terça-feira, outubro 12, 2010

Terra alerta III


Mais um programa Terra Alerta (eu apareço por lá fugazmente, no contexto discussão sobre a proposta delirante da LPN em classificar o Sudoeste Alentejano como parque nacional, com argumentos absurdos como sejam os que dizem respeito à maior visibilidade que o estatuto traria à área protegida, argumentos cuja seriedade política e de gestão está ao nível do "vote Tiririca, pior que está não fica").
Não sei que audiências tem o programa, que tem uma estrutura engraçada, tanto quanto percebo, com uma reportagem sobre um problema de actualidade, outra sobre intervenções directas em temas que muitas vezes ligam economia e biodiversidade ou ciência e biodiversidade, e uma terceira sobre uma personalidade ambiental.
Gostaria de saber das audiências porque isso nos ajudaria a perceber se o problema da escassez de informação televisiva em matérias ambientais (e especificamente de biodiversidade) está nos decisores de conteúdos das televisões ou se no público que não quer saber destes assuntos.
henrique pereira dos santos

9 comentários:

Anónimo disse...

A LPN vai de mal a pior. Quanto mais dinheiro entra, mais imbecis ficam.

Anónimo disse...

O comentário do anónimo anterior configura, pela sua falta de argumentação, uma difamação e uma injúria.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro segundo anónimo,
Se me perguntar se subscrevo o comentário do primeiro anónimo dir-lhe-ei que não.
Mas francamente não vejo onde esteja a injúria e a difamação.
No facto de se entender que a LPN vai de mal a pior? É uma opinião legítima (certa ou errada penso que é irrelevante).
No facto de se deixar entender que agora entra mais dinheiro na LPN que há tempos atrás? Dependendo do intervalo de tempo considerado, é um facto inquestionável e ainda que não fosse não é nenhuma injúria (pode ser uma falsidade).
No facto de se dizer que as pessoas da LPN estão cada vez mais imbecis? Sim, é um insulto, mas convenhamos que no contexto não tem a menor relevância.
Seria preferível que o primeiro comentário não existisse? De acordo.
Mas mais que se amofinar com comentários destes, quem pretende um movimento ambientalista forte, como é o meu caso e presumo que o do segundo anónimo (e pode também ser o caso do primeiro) tem é que pugnar pela excelência da sua actuação.
Ora no caso em concreto a proposta é uma tonteria e fundamentada em argumentos sem a menor consistênciam que a LPN sabe perfeitamente não corresponderem à definição internacional do estatuto que propõe.
Mas forçando ao limite está de acordo com a definição da legislação portuguesa?
Sim, sem dúvida, mas o que a LPN devia era protestar com a definição abusiva de parque nacional que está na legislação que desvaloriza essa figura de protecção, diluindo-a na definição indistinta de parque nacional e parque natrural.
henrique pereira dos santos

Gonçalo Rosa disse...

Concordo com os motivos do Henrique e tenho pena que o espaço mediático oferecido à temática ambiental seja queimado na apresentação de propostas que nada me parecem trazer em prol de um melhor Ambiente.

Tenho dificuldade em entender o discurso do primeiro anónimo (nomeadamente no que diz respeito aos "imbecis"). No actual contexto em que vivemos, nunca consegui compreender a necessidade de recorrer ao anonimato e acho particularmente inaceitável que se recorra aquele estatuto para insultar quem quer que seja. Tudo isto é possível discutir numa base minimamente racional, objectiva e civilizada.

Gonçalo Rosa

aeloy disse...

Têm razão.Desde logo na menção do menor discernimento na catalogação de imbecis aos membros da LPN. Imbecil é a proposta, que foi certamente apresentada com objectivos de propaganda e sem qualquer lógica ou valência.
O HPS, talvez porque cortado, no video não apresenta a melhor argumentação contraditória que é apresentada, todavia, por outro dos protagonistas.
O que é importante é o planeamento e o envolvimento, e tal é independente da classificação (embora possa depender dela).
Dar passos no ar, para "TVs" ver é o que parece ser a base desta proposta, que como disse me parece pouco séria.
E julgo que este espaço é mais um que dá sentido à sustentabilidade.
António Eloy
PS
E já o referi diversas vezes deviam ser interditos os comentários anónimos

Anónimo disse...

Os dependentes dos eco-subsídios não têm tempo de raciocinar correctamente pois gastam todas as energias em elaborar eco-projectos que lhes permita viver sem recorrer ao mercado de trabalho.

carla disse...

