
segunda-feira, maio 31, 2010
Os heróis e os da vida banal (II)

sábado, maio 29, 2010
Biodiversidade - DIY
Tenho a sorte de trabalhar numa empresa onde confluem três elementos necessários para poder dar passos concretos na conservação da biodiversidade: gere património rural; reconhece a importância de investir em biodiversidade e cria riqueza suficiente para o fazer (e sem ter de recorrer a financiamento público, claro).
Nos últimos anos tenho liderado vários projetos de restauro de áreas de conservação, alguns mais bem conseguidos que outros. Mas todos me ensinaram coisas relevantes:
1 - Biodiversidade pode ser promovida em qualquer espaço, independente do seu estado de conservação. É preciso ler a paisagem, vegetação e habitats para compreender o caminho lógico de recuperação ou conservação.
2 - Não é preciso muito dinheiro para implementar, com sucesso, medidas que criem condições para o desenvolvimento de valores de conservação. Aliás, até aprendi que escassez de recursos obriga a encontrar soluções mais eficientes logo mais sustentáveis.
3 - A capacidade de recuperação da biodiversidade é espantosa, surpreendente e raramente se compreende em pleno o resultado das ações de restauro ou conservação. Isto torna tão satisfatório o esforço nela e fomenta a ideia que depende sobretudo de nós para termos uma diversidade biológica mais rica ainda.
Em textos recentes (post e comentários a posts) poderei ter deixado a ideia que menosprezo os grandes problemas ambientais que estão a acontecer por esse mundo fora, com base em sucessos importantes mas locais. Além de não corresponder à verdade, procurei sobretudo mostrar que há exemplos que mostram a inversão de algumas tendências (mas não todos, lá está) e, mais importante, que a iniciativa local seja o caminho mais construtivo e mais positivo para apoiar a conservação e recuperação da biodiversidade. É minha convicção profunda que são os pequenos projetos locais que, através da sua multiplicação, contribuam com maior eficiência (mais importante que eficácia) à conservação da biodiversidade que projetos megalómanos.
Por fim, oponho-me à corrente fatalista tão em vogue, cujo contributo para a conservação da biodiversidade é pelo menos duvidoso.
A biodiversidade precisa de ação positiva, concreta e simples. É altura de por as mãos na massa.
Henk Feith
Prioridades
quinta-feira, maio 27, 2010
A reprodução e a conservação
quarta-feira, maio 26, 2010
Morte e extinção (II)
terça-feira, maio 25, 2010
Epifania
imagem: lenda do fogo, Paula Rego Acho que estamos no fim. Não queria que fosse a minha geração que vai vê-lo...

As empresas portuguesas são tão amigas dos concidadãos, não são?
Onde está errado: a ditadura do automóvel, que não queremos largar ou a BRISA que despedirá mais trabalhadores para lucrar uns patacos [ver notícia] e a fazer o que bem lhe apetece?
Que força é essa amigo, que força é essa?
Estou a pensar porque é que os nossos governantes e deputados recebem o subsídio para comprar o Passe Social L123, no valor de 170€ e ainda têm carro e motorista?
Estou a pensar porque raio digo aos meus alunos e pais usem os transportes públicos, quando raios é sempre mais caro, atrasado e ainda por cima há menos autocarros e paragens?
Estou a pensar porque raio digo aos meus alunos há estudos em Portugal e eles têm que fazer uma busca tão detalhada e curvilínea na internet para chegar ao que interessa na matéria de Ambiente e seu estado??
Estou a pensar porque raio já há já alguns bancos, empresas a aderir a programas de sustentabilidade, mas o sinal que vemos é que podem estragar o resto, porque comprometeram-se a plantar x árvores num sítio qualquer, quando é aquele rio Sabor o da minha juventude, é aquela X quinta que me recordo do Porto, é aquele Parque Real que adorava, etc...
Não sei, mas querem mesmo acabar com o mundo humano.
