
Quarta-feira, Setembro 30, 2009
Labirinto

Terça-feira, Setembro 29, 2009
Em Portugal os governos são por 4 anos
Muito poderia ter sido escrito sobre as últimas eleições. Optei por não o fazer em virtude de considerar que haveria o risco de dispersão sendo depois difícil voltar a recentrar a discussão nos temas que mais caracterizam este blogue. Em todo o caso, no rescaldo das eleições, há uma ideia que tem sido repetida por alguns comentadores e que tem sido posteriormente amplificada pelos media e que não gostaria de deixar passar em claro pois é nociva para a nossa democracia e, como tal, nociva para a estabilidade de qualquer política seja ela económica, de ambiente, ou outra. Diz-se que com toda a naturalidade que este governo é para 2 anos. Vejam o que diz o Público esta manhã:"Ainda ontem, na Rádio Renascença, o socialista João Cravinho considerava que o acto eleitoral de domingo foi o início de uma eleição "a duas voltas", já que "é plausível que haja uma nova eleição daqui a dois anos", após as presidenciais.
Sócrates tentará, assim, não cometer erros e fazer tudo "by the book", como fez Cavaco Silva no seu primeiro governo, de modo a poder dizer mais tarde que não tem condições para governar em minoria. Por isso começou, desde que foi eleito, a recorrer aos argumentos da estabilidade e da responsabilidade, atirando-os para os partidos da oposição."
Estes comentários só são possíveis numa republica com fundações frágeis e só podem ser ditas e repetidas por pessoas que nada de substancial têm para dizer. As eleições não foram para um governo de 2 anos mas sim 4 e a normalidade democrática exige que o mandato do governo que se constitua na sequência destas eleições de cumpra na integra.
É verdade que tivemos muitos casos de governos que não acabaram os seus mandatos por iniciativa dos governos, das oposições, ou do próprio Presidente da Republica. Mas a existência destas casos (muitos deles de má memória) não pode constituir praxis política. São eventos extraordinários e como tal não devemos considerar normal a sua repetição e muito menos criar condições (com faz Cravinho e incentivam alguns media) para que tal aconteça.
Um governo de minoria tem de saber governar com alianças permanentes ou pontuais e as oposições têm de saber interpretar o seu papel com responsabilidade. A estabilidade governativa é um bem em si que só deve ser comprometida se valores mais altos estiverem em causa. É isso que se pede das forças políticas representadas no parlamento. É isso que é necessário para garantir a consolidação da nossa jovem democracia.
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
veneno
imagem sacada daquiNão raras vezes, promover programas e exposições sobre vida selvagem, passa por exibir o lado mais temível, voraz e que cria maior repulsa no público-alvo. Poderia dar uma mão cheia de exemplos, tirados de muitos dos canais que nos entram pela sala adentro, mas calhou dar este, talvez por ser produto nacional, talvez por ter direito a um enorme cartaz, à beira da auto-estrada, a caminho de minha casa, talvez apenas porque sim. Trata-se do anúncio à exposição "Veneno", a inaugurar, já na próxima semana no Centro de Exposições Freeport.
De acordo com a memória descritiva da exposição, fico com a suave mas confortável esperança de que o evento não se centre, pelo menos muito, nas "quantas pessoas pode matar o veneno contido numa mordidela desta cobra" ou "quantos segundos são precisos para que um tipo morra após ser mordido por aquela serpente". É que há muito mais para além disso. Da sua beleza aos seus hábitos, das variações de padrões e cores que podem assumir, da sua evolução, do papel que cumprem nos ecossistemas que habitam... enfim, tanta coisa pretensamente interessante e importante. Muito mais que a promoção do medo e do nojo por estas criaturas, vendidas como temíveis assassinos de animais e de gentes.
Gonçalo Rosa
Domingo, Setembro 27, 2009
A suave irresponsabilidade do engraçadismo jornalístico

