quarta-feira, junho 07, 2006

O vento mudou e fogo amainou

Para os cépticos acerca da minha hipótese de que a direcção do vento é a microvariável mais importante na medição do risco diário imediato de incêndio, lembro o que se passou nesta semana: vento fraco de Leste nos dois fins de semana, alguma alteração não muito evidente pelo meio da semana e alteração do vento entre ontem a partir da tarde (ou um pouco antes) e hoje.

Se olharem para os dados que se conseguem ter pelas notícias, o padrão dos fogos acompanha (com desfasamentos no tempo, mas não muito significativos) a alteração desta variável.

Importante é a noção de que a afectação do Noroeste está a ser maior que nas outras zonas (este ano choveu até mais tarde e relativamente mais no Sul que no Norte), o que pode significar que essa zona está mais vulnerável.

Se a isso somarmos o histórico dos incêndios, que faz prever uma acumulação de combustíveis muito significativa no Noroeste (em 2003 choveu até ao fim de Junho nessa zona que foi pouco afectada), temo que, a existirem episódios de vento Leste significativos, tenhamos nessa zona um ano muito complicado.

Claro que são meras hipóteses de um outsider na matéria. Mas têm a vantagem de ser hipóteses cuja verificação pode ser feita por cada um de nós, estando atento ao tempo sufocante que esteve no fim de semana, incluindo de noite (característico do vento Leste) ou a frescura matinal de hoje, mesmo que venha a aquecer muito durante o dia e comparando com o espaço ocupado pelas notícias dos fogos.

PS É interessante notar que o fogo de Barcelos, o maior por estes dias, foi extinto esta noite, e já na noite anterior seria previsivelmente extinto mas, de acordo com as notícias, a meteorologia pregou uma partida e o fogo retomou proporções significativas. O que reconduz à questão central: o importante não é saber porque ou como começam os incêndios, o fundamental é mesmo perceber porque não se conseguem parar. E no entanto o que ressalta das notícias é a discussão sobre os meios aéreos.

henrique pereira dos santos

3 comentários:

Paulo Fernandes disse...

Caro Henrique,

Não é tanto o vento leste o responsável pelos incêndios mas sim as condições que lhe estão associadas de grande secura e, por vezes, muito elevada temperatura.
Quanto à situação que advém da falta de precipitação o sul está mais vulnerável, com um índice de seca já elevado mas grande parte do norte e centro estão com seca moderada, ou seja o rescaldo ainda se faz com alguma facilidade (haja é quem o faça como deve ser...).
Também é precipitado dizer que o NO está muito vulnerável este ano. Provavelmente o incêndio de Barcelos exprime apenas o facto de nessa região o nº de ignições ser o mais alto do país, tendo este fogo em particular coincidido com a maior mancha florestal contínua do Baixo Minho. Note-se aliás que o NO litoral tem sido das áreas em que a situação sinóptica do vento leste tem sido moderada pela influência marítima. O que o incêndio de Barcelos evidencia (se mais evidências fossem ainda necessárias), como o ano passado os vários que ocorreram à volta do Porto logo em Junho, é o extraordinária impreparação e desorganização dos combatentes e do combate ao fogo, mesmo na presença de condições favoráveis (meios abundantes, acessibilidades,...) e a irresponsabilidade dos habitantes, que arriscam perder a casa apenas por não limparem os respectivos quintais (já não digo as matas) e vociferam contra os políticos e a falta de meios aéreos.

Cumprimentos

Henrique Pereira dos Santos disse...

O que quero exprimir é que as condições meteorológicas quando existe vento leste são as mais favoráveis à progressão dos incêndios.

Assim sendo escusamos de grandes elaborações teóricas ou índices complexos porque temos um método de previsão extraordinariamente fiável no curtíssimo prazo.

Veremos ao longo do ano o que sucederá. Tudo o que estou a dizer é claro que é prematuro e precipitado. E é por isso que o estou a dizer agora.

Estou a correr o risco de expor um modelo conceptual de interpretação do fenómeno e é fácil a qualquer pessoa verificar se ele é suficientemente robusto ou não (isto é, se ele permite predizer, com aproximação, o que vai suceder nos próximos três dias).

Quanto ao resto, a impreparação, a irresponsabilidade, etc., com certeza, estamos de acordo, mas isso existe igualmente em todo o país e arde desigualmente, e até existem excepções de boa preparação, e arde quase igualmente.

henrique pereira dos santos

Absconditum Mentis disse...

Incêndios... estou farto de os ver... tal como estou farto de ouvir os nossos governantes dizerem, de ano para ano, que as medidas necessárias irão ser introduzidas.
Enfim [...] uma parafernália de invenções.

Gostei de te visitar... e já agora, visita-me no Terra 06.

Inté.