quinta-feira, janeiro 14, 2010

Alimentação e sustentabilidade



A relação entre alimentação e a sustentabilidade é tão forte como a da energia. Aliás nem seria de esperar outra coisa sendo a alimentação apenas um detalhe particular da questão da energia.
Esta é uma das áreas que mais me interessam actualmente, desenvolvi para a ATN um programa em parceria com o Chef António Alexandre exactamente chamado "O gosto da biodiversidade" e que espero que tenha realizações concretas dentro de relativamente pouco tempo.
Lembrei-me disto quando ontem vinha para casa, de metro, e resolvi passar por um supermercado. Havia uns camarões em promoção e resolvi comprar um quarto de quilo (sim, um quarto de quilo) porque sabia que tinha um arroz branco de sobra com o qual poderia facilmente fazer o almoço das minhas três meninas que saem para o trabalho de manhã, acrescentando um bocado de tomate, uns legumes e dando destino a um parte da mayonaise que tinha feito (há uns anos, e garanto que a história é verdadeira, ouvi duas miúdas já meias adolescentes a conversar num supermercado onde tinham ido comprar mayonaise. E uma dizia para a outra que lhe tinham dito que se podia fazer mayonaise em casa, mas a outra recusava-se a acreditar).
Claro que da dita salada de camarão me sobraram umas cabeças e cascas, não muitas é certo. Fervi-as algum tempo numa pouca de água, deixei reduzir para um terço, e o resultado está ali à espera que logo faça um molho branco onde substituirei parte do leite por esta água de camarão coada num chinês, para por por cima de uma base de puré em que vou substituir a manteiga por azeite, pôr um bocado de pescada cozida e desfeita por cima (duas ou três postas vão dar seguramente para umas dez refeições, ou melhor, para refeições para dez pessoas) e o dito molho que espero que retenha um bocado do gosto do camarão, tudo no forno (provavelmente um bocado de queijo por cima a gratinar).
Se eu fosse bom cozinheiro poderia depois discutir que tal o resultado, mas como não sou escrevo este post só para dizer que, por exemplo, reduzir o consumo de carne e peixe, aproveitar os restos, usar azeite em vez de manteiga, usar menos alimentos processados não me parece um esforço brutal e uma ameaça ao nosso modo de vida.
E no entanto é isto que se discute quando se discutem alterações climáticas e as opções que temos disponiveis para correr menos riscos.
Não se trata de definir o que cada um deve ou não comer, trata-se de ter consciência dos efeitos das opções que fazemos, livre e individualmente.
henrique pereira dos santos

30 comentários:

EcoTretas disse...

Acho muito bem que tu comas da comida que gostas. Eu cá adoro os bifes, e como tenho consciência que não fazem mal ao clima, e que alterações climáticas há todos os dias, continuo a deliciar-me com aquilo que eu gosto...
Também não sou adepto das abstinências religiosas, sejam católicas, sejam climáticas.
Ecotretas

joserui disse...

A bronquidão não conhece limites. E sempre com as ofensas religiosas para depois, coitadinhos se fazerem de vítimas e berrarem ad hominem! ou Goebbels!.
Que grande bronco. Faz-te lá de vítima ò tretas. -- JRF

Manuel disse...

Acho bem esses delirios culinários, significa que vai sobrar mais dinheiro no fim do mês.
Que fazer com esse dinheiro?
Juntar para um carro novo?
Juntar para ir jantar fora?
Dar aos mais carenciados?
Pôr no banco para outros gastarem?
Seja qual for a opcção esse dinheiro vai ser usado para aumentar o consumo.
A única solução seria o autor destes delirios passar a ganhar menos. Não é agradável? Pois... mas olhe essa seria a única atitude verdadeiramente ecológica. Passar a ganhar e a gastar apenas cerca de metade do rendimento médio per capita dos portugueses.
Pensando bem, é isso que estão a querer impigir aos outros. Experimentem a vossa própria receita durante um ou dois anos e, depois venham cá contar como foi.