ideia radical

Bartoon (integralmente roubado do Público de hoje)...
... radicalismo esse que aconselho vivamente!
Gonçalo Rosa
Sábado, Setembro 26, 2009
Revolução silenciosa
A China é um pais que nos surpreende com regularidade, fruto da incompreensão ocidental da sua dimensão socio-económica. É confortavelmente visto como um país pobre e atrasado que tenta desesperadamente, e a todo o custo, alcançar o estilo de vida do mundo ocidental chamado evoluído. Esta atitude de um certo desprezo não é nova e tem acompanhado a relação entre o Ocidente e a China desde os tempos de Marco Polo. No entanto, a globalização tem permitido acesso a dados da economia e sociedade chinesas que tornam evidente quão desatualizada esta visão é. Um exemplo desta evidência está no relatório ISO Survey 2007, de novembro de 2008, onde se faz o balanço mundial dos certificados de gestão, entre os quais de gestão ambiental (ISO 14000) por país. E que surpresa quando encontramos a China como lider mundial destaco em termos de número de certificados de gestão ambiental, muito a frente de paises líderes em termos industriais como EEUU ou Alemanha.
Dá que pensar.Portugal, com os seus quase 500 certificados, considerando a sua dimensão, não fica nada mal na fotografia.
Henk Feith
Gente estúpida

"4 — É proibida a prática da pastorícia nos espaços florestais arborizados percorridos por incêndios ou nos espaços florestais integrados em áreas classificadas cuja recuperação seja negativamente afectada por esta actividade, pelo período de cinco anos a contar da data da
ocorrência."
Terça-feira, Setembro 22, 2009
A peste
Quarto teste
Está de novo previsto que os próximos dias, especialmente no Norte interior (um interior que inclui o Minho, excluindo portanto apenas a zona mais próxima da costa) sejam de vento Leste.Será um vento fraco e as características deste tipo de situação meteorológica estarão um pouco atenuadas, mas com Setembro a entrar, diminuindo as disponibilidades em meios de combate, veremos como se comporta o sistema de combate aos fogos.
Os testes anteriores parecem demonstrar que um eventual ganho marginal de eficiência em condições favoráveis não tem nenhum (ou pouco) significado mal as condições se agravam ligeiramente.
Aparentemente a área ardida este ano, que repito, não teve dias muito complicados porque quando as condições meteorológicas favoreciam o fogo, o vento esteve sempre muito fraco, irá bater muito próximo do que é o intervalo de um ano mediano em Portugal.
A única coisa que parece ter-se alterado é o aumento da quantidade de dinheiro que atirámos para cima do problema.
O problema, esse, parece ter-se mantido quase sem alteração.
Cada vez estou mais convencido de que esta petição faz sentido para que se trabalhe a montante do fogo.
henrique pereira dos santos
Segunda-feira, Setembro 21, 2009
Política ambiental das opções agrícolas do Governo

Domingo, Setembro 20, 2009
Educação ambiental ou comunicação?
Sábado, Setembro 19, 2009
Ainda renováveis e biomassa

Sexta-feira, Setembro 18, 2009
ideias ou aventais?
Nota: este post é francamente pouco recomendável a pessoas com tendências depressivas ou a outros que meramente prefiram e consigam ter um fim de semana tranquilo, rastejar pelo centro comercial, revisitar a praia em jeito de fecho de época ou um fazer um zapping pela chusma de canais do cabo, de preferência estrangeiros e de conteúdos tão fúteis quanto possíveis. Eu já tentei e não consigo.Da análise que fiz aos programas eleitorais dos cinco partidos políticos com maior representação parlamentar, no que à Conservação da Natureza diz respeito, resultou a minha conclusão que quatro daqueles partidos - CDS/PP, PSD, PS e CDU - apresentam ideias, muitas vagas e que apenas abusivamente se podem considerar verdadeiras propostas. Excetuo do lote o programa de governo do BE, cujas ideias são relativamente mais concretas, é certo, ainda que algo exotéricas e inexequíveis e partindo de uma visão política que nada tem haver com a minha. Todos ele, em boa medida, passam ao lado dos grandes problemas da Conservação da Natureza em Portugal - a inoperância do ICNB, a baixa execução da Estratégia Nacional da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, as formas como a Conservação da Natureza se vem (ou não) financiando, entre outros.
Mas contrariamente ao apontado em diversos comentários, não creio que o principal problema seja a prioridade que os partidos políticos não dão à Conservação da Natureza em particular e que é um facto que lamento, lamentando ainda mais que nunca tenha havido a coragem política de o assumir, já que é uma realidade horizontal a vários governos. O problema de fundo é bem mais grave, atingindo muitas outras áreas, e resulta da preocupação, na minha opinião deliberada, de não assumir quaisquer compromissos - definindo propostas concretas, prazos e objectivos - susceptíveis de reivindicações e avaliações em final de mandato. Esta nebulosa, abre ainda portas ao sonho dos mais optimistas, dado que nas tais apelidadas propostas cabe tudo, do melhor ao pior.
E tudo isto funciona, em boa medida, como um mercado. Se o eleitorado prefere aventais, canetas e bandeirinhas, vozes ululantes e ruidosas, promessas de "sangue" e discursos de raiva e veia a latejar, porquê oferecer-lhe ideias concretas, bem explicadas, que procurem respostas para os problemas do país? Porquê, se nem nos preocupamos em ler o que quer que seja? Quais programas, quais manifestos!?!?! Porquê, se as nossas escolhas são quase exclusivamente fulanizadas, em vez de baseadas em ideias, propostas, enfim, numa visão para o país?
Gonçalo Rosa
Política agrícola
Agricultura com uma paixão acrisolada pelo ambienteQuinta-feira, Setembro 17, 2009
Renováveis, propaganda e criação de valor
Os comedores de batatas Van GoghQuarta-feira, Setembro 16, 2009
água de coco

