
Sábado, Fevereiro 28, 2009
A terceira travessia do Tejo (em Lisboa)

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009
O Freeport, a corrupção e os jornalistas

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009
Uma proposta para o aquecimento solar

Terça-feira, Fevereiro 24, 2009
Um outro ponto de vista sobre a balada das salinas do Samouco
Pela sua importância, e pela justiça de lhe dar o destaque do post original, aqui fica transcrito o que diz José Manuel Palma, rementendo eu a minha resposta para os comentários:
"caro henrique pereira dos santos,
Depois de ler o teu post na Ambio e encontrar algumas incorrecções graves gostaria de esclarecer o seguinte:
1. ao contrário do que foi dito a disputa entre o estado e os proprietários das salinas decorre de uma disputa sobre o tipo de terreno em jogo, se agrícola ou industrial, que leva a avaliações muito diferentes e não sobre um hipotético movimento dos proprietários em fazer aumentar o preço de per se.
2. Não quero reiterar a discussão havida contigo mas não me parece que os ambientalistas quisessem uma Fundação. O que queriam era o espaço cuidado a longo termo. O processo foi muito mais complicado e não é a hora nem o momento de discuti-lo.
3. A fundação das salinas nunca contratou o Manuel Pedro para coisa nenhuma. Manuel Pedro que trabalhava para a lusoponte, foi contratado pela equipa de missão, ou seja por mim, bem antes da fundação, na medida em que tinha coordenado a recuperação das salinas para essa entidade e tinha posse das instalações necessárias para o apoio logístico. A partir da instalação da fundação nunca mais tal pessoa foi contactada ou contratada (cerca do final de 2001) tendo mesmo sido recusada a sua proposta de colaboração pelo conselho de administração.
4. Eu, José Manuel Palma, nunca trabalhei com Manuel Pedro ou Carlos Guerra nos EIAs de coisa nenhuma (freeport, secas nas salinas, barroca d´alva etc.). Como essa é uma acusação muito grave nos dias que correm onde para acusar as pessoas basta associá-las com outras com imagem negativa perante a opinião pública das duas uma ou me dizes quem te disse, ou apresentas provas do que disseste ou estás a faltar à verdade e de uma forma voluntária o que é muito complicado e difamatório.
5. Nunca eu poderia colaborar em EIAs que estivessem no complexo das Salinas do Samouco por razões óbvias sendo o presidente da Fundação.
6. Nem colaboraria em EIAs sobre projectos que se pretendem instalar em sítios cuja ocupação desse tipo não estava prevista (e penso que ainda não está) no PDM a menos que tal fosse consensual. Parece-me que esta objecção te é familiar.
7. A notícia que leste no jornal público refere-se a um EIA de uma terceira seca, fora do espaço das salinas, cujo perfil de nova ocupação estava previsto no PDM e para um entidade que nada tem a ver com as empresas que estavam ligadas ao senhor Manuel Pedro. I.e. esse trabalho não teve nada a ver com os ditos senhores que são referidos na noticia e nunca se contratualizou esses senhores para coisa nenhuma. Aliás se leres bem a noticia nunca é dito que eu tenha trabalhado com os ditos Manuel Pedro e Carlos Guerra. E se conhecesses um pouco do sítio rapidamente percebias que as duas secas que são extensivamente referidas são no espaço habitualmente referido como salinas do Samouco enquanto a terceira seca não tem nada a ver com as primeiras, situando-se fora do espaço e não tendo, nem de perto nem de longe, o mesmo estatuto.
8. Em suma é mentira que a fundação tenha contratado Manuel Pedro, é mentira que eu tenha trabalhado para Eias das secas de bacalhau que tu referes e é mentira que o trabalho realizado pela empresa em que participo seja referente a uma seca nas salinas e que tenha tido alguma relação com o Manuel Pedro ou o Carlos Guerra.
9. É um chorrilho de mentiras que não se justificam especialmente vindo de ti com as responsabilidades inerentes ao teu percurso.
10. Num processo tão quente como este é importante que todos nós tenhamos tento na língua e cuidado naquilo que escrevemos e que não nos deixamos cair em tentação por queremos ver aquilo que desejamos e não aquilo que se aproxima mais da verdade.
Apesar de ser uma bela história …os ambientalistas malvados pressionaram para uma fundação sendo presidente um dos seus que depois se envolveu de modo pouco escrupuloso em projectos no espaço servindo interesses pouco confessáveis…. Não passa de uma narração neste caso bem lendária (e estereotipada logo apenas aparentemente verosímil).
Com os meus melhores cumprimentos e esperando a reescrita do teu post
José Manuel Palma
(que esteve, está e sempre estará disponível para discutir qualquer assunto contigo ou com qualquer outra pessoa nomeadamente sobre os resultados, publicados, do trabalho da fundação que com muito orgulho e pena dirigi.)"
Uma boa notícia para a conservação dos habitats

