terça-feira, junho 05, 2012

Dia mundial do ambiente


Ontem estive num seminário muito interessante que o João Nunes organiza para os seus alunos do primeiro ano, e abre a toda a gente que queira ir (ainda vão a tempo, hoje e amanhã o seminário continua).
E ouvi: Oeiras tem cerca de seis milhões de litros de águas residuais, que são colectadas, elevadas para um super colector, transportadas, tratadas e despejadas no mar, ali para os lados Guia, depois de Cascais. Oeiras receberá da chuva outros seis milhões de litros de água, que se escoa em direcção ao mar. Oeiras importa 4 milhões de litros de água de Castelo de Bode, água colectada, tratada e transportada, para regar os seus jardins públicos.
Naturalmente isto multiplicar-se-á por todas as nossas cidades.
Não sei se já tinha dito, hoje é o dia mundial do ambiente.
É sempre útil celebrá-lo com uma demonstração prática e clara de sustentabilidade.
henrique pereira dos santos

6 comentários:

Pedro Martins Barata disse...

Henrique, não percebi o teu comentário final, pois não me parece que a constatação daquilo que enuncias e que é evidente, corresponde a menor sustentabilidade. O que fazer com esses factos, na situação actual, decorre de um cálculo político e também económico e financeiro sobre os benefícios de reformular o actual sistema de colecção e tratamento de água. É verdade que chovem seis milhões de litros, mas como tratá-los de forma economicamente viável?

Henrique Pereira dos Santos disse...

Pedro,
Eu estaria imensamente satisfeito se o que descrevo decorresse de cálculo político e também económico e financeiro.
Quem estava a falar era o responsável pelos espaços verdes de Oeiras, que conheço há muitos anos e é um excelente técnico, para além de sério.
Ora tanto quanto percebi a situação descrita decorre apenas de nunca se olhar para o assunto com a clareza dessa descrição (que é dele, não é minha).
A primeira solução (admitindo que o projecto de espaços verdes está optimizado para a diminuição do uso da rega, questão de dou de barato) que está a ser procurada é a mais directa clara e barata (os custos de investimento, em alguns casos, pagam-se em meses com as poupanças na água) é simplesmente aproveitar a água captada localmente, que muitas vezes até foi aproveitada durante anos e que hoje pura e simplesmente é esquecida.
Convenhamos que deitar água ao mar, para a ir buscar, tratada, a castelo de bode para regar jardins dificilmente encaixa na minha definição de sustentabilidade.
henrique pereira dos santos

Henk Feith disse...

Henrique,

Já sabes que tenho a mania dos números. Quando vejo algo com milhões de litros, fico logo com cócegas.

Oeiras recebe 6 milhões de litros de chuva? Então deixa-me fazer umas contas:

Oeiras tem 45,84 km2 de superficie, o que corresponde a 45 840 000 m2 (1 km2 = 1 milhão de m2).

Oeiras tem uma pluviosidade total de pelo menos 600 mm/ano (fonte Altas do Ambiente: classe de pluviosidade total 600-700mm). isto corresponde a 600 l/m2/ano.

Multiplicámos este valor pela superfície do concelho, temos uma quantidade de chuva recebida anualmente de 27 504 000 000 litros. Isto são 27,5 mil milhões de litros de chuva.

Donde foste buscar tais 6 milhões de litros (que é de facto irrisório: só a minha casa interceta 100 mil litros de água por ano).

Sei que valorizas muito o rigor e a segurança das fontes de informação e apontas o dedo quem não o faz. Fica esta para ti então :-)

Henk

Henrique Pereira dos Santos disse...

Tens razão. Foram uns números que ouvi de raspão numa comunicação, posso ter apontado mal. Mais posso ter ouvido qualquer coisa como "seguramente mais que outros seis milhões" para além das águas pluviais.
Vi de cabeça que os números não forçavam o argumento, a estarem errados seria seguramente por estarem muito abaixo da realidade (ou seja, a imprecisão joga contra o argumento).
Portanto decidi não perder tempo a verificar os números, porque são irrelevantes para o argumento (basta ver que evidentemente a chuva e as águas residuais jamais teriam grandezas semelhantes).
Quaisquer que sejam as contas o facto de importar água tratada de castelo de bode para regar jardins em oeiras sem avaliar alternativas próximas mantém-se como um bom exemplo da forma como lidamos com a sustentabilidade.
Aponto o dedo não aos erros e às imprecisões mas aos erros e às imprecisões que objectivamente favorecem um argumento, seja intencionalmente, seja por desleixo, seja por ignorância.
Neste caso é desleixo, mas não altera uma vírgula ao argumento.
henrique pereira dos santos

Anónimo disse...

Mas Oeiras utiliza a água das chuvas para rega de algum jardim?

E há cidades na europa que já utilizem?

No plano teórico é muito interessante debater estas questões mas na pratica as coisas nao se aplicam pelas mais diversas razões (legislação, saude publica, investimentos em redes paralelas de distribuição de águas, etc...)

cristof9 disse...

Gostava de "apresentar" um projecto de tratamento das aguas residuais por digestao anaerobica(projecto EC) que em estudo retira 99,8%de poluentes ficando a agua propria para todos uso nao culinarios. Como outro estudo que usa as plantas para despoluir ;para que muitas as aguas que sao processadas para a Guia pudessem gerar uma utilizacao autosustentavel teriamos que creditar apenas das despesas inerentes ao envio e tratamento na Guia a empresa que assumisse a gestao anaerobica e canalizacao para a ribeira do Jamor. Acredito que essa verba seriamais que sufeciente para as despesas de equipamento e acudes com vegetacao. A capatacao a jusante para rega seria uma mais valia extra, bem como o uso recreacional da ribeira (hoje morta)