Manuel disse...

Acho bem esses delírios culinários, significa que vai sobrar mais dinheiro no fim do mês.
Que fazer com esse dinheiro?
Juntar para um carro novo?
Juntar para ir jantar fora?
Dar aos mais carenciados?
Pôr no banco para outros gastarem?
Seja qual for a opção esse dinheiro vai ser usado para aumentar o consumo.
A única solução seria o autor destes delírios passar a ganhar menos. Não é agradável? Pois... mas olhe essa seria a única atitude verdadeiramente ecológica. Passar a ganhar e a gastar apenas cerca de metade do rendimento médio per capita dos portugueses.
Pensando bem, é isso que estão a querer impingir aos outros. Experimentem a vossa própria receita durante um ou dois anos e, depois venham cá contar como foi.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Manuel,
Vejamos destinos alternativos para o meu rendimento:
investimento em eficiência energética (significa mais conforto por menos consumo);
investimento em conhecimento (significa mais capcidade de gerir a minha vida, provavelmente de forma mais eficiente);
apoio a quem tem menos que o mínimo, corresponde de facto a uma transferência de consumo tendo como resultado final menos sofrimento para alguns (e bastaria que fosse um);
reforço do projecto de microcrédito em que participam voluntariamente algumas das minhas filhas, mais uma vez significa transferência de rendimento, eventualmente com aumento de consumo, mas mais uma vez com efeitos importantes na redução do sofrimento de terceiros;
E confesso que é a primeira vez que vejo alguém dizer que o consumo supérfluo é socialmente mais favorável que o dinheiro de investimento posto no banco.
De qualquer maneira a única coisa que fiz foi explicar que as opções têm custos e que é bom conhecer esses custos antes de as fazer.
E até tive o cuidado de defender que cada um faça as opções que entender, mas que as faça conscientemente.
É claro que para quem não tem consciência é difícil fazer opções conscientes, mas penso que estamos todos de acordo que isso só acontence numa ínfima minoria percentagem das pessoas que estão no mundo.
É aliás por ser uma minoria tão pequena, e por haver uma maioria tão grande que usa critérios de consciência (irredutivelmente pessoais) que isso se tornou um valor de mercado suficientemente atractivo para que a grande maioria das empresas mais dinâmicas, inovadoras e eficientes tenham explicitado as suas opções de responsabilidade social.
Já agora, quando no refeitório de uma empresa se serve uma refeição menos sustentável apenas porque não existe consciência de que se pode obter o mesmo em qualidade e valor nutritivo de forma menos impactante, onde fica a liberdade individual?
henrique pereira dos santos

Nuno disse...

Evitando com esforço as provocações de trolls, teria a dizer que para além de quaisquer questões climáticas, as recomendações deste post têm origem no puro bom-senso:

-existem benefícios para a economia (comer dentro da época e localmente beneficia os produtos competitivos nacionais)
-para a saúde (vai de encontro ás recomendações de cardiologistas e nutricionistas)
-para o ambiente ( a agricultura biológica e caça sustentável têm benefícios para a qualidade do solo e biodiversidade).

Apenas bom-senso.

Nuno Oliveira

PS. Nos últimos anos ando a (re)descobrir o mel e todas a variedades que pode assumir, tendo desde há ano e meio eliminado o açucar da despensa: existe mel nacional de excelente qualidade, muitas vezes produzido artesanalmente (não é dificil de encontrar), é bastante mais saudável e com menos industrialização envolvida (como a refinação), é bom para a polinização e a mão de obra "escrava" não se trata de seres humanos em países sem regulamentação laboral. Chamem-me fundamentalista eco-religioso!

Manuel disse...