tipos de habitats mais significativos e agrupamentos vegetais característicos
ASSÍRIO & ALVIM
a u t o r i a d o s t e x t o s
Habitats Naturais e Seminaturais de Portugal Continental
João Manuel da Silva Alves (Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade)
Maria Dalila Espírito-Santo (Instituto Superior de Agronomia)
José Carlos Costa (Instituto Superior de Agronomia)
Jorge Henrique Capelo Gonçalves (Estação Florestal Nacional)
Mário Fernandes Lousã (Instituto Superior de Agronomia)
Sintaxonomia dos Agrupamentos Vegetais mais Representativos em Portugal Continental
Maria Dalila Espírito-Santo (Instituto Superior de Agronomia)
José Carlos Costa (Instituto Superior de Agronomia)
Jorge Henrique Capelo Gonçalves (Estação Florestal Nacional)
Mário Fernandes Lousã (Instituto Superior de Agronomia)
a u t o r i a d a s f o t o g r a f i a s
João Manuel S. Alves
Eduardo Gameiro
Ana Maria L.F. Dray
Manuela Marcelino
Irene M. Modesto Silva
Luís Carlos C. Castro
Maria Cristina Duarte
EDITORES: ICNB / ASSÍRIO & ALVIM
COLECÇÃO: DEMÉTER
N.º DE PÁGINAS: 256
PREÇO: 26 euros
O ICNB e a Assírio & Alvim têm o prazer de o/a convidar para a sessão pública, «A importância da Flora e da Vegetação no contexto do ordenamento do território» no próximo dia 5 de Março de 2009, no anfiteatro do Jardim Botânico / Museu de História Natural da Universidade de Lisboa «Aurélio Quintanilha», na Rua da Escola Politécnica, 56-58, 1250-102 Lisboa.
PROGRAMA
16h00: Abertura por Suas Excelências, o Secretário de Estado do Ambiente e a Vice-Reitora da Universidade de Lisboa
Palestras:
16h30: «A Flora e a Ecologia na Conservação da Biodiversidade» Otília Correia, Prof. Associada c/ Agregação Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Centro de Biologia Ambiental 17h15: «A sintaxonomia dos agrupamentos vegetais naturais e seminaturais como ciência base para o ordenamento do território» Jorge Capelo, Investigador Auxiliar Instituto Nacional de Recursos Biológicos, I.P., Oeiras
18h00: «A Directiva Habitats na conservação da flora e dos habitats autóctones: prós e contras» Pedro Ivo Arriegas, Unidade de Espécies e Habitats / ICNB
Apresentação do livro «Habitats Naturais e Seminaturais de Portugal Continental»:
18h30: Manuel Rosa; Assírio & Alvim
18h45: Dr. João Manuel da Silva Alves
19h00: Presidente do ICNB, Eng.º Tito Rosa
Quando, em 1998, saiu a primeira edição do livro Habitats Naturais e Seminaturais de Portugal Continental – tipos de habitats mais significativos e agrupamentos vegetais característicos, este constituiu a primeira abordagem ao estudo das formações vegetais de Portugal continental, sendo o seu objectivo principal informar e sensibilizar o grande público, numa linguagem facilmente compreensível, para a definição e caracterização dos diversos tipos de habitats naturais e seminaturais, bem como para a importância e o significado das associações e comunidades vegetais características e predominantes no nosso território, que são afinal uma das bases mais utilizadas para a sua classificação.
De reconhecido valor científico e pedagógico, este livro rapidamente chamou a atenção pelo seu rigor científico e carácter pedagógico no que respeita à botânica e à fitossociologia, um campo pouco explorado pela divulgação científica. Por altura da Expo’98, houve grande procura por parte do público escolar, universitário, bem como de todos os interessados pela conservação dos habitats, tendo rapidamente esgotado.
