Gonçalo Rosa
Sábado, Agosto 28, 2010
arbustos, matos e ervas
Gonçalo Rosa
Quinta-feira, Agosto 26, 2010
170 milhões, uma petição (um post oportunista)
Quarta-feira, Agosto 25, 2010
150 000 cabras, 48 milhões de euros
Terça-feira, Agosto 24, 2010
Incendiários: muitos mas muito estúpidos
A tecla agora era que o dispositivo aguenta 250 ignições por dia (se não forem muito concentradas) mas Portugal tinha um enorme problema de ignições a que era impossível responder.
Esta linha de comunicação traduziu-se em variadíssimas notícias sobre incendiários, detenções e outras coisas que tal, culminando neste fim de semana com o Expresso a publicar uma entrevista com Gil Martins (de resto, interessante) titulada "A floresta não arde sozinha" e as quatro lamentáveis páginas do Público, totalmente governamentalizado nesta área, que incluem esta delicada subtileza de raciocínio de Manuel Carvalho "é certo que uma fatia importante dos fogos tem mão humana e criminosa, como atesta o facto de 38% das ignições acontecerem durante a noite" (aparentemente Manuel Carvalho nunca ouviu falar de ignições retardadas, mas isso é lógico para um jornalista que só acompanha o sector florestal há mais de dez anos).
Como corolário a Autoridade Nacional de Protecção Civil passou a incluir na informação diária não só o número de fogos, como também o número de fogos diurnos e o número de operações dos meios aéreos, para as pessos perceberem bem que está tudo bem do lado do dispositivo, mas não se pode governar este povo de pirómanos infrenes.
Ora foi com essa informação que construí o gráfico que se segue.

Principal conclusão?
Não só há muitos incendiários como são estúpidos como uma porta, porque a percentagem de ignições nocturnas dispara quando não há condições para grandes fogos (havendo inclusivamente previsão de chuva).
henrique pereira dos santos
Escola na natureza
Comecei aqui, continuei a discutir aqui as objecções de uma das poucas pessoas que não acha boa a iniciativa, e mais tarde fui dando conta do meu desencanto, por exemplo, aqui e aqui.
Falei da escola na natureza a propósito do encerramento do país aos poucos, para explicar como a opção de fechar escolas da forma como se está a fazer não é um fatalismo a que o realismo político se verga, mas o corolário de uma visão do mundo rural como espaço produtivo inviável.
Ora este post resulta dos comentários do Nuno a esta última referência à escola na natureza.
Tentei fazer o projecto dentro do ICNB e falhei. Tentei interessar alguns promotores de projectos de conservação da natureza no projecto para o desenvolverem numa lógica de rede criando desta forma uma fonte de financiamento à sua actividade e falhei. Tentei interessar uma empresa de consultoria a partir de candidaturas a um dos vários programas de financiamento existentes, de forma a criar o primeiro embrião da rede autónoma de produtores de biodiversidade de que falei antes e falhei.
Para mim falhar é sempre uma coisa mais ou menos temporária, já vi renascer das cinzas muitas ideias minhas consideradas inviáveis (algumas até pela mão de pessoas que tinham o poder para as considerar inviáveis e depois, felizmente e por acaso, tinham as mesmas ideias mais tarde. Mais chato é quando aparecem tão deturpadas que se tornam mesmo inviáveis ou desviadas dos objectivos iniciais, como também aconteceu de quando em vez).
Neste caso nem é uma ideia minha, é apenas uma ideia copiada com a qual perdi muitas horas a estruturar a forma de a levar à prática.
Portanto não me importo de arriscar outro falhanço apoiando a ideia do Nuno: levar à prática a escola na natureza a partir das comunidades escolares, ligando-as aos empreendedores que no mundo rural queiram entrar para o barco.
É possível, é sustentável e, infelizmente, é possível que a sua execução fora do mundo da conservação permita melhores condições de execução, usando todo o mundo rural em que haja alguém que queira.
Nuno, apesar do video com o que vou ilustrar o enésimo post sobre a escola na natureza, podemos começar hoje a fazer a associação escola na natureza e a montar o projecto.
Sem dinheiro, é certo, mas isso também não é o essencial.
Seja bem vindo quem vier por bem.
henrique pereira dos santos
incúria sem limites
Esta é a fabulosa garganta de Todra, já perto de Tinerhir, na vertente sul do Alto Atlas marroquino, há cerca de quatro anos atrás. Por este canhão, com paredes verticais de mais de 160 metros de altura separadas por escassas dezenas de metros, corre um rio. Nestes tempos, ora montados nos seus burros e dromedários, ora acompanhando ovelhas e cabras, locais percorriam um discreto caminho desenhado no fundo da garganta enfeitada por palmeiras e pequenos cactos. Esta longa picada com muitas dezenas de quilómetros permitia o acesso às pequenas aldeias na montanha, a Norte, à cidade de Tinerhir.
