terça-feira, outubro 05, 2010

Predadores de topo

Retomo as questões associadas aos posts anteriores, tentando clarificar por que razão me parece mais razoável a posição claramente anti-capitalista que as posições de diabolização dos sector financeiro, sem a consequente conclusão anti-capitalista, que só servem para distrair as atenções do que realmente importa, porque é o que podemos influenciar: a responsabilização dos Governos pelas suas opções.
Felizmente, ontem no Público, Rui Tavares deu-me uma ajuda para fazer este post, com um texto que é um bom exemplo do que pretendo contestar.
"isto não teria de tornar-se numa depressão, a não ser pela insistência em fazer a população comum pagar pelos erros dos perdadores no topo da economia".
Num assomo liberal que lhe desconhecia (e de que só encontro eco nos liberais mais radicais) Rui Tavares assume que se deveriam deixar falir os bancos e outros operadores financeiros para evitar que fosse o dinheiro dos contribuintes a pagar os seus erros.
Até aqui não tenho discordância de fundo, isto é, é uma alternativa possível, tenho dúvidas sobre a sua exequibilidade e sobre o que faria sofrer mais as pessoas comuns, mas é uma posição clara e passível de discussão.
Mas como o corolário desta posição está nos antípodas do que defende politicamente Rui Tavares, o artigo continua.
Num golpe de rins, Rui Tavares afirma "depois de terem alavancado os seus castelos no ar, reprovaram a construção de infra-estruturas que dariam emprego agora e crescimento no futuro".
Rui Tavares acha o dinheiro uma coisa imaterial, elástica e um bem público, parece-me a mim. Mas mais, acha que os capitalistas (isto é, os que têm dinheiro), são uns predadores de topo quando o emprestam, mas são umas bestas quando não o emprestam.
Repare-se, quando o crédito excessivo andava por aí, os únicos beneficiários foram os predadores de topo da economia, diz Rui Tavares.
Pelos vistos, aqueles a quem foram feitos os empréstimos não beneficiaram nada com isso, não compraram bens e serviços que pretendiam, não investiram, não nada, o que é estranho porque a bolha imobiliária, decorre exactamente de haver pessoas que compram bens e serviços com dinheiro que lhes foi emprestado sem que houvesse garantias reais equivalentes, para o caso da coisa correr mal, como correu. Ou seja, Rui Tavares defende a velha ideia de que o banco é aquele sítio onde os que não precisam conseguem dinheiro emprestado, achando que o esforço da finança (com forte empenho dos Estados) em emprestar a quem realmente precisava (os que não são capazes de dar garantias) é um crime inqualificável.
Que esta tenha sido a opção também dos Estados para dar casa a quem precisava mas não tinha recursos para isso, em detrimento da velha opção de meados do século XX do Estado gastar directamente o dinheiro dos contribuintes em habitação social (obviamente com prejuízo para outras opções onde gastar o dinheiro existente), parece ser uma coisa em que Rui Tavares não acredita.
Mas a frase que citei pressupõe que Rui Tavares ache que os predadores de topo têm obrigação de emprestar o dinheiro aos Estados para fazer as infra-estruturas que o Estado não tem dinheiro para fazer. Rui Tavares aparentemente não acredita que seja obrigação dos Estados convencer quem tem dinheiro de que no futuro consegue pagar as dívidas contraídas, ou então, em alternativa, que os Estados primeiro arrecadem o dinheiro e depois façam as infra-estruturas sem necessitar de ir pedir batatinhas a predadores de topo.
Veja-se este gráfico que retirei de um artigo de opinião de Miguel Frasquilho e que é semelhante a outros, um dos quais publiquei há tempos mas não encontro agora o post.
A gestão eleitoral do pagamento de rendas pelas parcerias público privadas é muito evidente no OE de 2009, sendo inconcebível como foi possível adoptar parcerias em que o Estado recebeu dinheiro à cabeça (melhorando o défice nesse ano e passando a dívida para o sector financeiro, que lhe permite dizer hoje que a dívida do país é essencialmente privada) que irá pagar com língua de palmo depois das eleições de 2013 (ano em que por acaso as rendas diminuem bruscamente, criando espaço para investimento em ano eleitoral).
Pretender, como faz Rui Tavares, que os malandros são os que não emprestam dinheiro a quem cria artificialmente este cenário, por puro cálculo eleitoral, é branquear um procedimento político que merece sanção.
Mas há outro aspecto da frase de Rui Tavares, que corresponde ao mainstream deste pensamento anticapitalista soft, que vale um comentário: "infra-estruturas que dariam emprego agora e crescimento no futuro".
Pelo que percebo Rui Tavares pretende que eu (e os capitalistas que emprestam dinheiro para fazer obras que os Estados não têm como pagar) acredite que o TGV para Madrid (e não para a Europa, porque a ligação de Espanha com o resto da Europa não está resolvida) tem um movimento anual de 10 milhões de passageiros.
E mais, que ao contrário de Alqueva, onde a água vai ter de ter um preço político, financiado pelos contribuintes, para que os agricultores a usem, o TGV não vai precisar de ser subsidiado, secando a disponibilidade de dinheiro na economia pelo seu uso pelo Estado num processo cujo retorno económico se aproxima muito mais de um jogo de azar (ou uma economia de casino) que qualquer especulação financeira.
Ou seja, para Rui Tavares não existe um problema real de dinheiro, que é acentuado pela despesa do Estado, existem sim predadores de topo que não o querem disponibilizar (aparentemente porque tiveram perdas colossais na recente crise e ficaram mais cautelosos acerca destes amanhãs risonhos e promissores, exactamente a atitude que Rui Tavares, e os anticapitalistas soft, entendem que poderia ter evitado a crise se tivesse sido adoptada anteriormente pelos predadores de topo).
Infelizmente estas sessões lúdicas de construções de mundos alternativos, onde o dinheiro é um bem inesgotável e controlado por Governos que são grandes empresários justos e competentes, têm mais influência do que parece: a quantidade de gente que vocifera contra os predadores de topo em vez de pura e simplesmente votar em conformidade com a responsabilidade dos Governos incumbentes é suficiente para manter no poder quem sempre se caracterizou por predar o Estado a favor dos amigos, usando o crescimento futuro como desculpa para tudo.
henrique pereira dos santos