Vejamos destinos alternativos para o meu rendimento:
investimento em eficiência energética (significa mais conforto por menos consumo);
R: Nunca o aumento da eficiência energética levou a menores consumos, levou apenas a maiores consumos feitos de forma diferente.

investimento em conhecimento (significa mais capcidade de gerir a minha vida, provavelmente de forma mais eficiente);
Vamos supor que o investimento é de forma autodidacta. Terá que transferir dinheiro que será usado para aumento do consumo em algum elo da cadeia económica. Se for através de outrem, esse outrem passará a dispor desses recursos que, novamente irão apenas transferir de um para outro o consumo.

apoio a quem tem menos que o mínimo, corresponde de facto a uma transferência de consumo tendo como resultado final menos sofrimento para alguns (e bastaria que fosse um);
Tal como eu disse isso significa dispor de menos rendimentos, será que está disposto a isso ou só pretende dar uma esmola ao pobrezinho?

reforço do projecto de microcrédito em que participam voluntariamente algumas das minhas filhas, mais uma vez significa transferência de rendimento, eventualmente com aumento de consumo, mas mais uma vez com efeitos importantes na redução do sofrimento de terceiros;
O mesmo do ponto anterior.

E confesso que é a primeira vez que vejo alguém dizer que o consumo supérfluo é socialmente mais favorável que o dinheiro de investimento posto no banco.
Não foi isso que disse ou pretendi dizer. Encare isso como a situação em que um pai põe o dinheiro das poupanças no banco e o filho depois vai usufruir dele, ou outra qualquer situação semelhante.
Afirmo mais uma vez que: a única atitude verdadeiramente ecológica é diminuir os rendimentos de quem os tem em excesso, implicando isso que numa perspectiva mundial, o rendimento per capita não poderá chegar a metade do rendimento médio dos portugueses. Alguém tem coragem de dizer a quem ganha o ordenado mínimo que deve passar a ganhar metade?
Também gostaria de saber quanto gasta por mês um fundamentalista eco-religioso para poder comparar com um pobre desperdiçador que se calhar não precisa de descobrir o mel porque até tem umas colmeias.

Manuel disse...

Comentários anónimos são permitidos sempre e quando os seus autores se abstiverem de usar este espaço para desenvolver argumentos de tipo "ad hominem".

Comentários que não respeitem este princípio serão apagados ou, no caso do sistema de moderação de comentários estar em funcionamento, não publicados.

A não ser que insultem quem está em desacordo connosco, chamando-lhes por exemplo: trolls.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Manuel,
1) Usamos um critério largo para definir o que passa no crivo. Não me parece que a qualificação de troll (que aliás no seu caso acho injusta) seja tão grave face à perda que é sempre a limitação da liberdade das pessoas dizerem o que pensam.
2) Não sei o que é um fundamentalista eco-religioso (um insulto não é com certeza portanto deve ser um elogio mas eu não sei o que significa).
3) Não percebi a sua lógica do ordenado mínimo ser reduzido a metade. Ainda que o rendimento médio mundial tivesse que ser reduzido a metade (se tiver uma fonte para a afirmação é sempre bem vinda) não percebo por que razão parte do princípio de que não pode haver redestribuição.
4) Já percebi que acha que havendo falta de recursos isso é um problema de quem os não tem, portanto não faz sentido reduzir os consumos supérfluos porque isso só faz aumentar os rendimentos de quem já tem recursos o que conduz a novos consumos. É uma visão determinística do mundo que não compreendo: pensei que qualquer mudança de consumos gerasse ganhadores e perdedores diferentes, mas está-se sempre a aprender.
"investimento em eficiência energética (significa mais conforto por menos consumo);
R: Nunca o aumento da eficiência energética levou a menores consumos, levou apenas a maiores consumos feitos de forma diferente."
Se bem percebo, do seu ponto de vista desperdiçar ou usar mais eficientemente tem o mesmo significado económico. Tem alguma fonte onde foi buscar esta ideia? Eu por mim tenho um artigo de michael porter e class van der linde que diz o contrário, chama-se green and competitive.
Mas com a investigação que me vai indicar terei oportunidade de me actualizar.
By the way, o tal aumento de rendimento inútil nas empresas tem outro nome: aumento de competitividade.
Calculo que para si seja outra inutilidade.
henrique pereira dos santos

Nuno disse...

