quarta-feira, junho 28, 2006

Descer abaixo do solo

Ataques aos entraves ambientais ao dito desenvolvimento turístico por parte do presidente da Agência Portuguesa do Investimento, do secretário de Estado do Turismo e até de uma insignificante subdirectora-geral do Turismo. Projectos aprovados em vias de aprovação em sítios de Rede Natura. O ministro do Ambiente a tentar enganar Bruxelas sobre as barragens do Sabor e de Odelouca. O presidente da autarquia de Viseu e da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, Fernando Ruas, a incitar a população a apedrejar os fiscais ambientais que cumprem ordens judiciais. Quando se pensava que não era possível descer mais baixo, o país político pega na pá e começa a cavar para as profundezas. A cavar a sua própria sepultura...

6 comentários:

Luis Matos disse...
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Henrique Pereira dos Santos disse...

Qual é o problema de ter projectos aprovados ou em vias de aprovação em Rede Natura?

É exactamente este discurso de nós e os outros, da bondade (nossa e ambiental) e dos interesses (económicos e dos outros), da pureza na definição do bem comum (o que nós entendemos) e dos malévolos interesses privados (o dos outros) que abre caminho a que a lógica ambiental seja completamente esmagada pelo rolo comrpessor do pensamento quase único da desregulação.

henrique pereira dos santos

Pedro Almeida Vieira disse...

Caro Henrique,

A Rede Natura em Portugal é um embuste. Por culpa de técnicos e de governantes. Porque ou as áreas que foram classificadas têm interesse (e, portanto, deveriam ser preservadas prioritariamente) ou então não têm interesse - e assim não deveriam ser classificadas. Por isso, quando vejo projectos a serem aprovados em Rede Natura e depois o argumento de que esses mesmos projectos imobiliários não afectam a integridade do local é uma tentativa de nos fazerem de parvos. A Rede Natura serve apenas como marketing... político e empresarial.

Pedro Almeida Vieira disse...

Já agora, Henrique.

A questao não é a posição «nós e os outros». O problema está que nos últimos tempos apenas se tem feito sentir a vontade dos outros, ou seja, do poder económico. Aprovar projectos em Rede Natura tem um maior impacte do que ambiental e no próprio sítio. Tem um impacte psicossocial e em todo o país: as pessoas ficam com a sensação de que tudo se pode fazer e que não há regras ambientais a cumprir (daí surgem as afirmações primárias do fernando Ruas e mais coisas se seguirão...).

Miguel B. Araujo disse...

Imagino que a estao de fundo nao e' tanto se podem ser aprovados projectos em areas de rede natura 2000. A questao e' saber que projectos podem ser aprovados.

A rede natura constitui um repositorio de valores naturais para a Europa mas nao constitui reservas naturais integrais.

Muitas delas estao mesmo situadas em areas onde as actividades humanas sao intensas pelo que a questao essencial e' saber gerir estas areas da melhor forma.

Esta nuance e' importante, creio, para balizar a discussao entre o Henrique e o Pedro.

Anónimo disse...

HPS e MBA têm razão. Aliás, o agora ministro já o reconhecia na entrevista à revista "Pessoas e Lugares", há 2 anos atrás, onde preconizava que deveria haver alguma flexibilidade e que se evitassem os fundamentalismos, tal como preconiza PAV, que só dá péssima reputação aos ambientalistas, porque só sabem dizer NÃO e não dão soluções e se esquecem a maioria das vezes que as populações também são parte da biodiversidade e não "índios da reserva".Li hoje foi feita queixa de Portugal por falta de gestão ambiental do lixo dos portos: Nunca me lembro de ter lido fosse onde fosse, que algum ambientalista militante se preocupasse com o assunto, que certamente vale muito mais que um 1 minuto de TV.