspondência na falta de respeito com que alguns dos comentadores o tratam. Ainda que alguns dos comentários, aparentemente mais educados, venham mascaradas pela retórica elaborada de uns quantos que dispõem de inteligência emocional a mais para serem gente séria.

Anónimo disse...

Antes de mais dois obrigados:

1. ao Prof. DD por participar neste debate,
2. à AMBIO e particularmente ao MBA por nos hospedar a todos.

O comentário que tenho é uma pequena correcção ao que o Prof. DD escreveu: «o único meio de obter soluções relevantes para aquelas equações é por métodos numéricos e utilizando computadores». Se nos estamos a referir às equações de NS (como suponho ser o caso) na sua forma geral não têm solução nem numérica nem analítica! E seguramente que quem descobrir a solução analítica deste sistema de equações diferenciais, tem garantida uma medalha Fields, o que - na minha modesta opinião - é uma honra muito maior do que um Nobel...
Refiro a forma mais geral, porque me parece extremamente complicado, para não dizer simplemente errado, analisar sob o ponto de vista da mecânica dos fluidos, o comportamento da atmosfera do planeta de outra maneira. Esta observação sobre as equações de NS é igualmente aplicável às equações de calor, que inevitavelemente terão de intervir no domínio da convecção.

Por último, e no que concerne às condições iniciais ou dados, como já alguém referiu num comentário que li aqui, as temperaturas têm erros de varios tipos, que o teorema do limite central ou artifícios estatísticos, não corrigem.

A. Mendes

José M. Sousa disse...

Sobre as Equações de Navier-Stokes e a sua importância para os modelos climáticos:

The chaotic nature of atmospheric solutions of the Navier-Stokes equations for fluid flow has great impact on weather forecasting (which we discuss first), but the evidence suggests that it has much less importance for climate prediction.

Anónimo disse...

Vale a pena ler este complemento ao debate: http://ambio.blogspot.com/2009/12/sobre-impossibilidade-de-validar-models.html