sábado, março 12, 2011

E sendo assim...

imagem retirada daqui
E como se contabilizam estes riscos na economia da energia.
Não se trata de discutir os estragos em concreto nesta central, que felizmente parecem afastar-se dos piores cenários, trata-se, isso sim, de discutir se o risco associado compensa os ganhos eventuais no preço da energia.
Por mim mantenho a posição que tenho há muito sobre a energia nuclear: não vale a pena discutir quanto custa, nem se o grau de probabilidade de correr tudo mal é ínfimo.
O efeito possível de um evento de probabilidade a tender para o zero é de tal forma gigantesco que não vejo razão para correr esse risco.
henrique pereira dos santos

35 comentários:

Folhetim Cultural disse...

Olá gostaria que visita se meu blog que é dedicado a cultura. Espero que goste nele tenho uma coluna poética aos sábados ás 09 da manhã espero poder contar com sua visita.

Sucesso em seu espaço.

Magno Oliveira
Twitter: @oliveirasmagno ou twitter/oliveirasmagno
Telefone: 55 11 61903992
E-mail oliveira_m_silva@hotmail.com

Gonçalo disse...

Henrique,

Para mim é mesmo este o principal problema da opção nuclear. Um risco de acidente muito baixo, mas com consequências potencialmente catastróficas.

Quanto aos ditos Srs., estarão seguramente em parte incerta por algum tempo... longe dos ecrãs e de Fukushima.

Gonçalo Rosa

Gonçalo Rosa

Manuela Araújo disse...

Henrique Pereira dos Santos

Penso exactamente o mesmo nessa matéria: a probabilidade pode ser pequena, mas o risco é tão grande que nem sequer se devia gastar mais energia a pensar no assunto!

aeloy disse...

Não posso estar mais de acordo.
Mas a percepção do risco tem ainda duas variáveis que se deve considerar e a partir de já.
1- Vai ser necessário que as centrais em construção (muito poucas), as futuras (ainda menos) e as já existentes desenvolvem maior solidez das estruturas, muito maior ainda e que apresentem planos de reforço das estruturas e planos de emergência e evacuação.
2- Vai ser necessário (e essa foi a razão da paragem do programa nuclear nos USA) que as companhias de seguros ( e os reseguros) alarguem os cordões à bolsa,,, e isso é tudo menos provável, nesta altura por razões obvias.
E ... claro como seria bom ouvir essas sumidades... recordo que estava no meu mestrado de economia de energia a ter o seminário sobre energia nuclear...quando foi Chernobyl... que era impossível tinha dito o Jaime Filho na véspera...
E, embora torça pela fé do HPS é tudo menos adquirido que o meltdon, confirmado, não tenha consequências graves.
António Eloy
E chamo a atenção para o comunicado da Quercus/A.Z.U

aeloy disse...

Para deixar aqui o registo, eis a situação:

Au Japon : un accident majeur de gravité comparable à Three Mile Island

L'agence de sûreté nucléaire japonaise a annoncé samedi qu'il y a une forte probabilité pour que la présence de césium radioactif autour du réacteur n°1 de la centrale de Fukushiwa Daiichi provienne de la fusion de crayons de combustible (1), c'est à dire d'une fusion partielle du coeur nucléaire. Les autorités japonaises s'apprêtent à distribuer de l'iode aux populations vivant à proximité des centrales nucléaires en détresse (2).

