Esta imagem de regeneração de carvalhal foi retirada daqui, e vale pena ir lá ler o texto de que constitui ilustração. Tem uma afirmação passível de discussão técnica, mas não tem grandes erros. "Os incêndios levam ao abandono das terras; em muitos casos o abandono dá lugar à ocupação por espécies exóticas como as acácias, o eucalipto, ou a háquea; estas espécies formam complexos de combustível altamente susceptíveis ao fogo; estas formações voltam a arder, completando o ciclo. Desta forma parece vislumbrar-se um ciclo de degradação sem fim à vista, perante a passividade e a falta de sensibilidade dos serviços do Estado. Muito embora se trate de uma realidade não extensível a todo o território nacional, trata-se de um problema de dimensões gravíssimas, pelos custos económicos, ecológicos e sociais que envolve. Paralelamente vimos assistindo à degradação das poucas áreas de floresta nativa que ainda restam, tal como aconteceu em 2010 com os incêndios que ocorreram no Parque Nacional da Peneda Gerês."
Se este pedaço de prosa tivesse sido colhido num táxi, num café ou mesmo numa conversa de comadres, eu limitar-me-ia a explicar mansamente, como quem não quer a coisa, que é o contrário, isto é, o abandono é que leva aos fogos e que estamos a atravessar uma das mais fortes recuperações de vegetação autóctone do holocénico (Carlos Aguiar dixit, nesta última parte).
Mas não, este pedaço de prosa é colhido de um texto da mais antiga e, supostamente, tecnicamente qualificada associação de conservação em Portugal, da qual aliás sou sócio e cujas posições sobre fogos e florestas já tentei influenciar vezes sem conta, sem o menor resultado (não sei, nunca percebi, como se formam estas posições que supostamente representam os sócios de uma associação que nunca são chamados a dar a sua opinião).
Não é um texto feito em cima do joelho para responder em tempo a uma qualquer posição pública, é o texto preparado com o tempo que se quiz para dar conta à sociedade de qual é a posição da LPN sobre o ano internacional das florestas.
É mau demais.
Desisto.
henrique pereira dos santos
PS A LPN lançou uma consulta pública para contratar uma pessoa na área da intervenção. Como preciso de trabalho e nunca achei que as pessoas devessem ser contratadas pelo que dizem mas pelo que podem fazer, concorri. O concurso terminou a 7 de Março, a 23 perguntei em que pé estava, explicaram-me que estava demorado e até hoje continuo sem uma resposta à minha candidatura. Nunca esperei muito deste concurso porque o preço do meu trabalho é provavelmente incompatível com o orçamento da LPN (eu trabalho de borla ou a preço completo, não faço descontos). Mas talvez seja porque ainda não contrataram o tal colaborador que falta na área da intervenção que tenham sido amadores a escrever o parágrafo que citei.














Diz o Gonçalo que para além de dois enormes exemplares efectivamente mortos, o que encontrou foi o que aqui se vê, sobreiros vivos, descortiçados em 2006.
O balanço dos fogos nunca pode fazer-se no imediato porque coisas ardidas não são sinónimo de coisas mortas.