Só não queria que fosse a minha geração a vê-lo!
segunda-feira, maio 24, 2010
Biodiversity4all (V)
sexta-feira, maio 21, 2010
Ignições
"Agora não arde nada, Henrique. A terra ainda está totalmente húmida das últimas chuvas, como pude constatar ainda este sábado".

Não estamos perante Cisnes Negros porque as condições de ocorrência são perfeitamente previsiveis, mas estamos perante fenómenos que nada têm que os relacione com o tratamento estatístico de eventos com distribuições de ocorrência próxima de curvas de Gauss.
Para quem leu o livro, facilmente reconhecerá aqui a leitura recente do Cisne Negro, aconselhada por um dos meus orientadores.
henrique pereira dos santosterça-feira, maio 18, 2010
lutos difíceis (tempo) 1
(Maio de 2010)
E trouxe-me à memória um poema de Amalia Bautista…
E ali ficou dias, talvez semanas, como me referiram alguns guias do parque, no seu difícil luto. Porque o tempo, para estes seres, não urge como para nós humanos.
Gonçalo Rosa
segunda-feira, maio 17, 2010
Só para lembrar
Veremos o que para aí vem. O que arder agora será uma benção e um aviso para o que possa vir lá mais para a frente, se se verificarem condições meteorológicas que não têm existido nos últimos anos.
henrique pereira dos santos
Barão de S. João
Roubei a fotografia à Almargemdomingo, maio 16, 2010
E lá vai outro
Continuo a achar que a questão das rolhas de cortiça é uma questão do consumidor mais que do produtor. Se o consumidor discordar da utilização de vedantes diferentes dos feitos de cortiça, devia abdicar de os comprar. Simplesmente.
Henk Feith
Competição cerrada
imagem retirada do site do promotor, que vale a visita
A imagem do sítio da plataforma, tirada do site da QUERCUS, bem demonstrativa da adequação do sítio à construção de armazénsA plataforma possui áreas logísticas diversas, tais como: multifunções/multicliente, monocliente, especializadas e de transformação. A plataforma envolve também um terminal intermodal marítimo e ferroviário; serviços de apoio a empresas e veículos; e áreas de negócio e comércio. Com a função de auxiliar a plataforma, a estação de caminho-de-ferro de castanheira do Ribatejo possui uma dupla função de mercadorias e passageiros, com a possibilidade de ser efectuada uma quadruplicação da via, tudo isto num território próximo da plataforma (Venda, 2007)."
sábado, maio 15, 2010
Paciência de santo

sexta-feira, maio 14, 2010
Nyctalus leisleri
quinta-feira, maio 13, 2010
Os políticos portugueses subestimam a biodiversidade ao arrepio dos seus eleitores
Mas o que me leva a falar disto hoje é algo diferente. Estou neste momento em Nairobi no encontro da "Subsidiary Body on Scientific, Technical and Technological Advice" da Convençao da Diversidade Biológica. Vim apresentar os resultados do Global Biodiversity Outlook 3 (GBO3) e do relatório associado sobre cenários para a biodiversidade, do qual eu e o Miguel Araújo somos co-autores com outros cientistas. Ao olhar para a lista (disponibilizada no CD do GBO3) dos países que ainda não submeteram o 4º Relatório Nacional da Convenção da Diversidade Biológica, utilizados para fazer a aferição do objectivo de reduzir a perda de biodiversidade até 2010, encontro Portugal. É verdade que apenas 60% dos estados membros da UE entregaram já os seus relatórios, mas não deixa de ser surpreendente que no país onde 72% dos cidadãos considera a perda de biodiversidade um assunto muito sério, o nosso governo ainda não tenha submetido o seu relatório.
E já agora na sequência do texto do Henk Feith, a imagem abaixo retirada do Global Biodiversity Outlook 3 mostra vários indicadores globais de biodiversidade que sugerem que o declínio da biodiversidade continua.
Quinta-feira da espiga

quarta-feira, maio 12, 2010
Biodiversity4all (IV)
Fotografia de Nuno Barretoterça-feira, maio 11, 2010
Crise Financeira Oportunidade para a Economia Ecológica
A questão não parece ser gostar ou não gostar de bancos, mas sim o papel que eles têm na atual configuração económica, financeira, política, social e até cultural.
