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quarta-feira, maio 04, 2011

Em louvor do registo de dados caótico

Esta fotografia foi tirada quando estava a apanhar roupa da corda. Há vários dias, com destaque para ontem, que a roupa aparece com estes brindes.
Já o mesmo aconteceu há alguns anos, de forma aliás bastante mais intensa. Lembro-me de nessa altura, por coincidência, ter estado com o Ernestino Maravalhas na Faculdade de Ciências de Lisboa e de ele ter falado em condições meteorológicas específicas para o sucedido (aliás normal) e penso que terá falado de uns ventos de Sul, ou coisa que o valha.
Ora neste fim de semana, enquanto via o webcast de um campeonato de surf, os comentadores falavam da estranheza da falta de vento na praia de Leça (ou a do Norte, não me lembro se foi no Sábado ou no Domingo) e de um pouco habitual sweel de sudoeste.
Haverá relação?
Investigadores de bichos destes há poucos (já agora, alguém identifica?). Mas pessoas que apanham roupa há aos milhares.
Se fôssemos registando estas curiosidades, sem mais objectivo que dar a conhecer curiosidades, é bem possível que à medida que o número de observações aumentasse fosse possível estabelecer padrões e modelos de interpretação (a verificar coligindo dados de forma orientada).
A possibilidade de haver números enormes de dados é a utilidade (e a limitação) dos sistemas caóticos de recolha de dados.
henrique pereira dos santos

segunda-feira, janeiro 17, 2011

sábado, dezembro 18, 2010

Resistindo

Fotografia de um pormenor do presépio cá de casa, com parte do nutrido rebanho em destaque. O anjo da esquerda, não renegando as suas origens, segura uma faixa com um orgulhoso "Abé"
Por aqui vai-se resistindo ao rolo compressor da cultura florestal dominante: em minha casa não há árvores de Natal.
Por enquanto mantém-se o predomínio da cultura pastoril mediterrânica.
Bom Natal.
henrique pereira dos santos

sexta-feira, outubro 15, 2010

Um exemplo de má gestão em áreas protegidas

Amanhã abre ao Público uma exposição antológica de pintura do meu primo João Queiroz.
Há muitos anos o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros resolveu fazer um extenso programa de investimento na visitação da área, que incluía várias coisas, entre elas um conjunto de leitores de paisagem.
Na altura fui um dos principais responsáveis técnicos pela concepção deste programa, que na sua concepção inicial incluía alguma infra-estruturação, a cedência de gestão de infra-estruturas rentáveis por concurso público e um programa de detecção de potencial que abriria as portas aos potenciais empreendedores candidatos ao concurso de exploração das infra-estruturas de alojamento, procurando responder à descapitalização dos potenciais jovens empresários locais.
A ideia deste programa de detecção de potencial seguia de perto (com adaptações) o programa JEEP (jovens empresários de elevado potencial) uma ideia de Miguel Cadilhe, ao tempo no gabinete de estudos (ou qualquer coisa do género) do Banco Português do Atlântico que pretendia responder à carência de empresários no país após PREC, e no qual eu tinha participado e por isso conhecia bem.
Esta parte do programa foi liminarmente rejeitada (com o argumento peregrino de que poderia ser aproveitado pelos exploradores de pedreiras, como se não fosse melhor ter melhor capacitação dos empresários de pedreiras) e na prática o programa restringiu-se à infra-estruturação paga, em grande parte, com dinheiro comunitário.
Infra-estruturação sem capacitação de gestão tem habitualmente como resultado o mau uso das infra-estruturas e muitas destas infra-estruturas desapareceram, algumas delas sem nunca terem servido sequer o seu objectivo (como por exemplo um famoso secador de plantas, um edifício que nunca secou uma única planta, tanto quanto sei).
Nesse contexto estavam previstos, como disse, vários leitores de paisagens.
Quando se discutiu qual seria a melhor solução para fazer o desenho base de cada ponto de vista, e face à falta de soluções, lá disse que tinha um primo pintor, e que se quisessem dava os contactos para avaliarem se servia, desligando-me do assunto por evidente conflito de interesses.
Era o João um mais que desconhecido pintor em início de carreira, sem trabalho nem mercado por aí além, que aceitou o trabalho por tuta e meia.
Das últimas vezes que passei pela meia dúzia de locais onde deviam estar os leitores de paisagem não me lembro de os ter visto, mas acredito que alguns ainda lá estejam a cumprir a sua função.
Ainda trabalhava eu no PNSAC, há bastantes anos, quando vi tratados a pontapé e em evidente risco de degradação os originais dos desenhos do João, chamando a atenção para o facto do João se ter entretanto tornado num pintor com algum reconhecimento, pelo que talvez fosse prudente guardar esses originais. Em rigor, mesmo que quem tivesse feito os desenhos não tivesse reconhecimento, seria do mais elementar bom senso garantir a conservação de originais de coisas desse tipo, como teria sido avisado guardar adequadamente o riquíssimo acervo documental da então delegação florestal do Gerês, como mais de cem anos de documentação, o que penso que não terá acontecido. Este padrão de desprezo pela documentação e arquivo no ICNB é muito forte.
Hoje o João é um pintor consagrado, cujos originais têm um valor de mercado bastante razoável. Não para o PNSAC, que nunca demonstrou o menor interesse em valorizar o facto de ter leitores de paisagem desenhados por um pintor agora consagrado, nem faz a menor ideia de onde estão os originais, que devem ter ido para o lixo há um bom par de anos.
henrique pereira dos santos

sábado, outubro 02, 2010

Construção

De um comentário a este post:Não sei a fonte.

