domingo, janeiro 24, 2010

U.S. Feeds One Quarter of its Grain to Cars While Hunger is on the Rise

by Earth Policy Institute on January 22, 2010

The 107 million tons of grain that went to U.S. ethanol distilleries in 2009 was enough to feed 330 million people for one year at average world consumption levels. More than a quarter of the total U.S. grain crop was turned into ethanol to fuel cars last year. With 200 ethanol distilleries in the country set up to transform food into fuel, the amount of grain processed has tripled since 2004.

The United States looms large in the world food economy: it is far and away the world’s leading grain exporter, exporting more than Argentina, Australia, Canada, and Russia combined. In a globalized food economy, increased demand for food to fuel American vehicles puts additional pressure on world food supplies.

From an agricultural vantage point, the automotive hunger for crop-based fuels is insatiable. The Earth Policy Institute has noted that even if the entire U.S. grain crop were converted to ethanol (leaving no domestic crop to make bread, rice, pasta, or feed the animals from which we get meat, milk, and eggs), it would satisfy at most 18 percent of U.S. automotive fuel needs.

Ethanol Demand, Rising Food Prices, and Hunger

When the growing demand for corn for ethanol helped to push world grain prices to record highs between late 2006 and 2008, people in low-income grain-importing countries were hit the hardest. The unprecedented spike in food prices drove up the number of hungry people in the world to over 1 billion for the first time in 2009. Though the worst economic crisis since the Great Depression has recently brought food prices down from their peak, they still remain well above their long-term average levels.

The amount of grain needed to fill the tank of an SUV with ethanol just once can feed one person for an entire year. The average income of the owners of the world’s 940 million automobiles is at least ten times larger than that of the world’s 2 billion hungriest people. In the competition between cars and hungry people for the world’s harvest, the car is destined to win.

Continuing to divert more food to fuel, as is now mandated by the U.S. federal government in its Renewable Fuel Standard, will likely only reinforce the disturbing rise in hunger. By subsidizing the production of ethanol, now to the tune of some $6 billion each year, U.S. taxpayers are in effect subsidizing rising food bills at home and around the world.

For more information on the competition between cars and people for grain, see Chapter 2 in Plan B 4.0: Mobilizing to Save Civilization (New York: W.W. Norton & Company, 2009), on-line for free downloading with supporting datasets.

14 comentários:

Eduardo F. disse...

Bom post! Fico a aguardar, com curiosidade, os comentários.

Nuno disse...

Já estava na hora de desmontar esta farsa dos bio-combustíveis.
A UE já recuou alguns objectivos relativos a esta "alternativa".

Só fiquei curioso quanto á estimativa do "um depósito de uma SUV dava para alimentar uma pessoa por um ano" e depois fala-se em falta de disponibilidade de "arroz e farinha" e de "carne, leite e ovos". Qual é exactamente a composição dos materiais utilizados para o etanol?

É que parece-me que a colheita utilizada é a de milho e soja proveniente das mega-explorações destes materiais, que servem essencialmente para produzir forragem para explorações da animais intensivas e para indústria transformadora (nomeadamente açucares artificiais). Não é exactamente "pão e ovos" nem materiais para consumo humano directo, como o arroz ou farinhas.

É importante abandonar esta estratégia como também é importante saber exactamente o que é exactamente alimento para consumo humano.

É que a carne a que se destinava a forragem e os acucares não iam de certeza para "alimentar os esfomeados" por esse mundo fora mas a retirada destes produtos do mercado de commodities para alimentação acaba por afectar o "3ºmundo" pelos picos de preços que provocam nos produtos de que dependem realmente, como sucedeu no Verão de 2008.

Portanto parece-me que o impacto da exploração dos biocombustíveis no ambiente é directo e o impacto na alimentação humana mundial é indirecto, mas igualmente devastador.

Cumps

Nuno Oliveira

joserui disse...

Caro Nuno, nos EUA o etanol é utilizado como aditivo da gasolina, em % obrigatória em vários estados. É produzido com milho.
Nos EUA está praticamente tudo errado com o milho desde o tempo de Nixon. Um livro mesmo muito interessante que aborda o assunto é "O Dilema do Omnívoro" de Michael Polan.
Este artigo parece-me enganador, porque o milho não ia para os famintos de qualquer forma. Não é produzido para isso. O milho serve para tudo deste etanol a plástico, passando por adoçante e aditivo alimentar, o que é importante é que seja transformado para criar valor acrescentado.
Se a preocupação dos produtores fosse a fome do Mundo, não enviavam metade da produção para alimentar o gado, que nem está biologicamente preparado para o milho e só o digere à custa de muito sofrimento e práticas que entre outras coisas colocam em causa a saúde pública. -- <a href="http://www.sargacal.com/>JRF</a>

Nuno disse...

