segunda-feira, fevereiro 15, 2010

rolhas e tampas de rosca



Por um erro de endereçamento só um dia destes recebi a resposta de Miguel Champalimaud à minha carta sobre as rolhas. Aqui fica (e dentro de algum tempo publico também a carta de resposta de António Posser de Andrade).

"Recebida sua comunicação de 01 JAN 2010 sobre o assunto.
Das reacções e comentários recebidos até hoje, devo dizer-lhe, foi a única estruturada e com alguma consistência, pelo que se outra razão não houvesse, essa seria suficiente para que eu lhe escrevesse.
Começando por aquela permita-me esclarecer, que:
1. apenas considero “gente da retaliação e do boicote” aquela que, na internet ou outro meio, colectivamente promove o boicote ao consumo de vinho engarrafado vedado com tampaderosca/screwtop, como forma de punição e retaliação daqueles que se atreveram a pôr em causa publica e frontalmente o satus quo reinante.
Não parecendo ser esse o seu caso, apesar do óbvio próximo relacionamento com a Quercus, eventualmente não fará parte daquela gente.
1.1 Estando, no entanto, como por si claramente afirmado, na categoria “dos que boicotam tampasderosca/screwtops”, espero que boicote também todas as bebidas engarrafadas com tampasderosca/screwtops, como as águas, as cervejas Sagres e Superbock, Whiskies, Gins, Vodkas, Refrigerantes incluindo a Coca-cola e diversos sumos ditos de fruta, engarrafados em garrafas de vidro ou de plástico e não vedados com rolhas de cortiça ou sequer com qualquer produto à base da cortiça ou natural, bem como todas as bebidas e conservas contidas/embaladas em latas, vide redbull, atum etc, etc, porque a tal o obriga a coerência e a lógica subjacente ao seu afirmado boicote às tampasderosca.
2. Nenhum preconceito tenho contra qualquer grupo de potenciais clientes, porquanto apenas me move o propósito de fazer chegar a todos, vinho da mais elevada qualidade, ao mais baixo preço possível.
2.1 Sendo que, se para atingir aquele objectivo for necessário suprimir/substituir uma matéria subsidiária, pouco fiável e cara, não se hesite, faça-se!;
2.2 eu fiz, substituí a rolha de cortiça por uma tampaderosca/screwtop, às claras, publica e frontalmente;
2.3 não o fiz, escondendo-me atrás de vedantes de 2ª ordem feitos integralmente de subprodutos de cortiça, aglomerados de cortiça aglutinados com cola, rolhas ditas técnicas parcialmente feitas de cortiça e aglomerado de cortiça aglutinado com cola, ou ainda pior, vedantes imitando uma rolha como as rolhas de silicone, vide o vinho alentejano Quinta do Carmo, branco;
2.4 e fi-lo, após um longo período de investigação e reflexão, e de 40 anos a usar rolhas de cortiça, sendo hoje minha convicção que as actuais tampasde rosca/screwtops, são tecnicamente o melhor vedante de garrafa, para vinhos de guarda ou vinhos para beber desde logo.
3. O facto de, como refere, existir um elevado número de clientes que não pode comprar os meus vinhos com mais frequência, por neles não abundar o dinheiro, foi uma das razões que me fez mudar das rolhas de cortiça para as tampaderosca/screwtops.
3.1 Não querendo nem achando que deva esperar, que aquele detalhe da vida dos meus clientes – a falta de dinheiro - se altere, substituí a rolha de cortiça pela tampaderosca/screwtop, o que me permitiu baixar o custo total das matérias subsidiárias de cada garrafa de Quinta do Côtto e Teixeiró, em cerca de 40%;
3.2 o que propiciou a muitos dos meus clientes, menos endinheirados, beber com mais frequência os meus vinhos por estes serem agora bem mais baratos.
4. Da minha resposta não resulta que tenha dito que o Henrique ou outrem, é ignorante, mas sim que existem “pessoas com falta de informação”.
4.1 Também não disse que o Henrique ou outrem, ande a mando de terceiros, mas sim que existe um grupo de pessoas, e algumas delas pertencentes a diversas associações ambientalistas ou de produtores de cortiça e de rolhas, como a APPCOR, que a mando e no interesse de terceiros, que não se assumem publicamente, agem tendo em vista, punir e retaliar economicamente, contra aqueles que se atreveram a pôr em causa o status quo politico e económico reinante;
4.2 e para se constatar que assim é, e não um processo de intenções por mim inventado, basta aceder ao site http.www.ecologicalcork.com/files/artigo_
