sexta-feira, julho 04, 2008

Espanha confere direitos humanos aos grandes símios

O comité parlamentar do ambiente de Espanha aprovou uma resolução que confere direitos humanos aos chimpanzés, gorilas e orangotangos.

Estima-se que a resolução, que passou com apoio de vários partidos, passará a lei dentro de um ano. Esta resolução enquadra-se no "Great Ape Project" que é uma plataforma constituida por cientistas e filósofos que defendem que os nossos "primos" mais próximos deveriam ser objecto dos mesmos direitos à vida, liberdade e protecção contra a tortura que são conferidos aos seres humanos.

Espera-se que este tipo de leis tenha um impacte substancial em sectores que usam estas espécie para investigação, comércio e entretenimento. Por exemplo, os jardins zoológicos teriam de assegurar condições óptimas de habitabilidade para obter autorização para receber estes animais.

16 comentários:

Anónimo disse...

E porque não aos golfinhos e aos touros de lide? E às plantas? Ainda vamos ver os imigrantes clandestinos a fazerem de orangotangos para não serem repatriados. O Zapatero é um craque a criar diversões políticas. Por cá temos o inginheiro...

aeloy disse...

A notícia é uma obvia manipulação jornalistica e um evidente oximoro.
Fala em liberdade e em assegurar condições para manter estes animais (atenção animais aimda que próximos do homem irracionais!) em cativeiro.
Claro que todas e esta é grosseira as manipulações são possiveis mas para ter direitos é preciso reconhecê-los (não enquanto individuo mas enquanto espécie) e os macacos e seus congeneres não os reconhecem.
Dito isto e limpando a manipulação acho positivo que os símios tenham um estatuto de protecção especial e não sei o que se quer dizer por tortura (sendo que tanto quanto sei só no limite é que são feitas experiências em símios) ou direito à vida sendo que por liberdade devem querer dizer as tais boas condições de manutenção em cativeiro.
Mas voltámos à estação da falta de notícias em que estagiários sem qualquer formação ocupam os jornasis e é nisto que dá.
CC
António Eloy

rui disse...

Dito isto fiquei sem perceber: a Espanha aprovou a tal resolução ou foi tudo invenção de um estagiário mal formado?

aeloy disse...

Segundo sei foi aprovada, para entrar em vigor daqui a 1 ano, uma lei que não atribui direitos humanos aos chimpazés, mas sim cria condições para estes usufruirem de protecção adequada. Claro que o que referi foi a manipulação e os jogos de palavras do texto.
Tudo é relativo.
CC
AEloy

O Raio disse...

Tou vendo...
A seguir dá-se direito de voto aos símios e o Zapatero é reeleito com grande maioria devido ao voto da macacada...

Anónimo disse...

Não é necessário. No estado actual da política internacional os representantes da macacada já estão no poder.

O Raio disse...

Ahhh! Tou a perceber. Estes direitos para os símios é interesse próprio de Zapatero & Co...
É autopromoção!

Miguel B. Araujo disse...

Algumas notas soltas:

1. O texto que coloquei é uma tradução livre de uma notícia publicada na revista Nature. Portanto, não se trata de um qualquer estagiário, mas sim dos editores da uma das revistas científicas mais prestigidas do mundo.

2. A questão dos direitos humanos dos símios parece-me fascinante do ponto de vista filosófico e ético. Pena que o tratamento dado a esta questão pelos comentadores se tenha ficado ao nível da macacada.

Para situar um pouco melhor este tema colo aqui o texto que figura no link fornecido:

The idea is founded upon undeniable scientific proof that non-human great apes share more than genetically similar DNA with their human counterparts. They enjoy a rich emotional and cultural existence in which they experience emotions such as fear, anxiety and happiness. They share the intellectual capacity to create and use tools, learn and teach other languages. They remember their past and plan for their future. It is in recognition of these and other morally significant qualities that the Great Ape Project was founded. The Great Ape Project seeks to end the unconscionable treatment of our nearest living relatives by obtaining for non-human great apes the fundamental moral and legal protections of the right to life, the freedom from arbitrary deprivation of liberty, and protection from torture.

Anónimo disse...

A séria ideia com que fiquei é que dar direitos humanos à macacada é um precedente perigoso. Mesmo antes da descoberta do ADN sabia-se que havia animais mais espertos que outros, sendo alguns parecidos connosco. Por certo é possível provar, cientificamente, que o papagaio é mais esperto que a galinha, o golfinho que a sardinha, o polvo que o carapau. E o porco? quem faz hemodiálise olha-os com amor e esperança.

Cientistas pouco ocupados poderão a seguir catalogar outras bichezas segundo parâmetros humanos. "Amigos dos animais" baterão palmas e exigirão o direito de voto às baleias, os mais inteligentes de todos. Cientistas nazis e quejandos (que ainda os há) recomendarão novos estudos sobre a espécie humana...

Deixem-se de tretas. Um homem é um homem, um bicho é um bicho.

O Raio disse...

Esta macacada toda esconde um problema importante.
Ignoram-se direitos humanos fundamentais e depois faz-se a fita de se ter uma grande preocupação com os simios...
Se o ridículo matasse já não havia políticos... o paraíso...

Anónimo disse...