Apenas quatro anos depois, o cenário mudou drasticamente. Vieram máquinas que rasgaram uma estrada no fundo do vale. Prolongou-se o alcatrão até Imilchil, mais de uma centena de quilómetros a Norte. Ainda que a maioria continue a utilizar asnos e dromedários para se deslocarem, os mais abastados compraram carros. Uma ou outra aldeia ganhou vida com um pouco de turismo, outras, por enquanto, nem por isso. Ainda assim, o melhor acesso a automóveis e camiões, facilitou a vida destas gentes, possibilitando um mais fácil, rápido e seguro trânsito de gentes e bens.
A Sul, muitos são os turistas que agora visitam o canhão. Nasceram dezenas de pequenos albergues e restaurantes nas proximidades. Alguns ergueram-se encostados às arribas mais inclinadas e entalados pelo ribeiro que, em invernos rigorosos ou depois do degelo ganhará caudal surpreendente. É assustadoramente óbvia a iminência de desastre. A incúria do humanos não parece ter limites.
Gonçalo Rosa
Domingo, Agosto 22, 2010
Programa Nacional para a Valorização dos Territórios Comunitários (cont.)
A Lei dos Baldios atribui aos compartes um domínio quase absoluto sobre os seus baldios. De tal modo que nem sequer o vínculo jurídico contratual está previsto na lei (vd. comentários dos produtores de celulose ao PNVTC, aqui). A filosofia jurídica da actual Lei dos Baldios fazia todo o sentido quando: 1) as redes de laços sociais das comunidades de aldeia eram intensas e todos comungavam a sensação de partilha de uma terra e de um destino comum; 2) as fronteiras do baldio e os seus utilizadores (compartes) estavam identificados e existia um conjunto de regras de uso aceite, respeitado e fiscalizado por todos; 3) o baldio gerava sobretudo bens em espécie – e.g. lenhas e pasto – essenciais para o funcionamento dos sistemas de agricultura (o parecer da CCDRN é muito claro a este respeito aqui); 4) serviços ecossistémicos não tangíveis, como sejam a regulação do ciclo da água e o refúgio da biodiversidade, eram socialmente pouco valorizados.
Estas condições – há mais, vd. papers de E. Ostrom, como refere o parecer da Quercus aqui – explicam que muitos baldios tenham escapado à conhecida "tragédia dos comuns" de Garret Hardy (não é seguro que no longo prazo assim fosse, mas para o efeito tanto dá). A tragédia dos comuns é fácil de entender: num ambiente social desregulado as pessoas estão-se nas tintas para a sustentabilidade dos recursos naturais nos espaços de propriedade colectiva. Esta atitude é perfeitamente racional nos dias de hoje: afinal não é na cidade e na construção civil que a maioria ganha ou quer ganhar a vida?
Actualmente, não só as comunidades de aldeia são incapazes de controlar o acesso aos recursos dos baldios, como a identidade dos compartes, a democraticidade das eleições dos conselhos directivos e a distribuição dos seus proveitos são cada vez mais opacas.
Quem são afinal os compartes? Diz-nos o artigo 1 da lei dos baldios que são os moradores. Porém, olhando para os concelhos directivos daqui do norte vemos que são os moradores nas sedes de concelho, na grande capital ou na cidade estrangeira que gerem os baldios. Baldios há que são governados a partir de Paris!!! Depois usam-se todo o tipo de truques – e.g. datas das assembleias de compartes – para controlar as eleições dos conselhos directivos. Como os conselhos directivos não são obrigados a manter uma contabilidade organizada os proveitos monetários esvaem-se sem controlo. Conheço baldios geridos por juntas de freguesia que mal se aventou a hipótese de serem construídas eólicas se formaram conselhos directivos para controlar o acesso aos seus proveitos.
Há que aceitar uma nova realidade no mundo rural. Os decisores políticos na grande cidade têm que perceber que as gentes do campo têm, genericamente, os mesmos anseios, as mesmas práticas sociais e os mesmos gostos das da cidade. O comunalismo acabou; grande parte das decisões tomadas na comunidade aldeia foram tomadas pelo Estado (e.g. justiça e segurança) ou pelas autarquias (e.g. planeamento urbano e recolha de lixos). A regulação social tradicional colapsou e, dado o afastamento dos centros de poder e a pequena dimensão das aldeias, estas estão muitas vezes sujeitas a grupos organizados que não se coíbem de coagir as gentes para capturar, sem mossa, os proveitos pecuniários gerados nos baldios. Finalmente, é fundamental que o Estado assuma que os baldios ocupam quase 5% da superfície de Portugal e produzem bens e serviços, tangíveis ou não, de enorme importância económica e social. Para evitar dissabores os decisores não podem fingir que os baldios não existem ou que são dispensáveis.