Esse papel possivelmente terá que mudar, ou melhor essa é a discussão mundial hoje mais importante em termos de sistema económico, e bem acesa, de que a imprensa portuguesa não se dá conta de modo satisfatório. Que tem que mudar, é o que se vê expresso na pena de muitos que nada têm de revolucionário ou de inconformista. Analistas consagrados de jornais como o The Economist, representante insuspeito do pensamento económico dominante antes da crise financeira, não dizem outra coisa. Chegam a exigir mudanças «radicais» e uma intervenção das autoridades ditas «reguladores» impensável nos tempos, ainda tão próximos e não de facto desaparecidos, do thatcherismo omnipresente. Não é mudar o que se discute, mas o grau, a profundidade, o sentido e o alcance da mudança.
As críticas rejeitadas por alguns como decorrentes de uma mania ideológica anti-grande capital ou anti-bancos passariam por moderadas perante o que dizem e escrevem grandes mestres práticos da finança, inclusive um George Soros, que foi o inventor de um dos esquemas hoje mais criticados, os hedge funds, e que fez fortuna num ataque especulativo em forma contra a libra. Mas, a lê-lo, os financeiros dessa sua época aliás recentíssima são anjinhos com asinhas ao lado dos jogadores de póquer atuais.
Que há que mudar, raros são os que o negam. Mas mudar para onde?
A oportunidade que pode agora haver, mediante a desorientação e abanão que grassa nos meios dos economistas teóricos e práticos, é que possam emergir finalmente o pensamento e as obras de economistas e cientistas sociais até agora marginais ou desprezados, nalguns dos quais se encontra o fundamento para uma economia que tenha em verdadeira conta a base real da economia «real», base essa que é ecológica-energética.
Georgescu-Roegen e Jeremy Rifkin, por exemplo, e ainda a economia de base cultural como a que segue as pisadas de Karl Polanyi, e toda a chamada economia ecológica (Herman Daly, Joan Martinez Allier, Serge Latouche e o «decrescimento económico»), já largamente presente nalgumas universidades e publicações académicas sem ter no entanto ainda sido escutada por quem tem os cordões da bolsa, metafórica e literal. Também a economia solidária, entre nós representada, entre outros, pela rede de associações de desenvolvimento de base local Animar, pelos Professores Roque Amaro e Luís Moreno, por exemplo, deveria ganhar uma nova visibilidade e importância, se os desatentos políticos e comentadores vierem a aprender com as turbulências atuais.
Richard Douthwaite, James Robertson e outros autores da corrente inspirada em E. F. Schumacher completam e aprofundam esse quadro. A banca é uma instituição humana, e como tal passível de mudança. O papel que vier a desempenhar para uma sociedade que queira resolver os problemas da destruição ecológica, da guerra, da fome e da injustiça social terá forçosamente que ser muito diferente do que hoje predomina.
Existem já numerosas instituições financeiras que apontam o caminho nesse sentido, embora a sua dimensão não seja comparável ao mainstream ou sistema dominante. Mas é bem possível, e já desde 1977 se poderia sabê-lo pelo êxito que teve a famosa obra de E. F. Schumacher, Small is Beautiful mesmo quando rejeitada (por exemplo, pelos que escreviam e escrevem no The Economist!!!), é pois bem possível que o gigantismo do mainstream, inclusive bancário como mostra a atual crise e como já se discute, não seja a solução mas o problema.