Une partie des barres de combustible du réacteur n°1 de la centrale Fukushima Daiichi est exposée à l'air libre selon l'agence japonaise de sûreté nucléaire (3). Selon Tepco, l'exploitant de la centrale de Fukushima-Daiichi, un nouveau tremblement de terre a précédé l'explosion du réacteur n°1 (4).
Le versement de l'eau de mer destiné à refroidir le réacteur n°1 a dû être suspendu à cause d'un nouveau tremblement de terre et la peur d'un nouveau tsunami (5). C'est pourtant le seul moyen restant pour empêcher une fusion totale du coeur, puisque l'opérateur n'a plus aucun moyen de contrôle sur le réacteur.
Les deux autres réacteurs arrêtés en urgence de la centrale de Fukushiwa Daiichi sont toujours confrontés à des problèmes de refroidissement du coeur nucléaire. Dans la centrale de Fukushima Daini (située à 11 km de la centrale de Fukushiwa Daiichi), Tepco doit relâcher de la vapeur radioactive pour tenter de diminuer la température de 3 des 4 réacteurs arrêtés en urgence (6).

Spawm disse...

O problema é que o risco já o temos e não temos beneficio nenhum basta ver que temos uma central espanhola já junto à fronteira.
Já transcrevo agora um extracto de um blog e que descreve de forma perfeita o que penso sobre o assunto:

"...Voltando a Almaraz, o que sei é que existe uma central nuclear a pouco mais de 100 ou 200 km da fronteira com Portugal, cujo sistema de refrigeração descarrega no rio Tejo, rio que vem desaguar na capital.

Agora só quero fazer mais um reparo: se Portugal compra energia à nossa vizinha Espanha, nomeadamente energia proveniente de fontes nucleares e se uma das (muitas) centrais nucleares de Espanha está mesmo aqui ao lado, com as águas da refrigeração a desaguar no rio Tejo; pergunto eu o que impediu Portugal de fazer uma central nuclear e parar de comprar energia à Espanha? ..."
in blog Sativemos


Eu só gostava de saber dos 10 países mais desenvolvidos e competitivos do mundo que percentagem é que não tem energia nuclear?

Lowlander disse...

Pois... O Paquistao e a Algeria, esses farois do desenvolvimento e competitividade mundial tambem tem reactores nucleares.

Quanto ao risco, os custos da gestao do risco Espanhol sao essencialmente suportados pelos Espanhois.
Assim como agora os custos de enfiar no caixote do lixo 2 reactores nucleares funcionais porque tiveram de inundar os recatores com agua salgada do mar para impedir uma fusao do nucleo serao suportados pelos japoneses. Bem como os custos de desalojar os 170000 habitantes na area de 20km que circunda o reactor serao suportados pelos japoneses.

Se calhar pensando bem, quem afinal assume a maioria dos riscos de ter centrais nucleares ainda acabam por ser os proprios paises que os constroem. Se calhar, nao sei... entretanto 'bora la transcrever um blog qualquer que a realidade tem uma claro bias anti-fissao nuclear...

aeloy disse...

Em relação ao nuclear em Espanha, em relação a Almaraz a atenção e cuidado das autoridades nacionais, apesar dos 100 Km (mais que a actual àrea de evacuação no Japão) tem sido grande assim como as medições radiológicas no Tejo.
Da parte de outras instituições a campanha pelo fecho tem sido constante.
A nuclear entra na base do sistema energético pode ser facilmente substituida e a sua produção corresponde ao que se poupar com conservação e eficiência energética.
Muitos dos países mais desenvolvidos seja em termos meramente economicos seja em termos de desenvolvimento humano não tem centrais nucleares e estas estão a diminuir em percentagem da produção energética global que posso de memória estimar em menos de 10% do fornecimento energético mundial.
António Eloy
E em Portugal sou um dos responsáveis por não termos nuclear... mas dispenso medalha

Spawm disse...

Digam lá quais são esses muitos países desenvolvidos que não tem nuclear...

G.E. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lowlander disse...