Olá José,

Era precisamente o que eu pretendia dizer, depois daquilo que li no Dilema do Omnivoro, precisamente.

Aqui usa-se infelizmente um argumento, o de "roubar comida essencial da boca dos pobres" que não é verdadeiro no caso dos EUA (pelo menos não directamente como mencionei).

Porque é que isto é perigoso?

Porque é precisamente esta falácia do "milho e soja alimentam o mundo" que é utilizada para avançar práticas agrícolas que nem alimentam o mundo nem contribuem para a sobrevivência ambiental e económica dos sitios onde estão implantados.


Cumprimentos

Nuno Oliveira

José M. Sousa disse...

Não é verdade que os pobres famintos fiquem indiferentes ao milho. Por exemplo no México.
Os EUA são o maior exportador agrícola mundial, se não estou em erro. Não podemos separar as coisas. Se o preço do milho ou da soja sobe, é muito natural que agricultores mudem para essas culturas, na medida do possível, induzindo alteração de preços em todas as outras.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Mais de 50% da alimentação mundial assenta em milho, arroz e trigo.
Em mercados globalizados não se podem separar procuras: se, como neste caso, os governos induziram um aumento de procura remunerando artificialmente os biocombustiveis (seja por regulamentação, seja por subsidiação) é evidente que essa procura adicional influencia todo o mercado.
Por isso convém separar os biocombustiveis feitos a partir de alimentos directamente utilizáveis pelas pessoas, daqueles que são feitos a partir de outras plantas mais ou menos energéticas (Lula tem insistido nessa distinção, com alguma razão e por razões óbvias).
De qualquer maneira não é líquido que os preços dos cereais tenham subido em consequência dos biocombustiveis (pelo menos de forma significativa): a alteração da dieta de milhões de pessoas, sobretudo na China e India, com maior peso da carne, provoca um aumento de procura de cereais muito importante, provavelmente suficientemente importante para alterar os preços porque os espectaculares aumentos de produção do passado recente foi chão que deu uvas. A oferta é hoje muito mais rígida do que foi no passado.
Veremos o que vai acontecer agora, se a retoma económica se confirmar.
henrique pereira dos santos

José M. Sousa disse...

Os biocombustíveis de culturas alimentares não foram a única causa para o aumento dos preços, mas foram importantes, como reconhece o Banco Mundial:

«Biofuel production has pushed up feedstock prices. The clearest example is maize, whose price rose by over 60 percent from 2005 to 2007, largely because of the U.S. ethanol program combined with reduced stocks in major exporting countries.»
Segundo o Guardian o Banco Mundial admitiu uma relação clara num estudo não publicado:
«Biofuels have forced global food prices up by 75% - far more than previously estimated - according to a confidential World Bank report obtained by the Guardian.»

José M. Sousa disse...

O link do Guardian não ficou bem: aqui

joserui disse...

remunerando artificialmente os biocombustiveis
O milho nos EUA está remunerado artificialmente desde o Nixon. Uma cada vez maior produção a cada vez menor preço que depois era complementado pelo estado, foi o que arruinou os agricultores do México e muita América do Sul.
Eu já há muito tempo que não me acredito nesse mercado em que umas coisas influenciam as outras e funciona com base na oferta/procura. O "mercado" está distorcido em todos os pontos, nunca funcionou como teóricos o imaginaram. Produzir etanol via milho é muito menos eficaz do que a partir de cana e no entanto é o que os EUa produzem.
Se continua a ser produzido do milho nos EUA para tudo, é por desígnio. Se a remuneração é via etanol ou directa, acaba por ser indiferente. JRF

Nuno disse...

O meu reparo tem a ver apenas com o seguinte:

Por motivos ambientais, sociais, energéticos, económicos, etc., etc. não faz sentido apostar tanto nos biocombustíveis ou na agricultura industrial, cujos produtos vão em larga medida para suportar hábitos alimentares que nada têm a ver com a mitigação da fome. Bastam os efeitos ambientais e económicos.