Descobri há alguns dias atrás, uma deliciosa água de coco, embalada em latas de meio litro, especialmente refrescante nestes dias de calor e de humidade tropical, quer para mim, quer, pelos vistos, para alguns pardais e lagartixas aos quais cedia, de boa vontade parte do precioso líquido.
O baixo custo e a noção de que, à posteriori, reviveria estas agradáveis férias, levaram-me a comprar uma meia dúzia de latas a juntar ao par de badejos que salguei em S. Vicente, umas mangas de Santo Antão e uns queijinhos de cabra da ribeira do Calhau. Já à noite, quando ouvia um pouco de música, interroguei-me de que cocos correra tão precioso líquido. Ao que sei a produção de cocos em Cabo Verde é praticamente residual. Revisitei as ditas latinhas, já cuidadosamente arrumadas na minha mala e descobri que os cocos eram oriundos do Sudeste Asiático, mais concretamente da Tailândia, tudo tinha sido enlatado no Brasil e, só depois, desaguado no porto do Mindelo, na ilha de São Vicente. Tudo isto ao simpático preço de 39 cêntimos cada latinha de meio litro. Qual melhor cereja em cima do bolo do disparate que uma viagem final até Lisboa? Enfim, uma odisseia de meia volta ao mundo num “7” deitado e invertido. Tudo isto para a troco de um lucro de uns cêntimos para aqui, outros para ali. Não fiz contas nenhumas, mas há qualquer coisa em tudo isto que não me parece fazer grande sentido e que, por isso mesmo, deveria ser repensado.
Gonçalo Rosa
Terça-feira, Setembro 15, 2009
100 000 hectares
Domingo, Setembro 13, 2009
O sucesso da petição
Sábado, Setembro 12, 2009
Tendências
Aliás, os números provisórios mostram que a contracção turística, quer no país, quer globalmente, não foi significativa, se tivermos em conta a crise que atravessamos (segundo o World Travel & Tourism Council temos uma queda de ~6% de Agosto 2008 a Agosto 2009 em chegadas de visitantes overnight, o que quer dizer que mesmo no pico desta crise o Turismo não foi muito afectado).
Assim, este ano mais uma vez cheguei ao fim de férias com um sentimento misto de satisfação e alívio. Satisfação por ter revisto amigos, por ter estado com a família duma forma mais despreocupada e ter tido a possibilidade de fruir Tavira, um dos locais mais agradáveis a sul. Alívio, por acabar com as filas para tudo e mais alguma coisa e com ver gente a mais em todo o lado.
Penso que este sentimento é partilhado por muitos daqueles que se deslocam para estas paragens e claramente contraditório à aspiração de muitos dos residentes, que continuam a ver esta época, e a quantidade de visitantes que ela proporciona, como essencial à formação do seu rendimento. Esta situação não é única e por todo o mundo encontramos cada vez mais locais idílicos e fascinantes em brochuras ou em sites, mas quando lá chegamos são autênticos pesadelos, tal é a pressão turística sobre eles.
Esta realidade não é nova e está presente por todo o mundo. Ainda no mês passado vimos na televisão milhares de pessoas no aeroporto de Santiago do Chile completamente furiosas por o governo Chileno ter decidido vedar o acesso de turistas à ilha da Páscoa devido a esta estar completamente superlotada de visitantes. E o que dizer do Município de Veneza, que planeia restringir o fluxo diário de turistas e obrigar aqueles que pretendem visitar a cidade a fazer uma pré-reserva (e adquirir bilhete de ingresso) a fim de gerir a massa de turistas que nesta época a pretendem visitar diariamente. Este mesmo problema de turismo de “hiper massas” encontramo-lo em Londres, no Egipto, no Nepal ou em qualquer outro hotspot turístico.
E se esta é a situação actual, imagine-se o que será o futuro depois da crise quando as economias em crescimento como a Índia e o Brasil, mas muito em particular a China, começarem a viajar. Só o governo chinês espera passar em dez anos dos actuais 48.5 milhões de saídas em turismo para perto de 400 milhões, considerando razoável que uma percentagem de 10 % seja destinada à Europa. A pressão que esta massa de gente fará sobre o “museu do mundo” que é a Europa é ainda de difícil percepção.
Ora, esta situação torna mais evidente o que já hoje é considerado fundamental na formação de qualquer pacote turístico. A necessidade de diversificação ao longo do período de estadia (excepto para aqueles produtos de estadia curta que apresentam um objecto único ou esmagadoramente maioritário como pode ser o caso do golf, do turismo de negócios ou do city break) com a constituição de fugas que permitam o alongamento do pacote deslocando o turista ao longo do território para outras zonas de menor intensidade turística.
Em Portugal, o Turismo é, como se sabe, fundamental à constituição de riqueza no país e será nos próximos anos uma das únicas indústrias (a par com a grande distribuição/retalho) com capacidade significativa para gerar emprego. Assim, vai ser essencial criar produtos de complemento que satisfaçam esta necessidade e garantam um ordenamento mínimo desta actividade económica.
Portugal apresenta algumas dificuldades para criar estes “programas de fuga” ao produto turístico do Algarve ou de Lisboa. O património cultural edificado de relevo restringe-se a Lisboa e ao Oeste (zona dos mosteiros) e quanto ao património natural (no âmbito da paisagem) não encontramos muitas áreas que se possam afirmar como significativas ao nível europeu, embora se possam encontrar nas Áreas Protegidas nacionais possibilidades que poderão e deverão ser exploradas.
Contudo, esta tendência vem colocar na ordem do dia um dos desafios fundamentais à gestão dos nossos Parques Naturais e Nacional; como disponibilizar um espaço ambiental de referência identitária de Portugal e ao mesmo tempo garantir receitas que mantenham esse espaço em condições decentes para aquilo que são as referências europeias destes territórios. Tendência, que é ao mesmo tempo uma ameaça e uma oportunidade para repensar a gestão dos Parque nacionais e para integrar o ecoturismo e o turismo de massas mantendo as devidas especificidades e conseguindo eventualmente obstar a muitos dos problemas que estes dois tipos de turismo apresentam.
Le Consommateur - c'est moi
A maior parte das viaturas hoje em dia é equipada com dispositivos de medição do consumo, instantâneo e médio. Esta inovação permite ao condutor monitorizar o seu consumo, logo o seu contributo na emissão de GEE.
Está mais do que comprovado que basta um pequeno esforço para conseguir reduções na ordem de 10 a 20% no consumo e o principal esforço será da esfera mental, seguida por uma condução defensiva que passa sobretudo por uma redução da velocidade média e uma condução anticipativa que evita acelerações e travagens bruscas. Seguindo os princípios do Ciclo de PDCA (Plan-Do-Check-Act) da gestão ambiental, é fácil promover essa redução.
A média representada na foto é a real média anual conseguida após adoção de um estilo de condução "eco", numa carrinha a diesel de gama média, num percurso misto de estradas nacionais (maior parte), autoestradas e cidade.
Não há combustíveis caros, há estilos de condução caros...
Henk Feith
Sexta-feira, Setembro 11, 2009
Os contribuintes e o Estado (ou mais um manifesto liberal)
Quinta-feira, Setembro 10, 2009
Os contribuintes e o fogo

