terça-feira, dezembro 02, 2008

O sectário

De acordo com a indicação da SPEA, que transcrevo, foi retirado o seu logotipo que ilustrava este post.

"Boa noite,Venho por este meio comunicar que a SPEA considera abusiva a utilização do seu logotipo sem a sua permissão e de forma descontextualizada, por isso pretendemos a sua retirada imediata.Joana DominguesResponsável de Comunicação da SPEA"

Estive hoje no lançamento do Atlas das Aves Nidificantes.
Foi um lançamento simpático e penso que conseguido para os objectivos que se pretendiam.
Na mesa estava Luis Silva, técnico do ICNB que apresentou o livro, Ricardo Tomé, Presidente da SPEA, Manuel Rosa da Assírio e Alvim, co-editora do livro e Tito Rosa, presidente do ICNB.
A única dissonância veio da SPEA.
Porque resolveu fazer um discurso reivindicativo sobre a conservação das aves? Porque questionou os poderes públicos acerca da política de conservação? Porque quiz demonstrar um erro clamoroso de conservação na gestão das populações de aves?
Não, não e não a todas as perguntas.
Apenas porque ao lado de um editor que arriscou uma fortuna na publicação de um livro difícil de editar, perante os potenciais compradores e ao lado da entidade parceira na edição do livro resolveu fazer um discurso sectário de coitadinho a quem ninguém reconhece o trabalho.
Porque o livro não refere a contribuição da SPEA? Porque o logotipo de todos os quatro parceiros não aparece em igualdade de circunstâncias? Porque não é referido o contributo da SPEA na gestão dos voluntários que trabalharam na recolha de informação?
Não, não e não a todas as perguntas.
Não sei por isso qual a motivação do Sr. Presidente da SPEA.
E o que disse o Sr. Presidente da SPEA?
Que sem SPEA não haveria Atlas (embora exista um atlas feito sem SPEA), que os voluntários foram mobilizados pela SPEA, a única organização capaz de o fazer (o que é meia verdade, não só porque muitos voluntários foram mobilizados pelos organizadores regionais, que incluem muitos funcionários do ICNB e outros ornitólogos sem ligação com a SPEA, mas também porque as despesas desses voluntários foram custeadas pelo ICNB através do seu pagamento à SPEA), que os voluntários da SPEA trabalharam em condições de desconforto que descreveu (como se não fosse inerente a todo o trabalho de campo e atingisse todos, incluindo os funcionários do ICNB e outros ornitólogos sem ligação com nenhuma das organizações) e terminou ameaçando que em futuras parcerias seria necessário acautelar melhor as obrigações de cada um dos parceiros (esquecendo-se das inúmeras oportunidades que a SPEA teve para se envolver mais no projecto e, sobretudo, esquecendo-se que sempre que quiser pode fazer sozinha os Atlas que entender).
Não tenho dúvidas, e defendi-o há muitos anos quando estive na Presidência do ICNB e se lançaram as bases deste e doutros atlas (espero ainda ver sair o dos répteis e anfíbios nos próximos tempos, que está concluído, mesmo sem a participação da SPEA) de que a as parcerias de entidades públicas e ONGs neste tipo de documentos é muito vantajosa para todos.
Mas sinceramente, com este tipo de discursos lamentáveis e sectários, começo a duvidar.
Pelo menos da vantagem das parcerias com ONGs que se comportam cada vez mais como máquinas de canalização de riqueza e cada vez menos como ONGs.
henrique pereira dos santos

22 comentários:

aeloy disse...

pois,pois,pois.
E parabéns ao Manuel Rosa!
António Eloy
PS Os procedimentos são tudo, o resto é piu, piu...

Anónimo disse...

O Sr. Henrique Pereira dos Santos demonstra o seu sectarismo mais medíocre ao defender a instituição que representa/pertence sem qualquer tentativa (capacidade ao meu ver) de articular os seus argumentos, neste caso, contextualizados. A sua despreocupação em alinhar com a verdade estendeu-se ao português que apresenta no seu texto.
Esta é de resto a tónica das intervenções deste senhor, seja profissionalmente ou nas suas variadas intervenções de carácter mais pessoal

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro anónimo,
Acredito que quer o meu português quer a minha argumentação seja péssima mas tem pelo menos a vantagem de ser assinada.
Se as suas críticas ao português se referem ao facto de intercalar muitas ideias em cada parágrafo é um defeito de escrita que me acompanha há muito tempo e que se esbate quanto mais versões faço do mesmo texto. Como é bom de ver este texto é uma versão não muito revista e portanto com esse defeito muito visível, tem pois razão na qualidade literária do texto, que é péssima.
Se se refere ao erro de ortografia do quiz esteja descansado, é voluntário. Gosto mais dessa forma e uso-a quando acho que posso ceder a este gosto pessoal. Não comparando, é como a Sofia de Mello Breyner que ao que me dizem escrevia sempre dansar em vez de dançar porque achava que a palavra estava mais próxima do que pretendia dizer escrita com um s.
Curiosamente não defendo no meu texto a minha instituição, critico uma outra instituição (em rigor critico o seu presidente) de que sou sócio, isto é, que por essa via é minha também. Não percebo pois de onde lhe vem essa ideia.
Mas sobretudo não contestando uma única das minhas afirmações não percebo em que fundamenta a acusação que me faz de sectarismo em todas as minhas intervenções.
Não quer dar exemplos concretos? Seria mais útil para a discussão sobre o sectarismo no movimento ambientalista, pese embora o facto de eu não ter a relevância institucional do Presidente da SPEA no pleno exercício das suas funções institucionais.
Exprimi uma opinião pessol num obscuro blog, assinando-a e permitindo que quem quer, mesmo anonimanente, a critique e desmonte.
Avance pois na crítica aos argumentos e esqueça os ataques pessoais que são matéria que não interessa a ninguém.
henrique pereira dos santos

Gonçalo Rosa disse...

Caro Anonimo,

O Sr. Henrique Pereira dos Santos, da a cara, para que outros, com muito menos coragem que ele, se deleitem a disparar ataques, sem sequer se dignarem a assinar o que escrevem.

Seria tambem interessante que questionasse, com argumentos concretos, o que afirma. E que nao o faz... ao contrario do que e feito neste post.

Realco que o Sr. Henrique Pereira dos Santos, nao necessita que o defenda. Mas e no minimo justo que este tipo de comentarios fossem assinados.

Goncalo Rosa

Anónimo disse...

A mim espantam-me as motivações (propositadamente?) cegas do Sr. HPS.
A conduta de qualquer pessoa, num blog ou fora dele, sobretudo em espaços que são virtual e geograficamente tão pequenos, não é (não pode) ser obscurecida; a do Sr. é clara e conhecida. Não preciso pois trazer factos quando eles são conhecidos de todos (ou quase) os que por cá espreitam estas trocas de ideias.
De um modo geral as reflexões do Sr. HPS espantam-me pela sua (clara) ambiguidade e contradições com as suas responsabilidades enquanto técnico.

Miguel B. Araujo disse...

Caro anónimo,

Se quer discutir a pessoa do Henrique Pereira dos Santos tem duas opções: identificar-se, ou fazê-lo noutro fórum.

Este blog é clarissimo quanto a não permitir argumentos "ad hominem" e é isso que as suas mensagens fazem.

Cumprimentos,

Miguel Araújo

Paulo E. Cardoso disse...

Miguel, não me escondo na identidade anónima. Entendi escrever na ocasião e esta opção que o blog apresentava bastou-me.

repare nisto:
'Curiosamente não defendo no meu texto a minha instituição, critico uma outra instituição (em rigor critico o seu presidente) '

Retirado do texto do Sr HPS.

Não é uma crítica "ad hominem" como referiu?

Eu não espero de ti parcialidade.

Relativamente ao assunto, não me espanta a mim (nem a tantos outros) que se insurjam o colega Gonçalo e o Sr. HPS. Tão óbvia cumplicidade de ideias.

Paulo E. Cardoso disse...

É punível por lei a utilização não autorizada de uma imagem registada de uma qualquer entidade.

Miguel B. Araujo disse...

Caro Paulo,

As críticas pessoais são valiosas quando assinadas e quando feitas com a correcção e o respeito que todos nos devemos uns aos outros. Quando escondidas sob o anonimato e não apoiadas por argumentos de substância (apenas assentes em argumentos de carácter) são, no mínimo, pouco elegantes.

Acima de tudo colocam o debate numa situação injusta. De uma parte há uma pessoa que responde pelas suas palavras. De outro há uma que se assiste ao direito de dizer qualquer disparate pois não pode ser responsabilizado pelas suas palavras. É uma atitude deplorável e desprezível, se quer saber a minha opinião, que cada vez mais abunda neste espaço virtual que é a internet.

Cumprimentos,

Miguel Araújo

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Paulo Cardoso,
Agradeço-lhe que tenha abandonado o anonimato quando faz críticas pessoais. Penso que assim estamos todos mais confortáveis.
Repare que é o seu terceiro comentário este post e ainda não contestou uma única das minhas afirmações. Não argumentou uma única vez.
Limitou-se a dizer que eu era medíocre e tal, o que concedo sem sequer discutir pela simples razão de que isso não interessa a ninguém: ou é evidente e não é preciso dizê-lo ou não é e é preciso demonstrá-lo, argumentando, admitindo que essa demonstração interessa a alguém, do que duvido.
Peço-lhe é que não ponha no mesmo pé o ataque pessoal que me faz sem fundamentar com a crítica que faço a uma atitude concreta de uma pessoa concreta referindo factos concretos ocorridos no âmbito do exercício institutcional e público de um cargo com relevância pública.
Em todo o caso tenho uma enorme curiosidade em saber o que quer dizer isto:
"De um modo geral as reflexões do Sr. HPS espantam-me pela sua (clara) ambiguidade e contradições com as suas responsabilidades enquanto técnico."
Pode ao menos fundamentar esta afirmação? Dar um exemplo? Só para eu perceber o que quer dizer.
Agradeço-lhe imenso.
Mesmo que lhe faça notar que o post é sobre uma atitude do presidente da spea que considero lamentável (pelas razões que referi) e não sobre a minha personalidade.
henrique pereira dos santos

Henrique Pereira dos Santos disse...

No momento em que a SPEA me comunicar que acha abusiva a utilização do seu logotipo para ilustrar este post retirá-lo-ei. Não me parece que tenha feito uma utilização indevida deste logo: estou a falar da SPEA, estou a falar de uma intervenção pública da SPEA e não deturpei o logo.
Mas se não for esse o entendimento da spea, retiro-o imediatamente.
henrique pereira dos santos

JD disse...

Boa noite,

Venho por este meio comunicar que a SPEA considera abusiva a utilização do seu logotipo sem a sua permissão e de forma descontextualizada, por isso pretendemos a sua retirada imediata.

Joana Domingues
Responsável de Comunicação da SPEA

Paulo E. Cardoso disse...

Eu por regra não dedico o meu tempo a escrever em listas ou fóruns virtuais como este, a discorrer ideias em textos extensos; só o faço com um propósito claro e sempre que possa retirar algum benefício de uma intervenção, normalmente para a minha própria aprendizagem. Sigo anonimamente o que se discute neste blog por conhecer alguns dos interlocutores. Também não sou dado a discutir idiossincrasias que me são alheias. Neste caso em concreto a minha intervenção só se deu pelo ridículo do seu texto e por conhecer os intervenientes. Desde há muito que conheço o teor das intervenções que faz e a natureza do seu trabalho. Não trago, como me pediu, os tais exemplos concretos por entender que seriam supérfluos para o que de essencial se discute e porque seriam certamente embaraçosos. Em matérias como a biodiversidade ou o ordenamento do território o Sr. assume posições que vão contra aquilo que produz e assina como fruto do seu trabalho ou dos que lhe são subordinados.
Eu não consigo encontrar outra definição senão a de ridícula a sua afirmação de que a SPEA se assemelhará a uma ‘máquina de canalização de riqueza’. É revelador da ausência de sentido do que é uma organização que assume a gestão de recursos, pessoas, projectos. Muitos discordarão de si, estou certo.
Como se não bastasse traz ainda a referência ao outro Atlas que o ICNB prepara. Então acha que o Atlas dos répteis e anfíbios que ‘está a sair’ há já vários anos é um projecto bem sucedido? Foi bem gerido enquanto projecto? Foi pacífica a partilha de responsabilidades? Não houve sectarismos e desentendimentos? Tudo se deu sem a participação da SPEA.
O que eu lhe posso dizer para além disto é que o seu texto inicial é totalmente indecoroso, irreflectido em todos os seus aspectos e revelador de alguma amargura mal resolvida de um sócio para com a associação de que é afiliado. O facto mais infeliz foi ter feito este verdadeiro choradinho envolvendo a pessoa que participou no evento em representação da SPEA, o coitadinho como lhe chamou.

Paulo E. Cardoso disse...

Eis um exemplo concreto das suas incongruências. O Sr. deu já um bom exemplo daquilo que me pediu.

Paulo Pereira disse...

Concordo com algumas criticas que o Sr. HPS faz quando se refere ao "modus operandi" de algumas ONGAs nacionais, nomeadamente da transparência ou falta dela na utilização de dinheiros, mas quer-me parecer que o Sr. HPS está a entrar num exagero grave ao disparar em todas as direcções.
Tenho de discordar veementemente das acusações à SPEA de "máquina de canalização de riqueza" que me parecem manifestamente exageradas. Se há uma ONGA em Portugal que nos últimos anos tem demonstrado rectitude nas suas acções e gestão essa entidade é a SPEA, pelo que o discurso do Sr. HPS aparenta, do que venho acompanhando, ser acentuada e tendencialmente mais azedo sempre que a instituição de que faz parte é visada de alguma forma, a ponto de ver injustiça em toda a critica, mesmo quando esta se justifica.
Melhores cumprimentos,
Paulo Pereira

Gonçalo Rosa disse...

Caro Paulo,

Parabens por se ter identificado. Esta a ver? Nao e assim tao dramatico!

Espero agora que apresente argumentacao concreta para o que afirma. E que, ate agora, as suas afirmacoes nao apresentam argumentacao com o minimo de solidez. E e pena. E que assim a questao parece ser manifestamente pessoal.


Seria ainda interessante que me explicasse o que quer dizer quando afirma que "não me espanta a mim (nem a tantos outros) que se insurjam o colega Gonçalo e o Sr. HPS. Tão óbvia cumplicidade de ideias.". E que confesso que esta a mim me passa completamente ao lado. Espero nao ser daquelas muito obvias que nem sequer merecam explicacao. Ja agora Paulo, deixe la os "tantos outros" que nao so nunca me referiram o que afirma como, aqui, so servem para tentar validar o que escreve.

Cumprimentos,

Goncalo Rosa

Gonçalo Rosa disse...

A Direccao da SPEA,

Fico muito satisfeito por continuarem a seguir atentamente este blog!

Cumprimentos,

Gncalo Rosa

Miguel B. Araujo disse...

Sou membro da SPEA, autor de um dos capítulos no atlas, ex-dirigente desta organização e discordo (como já tive oportunidade de comentar em posts anteriores) de muitos dos comentários do HPS sobre a SPEA (e já agora do Gonçalo também) que considero, para todos os efeitos, uma associação exemplar em Portugal. Mais, se concordo com a substância de algumas críticas, desagrada-me a forma, o local e a insistência nas mesmas quando, no meu entender, as mesmas teriam mais efeito se fossem feitas nos locais que considero serem os mais próprios, i.e., as assembleias gerais.

Porém, não quero deixar de manifestar o meu desagrado face à incapacidade que os representantes da SPEA têm tido para lidar com a crítica pública. O pedido para retirar do símbolo da SPEA, qual birra de miúdo pequeno, é disso testemunho. Em vez de contra-argumentar contra as posições de HPS (se é injusta certamente que existirão argumentos a expor) resolve-se pegar pelo lado mais fácil mas também o mais superficial e inutil: exigir a retirada de um símbolo que é público e figura em várias páginas de internet (basta fazer um search no google). No mínimo, pode-se dizer que é pobre como resposta.

Não vale a pena determo-nos sobre este "fait divers" mais do que ele merece mas não deixo de registar que esta falta de "fair play" começa a ser comum nalguns dirigentes associativos actuais e isso é preocupante.

A Quercus, por exemplo, foi palco de uma infeliz série de acontecimentos na sequência da expulsão de Aline Delgado (uma expulsão muito mal explicada, diga-se de passagem). A última delas, quando os dirigentes da Quercus impediram que Aline respondesse a um artigo que sobre ela discorria na revista interna da quercus, foi resolvida na barra dos tribunais. Obviamente a Quercus não podia impedir o direito de resposta a esta pessoa e a tentativa de suprimir esse direito revelou-se mais gravoso para a imagem da Quercus do que teria sido a aceitação do texto da Aline seguido de um contra-comentário por parte da direcção.

São pequenos sinais de amadorismo, imaturidade e falta de tolerância que, infelizmnente, não abonam nada a favor das associações. É pena que assim seja pois, como deveremos estar todos de acordo, precisamos de um movimento ambientalista forte e não de um movimento que se desagrega em torno de questiunculas intestinas que nada contribuem para resolver os problemas ambientais do País.

Miguel Araújo

Gonçalo disse...

Caro Miguel,

Concordo com o essencial do que expoes, nomeadamente sobre a enorme incapacidade que as ONGAs nacionais parecem ter em discutir estas e outras questoes. Na realidade, acho que e uma caracteristica geral da sociedade portuguesa, muita alem das nossas ONGAs.