No meu entender é consensual que ninguém deseja o desmantelamento da instituição “propriedade comunitária”. O Estado assusta-se com a possibilidade de ter de gerir 450.000 ha; as populações locais têm um direito (consuetudinário) aos seus proveitos; a esquerda agarra-se à ideia; os citadinos não sabem o que é um baldio. Assim se explica que o PCP controle os secretariados de baldios num território tradicionalmente de direita (norte de Portugal), sem que ninguém se incomode.
Uma nova realidade exige novas regras, novo direito, é apenas isso que os interesses dos “povos dos baldios” e do colectivo português exigem. É necessário, por isso, a identificação das fronteiras do espaço baldio (i.e. cadastro), transparência no censo dos compartes e na eleição dos conselhos directivos (legitimidade democrática), controlo das contas, e planos de gestão aprovados por agências estatais competentes (representantes do interesse colectivo do todo português). Simples. Como consegui-lo? O cadastro é uma responsabilidade do IGP. Só devem ser compartes (assim como votantes na eleições para a junta de freguesia) e ter acesso aos proveitos dos baldios habitantes da aldeia; aliás, esta é uma forma objectiva de promover a retenção de população no espaço rural. A gestão dos baldios deve ser incorporada nas juntas de freguesia (com a definição de cargos para o efeito à escala da comunidade de aldeia), porque a sua eleição é fiscalizada pela CNE e as suas contas são controladas pela IGAI. A Autoridade Florestal Nacional aprova os planos de gestão, conforme já o faz a pedido dos conselhos directivos. Quando uma comunidade aldeia é incapaz de gerir um baldio, esse papel deve reverter para as autarquias.
Os baldios são inalienáveis, mas por que não poderão ser total ou parcialmente ser arrendados ou construções previamente existentes ser recuperadas por privados sem uma apropriação privada do solo como, aliás, acontece em Espanha?
[transcrição de um post colocado na lista AMBIO]
Carlos Aguiar
Abandono, fogos e propriedade da terra
Macedo de Cavaleiros nos anos 20 (sec. XX). N.b. Serra de Bornes ao fundo, à direita, totalmente cultivada com cereais. A floresta entretanto reocupou o que era seu (imagem cedida por Manuel Cardoso).Ao contrário do que muita gente pensará, a propriedade rústica teve, e tem, uma distribuição muito desigual no interior norte e centro de Portugal. O facto de senhores e criados e beberem o vinho da mesma malga e da comunidade de aldeia partilhar o forno de cozer o pão e o semental, não disfarça a subjugação das relações sociais no interior destas comunidades às estratégias de reprodução da desigualdade e do poder dos terratenentes. Conta-me quem o viveu de perto que as searas dos lavradores ricos eram sempre as primeiras a serem ceifadas e debulhadas. Como se um sino tocasse a rebate, rendeiros e pequenos agricultores abandonavam o que era seu para oferecer trabalho em troca de meia dúzia de tostões ou da protecção de quem detinha verdadeiramente o poder. Quando as colheitas eram fracas, as senhoras da casa grande, pelo Natal, num acto que de caridade tinha muito pouco, distribuíam presunto, azeite, farinha e batatas pelos mais precisados. O senhor sempre conseguia um emprego na câmara ou na guarda, em último caso de criado de lavoura, ou poupava do imposto de sangue as famílias mais depauperadas. Foram estes senhores quem no final da ditadura tentou a todo o custo estancar a fuga da mole de miseráveis sem terra que povoavam as nossas aldeias, com receio da escassez e do aumento do custo da mão-de-obra. Quando a fuga da miséria rebentou as fronteiras, o discurso do poder absorveu o fenómeno imigração, e era então o universalismo e desejo de aventura da “raça” portuguesa que nos impelia a sair.