henrique pereira dos santos

segunda-feira, setembro 06, 2010

Outra alegoria de Portugal

Da wikipedia:
"André Roberto Delaunay Gonçalves Pereira (Lisboa, 26 de Julho de 1936) é um professor de Direito e advogado português.
Advogado desde 1959, estudou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde se doutorou em Ciências Jurídicas, em 1962, e chegou a Professor Catedrático, em 1970. Especialista em Direito Internacional Público, é co-autor (com Fausto de Quadros) do manual Curso de Direito Internacional Público, considerado obra fundamental dessa matéria. Leccionou também em universidades estrangeiras, nomeadamente na Universidade do Rio de Janeiro, Universidade Complutense de Madrid e na Universidade Columbia.
Foi o representante de Portugal na Comissão Jurídica da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 1959 a 1966, e também representante português no Grupo de Reflexão que preparou a reforma do Tratado de Maastricht, em 1995. Participou ainda em vários organismos internacionais, como a UNESCO e o FMI. Nunca tendo sido militante partidário, foi por diversas vezes convidado, antes e depois do 25 de Abril, para assumir funções governamentais. Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros nos VII e VIII Governos, dirigidos por Francisco Pinto Balsemão.
Mantém-se como sócio da firma Cuatrecasas, Gonçalves Pereira & Associados (sucessora da Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados). É administrador (não-executivo) da Fundação Calouste Gulbenkian desde 2002, e de várias sociedades comerciais."
Inegavelmente um membro da elite de Portugal, conhecido dos cidadãos comuns sobretudo por ter dito que o ordenado de Ministro não lhe chegava para pagar os charutos.
Pois este post resulta de um meio charuto atirado pela janela do carro que ia arrancar exactamente quando eu passava.
Como faço muitas vezes, procurei devolver o lixo à proveniência (resulta de maneira geral muito bem, sobretudo quando me faço desentendido e explico que qualquer coisa terá sido deixada cair inadvertidamente).
Pensando que o que me preocupava era o valor do charuto (sim, deveria valer mais que o dia de trabalho de mais de metade dos concidadãos), o dono não achou melhor que simplesmente fazer um gesto para que se eu quisesse ficasse com o meio charuto, enquanto o motorista arrancava com o carro.
É assim a nossa elite. Ainda tem dificuldade em perceber o direito dos outros em não quererem o seu lixo espalhado pela rua, mesmo que seja um lixo de luxo.
henrique pereira dos santos

sábado, fevereiro 27, 2010

Faia Brava Imobiliária

Ontem durante a realização do Gosto da Biodiversidade apareceu gente bastante diferente (e é curioso como a frequência de um centro comercial evolui ao longo do dia).
O mais interessante foi um senhor que queria saber exactamente o que estávamos ali a fazer (a maior parte das horas não há livecooking).
Viu o nome (Reserva Faia Brava), viu o logo (aí em cima), viu folhetos com animais e plantas, não viu uma única casa. Mas tinha ficado com a impressão de que era um projecto imobiliário.
E de facto faz sentido, se olharem bem a promoção imobiliária que por aí se vê.
henrique pereira dos santos

quinta-feira, dezembro 17, 2009

mal formações bem formadas


Ao chegar a um pequeno hotel, nas ilhas Moucha (Djibouti), encontrei este pequeno corvídeo, que buscava alimentou muito perto do meu bungalow. Não avisado e não tendo pegado no meu guia antes de sair de Lisboa, achei-o estranho, porque nenhum corvídeo que eu conheço tem um bico tão curvo como este. Pouco depois, a ave juntou-se a um pequeno grupo de outras aves, em tudo semelhantes à primeira, excepto no pormenor do bico.

 



São gralhas-somalis (Corvus edithae), e o primeiro animal observado, mais não tem que uma mal formação… tão bem formada que num primeiro momento não levanta a menor suspeita. De resto, em Portugal, já havia observado duas cegonhas-brancas com problemas semelhantes. Não deverá ser nada prático para aquele indivíduo, que apanha os seus alimentos de lado e não de frente, mas o que é certo é que parece conseguir viver bem – ou, pelo menos, alimentar-se - com o seu problema.

Gonçalo Rosa
Nota – obrigado ao Helder Costa pela identificação