084.html, que o Henrique seguramente conhece como frequentador da internet que é, e interessado nestes assuntos;
4.3 ao afirmar na sua comunicação “…e a sua empresa prefere optar por uma solução fácil e barata, ainda que com implicações globais negativas, a optar por soluções globais que têm impactos globais positivos” optou por ser conclusivo sem fundamentar, o que sendo um estilo muito em voga na política e nos media, presente em toda a sua comunicação, não me parece próprio de quem quer discutir, argumentar, ver onde está a modernidade e os ventos da História, mas antes de alguém engajado.
Passando ao cerne da questão por si levantada e que, se bem entendi, fundamenta a sua atitude pessoal de boicote às tampasderosca/screwtops a saber:
o abandono e substituição do uso de materiais com forte impacto positivo na sustentabilidade (a rolha de cortiça) por soluções que se encaixam num modelo económico assente no esgotamento de recursos não renováveis (a tampaderosca/screwtops).
5. Esmiuçando:
5.1 o actual uso da rolha de cortiça, incluindo a inerente e sempre presente cápsula de, estanho, complexo(1) ou PVC, é científica, tecnológica e economicamente orientada para a sustentabilidade;
(1) Complexo – cápsulas fabricadas a partir de alumínio complexo que consiste no laminado constituído por uma película de polietileno entre duas de alumínio. Ver http:www.acrelvas.pt/pt/índex.html
5.2 o alternativo uso de tampasderosca/screwtops é científica e tecnologicamente orientada para o esgotamento de recursos não renováveis;
5.3 a base dos vedantes de cortiça é um produto renovável com baixa incorporação energética;
5.4 a base dos vedantes tampaderosca/screwtop são materiais não renováveis com fortes incorporações energéticas;
5.5 as paisagens rurais produzidas a partir da produção de cortiça são lindas e têm um balanço positivo na biodiversidade;
5.6 as paisagens produzidas a partir da extracção de petróleo e ou alumínio são inóspitas e têm balanço negativo na biodiversidade.
6. Permita-me que contra argumente, ponto por ponto:
6.1 o actual uso da rolha de cortiça, incluindo a inerente e sempre presente cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC, não é, ao contrário do que diz, especialmente orientado para a sustentabilidade porquanto:
6.1.1 o aumento do consumo de garrafas de vinho e outras bebidas engarrafadas, aumenta há cerca de 120 anos, de acordo com uma progressão geométrica, o que a prazo tornará a cortiça tão valiosa como o ouro por falta de oferta/raridade;
6.1.2 aquele facto associado à situação de Portugal dominar 80% da produção mundial de rolhas de cortiça, e de, daqueles 80% de rolhas portuguesas, cerca de 70% delas serem produzidas/comercializadas por uma só empresa, ou empresas de um grupo;
6.1.3 descambou/descambará, num descarado monopólio de facto e abuso de posição dominante, que todos conhecem e falam à boca pequena, mas ninguém combate;
6.1.4 até hoje a rolha de cortiça, apesar do seu elevado valor acrescentado inicial não se mostrou, nem utilmente reciclável nem reutilizável sob nenhum ponto de vista;
6.1.5 até hoje a produção de cortiça em bruto, seja no Alentejo seja no resto do país, só produziu regiões e ambientes humanos sociais deprimidos e gente dependente do permanente apoio estatal, vide todo o Portugal rural;
6.1.6 até hoje, a indústria de produção de rolhas de cortiça, só produziu regiões e ambientes humanos sociais deprimidos e gente dependente do permanente apoio estatal, vide os recentes despedimentos efectuados pela indústria e baixíssimo rendimento per capita dos operários envolvidos na indústria de produção de rolhas de cortiça em Portugal;
6.1.7 como todos sabem, mas fazem por esquecer ou omitir, à produção de uma rolha de cortiça está sempre associado, e hoje mais do que ontem, um elevado consumo energético com a cozedura e a lavagem da cortiça em bruto e das rolhas acabadas, com água e diversos produtos químicos, visando obter-se um produto isento de TCA e outras maleitas o que até hoje, diga-se, não foi conseguido.
Visite-se uma moderna fábrica de cortiça com olhos de ver;
6.1.8 acresce que a cada rolha de cortiça está associada, a sempre presente cápsula, de estanho, complexo(1) ou PVC, o que todos os que criticam as tampasderosca/screwtops de uma forma pouco séria, omitem propositadamente, assim tentando tapar o sol com a peneira.