Antes da entrada na CE os cereais pagavam bem (hoje o quilo do centeio, sem actualização monetária, vale metade do que valia há 25 anos atrás) e os lavradores ricos tiveram oportunidade de acumular capital e educar os filhos. Estes, por sua vez, aproveitaram a industrialização do país para se libertarem da terra e assumir profissões liberais ou integrar a administração pública e o sistema de ensino. A terra entretanto perdeu utilidade e passou a funcionar como um buffer financeiro. A memória dos dias de abundância, em que um sistema de preços garantido pelo Estado (que não incluia o centeio, diga-se) cobrava a ineficiência tecnológica da agricultura aos consumidores, marcou a primeira geração urbana de origem rural. Como o futuro a "Deus pertence" nunca se sabe se a terra virá a ser novamente necessária. Por outro lado, a terra abandonada não perde valor, ou pelo menos subsiste essa expectativa. Ao contrário do que acontece, por exemplo, na industria manufactureira, desinvestir nos meios de produção, neste caso na terra, não diminui a sua aptidão para produzir: o descanso é prática ancestral de reposição da fertilidade. O fogo também não é um problema: a censura social à escala da comunidade rural já não condiciona os usos da terra que põem em risco os haveres dos outros e o Estado, ou seja os contribuintes, encarrega-se de pagar a conta do combate aos incêndios. Não surpreende, portanto, que a esta geração, bem instalada na vida, não interesse ouvir falar em cadastro ou na fiscalidade da terra. Porém, sistematicamente ouço-os nos cafés da terra onde vivo a queixarem-se de que já não se produz riqueza em Portugal, que ninguém quer trabalhar - "pagam-se as jeiras a 30 euros/dia e ninguém apanha a azeitona" - e que o Estado só investe no litoral.
A "estrutura da propriedade" e a "tributação da propriedade agrícola" são duas forças motrizes fundamentais no abandono (e no fogo), muito mais importantes do que o fecho das escolas e a estrutura de subsídios. As coisas parecem estar a mudar. O BE prepara-se para avançar com um projecto de lei sobre bancos de terras (vd. aqui e aqui). Mas não chega. Além de um agravamento do IMI para castigar os proprietários de terra agrícola devoluta (suponho que seja esta a proposta do BE) é necessário avançar com um cadastro único, investir numa classificação de terras e rever a tabela de emolumentos do registo predial e de notariado. Não vejo outra forma de operacionalizar os bancos de terras e de estimular o desenvolvimento de um mercado da terra, de impulsionar a produção de riqueza no meio rural e, já agora, de acabar com privilégios de classe.
A título de curiosidade. O registo de um prédio rústico custa agora 250 euros, qualquer que seja a sua área. No minifúndio o registo pode custar mais do que a terra; juntar 20 pedaços de terra para construir um exploração agrícola não é raro e atinge a extraordinária quantia de 5000 euros. Mais uma vez o estado, para se financiar, pune um importante sector produtor de riqueza: a agricultura.
Carlos Aguiar
Sábado, Agosto 21, 2010
Fogos e conservação de Quirópteros II
Encerrar o país aos poucos
Sexta-feira, Agosto 20, 2010
Refere o NY Times: Portugal dá a si próprio uma reforma de energia limpa
![]() |
| Fonte: NY Times |
Embora com alguma agenda política no meio, creio que não ficamos mal no figurino, pois em boa verdade Portugal tem crescido imenso em energias renováveis.
O artigo tem despertado imenso debate (mais de 230 comentários!!) e entendo que devemos aproveitar esta onda e bons ventos para um lugar ainda mais ao Sol!
Portugal Gives Itself a Clean-Energy Makeover
LISBON — Five years ago, the leaders of this sun-scorched, wind-swept nation made a bet: To reduce Portugal’s dependence on imported fossil fuels, they embarked on an array of ambitious renewable energy projects — primarily harnessing the country’s wind and hydropower, but also its sunlight and ocean waves.
Today, Lisbon’s trendy bars, Porto’s factories and the Algarve’s glamorous resorts are powered substantially by clean energy. Nearly 45 percent of the electricity in Portugal’s grid will come from renewable sources this year, up from 17 percent just five years ago.
Land-based wind power — this year deemed “potentially competitive” with fossil fuels by the International Energy Agency in Paris — has expanded sevenfold in that time. And Portugal expects in 2011 to become the first country to inaugurate a national network of charging stations for electric cars.
Continuar a ler aqui
Read All Comments (213) »
Boa propaganda anti-touradas, de 1938
Na discussão da lista ambio sobre touradas, ao ver a agressividade e falta de nível da argumentação anti-touradas lembrei-me de resgatar este filme e fazer um pedido: não podem voltar a este nível de argumentação? Era bem melhor para todos.