Uma década depois, o panorama livreiro português continuava a não destacar este tema como um dos mais importantes para a Conservação da Natureza, apesar do crescente interesse demonstrado pelo público. Neste contexto, surge a segunda edição da obra, cuja coordenação está a cargo do biólogo João Alves, em mais uma parceria entre o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e a editora Assírio & Alvim.
Falar de habitats exige um centrar da atenção nesse seu elemento, definidor por excelência, que são as plantas. A vegetação natural representa um modelo acabado de adaptação às condições ambientais e pretender substituí-la, nomeadamente nas suas múltiplas funções, por meios artificiais representa um encargo proibitivo e um acto irresponsável. Por outro lado, as plantas detêm um papel chave na definição da paisagem verdadeiro rosto da terra, mosaico feito de variação que povoa o imaginário e constitui referência importante na nossa identificação.
O território continental português, apesar de pouco extenso, caracteriza-se por uma marcada diversidade de paisagens, mais ou menos humanizadas, nas quais se podem individualizar múltiplos tipos de habitats. Entende-se por habitat o local ou fracção do meio adequado para a vida de um dado animal, de uma determinada planta ou, ainda, de uma qualquer população ou comunidade biológica.
Esta diversidade é o resultado, por um lado, da ocorrência, em épocas geológicas passadas, de variações climáticas com abrangências parciais do território, de cujos efeitos são ainda perceptíveis vestígios, e por outro lado, em termos contemporâneos, é derivada da existência de uma acentuada variabilidade geológica, edáfica, climática, hidrológica, geomorfológica e biológica, modelada ainda por uma ancestral e intensa acção humana, exercida sobre o meio biofísico.
Os dez anos que decorreram entre as duas edições, certamente tornaram incompletos alguns conceitos expressos, tanto mais que o aprofundar do conhecimento sobre as comunidades vegetais que constituem a base fitossociológica da classificação dos habitats naturais, que o meio científico universitário assegurou, em larga medida promovido pela implementação em Portugal da Directiva 92/43/CEE («Directiva Habitats»), veio criar condições para a produção de um novo manual que proceda à integração dos dados presentemente disponíveis sobre este tema. Porém, se este objectivo não foi possível de concretizar no imediato, fica o compromisso e o desafio aos autores e técnicos, investigadores e professores do meio universitário para, a médio prazo, se desenvolverem esforços e reunirem vontades no sentido de preparar novas edições, revistas, melhoradas e complementadas com os novos conhecimentos que entretanto forem sendo obtidos, coligidos e estruturados. Só deste modo este livro poderá acompanhar cabalmente o dinamismo do conhecimento sobre os habitats, reconhecendo quão dinâmico é também o interesse do público pelos temas da Conservação da Biodiversidade.
Esta obra, para além de incluir capítulos sobre «ameaças e agentes destrutivos exercidos sobre os habitats» e «caracterização biofísica do território», apresenta uma «lista alfabética de espécies / nomes vulgares» e, ainda, a «Sintaxonomia dos agrupamentos vegetais mais representativos de Portugal continental» por Maria Dalila Espírito-Santo, José Carlos Costa, Jorge Henrique Capelo Gonçalves, Mário Fernandes Lousã.
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009
Sustentabilidade e endividamente externo