Caro HPS
Globalmente as audiências do Terra Alerta têm sido boas (em linha com as audiências da SIC Notícias: muito acima da RTPN, TVI24 ou mesmo RTP2, mas claramente abaixo dos canais generalistas). Para responder de forma fundamentada à questão que coloca, já pedi uma análise dos dados disponíveis. Quando a tiver, partilhá-la-ei aqui.
Contudo, penso que as audiências devem ser lidas com alguns cuidados. Não só por causa de eventuais fragilidades do sistema de medição, mas também porque, hoje em dia, as pessoas podem não ver o programa na televisão e vê-lo depois (integral ou parcialmente) na Internet. Esse público que procura o que quer ver online não é contabilizado e até pode ser tão ou mais interessado do que aquele vê o programa na televisão.
A discussão sobre se as pessoas estão ou não interessadas neste tipo de programas, e concretamente no tema “Ambiente”, interessa-me como jornalista que acompanha o tema. Lancei a discussão num tópico na página do Terra Alerta Facebook mas ainda não obtive nenhuma resposta, o que se calhar já é uma resposta... Gosto de acreditar que há cada vez mais pessoas atentas às questões ambientais (mesmo que ainda sejam uma imensa minoria) e que há público para mais informação – quer em forma de notícias e reportagens nos jornais televisivos, quer em forma de programas específicos – sobre esta temática.
Carla Castelo

Sargus disse...

Viva Henrique Pereira dos Santos e restante staff da Ambio, acompanho este espaço, e gostaria de referir, na minha humilde opinião que é excelente no contexto aos diversos temas abordados, os meus parabéns.

Sendo residente no PNSACV (Odemira), e conhecedor do território que ele abarca, concluo que não existe gestão das politicas ambientais e ordenação quase qb, por parte da gestão e capacidade politica de legislar, quando não conhece in loco do que se faz e trata por estas terras, se o PNSACV está nas actuais condições será porque os “locais” o tem mantido assim, as normas jurídicas implementadas também, mas existem e existirão sempre as lacunas e os lobbys. Trata-se de um território de contrastes desde S. Torpes – Sines até ao Burgau – Vila do Bispo, com uma área total de 76.000.

Na minha opinião a ideia utópica da LPN de elevar o estatuto do PNSACV veio em mau tempo e é uma proposta sem nexo, quando por exemplo estamos a lidar com varias condicionantes, seja ela a área humanamente ocupada (e aqui surge sempre o exemplo dos parque do norte da Europa, existirá comparação?), existindo condicionalismos a proprietários de terrenos dentro dos limites geográficos do PNSACV (segundo a polémica proposta do POPNSACV (disponho no meu blog algumas informações sobre essa questão) que deu contestação das autarquias Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo e das populações perante uma imensa norma jurídica de + 800 regras.

Na realidade é como o Henrique afirma, isto não é carne nem peixe.

Quando a LPN “ataca” a agricultura intensiva, até se compreende, pois as lagoas temporárias existentes em tempos foram fortemente reduzidas, houve uma destruição de vegetação, em certos locais até à linha de costa, noutros originou um aumento da erosão e movimentações de areias (uma vez que a sua fixação deixou de ser comportada após a destruição da vegetação), as drenagem dos solos, as prováveis contaminações de lençóis freáticos pela utilização de produtos químicos e contaminação de águas litorais (qualidade da água), por outro lado o receio dos mega projectos que a LPN refere são também uma preocupação se pensarmos neles como PINs tipo Tróia.

A questão dos cidadãos europeus pensarem que existe aqui um parque nacional, com as restrições mais apertadas para os seus residentes é de facto uma má justificação, porque os europeus não permanecem cá um ano, e existem pessoas que passam uma vida…

Como se justifica a sustentabilidade económica de uma região em tempo de crise, com mais limitações? Com turismo? Com restrições aos locais? Com a falta de emprego e indústria nestas zonas o estrangulamento económico esta evidente, se já era difícil mais se tornará, num local onde pela massificação da agricultura intensiva, que teve o seu inicio na era Russel e deixou as terras impregnadas de plásticos, existe uma oferta de trabalho nessas empresas de agricultura intensiva que já se dão ao luxo de “importar mão-de-obra internacional, mais barata e que trabalha mais e não refila”, se isto é desenvolvimento sustentável…

Existe uma profunda escassez informativa de tudo o que se passa por estes lados, só existe noticias quando acontece algo verdadeiramente, visitas do governo, manifestações, contestação, mas porque será, será que os residentes deste PNSACV estarão convertidos a uma tribo de índios como nas Américas, ou como um Zoo onde vemos e visitamos uma espécie que está confinada a um espaço e que pouco ou nada poderá fazer para além das suas necessidades fisiológicas, alimentação e reprodução…

Para finalizar estou um pouco com o Luís Quinta, conhecedor deste espaço que referem o medo do paradigma da preservação = proibição.

Com os melhores cumprimentos

Fernando Encarnação

Sargus disse...

Por esquecimento, não referi um espaço de um cidadão preocupado com as questões ambientais e a massificação dos visitantes nacionais e internacionais a este PNSACV, será a estes que se quer referir a LPN?

http://web.me.com/p.serra/www.soscostavicentina.com/Bem-Vindos.html

É que aos olhos de muita gente são apenas os pescadores que poluem a costa, o que não é constatável nesse espaço.

O Sudoeste Alentejano e a Costa Vicentina (aka PNSACV), vão ter um Polis Litoral, cuja obra se deveria iniciar-se em 2010 e terá um investimento de 40 milhões de euros em três concelhos, ao que parece os projectos já se iniciaram.

Cumprimentos