henrique pereira dos santos
A presunção da inocência
Quinta-feira, Agosto 19, 2010
Finalmente medidas concretas com incidências nos fogos
O autarca diz que os custos a suportar pela autarquia são “o principal problema” do encerramento de 21 escolas do ensino básico no concelho. “A Câmara não assegurou, como as câmaras não asseguraram, junto do Ministério da Educação as condições em que os custos do transporte escolar seriam assegurados e estamos agora confrontados com uma proposta do Ministério da Educação (ME) que não cobre nem sequer 20 por cento dos encargos que vamos ter”, afirmou o autarca, à Lusa. Para o presidente da Câmara, “é uma obrigação do Estado assegurar a deslocação das crianças, já que foi o Estado que promoveu este processo de construção de centros escolares e a concentração da rede escolar”, comenta.Francisco Lopes adianta ainda que, no seu caso, a autarquia terá que despender cerca de 600 mil euros/ano por criança com o transporte escolar, o que penalizará “profundamente o equilíbrio financeiro” do município. Segundo referiu, o Estado propõe, por outro lado, um valor fixo de 300 euros, o que “é desde logo uma injustiça”, defende.Escolas de Vinhais, em Bragança, com anúncio de encerramento vão abrirDuas escolas do concelho de Vinhais, no Nordeste Transmontano, constam da lista das 700 encerradas pelo Ministério da Educação mas vão abrir em Setembro, como outras no país, por condicionalismos locais à concentração de alunos. O presidente da Câmara, o socialista Américo Pereira, que considera a concentração de alunos “um princípio correcto”, defende que existem contudo condicionalismos impossíveis de ultrapassar como é o caso das distâncias geográficas neste concelho. “Fica muito caro e pondo no prato da balança o benefício de integrar em escolas grandes e o custo da deslocação e o sacrifício que implica para as crianças, é melhor que algumas se mantenham abertas”, disse."
Biodiversity4all (VII)
Quarta-feira, Agosto 18, 2010
agricultura de subsistência
A mais de 2000 metros de altitude, no Alto Atlas marroquino, aqui e ali, existem pequenas aldeias de camponeses e pastores. Aproveitam para o cultivo a fertilidade das várzeas dos rios e ribeiras que escavam a montanha. E dependem dessa agricultura de subsistência para sobreviverem. Aqui, figura semelhante à nossa Reserva Agrícola Nacional perderia importância. Cada milimetro de terra fértil serve o presente.
Gonçalo Rosa
Como podem as grandes empresas ajudar a conservar a biodiversidade?
Jason Clay: How big brands can help save biodiversity Video on TED.com
Evolução do touro de lide
Aprendi alguma coisa lendo este artigo enviado para a lista ambio por António Eloy. Vale a pena ler.
A comunicação é perfeita...
Depois de um primeiro tiro de pólvora seca ("estamos a controlar tudo, com uma excepção") o Governo e a tecno-estrutura da Defesa da Floresta contra Incêndios encontraram neste gráfico a base perfeita para a sua comunicação sobre os fogos.E usou esta base com maestria, introduzindo-lhe uma meia verdade, que é a forma mais perfeita de dizer mentiras.
O que fez o Governo?
Olhou para estes risquinhos às cores, cada um representando num ano o Índice de Severidade Meteorológica que pode ser visto com mais nitidez e detalhe neste relatório.
E ao olhar descobriu que de acordo com este índice o ano de 2010 estava mais ou menos no meio (no desenhinho é o risco azul escuro ligeiramente mais grosso). E descobriu também que não estava muito longe graficamente dos risquinhos de 2003 e 2005, que na memória colectiva representam as grandes catástrofes dos fogos (com razão).
Elaborou então uma história, errada nos pormenores, enganadora na essência mas tremendamente convincente e, acima de tudo, permitindo uma leitura favorável da eficiência do dispositivo de combate, desde que se repetisse a mesma história sem falhas muitas vezes.
O Governo ganhou assim a batalha da comunicação, tendo convencido os jornalistas que escrevem sobre o assunto e a generalidade do público de que as condições para o desenvolvimento dos fogos são basicamente as mesmas de 2003 e 2005 mas os resultados são francamente melhores (Mariana Oliveira, no Público, volta a insistir nesta tese na sua peça de hoje sobre os fogos, naturalmente por coincidência).
Mas para quem queira olhar para os factos e ver para além das histórias da carochinha fica aqui o meu contributo.
Em primeiro lugar convém ter a noção clara de que neste índice 2003, e já passados os primeiros quinze dias terriveis de Agosto, é o quarto ano em severidade meteorológica. Ficamos pois bastante seguros quanto à capacidade do índice traduzir o risco real de incêndio.
Se alguém ainda tiver dúvidas, será bom notar ainda que a distância que no gráfico vai de 2010 a 2005 é praticamente a mesma que vai de 2010 a 2007, um ano mais que benigno, que no total do ano apresenta uma área ardida de pouco mais de 30 000 hectares, e que em período homólogo até 15 de agosto apresenta pouco menos que seis mil hectares (grande parte da área ardida desse ano foi no Outono, num episódio de vento Leste que pôs muito nervoso o então Secretário de Estado por lhe estar a estragar as médias).
Portanto, repetindo, estamos esclarecidos quanto à capacidade do índice medir o verdadeiro risco meteorológico associado aos grandes fogos.