Quarta-feira, Setembro 09, 2009
Deixar arder

Terça-feira, Setembro 08, 2009
Os poderes públicos do mundo rural

Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Um país sem ética de responsabilidade

O aparecimento do ex-eurodeputado e dirigente social-democrata num dos filmes "Sócrates 2009" foi um dos momentos de surpresa na convenção.
Na sua breve comunicação, Carlos Pimenta destacou as potencialidades de desenvolvimento das energias eólica e solar em Portugal.
Nesse contexto, o ex-eurodeputado do PSD defendeu que os próximos governos devem prosseguir com a aposta nas energias renováveis.
À TSF, Carlos Pimenta afirmou não ter conhecimento deste filme e, por isso, acredita que as imagens foram passadas num «contexto de retrospectiva de coisas que aconteceram durante quatro anos e passaram nos orgãos de comunicação social».
Se assim não for, o social-democrata considera «grave», que «uma pessoa seja retirada de um contexto público e dirigida ao país, para subscrever opções partidárias às quais a pessoa não pertence».
Quanto a possíveis medidas de reprovação ao PS, Carlos Pimenta não tenciona tomar qualquer atitude.
«Sempre tive na minha vida uma atitude ética, despartidarizada aos assuntos do país no que diz respeito à defesa do valor do ambiente e das energias renováveis. E nunca exitei (sic, na notícia, mas este não é um blog sobre rudimentos de língua portuguesa) em dizê-lo, independentemente das pessoas e instituições, e se uma delas utiliza indevidamente estas minhas declarações como tentativa de dizer que subscrevo determinadas candidaturas, é triste», justificou.
«Mas não tenciono fazer mais nada, não é um caso judicial, mas ético», concluiu.
Entretanto, o PS já pediu desculpa a Carlos Pimenta e explicou este incidente, garantindo que o erro é da exclusiva responsabilidade da empresa que produziu os vídeos.
De acordo com a versão do Partido Socialista, a empresa terá usado, por engano, imagens antigas de arquivo."
choveu no Calhau