José Carlos Marques
segunda-feira, maio 10, 2010
Evidência empírica e ideologia na conservação da biodiversidade
"Apesar de não ter sido detectada mortalidade de espécies com estatuto de ameaça, a espécie N. leisleri, que foi uma das mais identificadas quer ao nível da actividade quer ao nível da mortalidade, apresenta o estatuto DD (informação insuficiente), o que pode implicar impactes negativos preocupantes em espécies que podem vir a ter um estatuto desfavorável. A reduzida mortalidade de espécies ameaçadas e a elevada mortalidade de espécies com estatuto DD tem vindo a ser confirmada por outros trabalhos (Arnett et al., 2008; Rodrigues, com. pess.)."
domingo, maio 09, 2010
Cabras, baldios e esterco
sábado, maio 08, 2010
Prados, vacas e estrumes
Catão o Censor [234-149 a.C.], diz-nos Columella [Res Rusticae II, 16, 2], enumerava numa passagem hoje perdida dos seus escritos, as seguintes vantagens para os prados: 1) o mau tempo afecta-os menos do que a outras partes do campo, 2) necessitam de um investimento [de manutenção] mínimo, 3) produzem ganhos todos os anos. Columella refere ainda que a palavra prado significa sempre pronto, e que os prados eram mais considerados do que a terra arável no modelo de exploração agrícola pugnado por Catão, há mais de 2000 anos!
Os Scriptores Rei Rusticae desconheciam a lei da conservação das massas de Lavoisier ou os princípios de nutrição de plantas formulados nos meados séc. XIX por von Liebig. Catão valorizava os prados porque estes, além de serem uma fonte fiável da energia que põe em marcha o carro e o arado, eram uma peça determinante nos sistemas de restituição da fertilidade dos solos agrícolas. O mecanismo da restituição da fertilidade dos solos agrícolas é conceptualmente muito simples. A manutenção da produtividade dos sistemas agrícolas depende da reposição dos nutrientes – por exemplo o azoto e o fósforo – consumidos pelas plantas cultivadas, e exportados dos solos agrícolas no interior dos grãos de cereal ou na carne animal. Sem nutrientes as plantas não crescem, e não produzem; se as perdas de nutrientes são maiores do que os ganhos o solo esgota-se e a produção de alimentos desaba. Os nutrientes eram um recurso escassíssimo nas sociedades orgânicas (muitos serviços pagavam-se com carros de estrume ou com direitos de pasto). Consequentemente, a restituição da fertilidade do solo era (e será sempre) a chave da produtividade dos sistemas orgânicos de agricultura.

As leguminosas pratenses e forrageiras foram tão importantes como o carvão na génese da revolução industrial em Inglaterra, no séc. XVIII. A incorporação de trevos nas rotações trienais herdadas da Idade Média aumentou os imputs de azoto no solo, a produção de pasto e fenos e a produção de estrumes. Por esta via (mas não só) os trevos incrementaram a produtividade do trabalho agrícola e a disponibilidade de trabalho para a industria. "Carvão, trevos e proletários", poderia ser este o título de um livro sobre a revolução industrial.
Os serviço de regulação do ciclo de nutrientes prestado pelo tandem pastagem-animal é pouco valorizado nas sociedades industrializadas. Para além de sustentarem a produção animal, e de servirem de refúgio a plantas e animais de elevado valor conservacionista, a restauração da fertilidade química e física dos solos degradados pela cerealicultura, e a sequestração de carbono são os serviços ecossistémicos prestados pelos prados de maior valor social na actualidade. No entanto, estou seguro que a função de colector de nutrientes no passado desempenhada pelas pastagens será, mais tarde ou mais cedo, recuperada. A escassez energética, e a depleção das reservas globais de fósforo a isso obrigarão.
Esta semana decorreu entre Miranda do Douro e Zamora, o IV Reunião Ibérica de Pastagens e Forragens. Para quem gosta, pratica e/ou estuda a agricultura foi um momento fantástico de convívio e aprendizagem, fundamental num tema tão complexo, tão interessante, tão importante como são as comunidades herbáceas, indígenas ou semeadas, sujeitas a pastoreio, ou as culturas forrageiras.
Senti uma angústia crescente nos quatro dias que durou o encontro. Um tema crucial como este reuniu muito menos interessados do que um qualquer encontro nacional dedicado à conservação da natureza, ou a um pequeno grupo de vertebrados. Já nem falo na correria que são os congressos de energias renováveis, de planeamento e gestão do território, de economia regional ou de segurança alimentar, quatro temas de discussão recorrentes na lista AMBIO.
Alguma coisa não está bem!
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