Não é necessário usar o argumento de que somos prejudicados pelos biocombustíveis porque ocupam a nossa produção alimentar industrial, quando também queremos mitigar os efeitos e influência desta última. É um falso argumento e uma faca de dois gumes porque supostamente está-se a dar razão de ser a uma forma de criar alimentos que não representa vantagens face a alternativas com um impacto menor.

Isto de alimentar o 3ºmundo é que me levanta uma questão:

- li num artigo (ainda estou á procura de uma fonte para ter a certeza de que me lembro bem) que a FAO determinou que a maioria do 3º mundo ainda se alimenta com a agricultura familiar tradicional de reduzida escala. A excepção era nos locais onde a ajuda humanitária (que indirectamente por vezes "subsidia" a produção industrial de alimentos) ou a produção industrial tinham entrado, por um motivo ou outro, nestes países. Nesse caso o mercado local é aniquilado pelos reduzidos ou inexistentes custos do alimento de origem industrial que é fornecido, criando um ciclo vicioso de dependência que na verdade decapitou a segurança alimentar destes lugares. Isto não é um argumento contra a ajuda humanitária ou ao investimento nestes países mas uma crítica á sua eficiência e aos seus efeitos mais nefastos e ao modo como activa ou passivamente a agro-indústria participou nesse ciclo como predadora, não salvadora.


É importante tornar óbvio para o público em geral que muitos de nós dependem realmente em larga medida de um tipo de agricultura que no fundo não traz benefícios a longo prazo e que tem sobrevivido graças a subsídios monumentais e pela fuga á incorporação dos seus impactos ambientais no preço, dando a ilusão de que é bastante económica e acessível aos países subdesenvolvidos.

Penso que deve ser tão necessário repensar a resolução da questão do combustível como repensar em grande escala todo nosso sistema agrícola num mundo em que é menos verosímil a abundância de combustível barato, de água, de solos férteis e em que a qualidade, a saúde e o ambiente estão no centro das preocupações alimentares.

Cumps,


PS. Lembro-me também de outro documentário, "We Feed the World" , em que um agricultor alemão explica como é subsidiado pelo estado para produzir milho especificamente que depois se usa como biomassa para aquecimento doméstico.

Anónimo disse...

muitos dos que vêem aqui um problema no agravamento da disponibilidade alimentar (competição real por parte dos biocombustíveis), são os mesmos que se opõem a uma das soluções em aumentar essa disponibilidade alimentar através dos transgénicos ... enfim, contradições.

Eduardo F. disse...

Fiquei esclarecido, sem surpresa. Trata-se, no espaço euclidiano, da diferença entre uma tangente e uma secante. A "casa" naturalmente que se ficou pela tangência. Hélas!

joserui disse...

Pois é anónimo, esse aumento da disponibilidade alimentar com os transgénicos é que ainda está por provar. -- JRF

Nuno disse...

Caro anónimo,

Não sei se leu o resto dos comentários mas é precisamente porque o tipo de agricultura a que os transgénicos estão actualmente associados não alimenta o mundo que o argumento de que os biocombustiveis retiram sempre comida essencial da boca de pessoas referido no texto não é necessariamente uma verdade absoluta.

Essa posição que descreve surge no texto e foi criticada por isso.

Infelizmente está ausente no mesmo texto a verdadeira razão da falha estratégica dos biocombustíveis: apostam num tipo de agricultura destrutivo, substituindo solos para "alimentos", o que leva á expansão de explorações destas características e ainda mais degradação. Os transgénicos existentes no mercado são um dos processos que possibilita este tipo de agricultura.

De qualquer modo agradecia que explicasse como é que os produtos transgénicos actualmente alimentam eficientemente o mundo em desenvolvimento quando as principais aplicações- milho e soja para gado dedicado a dietas baseadas em carne diária e barata; óleos para fritura; acucares artificiais; algodão para pronto a vestir de baixa qualidade, etc, etc- servem apenas, e mal, o 1º mundo.

Explique-me também qual o benefício de aniquilar a agricultura tradicional familiar destes lugares, que empregam bastante gente e garantem a alimentação de todos, por um tipo de agricultura que exige grandes expropriações (como em Madagáscar agora), tem poucos empregos envolvidos, exige maquinaria pesada muito cara e dependência de fertilizantes/pesticidas?

É que estou convencido que este modelo de produzir alimento faz exactamente o contrário áquilo que diz.

Cumps