Manuela Ferreira Leite - É evidente que a fase que estamos a atravessar não é a mais adequada a haver grandes aumentos de exportações. Mas é verdadeiramente adequada para que as empresas se reestruturem no sentido de procurar mercados de exportação. Porque no mercado interno é que têm dificuldade de sobreviver. Nesse sentido esta proposta tem uma visão de combater a crise, mas tem também uma visão de médio e longo prazo. E essa visão não pode deixar de ter em atenção que é necessário fomentar as exportações.
CM - É a única saída para Portugal?
MFL - É a única saída para Portugal."
Domingo, Fevereiro 22, 2009
Balada das Salinas do Samouco
Sábado, Fevereiro 21, 2009
Dois milhões de euros e um arroz de farinheira
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
Uma boa ideia

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009
Lisboa

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009
Evolução da ideia de conservação da natureza

Retomo aqui um texto antigo e uma ideia que amiúde aparece no que escrevo sobre conservação por me parecer que o texto tem uma forma simples de explicar um processo complicado
A ideia de conservação da natureza será tão velha como a humanidade mas é razoável chamar à criação do Parque Nacional de Yellowstone a decisão que funda as políticas públicas de conservação.
Vale a pena recordar os exactos termos dessa decisão através de um extracto desse diploma legal:
“Forty-Second Congress. Session II Ch. 21-24. 1872. March 1, 1872. CHAP. XXIV.-- An Act to set apart a certain Tract of Land lying near the Head-waters of the Yellowstone River as a public Park. Be it enacted by the Senate and House of Representatives of the United States of America … That the tract of land … and described as follows, …, is hereby reserved and withdrawn from settlement, occupancy, or sale under the laws of the United States, and dedicated and set apart as a public park or pleasuring-ground for the benefit and enjoyment of the people; ...
SECTION 2. … regulations shall provide for the preservation, from injury or spoliation, of all timber, mineral deposits, natural curiosities, or wonders within said park, and their retention in their natural conditions. …”
Deste texto vale a pena reter duas ideias principais:
- A decisão tomada é a de retirar uma parte do território do processo de colonização e desenvolvimento com o objectivo de o preservar para sempre como ele era para o benefício e lazer do povo;
- A decisão é tomada pelo Congresso vincando desde o início a ideia de património da nação que ainda hoje é marcante nos Parques Nacionais dos Estados Unidos.
A ideia de conservação nasce assim orientada para a conservação do que é singular pela sua separação do processo de uso do espaço que decorre dos processos sociais e económicos.
Esta ideia de conservação ainda hoje é válida e influencia uma das principais traves mestras da política de conservação, dirigida à conservação dos elementos singulares do nosso património natural que convivem mal com alterações favoráveis ao homem.
No entanto esta concepção demonstrou, ao longo da história, limitações importantes que obrigaram a rever a ideia de conservação da natureza, incorporando novas dimensões.
A primeira limitação, desde cedo evidenciada, prende-se com a interdependência entre os espaços protegidos e a sua envolvente.
A procura de soluções para ultrapassar os problemas causados pela influência de actividades e alterações externas aos espaços protegidos conduziu à discussão da dimensão de áreas mínimas para a protecção de determinados valores, quer por alargamento da área protegida, quer por inclusão de zonas envolventes que absorvessem os impactos externos.
Embora ainda numa lógica insular, este alargamento do conceito de protecção de valores para a protecção da envolvente que os integra corresponde a um desenvolvimento desde cedo incorporado nas políticas de conservação que obrigou as entidades gestoras a uma mais forte relação com outros agentes de gestão do território.
Mas ainda assim este alargamento não resolvia outra das limitações deste modelo insular de conservação da natureza.
À medida que o conhecimento ecológico crescia e a pressão humana sobre o território também, verificava-se que a protecção de elementos mais ou menos isolados, mesmo que em espaços muito alargados, não garantia a existência de processos naturais fundamentais nomeadamente dinâmicas populacionais e integridade de processos evolutivos fundamentais para garantir a capacidade de adaptação a alterações.
Por outro lado a progressiva expansão dos conceitos darwinistas de evolução e adaptação veio desviar parte da atenção que era dada aos elementos singulares e raros do património natural para os elementos comuns associados aos processos evolutivos.
Emergiu assim um novo pilar das políticas de conservação assente na ideia de gestão de processos e conservação da possibilidade de adaptação à qual a política original de áreas protegidas não pode dar resposta por si só.
Passou-se pois de uma conjunto de áreas protegidas cuja gestão se definia e centrava em cada uma isoladamente para a ideia de rede de espaços ligados por corredores funcionais (corredores ecológicos, se quisermos, embora muitos destes corredores possam dizer respeito a componentes abióticos dos sistemas) que garantam a conectividade e que se relacionam com o restante território que lhes serve de matriz tendo sempre em atenção as interdependências relativas.
Partindo de uma política relativamente simples de enunciar e executar, centrada em espaços retirados à lógica de desenvolvimento, chegou-se hoje a uma política de conservação que se integra na lógica global de gestão do território.
O que lhe confere uma muito maior complexidade e conflitualidade potencial e obriga a uma maior transparência dos processos de decisão como forma preventiva de gestão da conflitualidade, minimizando a perda de valores naturais, sociais e económicos.
henrique pereira dos santos
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009
Gerir o fogo ou Portugal sem fogos?