Na realidade, creio que facilmente se invoca democracia e "fair play" quando convem, mas atira-se tudo isso para tras das costas quando a situacao e inversa. E tambem por causa deste tratamento manifestamente (e, na minha opiniao, deliberadamente) hostil que muitas pessoas optam por nao discutir abertamente as chamadas "questoes fracturantes", sem necessidade de tornar conteudos em intrigas de indole pessoal. Caramba, sera assim tao complicado distinguir as coisas?

Mas Miguel, devo dizer-te que discordo quando afirmas que "as mesmas [criticas] teriam mais efeito se fossem feitas nos locais que considero serem os mais próprios, i.e., as assembleias gerais.". E que enquanto fui socio da SPEA, nunca deixei de criticar a forma como esta era dirigida, quer nas Assembleias Gerais, quer directamente a membros da Direccao desta ONGA, com "resultados" muito pouco relevantes.

Quanto a questao em concreto que o post levanta, e pena que ninguem contraponha com argumentos, a visao do HPS, ate porque, lamentavelmente, nao pude estar presente no lancamento do Atlas.

Goncalo Rosa

Miguel B. Araujo disse...

Caro Gonçalo,

O baixo impacto das tuas críticas nas assembleias gerais não torna as críticas que fazes publicamente, de forma recorrente, mais eficazes ou mais justas.

As associações são colectivos de pessoas unidas por um propósito comum. Nem sempre conseguimos fazer vingar as nossas opiniões no seio desse colectivo e nem sempre as direcções do colectivo se mostram receptivas às justas críticas que fazem os associados das organizações.

Mas se de facto queremos ter algum impacto na modificação das praxis das associações não será expondo as fragilidades desse colectivo, de forma insistente na praça pública que se conseguirão obter resultados. O mais provável é que o resultado seja o nutrir de um sentimento de rejeição por parte de muitas pessoas que, noutras circunstâncias, até poderiam aceitar a crítica de uma forma mais positiva.

Não quero com isto dizer que NUNCA se devam fazer críticas fora das associações. Mas para mim esse é uma estratégia de último recurso que, quando repetida de forma incansável, acaba por perder o efeito desejado.

Saudações,

Miguel

Miguel B. Araujo disse...

Quanto aos comentários do HPS não os comento pois não estive na apresentação do atlas. Miguel

Henrique Pereira dos Santos disse...

Este é o vigésimo comentário sobre este post.
Um post que não vale tanto comentário, sobretudo comparando com outros com bastante mais substância (por exemplo, o do Miguel sobre raridade e extinção, com zero comentários).
Curiosamente nos comentários não há um único argumento de substância contestando o que disse mas apenas opinião sobre questões laterais como a minha mediocridade e o facto de que ter usado a expressão "máquinas de canalização de riqueza" que quem quiz isolou do contexto que transcrevo completo."...ONGs que se comportam cada vez mais como máquinas de canalização de riqueza e cada vez menos como ONGs.".
Por isso, por falta de substância eu nem comentaria mais mas há um aspecto do comentário do Miguel que vale a pena ainda referir.
Estou basicamente de acordo com a prioridade à crítica das associações nos seus órgãos próprios quando essas críticas dizem respeito a questões basicamente associativas.
A razão pela qual passei a fazer a crítica pública, não das associações e do movimento associativo mas de actuações concretas, é porque me convenci, com ou sem razão, de que muitos dos elementos dessas associações contam com essa contenção na crítica pública para adoptarem práticas que me parecem condenáveis e se eximirem ao escrutínio público, incluindo dos sócios.
A maioria das associações em Portugal não são financiadas pelos seus sócios mas pelos seus projectos e actividades. A enorme maioria desses projectos são financiados pelos contribuintes (nacionais e comunitários). Esse financiamento depende de decisões administrativas. Portanto, muito mais importantes para a sobrevivência do rendimento dos profissionais do associativismo é capacidade de influenciar essas decisões administrativas que a capacidade de convencer os sócios.
Daí a perda de relevância das assembleias gerais, que passam a ser meros rituais legalmente obrigatórios, tanto mais que a crítica interna é rapidamente tratada como aqui se viu, o que convenhamos que pouca gente está disposta a aturar, desistindo por isso de procurar alterar o estado de coisas no movimento ambientalista.
E esse é um problema de índole pública, não é apenas um problema de cada associação.
Neste ponto discordo do Miguel mas concordo que o blog ganha com alguma contenção da minha parte na defesa deste ponto de vista.
Não tenciono fazer nenhum voto de silêncio sobre isto mas posso reduzir a intervenção aqui.
henrique pereira dos santos