Spawn,
As listas sao publicas e largamente difundidas pela internet fora.
Consulte o site das nacoes Unidas e o da Agencia Nuclear Internacional.
Por outro lado diga-me la voce quem e que vai pagar os custos todos envolvidos agora na evacuacao de uma area de 20 km2; inutilizar 3 reactores nucleares funcionais; monitorizar as fugas reactivas e os seus efeitos na saude das populacoes locais por muitos e bons anos apos este acidente; e os cortes de electricidade no Japao inteiro 3 horas por dia, diz-se que se realizarao ao longo do proximo mes a comecar a partir de amanha para compensar a perca de pote ncia na rede electrica porque os reactores nucleares que foram desligados agora nao poderao ser postos a funcionar assim tao porque um reactor nuclear nao e um motor de combustao interna que se liga e desliga com um simples rodar de chave.
Tenha um pingo de decencia, observe um periodo de nojo. Esteja caladinho no buraquito de onde fugiu pelo menos enquanto esta tragedia nuclear nao estiver terminada.
Ja agora, foram declarados estados de emergencia em mais dua centrais nucleares no Japao: Onagawa e Tokai (desculpas se a soletragem das localidades estiver incorrecta)

G.E. disse...

Relativamente a esta parte
"Não se trata de discutir os estragos em concreto nesta central, que felizmente parecem afastar-se dos piores cenários, trata-se, isso sim, de discutir se o risco associado compensa os ganhos eventuais no preço da energia."

Eu sou da opinião que qualquer discussão séria sobre o preço da energia eléctrica tem de começar por considerar o cenário em que essa energia (venha la ela de onde vier) é paga pelos utilizadores ao seu custo real. Adicionalmente, deveria ser apresentada aos utilizadores informação clara e fidedigna sobre o custo de produção de energia das várias fontes, de modo a que todos possam dispor de elementos sobre os custos e benefícios das várias alternativas.

Enquanto continuarmos a dispor de energia subsidiada pelo Estado e de um enorme défice tarifário, qualquer comparação que diga respeito às vantagens e inconvenientes das várias fontes de energia está inquinada.

Gonçalo Elias

13/3/11

aeloy disse...

Claro e integrar nos custos a "queda" da pá de um aerogerador (acidente que ocorreu 1 vez em dezenas de milhares) ou de um incidente (nem falo de acidentes...) numa central nuclear (ocorrem 3/4 por mês, com paragens e custos de manutenção, porque de acidentes nem vale a pena falar...)
E sobre os paises desenvolvidos que não tem centrais nucleares não haveria espaço, mas se fizer uma busca no google é fácil e barato e ganha dezenas.
António Eloy
E sobre preço há mais u,a trafulhada do prof., senhor professor Mira Amaral no Público. E esqueceu-se de contabilizar os custos do risco...

G.E. disse...

António,

Eu não estou a defender o nuclear. Aliás sobre o nuclear não tenho uma posição definida nem a favor nem contra.

O que eu defendo é uma discussão séria e transparente sobre este tema (coisa que infelizmente tem faltado, pois tanto os adeptos como os opositores do nuclear tendem a apresentar apenas os dados que sustentam a sua posição).

Quando falo em custos obviamente que se deve incorporar todos os custos, incluindo os riscos de acidente, os custos de manutenção e paragem etc.

Mas insisto no ponto anterior: com ou sem nuclear, era bom que todos tivéssemos acesso a dados sobre o custo de produção real da energia das várias fontes, em particular das chamadas "energias verdes"; isto porque enquanto esses dados não estiverem em cima da mesa e enquanto continuarmos todos alegremente a consumir energia eléctrica subsidiada e sujeita a uma tarifa regulada, sem sabermos quanto é que ela realmente nos custa, não há espaço para uma análise séria e transparente.

G.E.

aeloy disse...