Domingo, Fevereiro 15, 2009
Perplexidades de um ignorante sobre política energética

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009
Só para assinalar o facto

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
Sobreiros, mais uma vez

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009
Portugal sem fogos e o exemplo da Austrália (ou da Califórnia)
Hesitei em usar um fogo de artifício a propósito do que se passou na Austrália. Mas achei que o risco do mau gosto era menos importante que a ideia de estarmos todos sentados a olhar para um espectáculo como se não fosse nada connosco (já agora, a fotografia merece que se clique para ser vista em maiores dimensões)STATE and federal governments have been accused of succumbing to pressure from the green lobby by abandoning responsibility for controlled burning of forests, despite growing populations in bushland suburbs.
As the death toll from the Victorian bushfires topped 130 yesterday, fire control experts said forest managers had failed to learn the lessons of past infernos such as Ash Wednesday in 1983 and the 2003 Canberra bushfires.
They said too little was being done to thin out the bush to protect lives and property against extreme weather conditions that fuelled the fatal Victorian blazes.
David Packham, a researcher from Monash University's climatology group who has specialised in bushfires, said governments had abandoned responsibility for the one control they had over wildfires -- the state of the forests that fed the flames.
"Due to terribly ill-informed and pretty well outrageous concepts of conservation, we have failed to manage our fuel and our forests," Mr Packham said. "They have become unhealthy, and dangerous."
Phil Cheney, formerly head of the CSIRO's bushfire research unit, said the number of Victorian fatalities "absolutely" would have been lower with more prescribed burning."
Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
A minha alternativa

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
Joanaz e o Freeport

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009
Quanto vale uma foto?

