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domingo, outubro 18, 2009

ciclovias em Lisboa


Local: Avenida Colégio Militar, em frente à CAP, Benfica, Lisboa.
Data: 9 de setembro 2009
Comentário: Como a Guarda precisa de limpa-neves, Lisboa irá precisar de limpa-carros, para manter as ciclovias desimpedidas. Espero que os limpa-carros tenham daquelas pás muito grande à frente...

Henk Feith

quarta-feira, agosto 01, 2007

Lisboa: 25% da nova construção a baixo custo

O PS e o Bloco de Esquerda chegaram a um acordo que estabelece que 25% das novas áreas construídas tenham de ser vendidas a preços sociais.

O sector da construção, habituado a não pensar nas suas responsabilidades sociais, contesta a quota considerando-a ilegal. Não sei se, ao abrigo da Lei Portuguesa, tal quota seja ilegal mas gostaria de salientar que esta medida é uma cópia de um procedimento implementado, por Ken Livingstone, na cidade de Londres (ver plano estratégico aqui).

Nesta cidade a regra é que 30% (em certos casos 35%) das novas construções sejam colocados no mercado com preços moderados ou baixos. Falta avaliar o resultado desta medida mas à partida parece ser um modelo interessante para controlar a especulação imobiliária.

Em Portugal, em particular em Lisboa, antevê-se um certo aquecimento do mercado imobiliário em virtude do arrefecimento do mercado em Espanha e da procura, por parte dos investidores Espanhóis, de novos paraísos para especulação. Esta medida pode ser mais importante do que parece.

domingo, dezembro 03, 2006

Arredores de Lisboa – Por Norberto de Araújo

Caminho que leva aos arredores

O meu bisavô Norberto, homem de letras, conhecedor e profundo amante da cidade de Lisboa, deixou este testemunho sobre os arredores de Lisboa, qual premonição sobre os despautérios que viriam acontecer alguns anos depois:

“(...) Os arredores de Lisboa não têm ainda a sua parte nova. É certo que aqui e ali os ricos principiam a erguer palacetes e casas de campo dum péssimo gôsto, que nem salva a arte nem salva a poesia, mas os arredores são ainda quási tal e qual: Arieiro, Bemfica, Carriche, Cabo Ruivo, Porcalhota, Linda-a-Velha, nomenclatura ingénua de terrinhas onde o eléctrico chega e pára, com mêdo de andar para diante, e o combóio para, passa, a deixar gente em apeadeiros, que oxalá nunca cheguem a dar estação.

Façam de Sintra, de Cascais, dos Estoris, sucursais de Lisboa, com palacetes para políticos, agência de troca de libras, clubes de pano verde, que isso não é arredores, e deixem sossegadíssimas as povoações saloias, circundando a cidade com o seu anel de lirismo, a sua ronda invejável de saúde, os seus retiros para gente de gôsto velho, o seu murmúrio de cantigas em noite de luar.

(...)

Arredores de Lisboa são propriedade da gente humilde, que ama sem pedir licença ao mundo, logradoiro da sua imaculada vontade de viver livre, e os automóveis quando por lá cortam os campos vão apressados, apressados, porque bem sabem que aquilo não é dêles.”

Norberto de Araújo, In: Novela do Amor Humilde (Livrarias Aillaud & Bertrand). Páginas 157-158 (1925)
PS: Recomendo leitura de outro trecho desta bela novela no blogue "Dias que Voam".

segunda-feira, maio 15, 2006

Lá vai Lisboa...

«Uma avenida mais homogénea, com uma imagem urbana requalificada e que atraia mais pessoas para o centro da cidade, é o objectivo do Plano de Alinhamento e Cérceas para a Avenida da República, que a vereadora do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa (Gabriela Seara) vai apresentar na próxima reunião pública da autarquia» - assim começa o artigo do Diário de Notícias.

Quando ouço intenções autárquicas deste género - ou seja, alinhamento de cérceas -, até tremo! Obviamente, o alinhamento é sempre para cima; nunca para baixo. E mostra sempre que o «crime» acaba sempre por, mais cedo ou mais tarde, compensar. Primeiro, autoriza-se um prédio a ter mais um ou dois andares, depois mais outro distante, em seguida outro, até que no meio do caos, todos acabam por beneficiar de aumentos em nome da «harmonia».