G.E.
Pois parecia. Infelizmente é uma área de muita demagogia, e os artigos do sr. Prof. alimentam-na.
Mas a APREN fornece dados ou consulta à ERSE, acompanhada de análise adequada ajudam a ter uma discussão séria, e documentação de seminário na FLAD pode ajudar quem esteja de boa fé.
Claro que se deve discutir os preço, mas com base na realidade e não na ficção ou no que já não é, já não haveria tanta traficância.
SEi que um grupo de estudos irá publicar um trabalho sobre esta questão...
António Eloy
E já agora:
Earth Track is pleased to announce the release of "Nuclear Subsidies: Still Not Viable Without Subsidies." This report, prepared on behalf of the Union of Concerned Scientists, provides a detailed review and quantification of subsidies to nuclear power in the United States. With increasingly large subsidies being proposed to support new reactor and fuel cycle infrastructure, much greater transparency on nuclear economics is needed.

You can access the full report here:
http://earthtrack.net/files/uploaded_files/nuclear%20subsidies_report.pdf

The executive summary can be accessed here:
http://earthtrack.net/files/uploaded_files/nuclear%20subsidies_summary.pdf

It is notable that conspicuously absent from industry press releases and briefing memos touting nuclear power's potential as a solution to global warming is any mention of the industry's long and expensive history of taxpayer subsidies and excessive charges to utility ratepayers. These subsidies not only enabled the nation's existing reactors to be built in the first place, but have also supported their operation for decades.

This analysis catalogs in one place and for the first time the full range of subsidies that benefit the nuclear power sector. The findings are striking: since its inception more than 50 years ago, the nuclear power industry has benefited-and continues to benefit-from a vast array of preferential government subsidies. Indeed, as the report shows, subsidies to the nuclear fuel cycle have often exceeded the value of the power produced. Subsidies to new reactors are on a similar path.

The most important subsidies to the industry do not involve cash payments. Rather, they shift construction-cost and operating risks from investors to taxpayers and ratepayers, removing from investors an array of risks ranging from cost overruns and defaults to accidents and nuclear waste management. This approach, which has remained remarkably consistent throughout the industry's history, distorts market choices that would otherwise favor less risky investments. Although it may not involve direct cash payments, such favored treatment is nevertheless a subsidy, with a profound effect on the bottom line for the industry and taxpayers alike.

Related documents:

EIA Energy Subsidy Estimates: A Review of Assumptions and Omissions
http://earthtrack.net/files/uploaded_files/EIA%20subsidy%20review%20final_17Mar10.pdf

Review of Selected Nuclear Tax Subsidies in the American Power Act
http://earthtrack.net/files/uploaded_files/Nuclear%20Tax%20Subsidies%20in%20APA_June%202010.pdf

Nuclear Loan Guarantees: Another Taxpayer Bailout Ahead? (UCS)
http://www.ucsusa.org/assets/documents/nuclear_power/nuclear-loan-guarantees.pdf

Anónimo disse...

Caro Henrique,
Já há tempos queria ter comentado, aquando do teu primeiro posts sobre energia nuclear. Hoje parece-me ainda mais importante.

Eu tinha nove anos e ainda hoje relembro a expressão facial dos meus pais naquele dia de abril,1986. E relembro também o grafitti na placa toponimica de Milfontes "Nuclear em Milfontes não!", colocado pouco depois. O horror de Chernobyl ficou-me de tal forma marcado na infância que determinou o ângulo pelo qual me aproximo do assunto. E essa memória moldou a minha forma de pensar o ordenamento do território, não só nas questões energéticas, mas sempre que se coloca a questão do tal 'infimo risco'.

Gostei do teu livro. "Venham mais cinco".

Saudades,
Ana Franco Lemos (Link)

Anónimo disse...

Quando disse 'infímo risco' queria dizer infíma probablidade.

Ana

Anónimo disse...

Depois de ler os comentários só falta mesmo aparecer aqui alguém que escreva que o tremor de terra foi uma praga lançada por Deus porque os japoneses se atreveram a usar a energia nuclear... santa ignorância! Pois bem. Mesmo com este acidente preferia mil vezes ser japonês e viver no Japão que português - entre outras coisas não era compatriota do Mira Amaral nem dos Torquemadas da física nuclear...
Cordialmente,
AM

Spawm disse...

