alguns tubarões-de-pontas-pretas (Carcharinus limbatus) fotografados
depois de engodados por clube de mergulho local
Aliwal Shoal, Durban, África do Sul (Maio de 2010)
depois de engodados por clube de mergulho local
Aliwal Shoal, Durban, África do Sul (Maio de 2010)
Por motivos diversos, tenho andado a mergulhar em locais onde vivem algumas espécies de tubarões. Muitas das espécies que observo e fotografo – como os que aqui ilustro – não são conhecidas como perigosas para o Homem, mas outras, como o tubarão-tigre, o tubarão-mako, o tubarão-touro e, principalmente, o tubarão-branco, são espécies tidas como potencialmente perigosas. Estes mergulhos são oferecidos por centros de mergulho locais, que fornecem a informação necessária a cada mergulhador, relativamente ao comportamento a ter debaixo de água por forma a minimizar riscos.
Em Aliwal Shoal, dezenas de operadores turísticos exploram diversos recursos que a natureza, com mais ou menos gestão, proporciona: o mergulho, a caça submarina, a pesca desportiva, o birdwatching, a observação de grandes mamíferos, a caça maior, o surf, o windsurf e outros desportos/actividades relacionados com mar e vento. Na prática, tornam o património natural economicamente valioso. Promovem-no. Estes operadores e tudo o que com eles se relaciona (desde os próprios turistas que aqui passam, aos hotéis, companhias aéreas e de aluguer de automóveis, restaurantes e, em geral, a população local que beneficia com a circulação de dinheiro) tornam-se pois parte do movimento ambientalista. Ou, pelo menos, na definição ampla que tenho de “movimento ambientalista”. Porque se preocupam com conservação destes recursos que, para muita desta gente, representa assim o seu ganha-pão.
No caso concreto – do mergulho com tubarões - é óbvio que estes operadores se preocupam com duas coisas aparentemente contraditórias: 1) a conservação destas espécies, por forma que possam garantir fartura de animais em cada mergulho, e; 2) com a não ocorrência de ataques que, a acontecerem ainda que em número muito reduzido, seguramente levariam a que muitos dos turistas que visitam estas águas procurassem novos destinos ou, pelos menos, procurassem aventuras menos dramáticas. Para garantir a presença de um bom número de animais em cada mergulho, os operadores que visitei engodam regularmente o local com peixe fresco colocado em tambores de aço, como facilmente se pode observar na figura que se segue.
Em Aliwal Shoal, dezenas de operadores turísticos exploram diversos recursos que a natureza, com mais ou menos gestão, proporciona: o mergulho, a caça submarina, a pesca desportiva, o birdwatching, a observação de grandes mamíferos, a caça maior, o surf, o windsurf e outros desportos/actividades relacionados com mar e vento. Na prática, tornam o património natural economicamente valioso. Promovem-no. Estes operadores e tudo o que com eles se relaciona (desde os próprios turistas que aqui passam, aos hotéis, companhias aéreas e de aluguer de automóveis, restaurantes e, em geral, a população local que beneficia com a circulação de dinheiro) tornam-se pois parte do movimento ambientalista. Ou, pelo menos, na definição ampla que tenho de “movimento ambientalista”. Porque se preocupam com conservação destes recursos que, para muita desta gente, representa assim o seu ganha-pão.
No caso concreto – do mergulho com tubarões - é óbvio que estes operadores se preocupam com duas coisas aparentemente contraditórias: 1) a conservação destas espécies, por forma que possam garantir fartura de animais em cada mergulho, e; 2) com a não ocorrência de ataques que, a acontecerem ainda que em número muito reduzido, seguramente levariam a que muitos dos turistas que visitam estas águas procurassem novos destinos ou, pelos menos, procurassem aventuras menos dramáticas. Para garantir a presença de um bom número de animais em cada mergulho, os operadores que visitei engodam regularmente o local com peixe fresco colocado em tambores de aço, como facilmente se pode observar na figura que se segue.
aspecto do sistema de engoda de tubarões utilizados por clubes de mergulho locais
Aliwal Shoal, Durban, África do Sul (Maio de 2010)
Aliwal Shoal, Durban, África do Sul (Maio de 2010)
Os animais praticamente não são alimentados (pontualmente são lançadas algumas sardinhas, o que representa quase nada quando comparado com a quantidade de presas que os muitos tubarões que visitam o local necessitam para se alimentarem).
Algumas associações ambientalistas questionam se é correcto mudarmos o comportamento destes animais, associando a presença de mergulhadores a comida, tornando-os assim mais sedentários a uma área restrita e “preguiçosos” na procura de presas. Para além de que tenho muitas dúvidas que boa parte da dieta destas animais seja conseguida através destes operadores, faço notar que o que provavelmente estamos a alterar é o comportamento de uma pequena parcela da população das espécies de tubarões envolvidas. E pergunto-me se o balanço não resulta positivo para a conservação da natureza e destas espécies em particular. É que a valorização económica do património natural e a promoção da ideia de que os tubarões não são devoradores de homens não são, de todo, factores negligenciáveis.
Gonçalo Rosa
Algumas associações ambientalistas questionam se é correcto mudarmos o comportamento destes animais, associando a presença de mergulhadores a comida, tornando-os assim mais sedentários a uma área restrita e “preguiçosos” na procura de presas. Para além de que tenho muitas dúvidas que boa parte da dieta destas animais seja conseguida através destes operadores, faço notar que o que provavelmente estamos a alterar é o comportamento de uma pequena parcela da população das espécies de tubarões envolvidas. E pergunto-me se o balanço não resulta positivo para a conservação da natureza e destas espécies em particular. É que a valorização económica do património natural e a promoção da ideia de que os tubarões não são devoradores de homens não são, de todo, factores negligenciáveis.
Gonçalo Rosa




