domingo, março 01, 2009

O fogo que arde sem se ver

Jaime Pinto, sabendo que esta é uma matéria que me interessa, fez-me chegar a informação que pode ser encontrada aqui, aqui e aqui, para além do seu o testemunho directo, do qual retiro duas das três fotografias deste post. A terceira retirei-a de um dos sites do estudo que refiro.
E fez uma pergunta essencial: sabendo que se a chuva for da miudinha e der tempo para a vegetação despontar não há problemas e até pode ser benéfico, mas se for da grossa pode ocorrer erosão vale a pena afectar tantos meios para verificar uma coisa tão lógica?

Na verdade Jaime Pinto tem toda a razão e acho que nem vou dizer mais nada sobre isso.
Mas gostava de realçar a facilidade com que se conseguem obter recursos para estudar os efeitos dos fogos, mesmo se o estudo parte de preconceitos claros e sem nenhuma perspectiva temporal associada (basta olhar para o destaque dado a uma coisa razoavelmente irrelevante como o solo hidrofóbico desta fotografia, com umas gotinhas em cima que não se infiltram de imediato) .

Muito bem, em determinadas circunstâncias forma-se esse tal solo hidrofóbico, mas durante quanto tempo até ser rompido por uma erva qualquer? E com extensão existem manchas contínuas deste solo? E quais são, numa perspectiva de três ou quatro anos, os problemas causados por este facto?
Francamente não percebo como se consegue falar sistematicamente na degradação provocada pelo fogo (e neste casso associá-lo à desertificação física e perda de produtividade) quando está perfeitamente identificada uma recuperação notável da vegetação autóctone e da cobertura do solo, hoje muito maior que há cinquenta anos.
O fogo que pelos vistos é o mais complicado é este que arde sem se ver, queimando o dinheiro dos contribuintes, mesmo que sejam os contribuintes europeus, em coisas cuja utilidade é mais que duvidosa.
henrique pereira dos santos

2 comentários:

Portaria ILEGAL disse...

Convido o autor deste blog assim como os seus leitores a verem o anúncio que coloquei no blog: http://portaria-59.blogspot.com/
que levanta sérias duvidas acerca do caso BPN.
Cumprimentos e obrigado

Paulo disse...

Não comentarei os reparos feitos pelo Henrique à relevância do estudo. Do ponto de vista científico limitar-me-ei a referir que os efeitos no solo daquilo que é designado como um fogo experimental de alta intensidade nunca poderão ser tomados como análogos aos do típico incêndio estival.

Paulo Fernandes