6.2 Do uso de tampaderosca/screwtop, resulta o uso de uma cápsula de alumínio, reciclável como todos os metais, acrescendo que uma garrafa assim vedada, pode ser reutilizável quase indefinidamente, como útil vasilha;
6.2.1 temos assim, que onde tínhamos duas matérias subsidiárias, rolha de cortiça e cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC, em que ambas não são reutilizáveis, passamos com a tampaderosca/screwtop a ter apenas uma matéria subsidiária reutilizável, como útil vedante de uma vasilha, incluindo a garrafa de vidro que continha a bebida inicial, que por força do vedante utilizado é também reutilizada mais frequentemente.
6.3 O por si afirmado não corresponde à realidade - o actual processo de produção de rolhas de cortiça implica a utilização de elevados recursos energéticos e a elevada produção de águas residuais industriais lixiviadas com altas percentagens de cloro e diversos produtos químicos altamente poluentes – convido-o, a si ou qualquer ambientalista, técnico ou industrial produtor de rolhas de cortiça, a descrever de forma exaustiva o moderno processo produtivo de uma rolha de cortiça.
A ver se alguém se atreve!
6.4 a base do vedante tampaderosca/screwtop é em tudo semelhante à da cápsula de estanho, complexo(1) ou PVC que acompanha todas as garrafas vedadas com rolhas de cortiça, com a vantagem de a tampaderosca/screwtop ser reutilizável e levar à reutilização da respectiva garrafa;
6.5 as paisagens rurais de montado de sobro, até hoje só produziram gente pobre e com um dos mais baixos rendimentos europeus per capita e vão continuar lindas se dos montados de sobro se deixar de extrair cortiça, ou seja, as paisagens lindas e a biodiversidade não vão desaparecer por se passar a utilizar tampaderosca/screwtop, aliás, como sabe, os montados de sobro originalmente não tinham como objectivo produzir cortiça ou rolhas de cortiça;
6.6 Algumas das paisagens produzidas a partir da extracção de alumínio e petróleo, serão como diz, inóspitas e com balanço negativo na biodiversidade, mas são também, há muito, as grandes responsáveis pelo actual elevado bem-estar global da humanidade que é o objectivo último de qualquer processo produtivo ou civilizacional.
Como vê, não quis nem quero varrer de uma penada para fora da discussão os aspectos da sustentabilidade e biodiversidade que considero matéria da maior importância e que estou preparado para discutir seriamente seja com quem for, desde que não se me imponha o acantonamento politico e económico, com base em sermões e lamechices ambientais ditas politicamente correctas, que fazem de uns os bons e dos outros os maus.
Pode ser que esteja enganado, ou a interpretar mal o que escreveu, mas esclareço-o, caso não saiba, que ao contrário do que diz, não existe uma “forte posição dominante de algumas empresas…” no sector da produção de rolhas de cortiça, mas apenas a forte posição dominante de uma empresa que, impune e descaradamente fixa, há longos anos e à margem da lei, os preços a jusante e a montante em toda a fileira da cortiça.
Termino, recomendando-lhe que quando esteja na presença de uma garrafa vedada com tampaderosca/screwtop, para a abrir, rode toda a cápsula da esquerda para a direita e não tente rodar apenas a parte superior da cápsula.
O uso da técnica correcta, mas óbvia, facilmente evitará qualquer dificuldade ou acidente de percurso, o que não será o caso do saca-rolhas, porque aí estará em causa simultaneamente o dito cujo que pode magoá-lo e a rolha de cortiça que pode partir-se ou mergulhar na garrafa, estragando o seu vinho.
Cumprimentos e um bom ano para si
15.JAN.2010
P.S. a) - não sendo um bloguista, por falta de tempo, agradeço que coloque esta carta no vosso blogue, desde que completa.
b) – deverá passar a ter presente que a grande maioria das cápsulas que usualmente são utilizadas pela indústria vinícola, porque de menor custo, são de complexo de alumínio ou pvc, isto é, têm como matéria prima base, o alumínio e o petróleo.
(1) Complexo – cápsulas fabricadas a partir de alumínio complexo que consiste no laminado constituído por uma película de polietileno entre duas de alumínio. Ver http:www.acrelvas.pt/pt/índex.html"