Declaração de interesses: há cerca de 15 anos que não vendo uma única foto
Há já algum tempo que ando para escrever um post sobre Fotografia de Natureza. Tinha na calha escrever sobre as credenciais que o ICBN anda a passar e desta necessidade daquele Instituto controlar tudo e desconfiar de todos, mas acontecimentos recentes levaram-me a deixar esta temática para um próximo post que publicarei posteriormente.
Há alguns dias atrás, um amigo chamou-me a atenção para um "preçário de serviços de visitação do ICNB", publicado no site do ICNB. Neste documento, são estabelecidos preços a cobrar por aquele Instituto nas visitas, utilização das suas estruturas, filmagens e sessões fotográficas (associadas a actividades económicas) e acções promocionais. Refira-se, desde já, que quando visitei este documento pela primeira vez a informação de apoio era praticamente inexistente, o que potenciou (e potencia) a polémica expectável que este documento iria ter, como se pode ver aqui ou aqui. Alguma informação de apoio foi entretanto introduzida aqui, bem como na própria tabela, mas permanecem diversas dúvidas sobre quando e como se aplicam estas taxas.
Quanto à Fotografia de Natureza, as questões que me inquietam estão, no entanto, a montante da aplicabilidade daquela tabela. Em primeiro lugar, questiono-me se é aceitável que se cobrem valores para fotografar dentro de áreas protegidas (deduz-se que o preçário é exclusivamente para aplicar em áreas protegidas, mas nem isso é claro)? Será justo que um fotografo de Natureza, que pretenda utilizar comercialmente as fotos que faz, seja taxado por isso, para além de ser tributado através dos seus impostos? Tenho dúvidas. E é aceitável que, em tempos de crise financeira, enquanto nuns países se procuram baixar impostos, tentando revitalizar a economia, outros, passem completamente ao lado, agravando a tributação?
Quanto ao valor... terão tido em consideração a realidade nacional? A mim, parecem-me verdadeiras exorbitâncias. Foram minimamente auscultados aqueles que serão os principais afectados por esta medida? E as suas opiniões tidas em consideração?
Compreendo as motivações financeiras do ICNB, mas temo que, se se persistir nesta lógica de obtenção de receitas a todo custo, o que terão, da parte da comunidade de fotografos de natureza portugueses será (já é) seguramente uma boa dose de má vontade e de falta de colaboração. Ainda menos solicitarão as referidas credenciais para fotografar "espécies sensíveis". Quanto às receitas, no futuro veremos o que esta política, aliada à enorme falta de capacidade de fiscalizar, produz. Um tiro no pé.
Gonçalo Rosa
Nota: De acordo com o disposto no site do ICNB, entende-se por sessões fotográficas, enquanto actividade económica, todas aquelas que se destinam a fins comerciais, não estando por isso contempladas as fotografias tiradas pelos visitantes em actividades de lazer. Valha-nos isso...
Terei ouvido bem?

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009
A insuportável erosão da ética na administração pública

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009
Falar do fogo quando chove

- a área de corte de matos feita pelos sapadores flroestais não tem expressão em termos absolutos (é impossível que tenha) mas poderia ter funcionalmente se fosse muito estratégica e com dimensão apreciável. Tenho as maiores dúvidas de que tal aconteça, até pela "municipalização" das equipas de sapadores florestais que tenderão a ser usadas em função das prioridades autárquicas, que, salvo raras excepções, não incluem a gestão florestal (mesmo que incluam o combate aos fogos, que é matéria que não é para aqui chamada). Os outros mecanismos associados ao corte (as roças feitas pelos proprietários ou para as famosas centrais de biomassa desaparecidas de todo o discurso sobre a matéria, espero eu que por finalmente se ter percebido que para a gestão dos combustíveis são muito pouco úteis, só terão expressão nas grandes propriedades com gestão mais profissionalizada e rentável (em rigor a ordem está trocada) da floresta, ou nas zonas de minifúndio onde algumas, poucas, pessoas ainda usam matos de forma tradicional) não me parece que tenham expressão suficiente;
- o pastoreio não me parece que esteja a aumentar significativamente (eu diria que está a diminuir lentamente) e o pastoreio orientado como técnica de gestão do fogo está em fase embrionária, e com limitadíssimas aplicações práticas;
- o fogo controlado está francamente em expansão mas é ainda residual (duvido que em todo o país, e já contando queimadas de inverno, passe os 5 000 hectares quando temos mais de cinco milhões de hectares onde todos os dias se acumula combustível). Para além disso, com um ano como o que tem vindo a desenvolver-se, não se fazem fogos controlados (mas ainda é cedo, há tempo antes do Verão se as condições se alterarem, como é natural).
Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
Conservação da Natureza e crise

A crise financeira mundial, não dá mostras de abrandamento, continuando a alastrar aos mais variados sectores. Foram hoje anunciadas quase duas centenas de despedimentos na Corticeira Amorim, empresa que lidera o mercado mundial da cortiça há mais de 130 anos. São 118 trabalhadores na área dos aglomerados compósitos, fortemente afectado pela quebra de vendas no sector automóvel e da construcção civil, industrias já atingidas fortemente pela crise mundial e 75 empregados na unidade de rolhas, cujas quebras de encomendas são o resultado da crise no sector vinícola internacional e da forte concorrência da industria dos sintéticos.
A crise é assim. Espalha-se por toda a parte, afectando tudo e todos. Também assim, por portas travessas, mas sem surpresa vai chegando à Conservação da Natureza, lapidando o ancestral valor económico da cortiça, do sobreiro, do montado de sobro. E caso este cenário se mantenha, a sua desvalorização porá em causa, a prazo, a sobrevivência de um dos mais importantes ecossistemas ibéricos.
Gonçalo Rosa
Fonte: Público
Energias alternativas