Se este índice servisse para mostrar a real severidade meteorológica (que não serve), então seria com 2009 (cerca de 26000 hectares ardidos até 15 de Agosto) que 2010 (cerca de 70000 hectares ardidos) deveria ser comparado, porque são os dois anos que têm valores semelhantes do índice (reafirmo, a área ardida é um péssimo indicador).
Mas o verdadeiro golpe de génio comunicacional do Governo consistiu exactamente em conseguir chamar sistematicamente a atenção para 2003 e 2005, com uma pequena mentira que é a de dizer que o índice é semelhante, o que nem de perto nem de longe é verdade, sabendo perfeitamente que ao olhar para linhas de um gráfico tão próximas ninguém com importância em matéria de comunicação iria perguntar o que significam as diferenças de valor do índice.
Uma vez inventada uma história com base num gráfico que não diz nada mas é convincente, é possível então fazer o seu desenvolvimento comparando os dados de área ardida com os piores anos, sem que ninguém pergunte por que razão se comparam os resultados com os piores anos e não com os objectivos definidos em Conselho de Ministros (menos de 100 000 hectares ano).
De uma penada o Governo muda o referencial para a avaliação de desempenho de 100 000 hectares/ ano para mais de 300 000 mil e eu é que sou acusado de ser desonesto, maldizente, ignorante, inculto, profeta do apocalipse, nojento e, pior que tudo, Miguel Sousa Tavares, por um adjunto do Governo simplesmente por dizer o que vou dizer agora e fundamentei antes:
o Governo e a tecno-estrutura da Defesa da Floresta contra Incêndios mentem despudoradamente por razões de pura propaganda.
O que me preocupa não é que mintam, o que me preocupa é que estas mentiras pretendem mascarar a necessidade de rever o modelo de gestão do fogo, reforçando o pilar da sustentabilidade económica do mundo rural, criando uma falsa ideia de sucesso que aponta para mais investimento no sistema de combate, para colmatar as pequenas imperfeições que ainda tem.
O post anterior do Henk (e o comentário do Carlos Aguiar) é claríssimo: o Governo que considera dispensável a defesa da infra-estrutura produtiva do mundo rural, nomeadamente os solos férteis (convém lembrar o inacreditável assassinato da Reserva Agrícola às mãos deste Governo, com o argumento de que a agricultura em Portugal é inviável), é o mesmo que se queixa das condições de combate aos fogos serem muito duras.
Como disse, a comunicação do Governo em matéria de fogos é perfeita e muito afinada, o problema é mesmo que o bom marketing não substitui a qualidade mínima do produto.
henrique pereira dos santos
Terça-feira, Agosto 17, 2010
Foto da várzea de Aljezur para memória futura
Foto do local onde vai passar a variante à EN120No verão, Aljezur testamunha o problema do aumento de trânsito, consequência da afluência de milhares de turistas que suportam grande parte da vida económica do concelho. A EN 120 passa pelo centro da vila e diariamente há dificuldades de digerir as viaturas que procuram passar pela ponte sobre a ribeira e a zona das lojas onde os lugares de estacionamento são evidentemente insuficientes para o número de utentes, resultando em estacionamento em segunda fila.
Uma petição pela rola
Segunda-feira, Agosto 16, 2010
Por que razão não tem ardido o pinhal interior?
Para mim é a pergunta chave para testar os modelos de interpretação do fenómeno dos fogos em Portugal e, consequentemente, definir linhas de política de gestão de fogos consistentes.
Mariana Oliveira, na sua peça de Domingo que ecoa a perfeita estratégia de comunicação do Governo sobre esta época de fogos (e quando digo que ecoa não estou a dizer que Mariana Oliveira está a fazer um frete ao Governo, estou só a constatar um facto cujos fundamentos não discuto) diz no sub-título de um destaque:
"Valor económico poupa Pinhal Interior"
Para afirmar isto Mariana Oliveira (corrijo, embora peça principal seja de Mariana Oliveira, esta caixa sobre o pinhal é de Helena Geraldes) serve-se de alguns factos (nenhum deles directamente relacionado com o valor económico do Pinhal Interior) e de declarações de dois especialistas: Paulo Fernandes seguramente um especialista de fogo, e Helena Freitas, uma especialista de botânica (desconheço os seus trabalhos sobre fogo mas admito que existam. Este comentário não contém nenhuma crítica ao facto de se ouvirem outras pessoas que não os especialistas, é simplesmente o reflexo da minha perplexidade pela facilidade com que muitos jornalistas recorrem à autoridade de especialistas ao falar de um assunto, convidando especialistas que o são, sem dúvida, mas noutros assuntos).