7 comentários:

Nuno disse...

"aquela gente da Quercus"

Alguém está a precisar de um departamento de Marketing e de Relações Públicas.

zé moiral disse...

Já fiz a minha escolha: cortiça!

Obrigado pelos "esclarecimentos".

João Carlos Claro disse...

Cada vez mais fico sensibilizado pela preocupação social de Miguel Champalimaud em proporcionar os seus vinhos aos pobres, incluindo aqueles que vivem no interior dos montados de sobro…
Fica uma vez mais o alerta para a petição http://www.peticao.ecologicalcork.com/, pois os consumidores um pouco mais abastados que os clientes de MC têm o direito de saber se debaixo da cápsula opaca está um genuína rolha de cortiça ou um qualquer vedante sintético.

Esta questão é transversal a outros bens alimentares. Há uma semana, alertei o Ministro da Agricultura para esse facto, depois de ele ter anunciado mais um projecto de olival intensivo na zona de Elvas, que o meu interesse (e provavelmente o de muitos outros) é poder escolher um azeite com indicação no rótulo da sua proveniência de olival tradicional em Rede Natura – e estando disposto a pagar mais alguns euros - em detrimento de outros quaisquer produzidos a partir de olivais super-intensivos.

Henk Feith disse...

Devo reconhecer que o discurso do MC se paute por argumentos racionais e passíveis de uma discussão técnica válida e construtiva, ao contrário de muitos dos comentários que temos visto aqui e em outros lugares.

Devo reconhecer que a posição do MC é lógica e expectável para uma pessoa que defende "a sua dama", ao contrário de muitos que ataquem um "desertor" de um produto em defesa se um sistema que teima em defender-se a si próprio.

Devo reconhecer que a resposta do MC me fez mudar a minha visão sobre a questão das rolhas e a sua ligação com a biodiversidade e sustentabilidade. O MC levantou um pouco o veu do que seria um LCA da produção de rolhas, cujo resultado poderia ter algumas surpresas negativas.

Devo reconhecer que a rolha não é sinónima de biodiversidade e bem-estar social. A defesa do montado deve-se basear na procura de um novo futuro, numa nova sustentabilidade económica que não depende de um produto como a rolha. Somente no dia em que o a biodiversidade do montado é valorizada pelo o que é, através de atividades económicas que se baseiam nesta mesma biodiversidade, o seu futuro estará garantido. Enquanto andamos "distraídos" a discutir rolhas, o futuro do montado fica à espera de novos destinos e um futuro melhor.

Henk Feith

Sérgio disse...

Na sua exposição, o Sr Miguel Champalimaud lançou um convite a « qualquer ambientalista, técnico ou industrial produtor de rolhas de cortiça, a descrever de forma exaustiva o moderno processo produtivo de uma rolha de cortiça ». Ao que parece, bem é preciso, para esclarecimento de todos os interessados e, em particular, do Sr Champalimaud, pois que a descrição de processo por si efectuada denota graves imprecisões e, pasme-se, um desfasamento temporal de, pelo menos, 12 anos.
Assim, urge esclarecer o Sr. Champalimaud que o cloro foi literalmente banido da indústria rolheira desde 1998 (sendo inclusive proibida a sua utilização em código auto-regulador do Sector, a saber: o Código Internacional das Práticas Rolheiras). Como tal, alegar que os lixiviados da indústria rolheira comportam « altas percentagens de cloro » é só por si hilariante, mas simultaneamente preocupante, pelo impacte que uma tal informação pode produzir junto da opinião pública, quando não prontamente rebatida de forma categórica e sustentada.

salvador vanzeller disse...

Já abro garrafas e bebo vinho hà mais de 40 anos e tenho ainda na minha colecção Grande Escolha com muitos anos bem preservado em caixa de madeira e embalado em papel fino. Todos os anos bebo uma no dia de meu aniversário e ainda tenho 35 em stock. Gostaria mesmo de brindar a minha partida para o Céu com esta preciosidade.
Quanto à polémica sobre a rolha de cortiça prefiro não versar sobre os pormenores porque daria um livro.
Todavia não estou de acordo com o boicote porque a opção será sempre do consumidor que hoje está mais esclarecido que nunca. Assim como não estou de acordo com o argumento que a utilização de rolha de cortiça ajuda a preservar o meio ambiente...biodiversidade...
sustentabilidade e outras coisas que agora estão na moda e que quase ninguém respeita. É bonito o discurso.
Gostaria de lembrar o Sr.MC que os seus vinhos estão em muitas prateleiras de prestigio porque têm rolha de cortiça. Falar das vantagens nem interessa porque são demais evidentes.
Não deveria desafiar os corticeiros a fazer demonstrações de nada porque só revela uma grande falta de conhecimento.
E se alguém o desafiar e revelar os os produtos quimicos que utiliza desde a vinha, fermentação,estágio,engarrafamento?
E porque o vinho é um produto alimentar porque não informa o tempo de duração dos vinhos desta nova geração? E o que é feito para
os preservar?
Sugiro por exemplo que se informe bem àcerca do que tem sido feito a nível tecnológico e ciêntifico. Leia Prof.Luis Gil e esteja bem atento ao que se está passando a nível mundial. Acusações de parte a parte só revelam falta de capacidade para discutir sériamente um problema em que ambas as partes têm algumas razões.
È bom estar atento ao que se está a passar noutras partes do mundo e verificar o que passa neste momento na Austrália com uma perda de mercado irrecuperável, com adegas a fechar, arranque massivo e desesparado de vinhas para voltar ao principio.
E se um dia quiser rolhas de cortiça e ninguém as fornecer porque falou tão mal do produto e da indústria?
Penso que sem rolhas de cortiça nunca teria chegado onde chegou.
Eu não mudo.Sou pela tradição e razão.

Grande Escolha só com rolha de cortiça até ao dia final.

APA disse...

Deixo tão-somente algumas perguntas e a minha opinião sobre a sua resposta.

P1: Foi alguma vez ou de alguma maneira provado que uma rosca de alumínio é melhor vedante para um vinho engarrafado do que uma rolha de cortiça?

R: Acho que não pois se assim fosse mais de 90% dos produtores mundiais de vinho engarrafados não vedariam com rolha de cortiça.


P2: Como é que é possível manter 700.000 hectares de montado de sobro (só em Portugal) se ele não for auto-sustentável?

R: É impossível a não ser que o Estado Português ou a CEE estejam disponíveis para subsidiar anualmente os proprietários dessas explorações em pelo menos de € 300 milhões.

P3: Alguém sabe que o impacte ambiental da extracção de bauxita para produzir os 680 milhões de toneladas de alumínio é o equivalente a "raspar" a Península Ibérica TODA em 3 metros de profundidade?

R: Eu não sabia mas fui fazer contas.

P4: Alguém sabia que as rolhas técnicas de cortiça são 20% mais baratas que uma rosca de alumínio iguais às que o MC usa para vedar os seus vinhos?

R: Eu não sabia e quem me o disse foi o Miguel Champalimaud ao tentar explicar que vedar com rolha de cortiça pode ser até 7 vezes mais caro que com rosca de alumínio (???).

P5: Alguém sabia que a diferença entre usar uma rolha de cortiça natural de óptima qualidade e uma rosca de alumínio cifra-se em cerca de 1% no preço de venda ao consumidor?

R: Se calhar é por isso que as pessoas se revoltam e optam por não comprar os vinhos do MC


Sendo assim não será toda esta questão simplesmente uma falsa questão?