MB Araújo,
Há várias pessoas (incluindo-me a mim) a referir aspectos muitos graves, duma forma descontraída, dum assunto sério. Mas não há racionalmente outro processo para o fazer! Repare noutro dado: vindo dum Governo e dum Primeiro Ministro, dum país com uma frota de pesca absolutamente desproporcionada, sob qualquer perspectiva minimamente sensata em que este tema seja analisado, a iniciativa do Zapatero & C.ia não passa - realmente - de um número de circo... e enquanto se fala disso não se fala de outras coisas. A propósito em Gibraltar os macacos estão bem (curiosamente Gibraltar não é Espanha).

aeloy disse...

Pois Miguel deve ser uma tradução tão livre que raia a invenção, pelo menos em relação ao que foi aprovado em Espanha.
E os comentários menos rigorosos tem a ver com a impostura e falta de rigor com que estes assuntos, não por ti é certo embora neste caso penso que tenha havido trocas baldrocas são normalmente repercutidos para os média.
Noutro registo foi referido que a tal Animal tinha impedido a transmissã de corridas de toiros antes das 22 e só com bolinha, mas não foi referido que tribunal superior recusou LIMINARMENTE essa posição de um juiz menos avisado.
É por estas e outras, muitas outras que estes discursos ainda por cima quando confundem direitos HUMANOS e direitos exercidos pelos humanos se vão transformando em...macacada.
Saudações
António Eloy

Adelaide disse...

Caro Miguel Araújo,
Há muitos anos que vem existindo esta discussão na comunidade científica. E também há muitos anos que os comentários apatetados proliferam. Em todo o lado, neste país! Creio no entanto que, finalmente, há cientistas portugueses que prestam atenção a este assunto, e isso é de saudar. Provavelmente já será tarde, ao ritmo a que as coisas estão a acontecer...
Um abraço
Adelaide Chichorro Ferreira

Gonçalo R. disse...

É por estas e por (muitas) outras que cada vez mais acautelo análises e juízos sobre o conteúdo de notícias publicadas na maioria dos orgãos de comunicação.

Apimentam de tal forma o seu conteúdo que, amíude, escrevem falsidades, ou, como se diz muito agora, inverdades. Na base de tudo isto há a necessidade imperiosa de vender e que notícias polémicas (mesmo que "virtuais") tem sempre bom mercado?

Quanto à notícia (a verdadeira), propriamente dita, concordo contigo MBA, há, de facto, aspectos fascinantes no domímio da ética... até que ponto a proximidade ao Homem (ao nível genético) é, per si, justificação para "direitos" diferenciados relativamente a outros seres vivos?

Cumprimentos,
Gonçalo Rosa

Anónimo disse...

O que têm os humanos de tão especial para se arrogarem ainda o estatuto de superiores e incomparáveis a outras espécies? Pelos comentários de quem aqui passou, nota-se claramente que existe uma humanidade que está bem abaixo (em termos de inteligência e sensibilidade) dos grandes símios e até dos papagaios e porcos. Felizmente há uma outra humanidade um pouco mais evoluída que consegue ver que as diferenças entre nós e os outros animais são basicamente físicas, pois todos sofremos os mesmo medos, angústias, desejos, sentimentos. Se os animais (não-humanos) falassem (ou melhor, se fôssemos inteligentes o suficiente para compreendermos a sua linguagem, tal como eles tantas vezes compreendem a nossa...) este mundo ficava virado do avesso. Direitos humanos aos animais não-humanos é um contra-senso, mas apenas nas palavras. Por natureza eles têm tantos direitos como nós, nós apenas lhos negamos porque achamos que temos esse direito! Não é preciso ter um raciocínio muito desenvolvido ou um curso superior em ética para se compreender isso.

Anónimo disse...

Caro Anónimo:

"O que têm os humanos de tão especial para se arrogarem ainda o estatuto de superiores e incomparáveis a outras espécies? Pelos comentários de quem aqui passou, nota-se claramente que existe uma humanidade que está bem abaixo (em termos de inteligência e sensibilidade) dos grandes símios e até dos papagaios e porcos."

Você no seu raciocínio claramente considera que a minha humanidade em termos de inteligência e sensibilidade está bem mais abaixo dos porcos (papagaios e símios).

"Felizmente há uma outra humanidade um pouco mais evoluída que consegue ver que as diferenças entre nós e os outros animais são basicamente físicas, pois todos sofremos os mesmo medos, angústias, desejos, sentimentos."

Aqui você por certo se está a referir a si e a coniventes com o seu pensar, que sofrem medos, angústias, desejos e sentimentos idênticos aos porcos.

Pois eu já assisti ao tirar o chiadoiro a um porco, lado a lado com outros porcos que comiam felizes a lavagem (sabe o que isso é caríssimo humano mais evoluído?) cantando aquela musiquinha gutural cujo significado é o da pura felicidade de encher a pança, ignorando por completo os grunhidos de morte do irmão, ali a dois passos, e a tigela vermelha do sangue das chouriças.

Pois você é que me mete medo com o seu modo de pensar. Considerando-se você com sentimentos semelhantes aos dos porcos, o que você não se divertiria se me espetassem uma faca no coração perto de si. Para além de se banquetear (como os porcos que, segundo palavras suas, tanto se assemelham a si em sentimentos) que outras sensações de forte felicidade e gozo sentiria? Se os porcos vêm morrer os seus irmãos com total indiferença, que prazer celestial não sentiria você ao ver morrer um inimigo?

Sinceramente, caro anónimo, penso que você é diferente, nos medos, angústias e desejos, dos porcos. O que você afirma é pura ignorância e fanatismo. Isso passa-lhe se for viver uns meses para uma das poucas quintas rurais que, felizmente, ainda por aí existem.