Paulo Fernandes reafirma o que aqui tem dito e de que eu tenho discordado: a meteorologia não está a ajudar o Pinhal Interior. O Paulo tem a seu favor o facto de saber muito mais que eu do assunto e ter muito mais informação. Eu tenho a meu favor o atrevimento da ignorância e o facto de ter previsto que com as condições de vento que via nas previsões meteorológicas o Pinhal Interior não me parecia que fosse arder.
Quanto ao meu argumento há factos que o prejudicam: essas condições de vento só são relevantes na medida em que traduzem condições meteorológicas específicas, o que se deveria reflectir nos dados das observações meteorológicas, o que não me parece que esteja a acontecer.
Sigamos portanto a argumentação do Paulo Fernandes que parece ter mais razão que eu nesta discussão.
O Paulo fala sobretudo dos índices, não tanto dos elementos meteorológicos elementares (passe o pleonasmo). Ora os índices contêm em si uam interpretação dos fenómenos que valoriza uns elementos e desvaloriza outros. No caso em concreto vamos então admitir que os índices traduzem o risco de fogo e tentemos então explicar por que razão sendo eles mais altos não ardeu o Pinhal Interior.
Diz o Paulo, por interposta jornalista Mariana Oliveira (corrijo, Helena Geraldes):
"O investigador tirou as conclusões depois de analisar o número de ignições por cada 10 km quadrados a partir de Julho. Os distritos do Pinhal Interior, Castelo Branco e Santarém, tiveram apenas duas ignições cada. "Uma diferença enorme em relação a Aveiro, com 16 ignições", por exemplo. O Porto registou 79 ignições."
Confesso que fiquei surpreendido com esta argumentação do Paulo que repetidamente tem dito que não há qualquer relação entre área ardida e número de ignições.
E acho que esta argumentação não cola. Vejamos este gráfico que fiz:

Este gráfico contraria frontalmente a argumentação de Helena Freitas ao não identificar uma grande diferença de fogos por habitante do pinhal interior para o Norte:
"Ao contrário do que acontece no Norte, os concelhos do Pinhal Interior têm hoje a percepção do valor económico da floresta e criaram mecanismos de prevenção". A Região Centro tornou-se "a mais apetecível" para novos valores florestais, como por exemplo a biomassa, ao passo que o Norte enfrenta uma situação de "abandono [da floresta] gravíssima".
Independentemente de eu não perceber onde foi a Helena Freitas buscar a ideia de que em cinco anos a floresta do Pinhal Interior ficou muito mais bem gerida que a do Norte, com base aliás em dois não factos (não existe nenhuma utilização de biomassa séria na região e a floresta do Noroeste é muito mais lucrativa que a da generalidade do Pinhal Interior) e na impossibilidade de mudar estruturalmente uma floresta em cinco anos (para cuja verificação basta um passeio na região, pelas áreas ardidas em 2003), a verdade é que a relação das populações com as ignições não se mede no número de fogos por hectare, mas sim no número de fogos por habitante.
É essa a linha verde mais grossa do gráfico, que identifica uma clara anomalia em Viana do Castelo (o distrito que melhor traduz a zona que está a arder), um pico secundário em Vila Real mas com um nível semelhante de ignições por habitante em Braga, Porto e Viseu e um nível um pouco mais baixo no limite Sul da região que está a arder (Aveiro, Guarda e Castelo Branco) e depois níveis mais baixos.
Se alguém me conseguir explicar as diferenças entre os Minhotos do Norte e os do Sul que justifiquem a anomalia do número de fogos por habitante, eu dar-me-ei por vencido.
Até lá eu tenho de concluir, que tal como resulta da análise das variações diárias e etc., é na meteorologia que estão as diferenças.
Ontem, numa conversa telefónica com outro dos especialiastas do fogo em que eu tentava perceber melhor o que se está a passar, ouvi contar que um meteorologista tinha feito uma pergunta inteligente: se 97% dos fogos resultam de causas humanas, como se explica que se verifique uma tão grande associação aos factores meteorológicos? A resposta parece ser que o território está saturado de ignições, como diz o Paulo Fernandes no artigo que aqui comento, apenas para o Noroeste, mas penso que é válido para todo o território, pelo que nunca são factor limitante para os fogos. Os factores limitantes são de facto as condições meteorológicas.
O que nos conduz a uma questão: ou os índices não reflectem o verdadeiro risco meteorológico de incêndio (que é o meu ponto de vista, ainda que não tenha nada de mais consistente a apresentar em alternativa que não seja a direcção do vento), ou o número de ignições por habitante pode ser explicado por diferenças culturais e, consequentemente, se verifica mesmo noutras condições meteorológicas, hipótese que me parece absurda face aos dados existentes.
Resumindo: o Pinhal Interior não ardeu por estes dias porque condições de meteorológicas que não sei definir não se verificaram.
