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domingo, dezembro 12, 2010

A acompanhar

Não conheço este projecto, para a além do que vou vendo aqui e ali. Nunca lá fui, não conheço as pessoas envolvidas.
Mas o que me é dado ver no blog agrada-me.
Um objectivo tamanho e quem não tem medo de arriscar.
Na sessão anterior eram duas voluntárias, desta vez eram doze. Em Janeiro poderiam ser mais. A QUERCUS tem 4000 sócios pagantes (ao que me dizem, não sei se bem) e o país tem muito mais gente.
Será que será assim tão difícil mobilizar trinta pessoas para Janeiro, para um trabalho duro e cansativo, é certo, mas cujos resultados são visiveis no momento e, mantendo a persistência, poderão constituir uma das poucas experiências do país de erradicação de invasoras agresssivas em média escala?
henrique pereira dos santos

sexta-feira, outubro 08, 2010

Imbecilidade animalista

Há uns anos denunciei aqui um acto imbecil dos animalistas que libertaram 15.000 visões americanos no norte de Espanha. Semelhante imbecilidade regista-se agora na Irlanda com mais 5000 individuos desta espécie exótica libertados na natureza. Haverá acto mais idiota que os animalistas possam fazer para causar mais dano na biodiversidade?

Nas palavras de Monbiot:
"Had these people tipped a tanker load of bleach into the headwaters of the River Finn, they would have done less damage. The effects would be horrible for a while, but the ecosystem could then begin to recover. The mink, by contrast, will remain at large for years, perhaps millennia. Like many introduced species, American mink can slash their way through the ecosystem, as they have no native predators, and their prey species haven’t evolved to avoid them. Is there anything the animal lovers in Donegal could have done which would have harmed more animals?"

terça-feira, janeiro 26, 2010

Erradicar para conservar

Foto de Jan Buys, tirada no Alvão em 2003


A semana passada, recebi de um amigo um e-mail com uma listagem das espécies que tinha observado durante uma saída de campo que tinha feito às lagoas de Chaves, existente junto ao Rio Tâmega, entre algumas espécie como a Andorinha-do-mar, o Mergulhão-pequeno, a Garça-real ou Aves-frias, apareceu um mamífero, o Visão-americano (Mustela vison).

É sempre bom ver uma espécie rara, contudo esta é uma espécie exótica e o seu carácter invasor e oportunista poderá ter um impacto negativo nos sistemas aquáticos. Não me admirava nada que muitas espécies de aves que nidificam nesta zona (regionalmente uma área importante para avifauna aquática), possam vir a sofrem impactos directos (e.g. predação) ou indirectos (e.g. perturbação ou efeito repulsa) face à sua presença.

Não sendo eu especialista em aves, a minha maior preocupação é sobre o impacto que esta espécie exótica e invasora possa provocar sobre a Toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) espécie de mamíferos classificada como Vulnerável (LVVP), pertencente ao anexo B-II e B-IV da Directiva Habitats, endémica da Península Ibérica e Pirenéus e presente na Bacia do Tâmega.De facto uma das ameaças identificada no PSRN200 é a introdução e expansão de espécie animais não autóctones, nomeadamente os potenciais predadores da Toupeira-de-água (e.g. Visão americano e Lúcio), deste modo uma das orientações de gestão referida no mesmo Plano é controlar introduções furtivas de espécies animais exóticas e controlar ou erradicar as populações já introduzidas.

A erradicação de qualquer espécie (de fauna, já a flora é outra conversa) é sempre questionável e polémica, mas será que vamos perder a oportunidade para resolver o problema em quanto temos algum controlo?


Paulo Barros

domingo, março 29, 2009

Invasoras


Pela sua relevância retomo aqui um comentário a este post e uso a caixa de comentários para continuar a resposta.

"De tudo o que já foi escrito a respeito do "grande invasor", concordamos com algumas coisas e discordamos de outras. Não pretendemos listar aquilo com que concordamos ou discordamos mas uma vez que nos foi dado conhecimento deste texto, entendemos ser nossa obrigação enviar um contributo para a discussão do tema.
Trabalhamos desde há alguns anos com plantas invasoras e somos co-autoras do "site português" referido, do qual a Prof. Helena Freitas é coordenadora.
Em nossa opinião, a questão do eucalipto precisa de ser discutida com abertura, encarando todas as possibilidades...HÁ ALGUNS ANOS, quando nos perguntavam se o eucalipto (Eucalyptus globulus Labill.) deveria ser considerado uma espécie invasora, não respondíamos "claro que não, essa hipótese é um disparate absurdo", mas quase! Em boa verdade, só não considerávamos "um disparate absurdo" por termos em conta o historial da espécie como invasora em regiões de clima mediterrânico.
Mas explicávamos que uma espécie exótica não é sinónimo de espécie invasora e que o facto de vermos eucaliptos ocupando grandes extensões de território no nosso país nada tinha a ver com a capacidade da espécie dispersar pelos seus próprios meios, mas sim com a (discutível) opção de a plantarmos em larga escala.
Usávamos, então, o eucalipto como exemplo de uma espécie exótica que não era invasora em Portugal.
No entanto, HOJE, não temos a mesma opinião!Defendemos, com base em estudos realizados noutros locais e nas observações que temos feito que o eucalipto tem actualmente um comportamento invasor no nosso país (em semelhança do que se passa em várias outras regiões de Clima Mediterrânico, e.g. Califórnia e Chile). Eventualmente, a terminologia que se usa na comunicação deste tema está na base de muitas confusões, pelo que esclarecemos desde já o que entendemos por espécie invasora:
espécie exótica que produz descendentes férteis frequentemente em grande quantidade e os dispersa muito para além da planta-mãe, sem intervenção directa do Homem, e com potencial para ocupar áreas extensas, em habitats naturais ou semi-naturais.

