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segunda-feira, janeiro 31, 2011

rir e chorar


Um jovem. Uma mão cheia de vontade, outra de dinamismo. Um apoio de uma câmara do Portugal rural, tão frequentemente esquecido. Mistura-se tudo com um punhado de trabalho, e lança-se o I Encontro de Fotografia de Natureza e Vida Selvagem em Portugal. Aconteceu no passado sábado, dia 29 de Janeiro, em Vouzela. O anfi-teatro local encheu-se com bem mais de uma centena de fotógrafos - amadores e profissionais - e outros amantes da natureza para uma tarde de convívio. Apresentaram-se palestras e fotos, trocaram-se contactos e experiências, combinaram-se sessões e viagens conjuntas. Ao fim, todos crescemos um pouco.

Vieram-me à memória um par de posts – Quanto vale uma foto?  e O saqueador - que aqui publiquei há um par de anos atrás, sobre as taxas que o Estado tentou implementar sem a mínima noção da realidade, com vista a sacar mais umas massas para sustentar o seu despesismo. Procurei à minha volta e não vi aqueles que, fechados nos seus gabinetes e ofuscados pela luminosidade estonteante das suas verdades, debitam legislação variegada e, desta forma ligeira, condicionam a vida dos outros. E foi pena, ganhávamos todos com isso…

com um abraço ao João Cosme, pelo Encontro
Gonçalo Rosa

quarta-feira, abril 28, 2010

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Publicidade

A fotografia é de Luís Ferreira, tirada a partir do abrigo
Para quem se interessa por fotografia de natureza, aqui ficam estes dois links, sobre o abrigo da Faia Brava.
henrique pereira dos santos
Declaração de interesses: sou colaborador remunerado da ATN, associação que é proprietária e gere a Faia Brava onde se localiza este abrigo comercial

terça-feira, novembro 10, 2009

o saqueador



Em Fevereiro de 2009, publiquei um post aqui sobre o "preçário de serviços de visitação do ICNB". As ditas taxas aliadas a uma fiscalização eficaz, matariam, por exemplo, a fotografia de natureza em Portugal, praticada com fins comerciais, dentro da rede nacional de áreas protegidas, ainda que esteja em crer que não fosse exactamente esse o seu propósito.

Como seria facilmente previsível, o dito preçário indignou e indigna a grande maioria dos fotógrafos de natureza profissionais e amadores, quer quando fotografam com fins comerciais quer quando o fazem com outro qualquer propósito, tão desfasado que está da realidade. A discussão foi intensa em alguns espaços da internet - ver, em Fotógrafos de Natureza de Portugal, por exemplo - um dos resultados dessas discussões foi a decisão de um grupo de 27 fotógrafos escrever uma carta ao ICNB, colocando uma série de dúvidas e mostrando-se disponível para discutir a lógica daquele preçário. A dita carta foi enviada a 16 de Março e a respectiva resposta ainda não chegou...

Interessa-me pouco discutir as obrigações legais que um organismo de Estado tem em responder às dúvidas de um cidadão em determinado tempo útil. Mas realço a forma arrogante e malcriada com que o Estado - e há exemplos destes por todo o lado - lida com os seus cidadãos. Vê-os como meros contribuintes, sem o mínimo de consideração, coisas para fazer dinheiro, potenciais alvos de saque. Mas age de uma forma acéfala, esquecendo-se que, perante a fiscalização que não tem, o cenário mais provável é o de que, a grande maioria destes fotógrafos, andem agora ilegalmente, sem dar cavaco a ninguém, fotografando em áreas protegidas, ou pura e simplesmente evitando-as, sempre que possível. Revoltados, seguramente. Porque ninguém gosta de viver assim.

Gonçalo Rosa

sexta-feira, outubro 30, 2009

Koala Rescued


fonte:http://news.nationalgeographic.com/news/2009/02/090212-burned-koala-photo.html

No decorrer de uma pesquisa na net encontrei esta foto já com alguns meses.

("...Volunteer firefighter David Tree came across the koala walking on her scorched paws in a charred forest in Mirboo North, northeast of Melbourne, on February 1. "I could see she had sore feet and was in trouble, so I pulled over the fire truck. She just plonked herself down, as if to say, I'm beat,". He offered her a drink from a water bottle, and "the most amazing part was when she grabbed my hand. I will never forget that....")

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Quanto vale uma foto?


Declaração de interesses: há cerca de 15 anos que não vendo uma única foto

Há já algum tempo que ando para escrever um post sobre Fotografia de Natureza. Tinha na calha escrever sobre as credenciais que o ICBN anda a passar e desta necessidade daquele Instituto controlar tudo e desconfiar de todos, mas acontecimentos recentes levaram-me a deixar esta temática para um próximo post que publicarei posteriormente.

Há alguns dias atrás, um amigo chamou-me a atenção para um "preçário de serviços de visitação do ICNB", publicado no site do ICNB. Neste documento, são estabelecidos preços a cobrar por aquele Instituto nas visitas, utilização das suas estruturas, filmagens e sessões fotográficas (associadas a actividades económicas) e acções promocionais. Refira-se, desde já, que quando visitei este documento pela primeira vez a informação de apoio era praticamente inexistente, o que potenciou (e potencia) a polémica expectável que este documento iria ter, como se pode ver aqui ou aqui. Alguma informação de apoio foi entretanto introduzida aqui, bem como na própria tabela, mas permanecem diversas dúvidas sobre quando e como se aplicam estas taxas.

Quanto à Fotografia de Natureza, as questões que me inquietam estão, no entanto, a montante da aplicabilidade daquela tabela. Em primeiro lugar, questiono-me se é aceitável que se cobrem valores para fotografar dentro de áreas protegidas (deduz-se que o preçário é exclusivamente para aplicar em áreas protegidas, mas nem isso é claro)? Será justo que um fotografo de Natureza, que pretenda utilizar comercialmente as fotos que faz, seja taxado por isso, para além de ser tributado através dos seus impostos? Tenho dúvidas. E é aceitável que, em tempos de crise financeira, enquanto nuns países se procuram baixar impostos, tentando revitalizar a economia, outros, passem completamente ao lado, agravando a tributação?

Quanto ao valor... terão tido em consideração a realidade nacional? A mim, parecem-me verdadeiras exorbitâncias. Foram minimamente auscultados aqueles que serão os principais afectados por esta medida? E as suas opiniões tidas em consideração?

Compreendo as motivações financeiras do ICNB, mas temo que, se se persistir nesta lógica de obtenção de receitas a todo custo, o que terão, da parte da comunidade de fotografos de natureza portugueses será (já é) seguramente uma boa dose de má vontade e de falta de colaboração. Ainda menos solicitarão as referidas credenciais para fotografar "espécies sensíveis". Quanto às receitas, no futuro veremos o que esta política, aliada à enorme falta de capacidade de fiscalizar, produz. Um tiro no pé.

Gonçalo Rosa

Nota: De acordo com o disposto no site do ICNB, entende-se por sessões fotográficas, enquanto actividade económica, todas aquelas que se destinam a fins comerciais, não estando por isso contempladas as fotografias tiradas pelos visitantes em actividades de lazer. Valha-nos isso...