Caro Manuel,

Acalme-se que depois de qualquer Natal estou completamente pronto a juntar-me a si na dinamitação do consumismo!

Até lá, porque não dá um exemplo de moderação de consumo e de diminuição do desperdício dos seus rendimentos numa economia injusta?
Comece por cancelar a sua subscrição ao serviço de internet, por exemplo.

Cumprimentos

ps. Por acaso compro mel a "um pobre desperdiçador" que tem em tão grande condescêndencia, uma relação mutuamente benéfica tanto que combinamos no Agosto passado uma vista e uma cresta com que o "remunerei" com um almoço para ambos- foi uma boa aplicação de rendimento extra.

Manuel disse...

- Não percebi a sua lógica do ordenado mínimo ser reduzido a metade. Ainda que o rendimento médio mundial tivesse que ser reduzido a metade (se tiver uma fonte para a afirmação é sempre bem vinda) não percebo por que razão parte do princípio de que não pode haver redestribuição.
- Porque nem nos países ditos socialistas havia igualdade remuneratória, nem actualmente nos países nórdicos que são as sociedades mais igualitárias.
A propósito acha que professores, médicos, quadros técnicos, políticos etc., aceitariam passar a dispor de apenas o ordenado médio, ou algo parecido?
- Se bem percebo, do seu ponto de vista desperdiçar ou usar mais eficientemente tem o mesmo significado económico. De forma alguma, o que digo é que o aumento da eficiência não provoca diminuição do consumo de recursos na sua globalidade.
- Poderia dar muitos exemplos mas ficam apenas estes:
Os automóveis aumentaram (e muito) a sua eficiência de há 30 anos para cá, mas, toda a gente que conheço gasta muito mais gasolina hoje que antigamente, isto sem falar que o aumento da eficiência de fabrico tornou o automóvel acessível a cada vez mais gente, gerando um cada vez maior consumo de recursos.
O aumento da eficiência das fábricas de electrodomésticos, tornou-os tão baratos que, hoje temos em nossas casas electrodomésticos por todos os cantos – televisões, computadores, aquecedores, frigoríficos, micro-ondas etc. todos cada vez mais eficientes, mas, no total o consumo de electricidade vai subindo, isto sem falar na energia que foi gasta a produzi-los e vendê-los.
Enfim, não vale a pena continuar. Embora os nossos objectivos finais possam ser os mesmos, a perspectiva da forma de lá chegar é muito diferente.

joserui disse...

Este Manuel pela argúcia e qualidade da argumentação, não esquecendo os epítetos e respectiva inversão da valores habitual, faz-me lembrar uma criatura que faz uns copy/pastes n'O Insurgente.
Coisa fina. É um gosto aprender com gente tão maravilhosa. -- JRF

Paulo Rosario Dias disse...

Infelizmente o comentário do Manuel acaba por representar um pouco do pensamento de que ecologia e ECOnomização são contrários ao progresso.

O consumo a tecnologia e a indústria não são necessariamente coisas más. Um tradicional cultivar excedentes de batatas para as trocar por uma bicicleta é equilibrado.

Claro que quem vive a economia ancestral de subsistência e de troca de produtos sem recurso ao dinheiro participa mais na sustentabilidade do que nos excessos consumistas.

Não é por vivermos num mundo com sistema de capitais que não se possa ter melhores práticas.
Gastar em energias alternativas tem problemas sim mas menos do que gastar na compra de combustíveis fósseis...

Um rico e gastador pode ser muito mais equilibrado para ele, para os outros e para o planeta do que um menos abastado.