27 comentários:

José M. Sousa disse...

Do subversivo Instituto Alemão IFO:

«Background
Since the liberalisation of the financial markets in the 1980s, both the number of financial innovations as well as the number of financial transactions has greatly increased. The focus has been on short-term profits and speculation. Only a small portion of the transactions goes to financing projects in the real economy.[1] Banks and other financial institutes employ enormous sums of money short-term and highly complex financial products, backed by small amounts of their own capital, in order to achieve high net yields at even small margins. The incentive to engage in extremely risky transactions is large because they hold out the promise of enormous profits, whereby the losses are shifted to the investors or taxpayers.[2] The danger is that the prices fluctuate and distance themselves from their equilibrium values in terms of the real economy. Ultimately they can cause currency and financial crises.»

Destaco: «Only a small portion of the transactions goes to financing projects in the real economy»

José M. Sousa disse...

«[1] According to data of the Austrian Institute for Economic Research (WIFO), the volume of financial transactions in 2007 was 73.5 times greater than the nominal world gross domestic product.»

Penso que a dimensão da especulação é suficientemente clara. Mas, enfim.

Henrique Pereira dos Santos disse...

José M. Sousa,
Passando do background para as conclusões do documento que linka:
"Speculation has a fundamentally stabilising effect on prices because a speculator buys an object when it is cheap and sells it when it is expensive. Speculators thus increase the price when it is low, and lower it when it is high.

It must also be kept in mind that the majority of financial transactions are for hedging with the help of which businesses in the real economy insure themselves. A transaction tax is a much too coarse an instrument for the targeted elimination of dangerous forms of speculation."
Estou de acordo consigo: enfim.
Já agora, o que é a economia real? Não me diga que esta crise é toda virtual porque não tem origem na economia real.
henrique pereira dos santos

José M. Sousa disse...

Caro Henrique Pereira dos Santos

Vou repetir a citação anterior:

«the volume of financial transactions in 2007 was 73.5 times greater than the nominal world gross domestic product.»

Henrique Pereira dos Santos disse...

E qual é o problema?
Como sabe a finança lida com a antecipação do futuro (compro uma casa agora porque me emprestam dinheiro e no futuro eu vou gerar os rendimentos que me permitem pagar a casa). Naturalmente isso conduz a um avolumar das transações financeiras (cujos efeitos se repercutem na economia por muitos anos).
Assim sendo, qual é em concreto a questão?
henrique pereira dos santos

Miguel B. Araujo disse...

Henrique, De todo o teu argumento só não percebo a tua complacência (que não é só tua, diga-se de passagem) com os gastos em submarinos e a tua animosidade a investimentos estruturarais, como é o caso do TGV (compaticipados pela UE).

O primeiro gasto gera emprego na Alemanha mas não serve para nada de tangível na economia Portuguesa e tanto quanto se saiba não resolve os poucos problemas de segurança nacional que o país enfrenta, muito antes pelo contrário.

O segundo, gera emprego numa série de Países Europeus entre os quais Portugal, além de ser alavanca para uma série de investimentos estrangeiros em Portugal (o caso da Embraer em Évora é exemplo e tem associada a criação de 700 postos de trabalho directos). Já para não falar nos custos de oportunidade que se perdem se houver uma linha que vai de Barcelona a Badajoz (a ligação a França está em curso pelo que no futuro falaremos de ligação entre Paris e Badajoz).

Enfim, de uma parte temos um investimnto estratégico cuja discussão se poderia fazer no plano dos "timings" mas que trás benefícios óbvios para o País (podemos obviamente discutir se dado o montante do investimento não haveria formas melhores de gastar o dinheiro) e outro investimento em submarinos cujo retorno económico para o país é zero ou perto de zero.

Entendo as críticas ao TGV ainda que as não partilhe, mas não entendo as críticas ao TGV e a complacência face à compra de submarinos. Não é lógico!

PS. O teu argumento sobre os contratos não cola pois o TGV também está contratualizado, implica acordos entre Estados (qua quanto a mim é coisa séria), implica financiamentos Europeus, etc. Em ambos os casos, rescindir o contrato implica custos.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Miguel,
Estou exactamente a pensar num post para te responder a essas questões mas agora tenho de ir fazer o jantar.
Logo que consiga tentarei explicar melhor o que penso sobre o assunto (que em qualquer caso está longe da tua interpretação).
henrique pereira dos santos

Anónimo disse...

Intervenção na última conferência dos banqueiros centrais da era Greenspan em Jackson Hole:

The Greenspan Era: Lessons for the Future

by Raghuram G. Rajan
Economic Counsellor and Director of the IMF's Research Department

Financial Markets, Financial Fragility, and Central Banking
A Symposium Sponsored by the Federal Reserve Bank of Kansas City

Saturday, August 27, 2005, Jackson Hole, Wyoming

http://www.imf.org/external/np/speeches/2005/082705.htm

A publicação que serviu de base a esta intervenção, "Has financial development made the world riskier?", encontra-se aqui:

http://www.kansascityfed.org/publicat/sympos/2005/pdf/rajan2005.pdf

IsabelPS

José M. Sousa disse...

Vejam só o que diz este perigoso radical, de nome Warren Buffet (é de hoje, 5 de Outubro)

Buffett Compares Wall Street to Church With Raffle

Buffett has called for greater accountability from bank executives whose risk-taking produces losses for shareholders and imperils the economy. The use of derivatives has allowed banks to add risk and “makes a mockery” of federal rules designed to limit losses, Buffett said. “You should go broke,” he said of chief executive officers whose firms require government bailouts to protect society.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Warren Buffet é um liberal e portanto disse o que dizem os liberais: deixem as empresas falir.
Ao mesmo tempo diz o que para mim é claro como a água: a responsabilidade da regulação é dos Governos.
Que os sistemas económicos têm muitos problemas, é um facto, só que a questão não é essa, é o facto de insistirem que isso se deve à ganância dos financeiros em vez de atribuírem a responsabilidade a quem a tem: o Estado, por omissão na regulação e por acção gastando como se não houvesse amanhã.
henrique pereira dos santos

José M. Sousa disse...

«deixem as empresas falir»

Ele não disse isso!

Nuno disse...

Não percebo como a agora óbvia(?) falta de fiscalização e regulação do Estado (só para não dizer flagrante cumplicidade) consegue por si relativizar qualquer coisa.

A ocasião perdoa o ladrão ou o Estado não serve para regular mas serve para responsabilizar?

Os bancos, por exemplo, reduzem desde 2007 (que saiba) cerca de 50% dos lucros em benefícios fiscais, em poucos dias soube-se que as reduções de benefícios que lhes cabem totalizam 7% (90% para todo o resto da população) e já se disse que esse valor iria ser reflectido nos clientes.
Apenas as salvações do BPN e BPP subiram o défice de 4.6 para 7.3% (e nós a falarmos de submarinos e TGVs).
Em Maio perdoaram-se 11.2 bl€ em off-shores.

Será que a banca neste caso é totalmente alheia a estes inexplicáveis surtos de generosidade aleatoriamente atribuídos por sucessivos governos?

Será que o darwinista e pristino modelo académico do neoliberalismo consegue sobreviver ao facto de ter de ser praticado por seres humanos com fraquezas humanas ou terá o mesmo destino de ideologias que professavam uma distribuição irredutível de bens?

Julgo que estamos na iminência de o descobrir nos próximos tempos.

Henrique Pereira dos Santos disse...

O problema deve ser do meu inglês: “You should go broke,” quer dizer o quê?
henrique pereira dos santos

José M. Sousa disse...

Pois, não lê o que se lhe apresenta e depois andamos em círculo. Ele está a referir-se aos administradores das empresas e não às empresas:

«You should go broke,” he said of chief executive officers»
“And I think your wife should go broke, too,” he said.»

«Buffett reiterated praise for financial-company bailouts,»

Henrique Pereira dos Santos disse...

O BPN e o BPP são casos de polícia, não devem ser misturados na discussão. Por que razão o Governo não os deixou simplesmenta falir? Não sei, eu acho que é porque o Estado está captivo dos grupos de interesses.
Mas isso nós sabíamos antes das eleições.
E mesmo assim elegemos o incumbente.
Essa é uma responsabilidade que nos cabe, não é às empresas financeiras, que fazem o que é normal: tirar partido das circunstâncias e do facto de preferirmos histórias da carochinha ao trabalho duro e exigente.
Sim, eu sei que existe a responsabilidade social das empresas e não serei ei a desvalorizar isso. Mas é bom lembrar que a primeira responsabilidade social de um empresa é criar valor sem falir.
henrique pereira dos santos

Pedro Bingre disse...

Henrique, desde os mandatos da Tatcher e do Reagan que a banca reclamava uma maior desregulação dos mercados financeiros, tal como propunha esse ilustre discípulo da Ayn Rand, Alan Greenspan. Conseguiram-no ao revogar o Glass–Steagall Act em 1999, abrindo portas à titularização de hipotecas subprime e toda uma plétora de "produtos financeiros" (belo oxímoro) que hoje conhecemos pelas piores razões — CDO, SUV, &c.

A banca teve a desregulação que os ideólogos neoliberais exigiram. E serviu-se dela como se viu.

{A despropósito: confundir neoliberais com liberais é o mesmo que confundir a beira da estrada com a Estrada da Beira. David Ricardo e Stuart Mill foram talvez os mais ferozes opositores de sempre à financeirização do imobiliário — o mesmíssimo processo que os neoliberais usaram para enriquecer às custas das bolhas imobiliárias.

Henrique Pereira dos Santos disse...

José,
Eu leio e releio e continuo a interpretar da mesma forma: sendo evidente que se está a dirigir aos administradores, parece-me óbvio, no contexto,que o está a fazer enquanto representantes das empresas.
Mas admito que haja algum erro de interpretação. Mas leio (pelo menos ao que respondo).
henrique pereira dos santos

José M. Sousa disse...

Currency Markets Draw Speculation, Fraud

Henrique Pereira dos Santos disse...

Pedro,
Experimenta comparar a riqueza, não apenas do mundo financeiro, mas global, incluindo o rendimento médio, dos Estados Unidos e da Inglaterra, antes de Reagan e Tatcher respectivamente, com os mesmos indicadores hoje, mesmo depois da crise.
É bem possível que fiques espantado pelo facto de, apesar da crise, a situação ser hoje comparativamente melhor que a que existia antes deles.
Quer isto dizer que está tudo bem? Não, quer apenas dizer que não vale a pena falar dos fracassos da desregulação sem falar, em simultâneo, dos seus sucessos.
Dizer que tudo não passou de um enriquecimento de financeiros com a bolha especulativa (como se a especulação não fosse inerente ao capitalismo e a muitos outros modelos económicos mas antes uma criação do demónio) tem o problema de não ter nada com a realidade.
A especulação é criadora de riqueza e as tentativas (de resto, morais, não económicas) de limitar a especulação de maneira geral traduzem-se em destruição de valor sem a elevação moral esperada pelos seus autores.
henrique pereira dos santos

Pedro Bingre disse...

Henrique,

Concordo que há boa e má especulação, tal como há bom e mau colesterol. Na boa especulação, o investidor trata de realocar recursos de forma a fomentar a inovação ou a optimização da produtividade; se acerta multiplica o seu net worth, se falha, empobrece. Ora, a especulação que nos trouxe a esta crise resultou de apostas desligadas de inovações reais (hás-de explicar-me as virtudes produtivas dos naked CDS), nas quais o "investidor" reclamava para si os benefícios e arriscava sabendo que, caso tudo corresse mal, os contribuintes o resgatariam.

Outra questão: creio que estarás de acordo que o grande motor do aumento da riqueza mundial nos últimos 20 anos foi a tecnologia da Internet. Pois bem: ela é fruto de puro keynesianismo militar...

Ainda outra questão: qualquer indivíduo que possa ir buscar os seus rendimentos futuros e trazê-los ao presente poderá sentir-se momentaneamente rico. Até ao momento de começar a amortizar o empréstimo. É o que se passa agora, ao nível de toda a Economia ocidental.

Henrique Pereira dos Santos disse...

Pedro,
Esta tua frase: "o "investidor" reclamava para si os benefícios e arriscava sabendo que, caso tudo corresse mal, os contribuintes o resgatariam" pura e simplesmente não corresponde aos factos.
Os investidores perderam milhões e milhões e por vezes as empresas foram resgatadas mas não os seus acionistas.
henrique pereira dos santos

Pedro Bingre disse...

Henrique, tens toda a razão. Não foram os investidores quem ganhou: foram os gestores, com os seus pára-quedas de ouro, pagos com o dinheiro dos contribuintes.

José M. Sousa disse...

Era para isso que alertava Warren Buffet.

Talvez este vídeo ajude a esclarecer alguns equívocos:

The Crisis of Credit Visualized

José M. Sousa disse...

Finalmente parece haver algum bom senso na proposta para apolítica económica alemã

José M. Sousa disse...

«(e os capitalistas que emprestam dinheiro para fazer obras que os Estados não têm como pagar)»

a propósito, considerar esta citação atribuída a Henry Ford e Thomas Edison

Anónimo disse...

E já agora, quanto tempo levará até esta castanha nos saltar na boca do outro lado do Atlântico?

http://voices.washingtonpost.com/ezra-klein/2010/10/this_is_the_biggest_fraud_in_t.html

"The financial crisis was a product of our irrational reaction, which protected crony capitalism rather than capitalism. In capitalism, the shareholders who took the risk would be wiped out and the debt holders would take a discount but banking would go on."

IsabelPS

José M. Sousa disse...

Ainda sobre a questão das poupanças, de não haver dinheiro, etc., um artigo interessante que coloca bem os termos da discussão (não da situação portuguesa em particular; o caso britânico, apesar de tudo, é distinto porque têm moeda própria) e desmonta algumas ideias feitas, inclusive, entre economistas:

Do we need savings for investment?