(publicado na revista FreeSurf)
O editor ligou-me: “por esta passou, mas os textos não podem ter mais de 3000 caracteres”.
Uma maneira de me dizer que me tinham contratado (com um pagamento régio, diga-se) para escrever sobre ambiente que para falar de surf havia quem soubesse do assunto.
Resolvi então concentrar-me na energia.
A energia é a principal questão ambiental. Dela decorrem quase todas as outras.
Do ponto de vista ambiental o melhor é mesmo deixar a energia ficar cara.
Aumentar o preço do petróleo faz mais pelo ambiente que todas as campanhas de sensibilização e todas as polícias do ambiente juntas.
O petróleo sobe? Vamos de comboio. O petróleo sobe? Reduzimos o bife a dias de festa e comemos arroz com feijão. O petróleo sobe? Combinamos surfar juntos para levar menos carros. O petróleo sobe? Escolhemos melhor o sítio para construir a estrada evitando aterros e escavações. O petróleo sobe? Tomamos banhos mais curtos que é preciso poupar na energia. O petróleo sobe? As ondas aqui também não estão más e se calhar não compensa a viagem até outra praia.
O número de comportamentos que mudamos quando o petróleo sobe não tem fim.
E as energias alternativas tornam-se mais competitivas, porque não usam petróleo.
O sol para aquecer a água do banho (pode ligar-se às máquinas de lavar roupa e louça, com uma torneira misturadora, porque a maioria da energia gasta nessas máquinas é mesmo para aquecer a água).
O vento, que enche a paisagem de ventoínhas, para pena de muita gente e para gosto de muita outra. É muito curioso porque toda a gente está de acordo com a energia eólica e quase toda a gente está contra cada um dos geradores em concreto que lhe estão mais próximos.
O sol a produzir electricidade, ainda cara, mas que vai aparecendo porque é paga na produção com uma tarifa bastante mais alta que outras formas de produção (e acabamos por pagar na conta da electricidade, sem darmos muito por isso).
E poder-se-ia continuar a falar de novas e velhas energias alternativas, como a biomassa nas suas várias formas, incluindo a lenha para nos aquecermos e cozinharmos, ou mesmo a energia das ondas, que tão bem conhecem os leitores desta revista.
O problema é que algumas das tecnologias para a produção de energias renováveis (não falei de barragens para não azedar a discussão) são ainda caras ou, o que comercialmente é tão importante como isso, pouco fiáveis.
Com o petróleo mais caro vamos todos (ou quase todos) ficar um pouco mais pobres, comer menos coisas exóticas, viajar fisicamente um pouco menos e provavelmente um pouco mais virtualmente, demorar mais tempo a chegar, etc.
Nem tudo neste processo é perda porque trocar a salada de alface e tomate de todos os dias pela couve penca segada como para o caldo verde, aferventada e depois passada por um fundo de azeite onde alourou um alho cortado pode ser um enriquecimento e não uma perda resultante do facto de ser mais exigente energeticamente produzir alfaces que couves galegas.
O movimento slow food, que tem como objectivo opor-se ao fast food e à fast life será com certeza um dos grandes ganhadores da subida do petróleo e da relativa pobreza que daí poderá advir.
Espero que nessa altura os cafés de surfistas os esperem no pino do inverno com um belíssimo caldo verde em vez do sempiterno hamburguer com batatas fritas e outras coisas que acham mais de acordo com a suposta soul do surfer.
Garanto que para essa mudança se poderia usar o slogan que Fernando Pessoa, empregado de comércio com vários artigos escritos sobre marketing e poeta nas horas vagas, terá escrito para a coca-cola: “primeira estranha-se, depois entranha-se”.
henrique pereira dos santos