Ecologia é o bom senso e o respeito a imperar sobre a ganância egoísta.

É o equilíbrio sobre o excesso.

Cumprimentos.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Caro Manuel,
Não percebi bem a sua arguemntação:
nos primeiros comentários argumentava que não valia a pena usar mais eficientemente os recursos porque isso se traduzia em mais rendimento disponível e, consequentemente, mais consumo.
Nos últimos explica que esse aumento de consumo se deve ao facto de mais gente ter acesso ao bem estar e de uma produção mais eficiente de bens e serviços os tornar mais bem distribuídos.
Assim sendo, qual é a sua objecção ao post?
É porque defende uma menor democratização do acesso aos bens para cuja concretização é condição indispensável os que a eles têm acesso desperdiçarem muito;
Ou é porque está contra o aumento do consumo de recursos e portanto o melhor é sermos todos mais pobres?
É que no post eu apenas defendo que redução de consumos não é necessariamente pobreza e muito menos que sejam os mais pobres os prejudicados com isso, como alega muita gente que se opõe a medidas de contenção no uso de combustiveis fósseis.
Confesso que me diverte ver um inesperado malthusianismo vir de onde menos esperava.
henrique pereira dos santos

José M. Sousa disse...

«o aumento da eficiência não provoca diminuição do consumo de recursos na sua globalidade.»

Neste aspecto, o Manuel tem razão! É o chamado "efeito rebound" ou "paradoxo de Jevons".

Isto não significa que não se deva promover uma maior eficiência na utilização dos recursos, com certeza que sim, mas a dinâmica de mercado conduzirá ao que o caro Manuel aponta.

"The Myth of Decoupling" pág. 47 "Prosperity without growth"

«Resource efficiency, renewable energy and reductions
in material throughput all have a vital role to play in
ensuring the sustainability of economic activity. But
the analysis in this chapter suggests that it is entirely
fanciful to suppose that ‘deep’ emission and resource
cuts can be achieved without confronting the structure
of market economies.» pág. 57

José M. Sousa disse...

Bem sei que este comentário sai ao lado do tema deste "post", mas creio que se enquadra na sequência de alguns comentários. Trata-se do mais recente documento da NEF-New Economics Foundation: «A Bit Rich
Calculating the real value to society of different professions»
:


«Pay matters. How much you earn can determine your lifestyle, where you can afford to live, and your aspirations and status. But to what extent does what we get paid confer ‘worth’? Beyond a narrow notion of productivity, what impact does our work have on the rest of society, and do the financial rewards we receive correspond to this? Do those that get more contribute more to society? With controversial bonuses being paid out this Christmas in bailed-out banks, we believe that it is time to ask challenging questions such as these.[...]
Why wage inequality matters
In the UK we live in a society of extremes. The incomes of the very rich and the very poor continue to pull away from each other. This is influenced by many factors but wage inequality is at the heart of them. It is a corrosive, destabilising issue that is linked to a range of social problems. It disproportionately affects some groups – particularly women, who predominate in low paid (and unpaid) work. The least well paid jobs are often those that are among the most socially valuable – jobs that keep our communities and families together. The market does not reward this kind of work well, and such jobs are consequently undervalued or overlooked.[...]
Ainda a propósito

Manuel disse...

Pois...

Nuno disse...

O tema de que fala o José Sousa tem toda a relevância e aproveitava para dar uma sugestão para amanhã:

"Há mais vida para além do PIB "
Sábado, 16 de Janeiro, 15h30
Biblioteca Museu República e Resistência
(R. Alberto Sousa, nº 10A – Bairro do Rêgo)

•••
Colóquio com os economistas:
Gualter Barbas Baptista - activista do GAIA e investigador do ECOMAN - Centro de Economia Ecológica e Gestão do Ambiente – FCT/UNL

José Castro Caldas CES – Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

Luis Francisco Carvalho ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa

Manuela Silva Professora Universitária (aposentada)

Susana Peralta Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa

------------------


Acho que existe definitivamente um movimento "mainstream" crescente em que se procuram paradigmas económicos e estilos de vida mais centrados na qualidade de vida, por motivos que são também ambientais.