Bem como estão com dificuldades em colocar a lista de países desenvolvidos e economicamente pujantes sem recurso a energia nuclear, coloco eu aqui a lista dos top 20 países que tem centrais nucleares para produção eléctrica

Pais / Nº Centrais em funcionamento
1 E.U.A. / 104
2 França / 59
3 Japão / 56
4 Rússia / 31
5 Coreia do Sul/ 20
6 Reino Unido / 19
7 Canadá / 18
8 Alemanha / 17
9 Índia / 17
10 Ucrânia / 15
11 China / 11
12 Suécia / 10
13 Espanha / 8
14 Bélgica / 7
15 Taiwan / 6
16 Rep. Tcheca / 6
17 Suiça / 5
18 Eslováquia / 5
19 Finlândia / 4
20 Hungria / 4

pois é estes devem ser todos totós e devem gostar de desperdiçar dinheiro e correr riscos absurdos!

Gonçalo disse...

Spawn: "pois é estes devem ser todos totós e devem gostar de desperdiçar dinheiro e correr riscos absurdos!"

E os outros que optaram por não recorrer ao nuclear, são o quê? Como é óbvio a questão não deve ser colocada com a demagogia que você coloca. Não se trata de uns serem mais ou menos "tótós". O risco não é absurdo, é baixo. O que é absurda é a dimensão catastrófica de um muito improvável acidente como este.

Ao contrário do que lhe parece essencial, para mim, o que fazem os mais ricos e economicamente pujantes quanto à opção nuclear é relativamente lateral (embora veja que para si parece ser aspecto essencial), precisamente porque independentemente das razões económicas, há razões de segurança de tal dimensão que relego aquele primeiro aspecto para plano secundário.

Gonçalo Rosa

ps - deixe-me que lhe diga, falar de "economicamente pujantes" e referir países com o Reino Unido ou a Espanha é, no mínimo, divertido.

aeloy disse...

Pois claro ninguém colocou a lista porque a lista como indiquei está disponível para quem a quiser consultar.
E há que referir, sem falar da Noruega da Austria, da Austrália, da Nova Zelândia todos no topo dos indices de desenvolvimento económico e humano que quase todos estes paises (nos USA desde há mais de 30 anos!) estão em moratória ou a desmantelar, ou com planos de desmantelamento do parque nuclear e que o único pais da OCDE com central em construção (que já custa mais do quadruplo estimado!) é a Finlândia (dos mesmos prpagandistas que tentam vendê-la a Portugal.
E claro já temos o choradinho que a central era velha, que os trabalhadores não prestam,que a segurança falhou, que era impossível isto acontecer, etc...
Bom I rest my case!
António Eloy

Lowlander disse...

Goncalo:

Perigo: evento com efeitos deleterios sobre a realidade que estamos a analisar.

Risco: Formula de calculo usada para tentar contabilizar de forma racional, quais os recursos apropriados e necessarios para tornar um perigo aceitavel ou sustentavel no longo prazo.

Risco = probabilidade de ococurrencia de um perigo x impacto da realizacao de um perigo

Assim sendo discordo absolutamente desta sua assercao:

"O risco não é absurdo, é baixo. O que é absurda é a dimensão catastrófica de um muito improvável acidente como este."

Errado, o risco e alto, extremamente alto. O que se passa obviamente nestes casos e que o governo japones e outros governos revelam um apetite verdadeiramente notavel por este risco.

A verdadeira questao aqui e: sera este apetite resultado de um conjunto de beneficios no reverso da moeda da energia de fissao nuclear de magnitude superior a este risco ou resultado de simples e abjecta ignorancia na compreensao e calculo da real dimensao do risco associado a esta forma de energia?
E repare que em 50 anos de historia de energia de fissao nuclear comercial nao houve ate hoje uma empresa dita "privada" disposta a aceitar integralmente todos os perigos que esta industria acarreta, e portanto a aceitar todos os riscos. O monstro papao do Estado, o monstro toto, o verdadeiro toto desta historia arrisco qualificar, que ninguem dispensa, e que tem de estar la para dar todas as garantias de que em caso de realizacao dos perigos.

aeloy disse...