Corolário: quando entrar vento Leste a sério no Pinhal vai arder, se entretanto não ouver programas de gestão de combustiveis sérios, consistentes e alargados.
henrique pereira dos santos
Domingo, Agosto 15, 2010
Programa Nacional para a Valorização dos Territórios Comunitários
A Autoridade Florestal Nacional disponibiliza no endereço http://www.afn.min-agricultura.pt/portal/cnvtc/contributos/comentarios-a-discussao-publica-do-pnvtc um rol de comentários ao "Programa Nacional para a Valorização dos Territórios Comunitários (PNVTC)" (vd. aqui: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal/cnvtc/pnvtc).
O comentário mais importante - digo-o sem qualquer cinismo - talvez seja o da BALFLORA-Secretariado dos Baldios do Distrito de Viseu. Diz-nos a BALFLORA que importante, importante, é não mexer na lei dos baldios. Em vez de defenderem os comuns e os "povos dos baldios", os Secretariados dos Baldios, escravos de um voluntarismo ideológico conservador, estão, na realidade, a promover a apropriação privada das terras baldias ou dos seus benefícios, e a desigualdade e a opacidade na distribuição dos proveitos monetários gerados pelos baldios. O assunto é muito sério: estão em causa quase 5% do território nacional, onde se produzem bens e serviços da maior relevância, quer para a comunidades rurais, quer para o todo nacional.
Carlos Aguiar
[reprodução de um post distribuído na AMBIO]
O sumo de laranja (outra vez)
Neste fim de tarde de um dia de Agosto, em mais de uma vintena de pequenas tendas vendia-se sumo de laranja na principal praça de Marraquexe. Turistas, nacionais e estrangeiros, não davam descanso aos vendedores. O calor e o preço acessível - 30 a 40 cêntimos o copo - ajudam a converter laranjas e toranjas de produções locais em saborosos e refrescantes sumos.
Gonçalo Rosa
ps - bem a propósito, vale a pena revisitar O sumo de laranja, publicado pelo Henrique Pereira dos Santos
Crónica politicamente correta

Curiosidades IX

Daqui, via Gonçalo Elias.
A humidade atmosférica na Europa hoje às nove da manhã. Advinhem onde estão os teores mais baixos.
Acertou! Minho e Moscovo.
henrique pereira dos santos
Conversa de café em salão de chá
Sábado, Agosto 14, 2010
Ventos
Diz o anónimo que cito no post anterior, que mais importante que a direcção do vento é a caracterização das massas de ar.
Eu falo no vento Leste porque é uma coisa simples de verificar e que funciona. Associado ao vento Leste estão de maneira geral massas de ar quentes e secas. Há outras circunstâncias em que acontece? Sim, claro, mas a questão é que quase sempre que estiver vento Leste, mesmo no Inverno, provavelmente teremos fogos.
Repare-se neste post de Maio. De uma situação de zero fogos (estava a chover) passamos em seis dias para mais de sessenta, porque apareceram imediatamente depois da chuva dois ou três dias de vento Leste.
Do mesmo modo nos últimos dias o que acontece é isto:
Partimos de 21 de Julho com 185 fogos, para termos um pico em 27 de Julho com 459 (esteve vento Leste em 26 e 27), depois baixa durante pouco mais de uma semana com um calor aflitivo, para subir com o vento leste que ocorreu em 6, 7 e 8, se não me engano, voltando a baixar durante o tal vento Noroeste, para agora ontem e hoje (hoje os fogos andarão pelos 440, veremos amanhã que a previsão tem mudado muito e parece que afinal vai ser o Nordeste que tem estado, excepto ao fim da tarde, que o tal Noroeste ajudará qualquer coisa) voltar a subir.
Note-se que na verdade tem estado um vento Nordeste que se aproxima um pouco do vento Leste mas não é o mesmo, não tem a mesma secura do típico vento Leste.
O vento Leste não é uma coisa que anula todas as outras circunstâncias, o vento Leste é como o sal das condições meteorológicas no que ao fogo diz respeito: espevita-lhe a inflamabilidade.
Portanto o que o Pedro diz sobre número de dias sem chuva e etc., claro que influencia, mas não se encontra uma reacção imediata em número de fogos e dificuldade de extinção como se encontra sempre com a entrada de vento Leste.
Ora é esta solidez na verificação empírica e a extrema facilidade deste indicador que faz com que eu defenda que devia ser usado de forma sistemática por toda a gente.Haveria com certeza alturas em que o indicador daria informações erradas, mas seriam bem poucas face à utilidade das muitas em que funcionaria.
Para amanhã, se a tanto me ajudar o engenho e a arte, falarei dos fogos e da forma como esta semana foram tratados no Expresso.
henrique pereira dos santos