Tanto quanto sabemos, em relação ao eucalipto, não existem ainda estudos em Portugal publicados que verifiquem detalhadamente cada um destes aspectos. Fundamentamos portanto a nossa análise nas características da espécie e nas observações efectuadas em diversas situações no nosso país (e.g. Tapada Nacional de Mafra; várias localizações ao longo da A1 e ao longo da Estrada da Beira, EN-17/margens do Rio Ceira; partes da Serra da Boa Viagem, Fig. Foz), a saber:
1) o eucalipto é uma espécie exótica;
2) produz sementes em grandes quantidades (o que se tem vindo a acentuar com algum abandono verificado e alteração dos ciclos de corte) e regenera vigorosamente de touça
3) as sementes são dispersas para além da planta-mãe (como atinge alturas elevadas consegue dispersar sementes para muito longe), sem intervenção directa do Homem, originando novas plantas
4) tem potencial para ocupar áreas extensas no futuro (associando a capacidade de dispersão às extensas áreas onde está plantado)
5) ocorre, por vezes, a regenerar em habitats semi-naturais a alguma distância das plantas-mãe, impedindo o desenvolvimento de outra vegetação.
6) há zonas onde estão a (tentar) controlar o eucalipto, obtendo-se níveis altos de regeneração (re-invasão) posterior e baixos graus de sucesso (tanto devido à germinação como à regeneração vegetativa - equivalente ao que ocorre com a mimosa).
Não creio que alguém tenha dito que o eucalipto vai ser listado como invasor na nossa legislação - faz(ia) apenas parte de uma PROPOSTA que está para discussão pública - e, quanto a nós, a discussão pública sobre esta proposta é muito necessária! Questionamo-nos portanto porque é que uma proposta (que cremos fosse só isso) terá sido alterada antes de passar da fase de proposta... muitas outras alterações serão ainda com certeza introduzidas.
Acreditamos que o eucalipto não deva ser tratado na legislação da mesma forma que as acácias - não por considerar que tem menos capacidade de invadir (já observamos situações de regeneração em que há competição entre acácia-de-espigas e eucalipto e em que o eucalipto domina), mas por reconhecermos que qualquer análise tem que ter em conta o aproveitamento económico que tem no nosso pais. No entanto, essa posição não significa "mascarar" o comportamento INVASOR que o eucalipto, na nossa opinião, está actualmente está a ter.
Talvez a presente proposta de dec. lei sobre esta matéria pudesse incluir uma distinção entre grupos de espécies com comportamento invasor, considerando o controlo de umas e a contenção/exploração controlada de outras - caso contrário, arriscamo-nos a que as gerações futuras (ou ainda a nossa) tenham que vir a lidar com o eucalipto (ou outras espécies) como actualmente lidamos com as mimosas!
Elizabete e Hélia Marchante
PS1. Por curiosidade, e para quem não conhece, sugerimos uma visita ao Concelho de Vila de Rei certamente que pode influenciar opiniões sobre a perigosidade das háquea-picante.
PS2. Não podemos deixar de referir a nossa total concordância pela opinião já expressa de que a grande aposta deve ser a informação e a educação (até mais do que a legislação...)
PS3. Tanto quanto sabemos, também não há nenhum estudo que prove que o eucalipto não é invasor em Portugal."

terça-feira, outubro 17, 2006

Animalistas soltam 15,000 exóticas na Galiza


Um grupo de alegados defensores dos animais soltou 15,000 indivíduos de um predador exótico, Mustela vison, nos campos da Corunha. Muitos desses indivíduos foram capturados, outros morreram, outros, inevitavelmente, sobreviverão e reproduzir-se-ão algures na Corunha. Já existem Visões na Corunha pelo que não criarão um problema de raiz. No entanto acentuarão um problema existente, designadamente no que se refere ao incremento da pressão sobre espécies autóctones como a Marta (Martes marta).

Acções como esta lembram-me o caso dos esquilos exóticos americanos nos Alpes Italianos. Alegados defensores dos animais (vulgo animalistas) conseguiram impedir as autoridades ambientais de prosseguir os esforços de erradicação desta espécie invasora com vista a reduzir a pressão que esta exercia sobre os esquilos vermelhos dos Alpes (nas Ilhas Britânicas os Esquilos americanos levaram à extinção do Esquilo vermelho em quase todo o território).

Este é mais um caso de voluntarismo bacoco, ignorante e contraproducente que, infelizmente, caracteriza muitas das acções dos alegados defensores dos animais. Era conveniente que o movimento ambientalista (nomeadamente a CPADA, Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente, dado que possui animalistas no seu interior), se demarcasse publicamente deste tipo de actos, sob risco de alguns tentarem uma colagem (como aconteceu com o caso da Quercus e dos touros) estratégica entre animalismo e ambientalismo que em nada beneficiará a causa ambiental.