Confesso que não sei muito bem por que carga de água o memorando com a troika estabelece uma diminuição de concelhos. E tenho as maiores dúvidas de que esta medida venha a ser seguida ou, sendo-o, que não venha a ter retrocesso na primeira oportunidade.
Mas ao olhar para o gráfico para que remete este post do 5 dias acho que vale a pena parar para pensar dois minutos. Sobretudo tendo em atenção que grande parte do financiamento autárquico depende, de uma maneira ou doutra, da população.
É critério que parece razoável.
Mas vejamos.
A principal objecção à extinção de concelhos tem sido a ideia de que nos concelhos mais pobres e pequenos o principal empregador e promotor de desenvolvimento local é o município.
Ora ao olhar para o mapa da população, que em grande medida é o mapa do financiamente autárquico, o que parece verificar-se é que quando mais dinheiro entregamos às autarquias mais financiamos o litoral, mais oportunidades criamos no litoral, isto é, que mesmo que um concelho pequeno do interior consiga, com o seu esforço, criar dez postos de trabalho, os concelhos do litoral criaram oportunidades para cem empregos.
Ao contrário do fecho das escolas primárias é bem possível que o fecho de autarquias, se se traduzir em redução do financiamento autárquico, acabe por diminuir a diferença de oportunidades entre litoral e interior, permitindo que os potenciais empresários do interior criem empregos sem depender da autarquia local.
Há poucos empreendedores nestas áreas? Sim, sem dúvida, mas investir em empreendedores em vez de financiar autarcas talvez seja socialmente mais útil, mesmo que as estradas fiquem com menos rotundas, as piscinas desapareçam, os polidesportivos se adaptem à riqueza disponível localmente e por aí fora.
henrique pereira dos santos