Pelo que vejo pelos projectos que têm vindo a ser apresentados pela equipa de Carmona Rodrigues, Lisboa ameaça tornar-se um «couto do betão», ainda maior do que o foi desde Abecassis. Apenas com a «nuance» de ser feito com base em planos que atropelam o bom senso e um desenvolvimento harmonioso da cidade. A autarquia de Lisboa manifesta apenas um objectivo: autorizar a construção e permitir a especulação para daí retirar dividendos financeiros. Nada mais do que isto. Não se vê um único projecto estruturante no sentido de inverter a sangria populacional das últimas duas décadas. Lisboa continua na senda da desertificação humana e na massificação do betão. Há alturas em que mais vale estar parado do que mexer: mexem, logo estragam.

terça-feira, abril 25, 2006

Gabriela 'Pato Bravo' Seara, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa

Esta notícia, publicada hoje no Público, deveria dar polícia. A sem-vergonhice e o desplante como se fazem «jogadas» de especulação imobiliária por parte de uma autarquia é pior do que o «pato-bravismo» dos anos 70 e 80. É o vale-tudo...

Gabriela Seara, vereadora do Urbanismo da Câmara de Lisboa, vai levar à reunião do executivo de hoje uma proposta de alteração de classificação de uma parcela de terreno, vendida no ano passado pela Direcção-Geral do Património a uma imobiliária de capitais públicos e que durante anos o Estado tentou vender em hasta pública sem resultado porque os terrenos não eram urbanizáveis.
O terreno em causa, situada na freguesia de Santa Maria dos Olivais, fica limitada a norte pela Estrada da Circunvalação, a sul pela Avenida Alfredo Bensaúde, a nascente pela Rua Conselheiro Teles de Vasconcelos e a Este pelo Instituto Geográfico do Excército e Laboratório Nacional, e nunca conseguiu comprador por estar classificada no Plano Director Municipal (PDM) como "Área de Usos Especiais".
Embora a câmara se tenha oposto durante muitos anos à mudança de uso da propriedade, Gabriela Seara propõe agora que o PDM passe a classificá-la como "Área de Estruturação Urbanística Habitacional". Para defender esta alteração, a vereadora explica na proposta que a o terreno "constitui um espaço urbano com ocupações e usos a alterar, encontrando-se envolvida por vias estruturantes, equipamentos, espaços verdes e constitui um espaço a infra-estruturar para ocupação com uso predominantemente habitacional".

quinta-feira, novembro 17, 2005

A propósito do terramoto de 1755

Reproduzo aqui um texto publicado no público pelo Presidente da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
Ainda a propósito do Terramoto de 1755 e das suas consequências em Lisboa quanto tempo mais será necessário para aprendermos que se deve ter cuidado com as construções em zonas de risco. A aprovação de grandes projectos imobiliários como o Alcântara XXI, numa zona classificada em cartografia da própria Câmara Municipal de Lisboa como de forte vulnerabilidade à inundação e de intensidade sísmica escala 10 (Mercali modificada) em terrenos lodosos e arenosos dá que pensar. É preciso convidar arquitectos de renome para tentar dissimular este erro monumental? Espero que não morra ninguém, mas julgo que a natureza e a Ribeira de Alcântara vão um dia mostrar que aquele espaço lhes pertence. Veja-se o exemplo de Nova Orleans, a natureza reclamou de novo para si o seu espaço. Para quando uma cidade de Lisboa à escala humana bem ordenada, com espaços verdes de qualidade e não a caricatura que fazem deles, com passeios para as pessoas e não para os carros, pistas de bicicletas e um excelente sistema de transportes urbanos que desincentive o uso de veículo próprio? Os lisboetas merecem uma cidade construída com o respeito e manutenção dos ciclos naturais e não uma das cidades mais poluídas da Europa. O incentivo a políticas baseadas na construção civil não desenvolveu o país, antes pelo contrario continua a asfixiar o seu desenvolvimento sustentável. Como os fundamentalistas do betão continuam a vencer em todas as frentes e por todo o lado, para reconhecer este facto basta andar pelo país, muitas vezes os projectos não são pensados devidamente quer ao nível da arquitectura e da arquitectura paisagista e como o interesse é o lucro imediato e máximo, esquecendo-se a qualidade, não são equacionadas as diferentes opções nem são realizados com profundidade e rigor os necessários estudos. A preservação do perfil tradicional da cidade de Lisboa, que considero um património paisagístico de interesse mundial, não obstante erros do passado como as torres das Amoreiras, que um dia serão provavelmente implodidas como um qualquer prédio Coutinho, é um valor essencial a ser defendido pelos alfacinhas. As boas noticias para Lisboa deviam ser as relacionadas com a construção de mais espaços públicos, verdes ou outros, da criação de corredores verdes, de novos Monsantos, da diminuição da poluição atmosférica e não das sempre renovadas e sem imaginação noticias de novos empreendimentos imobiliários fomentando a continuada política do betão.
Henrique Tato Marinho Presidente da Direcção
APAP - Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas