quinta-feira, agosto 12, 2010

Não era mentira, era mesmo desonestidade

Miguel Galante diz num comentário a este post que eu deveria ter tento na língua porque me bastava ter ido aos relatórios quinzenais da AFN e verificar que é verdade que os índices destas semanas de Agosto são semelhantes aos de 2003.
Respondi à substância do comentário na respectiva caixa de comentários do post, mas venho aqui retratar-me: realmente não era de uma mentira que se tratava.
O quadro a que se refere Miguel Galante é o que está no fim do post e tem o seguinte comentário, do mesmo relatário:
"Comparativamente com os últimos 11 anos, conforme se verifica na figura 1, o valor acumulado do DSR no ano de 2010 mantém a tendência de um posicionamento intermédio entre os anos de maior severidade (2004, 2005 e 2006) e os anos de menor severidade (2000, 2007 e 2008)."
Afinal o Sr. Ministro tinha razão. Os índices deste ano são semelhantes aos de 2003.
Que culpa tem o Sr. Ministro que as pessoas não saibam que 2003 foi um ano de severidade média?
henrique pereira dos santos

2 comentários:

Paulo disse...

Henrique,

Comparar anos de fogos com base em gráficos e estatísticas da evolução do perigo meteorológico de incêndio a nível nacional induz geralmente em erro grave. Como aqui tem sido mostrado a actividade de fogo obedece a padrões regionais.

P. Fernandes

Henrique Pereira dos Santos disse...

Paulo,
Não posso estar mais de acordo contigo.
Que alguém tenha intrujado o Sr. Ministro para dizer o que disse não me custa a acreditar, porque vi e ouvi eu próprio o Ministro entrar numa reunião preocupado com o facto de todos os órgãos de comunicação social estarem a dizer que a área ardida nesse ano já era superior à do ano anterior (uma curiosidade sem nenhum significado real quando descontextualizada, é o mesmo que dizer de manhã que faz sol ou está a chover), e sair da reunião a dizer que era preciso cuidado com o que diz a comunicação social porque ele próprio se tinha convencido disso quando afinal a situação não era essa. O que se tinha passado é que o Sr. Ministro não percebeu que nos dados que lhe apresentaram na reunião o referencial tinha deixado de ser o ano anterior para ser a média dos cinco anos anteriores. Até aqui nada de grave, pode acontecer a qualquer um não perceber a subtileza da alteração da forma como são apresentados determinados dados, sobretudo quando se trabalha ao ritmo a que trabalha um ministro, sem tempo para ler e estudar o suficiente de cada assunto. O que foi grave foi que as pessoas que o rodeavam, e que prepararam a informação, deixaram o Ministro partir enganado, a pensar que os malandros da comunicação social o tinham estado a enganar, em vez de esclarecer a situação.
Portanto não me espanta que intrujem o Ministro, pareceu-me aliás fácil nessa reunião.
Agora que um indivíduo que aparentemente é adjunto de alguém no Governo, portanto com a obrigação de saber do que está a falar, me mande ir ver índices que aparentemente sabe que são o que são, chamando-me a mim desonesto, é que já me parece demais.
Foi por isso que escrevi este post, não foi por ter a menor dúvida sobre o que dizes.
Na realidade até se pode dizer, com verdade, que nas zonas onde mais tem ardido este ano, nomeadamente no Minho, as condições deste ano são bastante mais dificeis que as condições de 2003 nessa região. Isto seria inteiramente verdade, sendo ao mesmo tempo uma aldrabice, porque é evidente que chamar 2003 como termo de comparação é chamar a região que ardeu, onde as condições eram muito, muito diferentes das condições existentes no Minho nesse mesmo ano.
henrique pereira dos santos