Cumprimentos

Henrique Pereira dos Santos disse...

O Manuel fez um bom comentário que resume a discussão mas gostaria de acrescentar apenas uma coisa:
o post diz respeito a uma opção pessoal, não é uma receita que se pretenda impôr a outros, e os primeiros comentários do Manuel centravam-se nos efeitos individuais dessa opção (o aumento do meu rendimento, Deus o ouça).
Rapidamente se passou para a discussão do efeito global do aumento de eficiência, que é essencialmente o descrito na discussão.
Mas eu gostaria de vincar que as opções pessoais são irredutivelmente pessoais e sobre elas cada um assume as suas responsabilidades, não sendo razoável escudarmo-nos nos efeitos globais para nos demitirmos das responsabilidades que nos cabem.
O Bill Gates (aliás como depois o Warren Buffet) decidiram colocar imensos recursos ao serviço de objectivos filantrópicos (como aliás sempre fez Rockfeller, um homem profundamente religioso que desde o seu primeiro ordenado reservava dez por cento para filantropia, ou seja, para os outros).
E é desta responsabilidade pessoal que em parte trata o post.
Não por se querer um governo mundial centralista, esquerdista e essas coisas todas, mas porque à liberdade individual corresponde também responsabilidade individual.
henrique pereira dos santos

Castela disse...

Olá Henrique
belo texto sobre alimentação e sustentabilidade, mas a luta não está fácil, mas não podemos desistir.
Um abraço
Castela

José M. Sousa disse...

Tenho algumas reservas quanto a certa filantropia.

Anónimo disse...

É caso para perguntar: qual era a proveniência do camarão? Era selvagem ou de aquacultura? Foi pescado por arrasto? E o arroz? Veio do Suriname do Sudeste Asiático ou do vale do Sado?

Concordo que devemos assumir uma postura de consumidores responsáveis, sobretudo se isso servir para dormirmos melhor, mas como o próprio Henrique sugere não existe "a dieta amiga do ambiente", existe sim uma atitude norteada por princípios de ética ambiental. É por isso recomendável que se evitem posições dogmáticos do tipo "nunca se deve comer o alimento X ou Y".

Alexandre Vaz

Henrique Pereira dos Santos disse...

Alexandre,
Foi de propósito que falei do camarão, que tem, dependendo da forma como é produzido até chegar aos nossos pratos, impactos muito grandes ou muito pequenos.
A análise da sustentabilidade na alimentação é do mais complexo que conheço.
Neste caso a minha preocupação foi mesmo chamar a atenção para o facto de frugalidade não significar necessariamente pobreza.
E exactamente não quiz qualquer confusão com a radicalidade do juízo moral sobre alimentos: eu gosto e como bifes, mas isso não me impede de fazer um esforço moderado no sentido de reduzir o consumo de carne e peixe e, sobretudo, de falar nisso.
henrique pereira dos santos

Anónimo disse...

Pois um bom bife é mesmo bom.... O que me coloca perante o dilema: será que nós adaptamos o nosso comportamento às nossas convicções, ou que arranjamos argumentos que sirvam as nossas opções?

Este é um dilema que me persegue e que se inclui no problema mais vasto de saber qual deveria ser afinal o objectivo último nesta estratégia de responsabilidade ambiental? Ter o menor impacto possível? Isso seria o mais "contra-natura" possível e em última análise levar-nos-ia ao suicídio... Resta-me agarrar-me à ideia mais simples de combater o desperdício (num sentido lato).

Alexandre Vaz

Henrique Pereira dos Santos disse...