Por entre a malha do mosquiteiro carcomido pelo tempo e aridez que lhe conferiam uma eficácia duvidosa, Nhô Jôn espreitava sorridente. Não era para menos. Dilúvio, coroando bela época de chuvas que prometia um horta rica de legumes e verduras variadas, tão necessárias para alimentar a catraiada.
Desde o topo ao fundo do vale, as águas percorriam a velha serrania pelos seus mais finos veios, agrestes e sequiosos, que, bem mais abaixo, fundavam um pequeno riacho quase todos os anos despertado, por breves dias, do seu sono profundo.
Cá em baixo, pequenas hortinhas encaixadas entre si, pareciam disputar cada palmo de terra arável. "Sr. Gonçalves, ês terra ê or, ma or d'comê". Fraquinha e pedregosa, mas ainda assim, das melhores da ilha, ali brotavam pequenos pés de milho, feijão-pedra, cenoura, batata. Nos melhores anos, talvez algum tomate.
*
Já foi possível recolher mais de três quartos das 4.000 assinaturas necessárias à petição para a revisão do novo regime da Reserva Agrícola Nacional (RAN), para que este seja obrigatoriamente discutido no novo ano parlamentar que se avizinha.
Faltam menos de 1.000 assinaturas!
O desafio que lanço aos que acreditam na justiça e importância desta iniciativa da Quercus é, para além de assinarem a petição, promoverem-na activamente junto dos seus familiares e amigos. E conseguirem mais duas, cinco, dez assinaturas... quantas mais melhor, porque todas nunca serão demais. Mostremos quanto nos preocupamos, quanto estamos vivos. Para que o país não caia nas mãos de alguns, enquanto todos os outros parecem dormir...
Gonçalo Rosa
Sábado, Setembro 05, 2009
Programa Eleitoral do Partido Popular

Foi muito recentemente publicado o Programa Eleitoral do Partido Popular. Como já havia feito com os programas eleitorais do Bloco de Esquerda, Partido Socialista, Partido Comunista Português e Partido Social Democrata, publico finalmente a análise ao programa do CDS/PP no que à Conservação da Natureza diz respeito.
No ponto XIV do capítulo Ambiente e Sustentabilidade (ver página 36), são elencadas as seguintes medidas:
Rever o regime jurídico da conservação da natureza e da biodiversidade e redefinição do papel das autarquias no sentido da descentralização de competências.
[Imagino que no sentido de uma maior descentralização de competências. Porém convinha descriminar mais, por forma a compreender melhor o que se pretende, até porque, são por demais evidentes os danos causados pelo poder autárquico, nomeadamente ao nivel do ordenamento do território.]
Criar um novo quadro legal e um modelo de de gestão das áreas protegidas que vise a compatibilização da preservação da biodiversidade com visitas de educação ambiental, actividades de eco-turismo.
[Não me parece que existam haja grandes incompatibilidades. O que me parece é que poderia haver um maior esforço de promoção daquelas actividades dentro da rede nacional de áreas protegidas.]
Integrar as áreas protegidas numa nova entidade de natureza empresarial que garanta, em 10 anos, que os parques naturais portugueses sejam uma marca amplamente reconhecida, com valor percebido e estimulado pela população.
[Se o que estamos a falar é a gestão privada de áreas protegidas da actual rede nacional, creio ser uma medida interessante, mas questiono-me se as motivações serão as melhores. Não tenho dúvidas que ONGAs, fundações e empresas podem gerir áreas protegidas melhor que o Estado, pois teem mais capacidade de potenciar algumas actividades compatíveis com a conservação da natureza, como diversas actividades turisticas, bem como promover alguns produtos locais cuja produção se encontra intimamente relacionada com os valores naturais que se pretendem perservar. Mas convém não esquecer que o objectivo primeiro de uma área protegida da rede nacional deve ser a preservação dos valores naturais que justificaram a sua criação. Fazer das áreas protegidas (creio que é a isso que se refere o CDS-PP quando fala em "parques naturais" uma marca amplamente reconhecida e estimulado pela população é apenas um meio. Importante, sem dúvida, mas que não pode ser o objectivo final.]
Reavaliar todos os projectos do plano nacional de barragens que têm impactes reais ou potenciais em áreas sensíveis.
[Pois, mas o que ficamos a saber é que a única coisa que o CDS-PP pretende é "reavaliar"... quem sabe se para ficar tudo na mesma.]
O CDS-PP apresenta uma ideia que me é querida - a da gestão privada das áreas protegidas - mas que, temo, com motivações bem distintas das minhas. De resto, o programa eleitoral do CDS-PP mais não é do que um conjunto de algumas ideias, vagas e ambiguas, à semelhança do que acontece com os programas do PS e do PSD. Muito pouco.
Gonçalo Rosa