Nota:
às centrais contabilizadas devem já deduzir 7 no Japão e 2 na Alemanha.
Qualquer dia não resta nenhuma, a fecharem a esta média.
E ainda não se sabe quem vai pagar os custos de desmantelamento...
A Eloy

Anónimo disse...

O que é que aconteceu na Alemanha?!

Spawm disse...

No Japão pode adicionar mais 1 que está em construção.

Quanto ao facto de os UK e Espanha estarem mal economicamente só digo uma coisa: Pib per capita ranking mundial UK 14º, Espanha 19º e Portugal 30º(este é o ranking mais favoravel a Portugal, Banco Mundial 2009) já me dava por contente por ter a economia pujante do UK. Curiosamente no topo do ranking estão países que ou são grandes produtores de petróleo ou são tão pequenos e vivem dos serviços financeiros que se podem dar ao luxo de comprar energia aos estados vizinhos.

Os países que deram como exemplo Noruega, Áustria, Austrália e Nova Zelândia todos eles são produtores de petróleo, alguns deles grandes exportadores. Como é lógico se têm reservas de petróleo não terão grandes necessidades de andar a construir centrais nucleares para alimentar as suas economias.

Portanto que alternativas têm países que não tem nem petróleo nem carvão nem gás natural?
Vamos viver só com barragens, aerogeradores e biomassa? (nem coloco aqui o solar, porque o rendimento energético e financeiro é uma autentica anedota)

E não pensem que sou anti-energias renováveis, acho que devemos ter mais (até um certo ponto) mas não devem ser subsidiadas com os valores pornográficos que são actualmente. Por exemplo acho que já devíamos ter á muito sistema eólicas + barragens para armazenamento de excesso de energia produzida pelas eólica fora das horas de maior consumo.
Porém estamos sempre dependentes da variabilidade dos sistemas eólico e hídrico.
Daí a necessidade de se ter sempre um sistema de base "tradicional" para ir mantendo o sistema a funcionar e absorver as variações das energias renováveis.

O sistema ideal ainda está longe, pois a fusão nuclear ainda é uma miragem infelizmente. O mais engraçado é que quando quiseram instalar o reactor experimental internacional escolheram a França o pais do mundo com maior taxa de produção de energia eléctrica a partir de energia nuclear (de fissão, e porque de cada vez que querem experimentar o reactor experimental precisam de valores descomunais de energia disponível, que só um país como a França consegue oferecer a baixo custo.
Pois é o futuro verde esta dependente dessa coisa horrível que é o nuclear (de fissão).

Miguel B. Araujo disse...

Caro Spawn,

Se lhe parece pornográfico o subsídio às energias renováveis que lhe parece os massivos subsídios a tudo que tenha a ver com investigação em energia nuclear (mai de 50% do investimento público em investigação em França) e a externalização dos custos do risco do nuclear que nenhuma empresa privada aceita suportar?

Sobre a viabilidade do pacote das energias renováveis parece-me evidente esta passará pelo ajuste, ao minuto, do custo da energia. Se nos picos de consumo, a energia for substancialmente mais cara as industrias de elevado consumo energético tenderão a programar as suas actividades quando a energia é mais barata. A mesma lógica funcionará com o consumidor privado que usará os momentos de baixo custo para recarregar as baterias seu carro eléctrico, usar máquinas de lavar, etc. Não falo em preços bi-horários ou tri-horários. Falo em preços flutuantes que reflectem o verdadeiro custo da energia e que podem ser estimados ao minuto de modo a facilitar ao utilizador uma estimativa de custo associado a uma determinada operação.