A questão é ética, e como tal, é o julgamento irredutivelmente individual que cada um faz do que é bom para si e para sociedade.
Há com frequência tentativas de transformar esta questão ética numa questão moral e, na primeira oportunidade, numa questão normativa.
Eu sou visceralmente avesso a isso e por isso nestes posts vinco bem que não pretendo que opções éticas individuais sejam confundidas com a defesa da imposição dos mesmos padrões a terceiros.
henrique pereira dos santos

joserui disse...

Há com frequência tentativas de transformar esta questão ética numa questão moral e, na primeira oportunidade, numa questão normativa.
Eu entendo essa questão das normas e da intervenção e papel do estado.
Mas não percebi: normativas quanto a gostar e comer camarão, ou normativas quanto à forma de o apanhar? Eu mesmo chegando a abominar a interferência do estado numa série de questões, não percebo como sem medidas descendentes (do governo para os pescadores de camarão) se pode perpetuar a sua existência, designadamente no prato de quem aprecia.
Se assim não for, e corrija-me se estiver enganado, o camarão é explorado como se fosse uma mina ou um poço, ou seja, até acabar.
É difícil as normativas serem ascendentes, por parte de uma população esclarecida ou porque alguma actividade se tornou socialmente inaceitável. Estou certo, ou estou errado? -- JRF

Anónimo disse...

Mas não será a ética por definição normativa? E sem normas qual seria o sentido do movimento ambientalista?

Alexandre Vaz

Manuela Araújo disse...

Caro Henrique Pereira dos Santos

Não me parece difícil tomar esse tipo de opções na alimentação, conscientemente, porque os benefícios ambientais normalmente associam-se aos benefícios para a saúde. E em muitos dos casos, associam-se a benefícios económicos.
Para além disso, a redução do consumo, em geral, é uma meta que tem de ser estabelecida para esta civilização do consumismo, pois bem sabemos que os recursos não são inesgotáveis e que o ritmo de "extracção" é superior ao ritmo de reposição.
Infelizmente, onde gostaria de concordar com o Henrique Pereira dos Santos, mas não posso, é quando refere, num comentário, que é ínfima a percentagem ou minoria que não pode tomar opções conscientes porque não têm consciência:
Do que me apercebo (e o meu meio não é o das pessoas que se interessam, que trabalham em ou estudam questões ambientais), ou essa "minoria" é muito grande (muito, mesmo, para minoria), ou não há informação suficiente (não me parece ser o caso), ou a informação não chega ou não "entra" nas ditas consciências, ou então essas "consciências" são mesmo inexistentes.

Cumprimentos

Nuno disse...

Relativamente á alimentação e ao défice extracção-reposição que a Manuela Araújo menciona torna-se evidente a importância da compostagem ao nível doméstico, uma vez que os resíduos orgânicos "reutilizáveis" são cerca 40% do volume médio de lixo doméstico. A "reposição" parcial dá-se ao nível da fertilidade do solo (jardim ou horta), da diminuição de volume dos aterros, da menor emissão de gases nos mesmos, da infraestrutura de tratamento e transporte, etc. Não creio que haja uma compensação total mas julgo que se trata de uma inevitabilidade que chegue mais cedo ou mais tarde o "castanhão" e distribuição de compostores, que existem nalguns países nórdicos.

O comentário anterior também foca algo importante: "conquistar" a consciência de quem não está directamente envolvido em iniciativas ambientais passa exactamente por dar igual relevo aos benefícios económicos e para a saúde de alguns hábitos, para além dos ambientais.

Cumprimentos

Nuno Oliveira

Anónimo disse...

Bom , primeiramente achei a ideia dos blogeiros perfeita , pode ter opinioes diferesntes, mas como a desse emanuel fala serio né ? cara se toca fica descultindo por besteira , vai arranjar o q fazer !nerds descultindo e foda (desculpinhas aê)! amei , me ajudaram muito mesmo *------------* / ana luiza micatom