A tecnologia do armazenamento da energia ainda não dá soluções eficazes para as necessidades correntes ainda que seja expectável que algum dia chegaremos lá. No entretanto, bastará um pouco de organização para que se gira com mais inteligência as disponibilidades energéticas e isso passará pelo ajuste do preço da energia à curva de produção e consumo. O mercado fará o resto.

Anónimo disse...

À Alemanha parece que podem deduzir 7 às contas afinal (não sei o número de reactores).
A AREVA perdeu ontem 10% na bolsa e hoje segue a cair 9,5%. Parece que os omnipotentes mercados não estão muito confiantes nas perspectivas do negócio da energia nuclear civil.

Lowlander disse...

Pois eu percebo o lamento do Spawm, os "subsidios pornograficos" das renovaveis eram muito mais bem usados na nuclear nao e?
Os desastres nucleares, e todas as medidas desesperadas para os mitigar, ja se sabe, sao de borla.
Uma especie de SCUT...
No caso da energia nuclear nao sao tanto subsidios pornograficos mas mais subsidios snuff...

Spawm disse...

ou há moralidade ou comem todos

Anónimo disse...

" ou há moralidade ou comem todos"

Isso era suposto ser um argumento a favor de alguma coisa?! Mas então o nuclear não era uma maravilha? Afinal só defende o nuclear porque o Estado apoia as renováveis?

Jaime Pinto disse...

Também era um meio-adepto da energia nuclear até ver um programa na Tv sobre o desastre de Chernobyl. O que me chocou não foi apenas o desastre em si, mas o risco que se correu de não ter sido uma tragédia imensurável. Apenas num país como a ex-urss se poderia arranjar voluntários suicidas para evitar o tal apocalipse.

Mas entre a tragédia dos nipónicos, obrigados a fugir nos últimos dias para o estrangeiro, e de milhares de portugueses que o fazem desde sempre (nestes últimos anos então tem sido uma debandada) venha o diabo e escolha.
jaime

Anónimo disse...

"Apenas num país como a ex-urss se poderia arranjar voluntários suicidas para evitar o tal apocalipse. "

Está-se a passar exactamente o mesmo no Japão. Do pouco que se sabe sobre os 50 desgraçados que andam a tentar evitar o pior, é que estes são voluntários que já ultrapassaram a fase de poderem estar preocupados com a sua saúde.

Pinto de Sá disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pinto de Sá disse...

Caro Henrique,
Eu poderei responder pelo Mira Amaral (menos pelo Sampaio Nunes, que tem interesses ns matéria).
Não o farei aqui especificamente sobre o nuclear, porque a resposta seria longa e requer argumentos técnicos mais apropriados ao meu blog, onde o farei oportunamente, mas referirei duas coisas:
a) e qual é o impacto devastador de um acidente numa central nuclear? Como o mede? Por uma associação sub-consciente ao impacto de uma guerra nculear, ao "the day after"?
Se medir pelas mortes e patologias OBJECTIVAMENTE provocadas no passado, a que poderia juntar as dezenas de explosões ATMOSFÉRICAS de bombas termonucleares feitas antes dos tratados internacionais as terem banido, e não vejo outra forma de o medir com honestidade científica, acha cataclísmico 4 mil mortos, ao todo, numa Chernobyl cujos erros estão bem identificados e se não repetirão?
b) Como extrapola o seu raciocínio para a energia renovável hidroeléctrica, sabendo que há sempre o risco de uma barragem rebentar, em particular em caso de sismo ou de cheia "improvável", dado que isso já aconteceu várias vezes e que a totalidade de mortos causados por tais acidentes somam da ordem das centenas de milhar? Também considera que se devem banir as hidroeléctricas?

Anónimo disse...

"estão bem identificados e se não repetirão?"

Mas há pessoas que ainda usam o argumento do é «impossível» acontecer?
A falta de honestidade intelectual é tanta que ainda conseguem escrever isso?