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sexta-feira, fevereiro 11, 2011

E agora, aviões

"Explique lá que mecanismos legais é que utilizaria para fazer o desvio "das low cost para outros aeroportos".
Nestes dias tenho aqui escrito sobre comboios, matéria de que percebo pouco.
E agora, com este comentário, vou acabar a escrever sobre aviões, matéria sobre a qual ainda sei menos.
E por que razão escrevo sobre isso?
Porque o dinheiro envolvido nestas coisas é meu, porque quem paga a infra-estruturação do país são pessoas medianamente ignorantes no assunto como eu e porque a paisagem onde se localizam estas coisas, que é alterada por elas, também faz parte do património comum das pessoas comuns.
Mas deixo claro que posso dizer aqui asneiras várias, umas mais básicas, outras menos relevantes que isso não diminui um átomo o meu direito de perceber por que razão se tomam decisões cuja conta me é apresentada a mim, quer sobre a forma de uma dívida que põe em causa a autonomia do país, quer sob a forma de degradação do património comum.
Quem gasta o meu dinheiro é que tem obrigação de explicar essa opção de modo a que as pessoas comuns percebam as opções feitas, não sou eu que tenho de tirar um doutoramento em transportes para poder discutir políticas públicas.
Aqui chegado retomo então a questão de cima sobre aeroportos.
E retomo-a começando por estranhar a forma como ela é colocada. Porquê mecanismos legais? Por mim, há questões legais com certeza a tratar, mas essas não são as relevantes porque são instrumentais.
Desviar as low cost é fácil: é oferecer-lhes taxas mais baixas noutros aeroportos.
A história do novo aeroporto e da minha incompreensão sobre a decisão de fazer um novo aeroporto em Lisboa começa muito atrás.
Tanto quanto percebi o novo aeroporto de Lisboa nasce de algumas dificuldades operacionais do aeroporto da Portela, enormemente potenciadas por um sonho: o de criar um grande aeroporto português para competir com Barajas, Londres, Amesterdão, Frankfurt, Paris, e por aí fora.
Se Portugal conseguir criar esse grande aeroporto, o benefício económico será brutal (as contas, mais uma vez, devem ter sido feitas por Marvão Pereira e Jorge Andraz).
Note-se que o se não é um pormenor. Este se implica mobilizar investimento público e desviar capacidade de investimento público e privado para este objectivo, num país fortemente endividado e carente de investimento. E por outro lado implica assumir um risco do tamanho do sonho que alimenta o aeroporto de Lisboa.
Experimentemos olhar para o assunto fora desta ideia de pôr o desenvolvimento do país assente em grandes desígnios estratégicos alimentados com dinheiros públicos.
Comecemos a tentar aumentar o tempo de vida do aeroporto da Portela, redesenhando a infra-estrutura militar.
Não sei o suficiente sobre a defesa nacional para ter nenhuma certeza sobre o assunto, mas tenho as maiores dúvidas de que seja necessário concentrar no litoral, e em volta de Lisboa, grande parte dessa infra-estrutura no que diz respeito a bases aéreas.
Não tenho a certeza de que a nossa Defesa precise do aeroporto militar de Figo Maduro, de que a base do Montijo tenha de estar no Montijo, que o campo de tiro de Alcochete tenha de ser ali, de que a base militar de Monte Real e São Jacinto tenham de ser onde são, e por aí fora.
Portanto, sendo certo que deslocar infra-estruturas militares não é fácil, a verdade é que é possível. E mais que isso, que me pareceria lógico que o Estado Português se empenhasse em empurrar para o interior uma boa parte destas infra-estruturas militares, contribuindo dessa forma para o equilíbrio populacional e económico do país.
O que aparentemente uma estratégia deste tipo permitiria era ir respondendo à evolução da procura disponibilizando alternativas à medida das necessidades, deixando aos privados o investimento de transformação de bases militares em aeroportos civis secundários, ficando o Estado com o investimento na criação de novas bases militares, coisa ainda assim bastante menos onerosa que construir aeroportos.
Encerremos esta questão, que gostaria de perceber se faz algum sentido ou não, e retomemos o assunto na base civil.
Portugal tem um aeroporto com problemas de sobrecarga, em Lisboa, e um aeroporto sub-utlilizado no Porto. Prevê-se, com a alta velocidade que estes dois aeroportos fiquem separados por qualquer coisa como duas horas de distância.
Mas mesmo não contando com a futura alta-velocidade Lisboa/ Porto, já hoje estes aeroportos estão ligados pelo metro do Porto, que liga directamente o aeroporto a Campanhã e pela CP. E funciona de facto como constata qualquer pessoa que use frequentemente o metro do Porto e saia em Campanhã. Um dia também o metro de Lisboa chegará ao aeroporto da Portela (supõe-se que ainda seja este ano, a menos que os planos de expansão do metro de Lisboa também tenham sido alterados).
Ora nestas circunstâncias o que parece lógico a quem não tenha um desígnio estratégico de condução da economia, mas apenas o objectivo ter uma economia a funcionar eficientemente na resolução das necessidades das pessoas?
Naturalmente que o reforço da operação no aeroporto do Porto captaria tráfego desviando-o de Lisboa. O que, do meu ponto de vista, significaria pôr os dois aeroportos em concorrência, retirando o aeroporto do Porto da tutela da ANA (aliás acusada de fazer exactamente o contrário para justificar o novo aeroporto, mas admito que seja uma acusação infundada) e concessionando-o em concurso público, vedado à ANA naturalmente.
O mesmo se diria de alguns pequenos aeroportos secundários que se poderiam fazer a partir de algumas das bases militares existentes (há quem se tenha mostrado interessado em Monte Real, que poderia ajudar a encher a auto-estrada vazia que passa ao lado e a mobilizar esforços para o investimento na via férrea do oeste, mas o mais óbvio parece-me ser o Montijo).
Já sei que me vão argumentar com as aves e etc., mas isso é treta. Não que a concentração de aves não seja um problema de segurança nos aeroportos, não que o Montijo não tenha as suas pistas muito próximas de áreas importantes para a avifauna, mas porque a segurança dos aviões não é substancialmente diferente nas localizações alternativas de que se fala e a conservação não é um valor absoluto, devendo ser ponderada em confronto com outros valores públicos. Incluindo a cada vez mais difícil situação financeira do país e o desperdício de recursos que pode existe se o tal grande aeroporto europeu se ficar pelo único verdadeiro aeroporto nacional de dimensão média, como tem sido até hoje o aeroporto da Portela.
henrique pereira dos santos

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Da acédia como estado natural

Nas minhas deambulações à procura de informação sobre comboios, passei pela entrada da wikipedia sobre a CP.
O artigo é mais ou menos indigente e merece ser comparado com a entrada espanhola sobre a RENFE.
Até aqui nada de especial. Os conteúdos portugueses da wikipedia reflectem a relativa pequenez de Portugal, acentuada por alguma timidez nestas coisas de contribuir em projectos colectivos.
Mas verdadeiramente o que me escandalizou foi o quadro que reproduzo abaixo, precedido por estas frases extraordinárias:
"O presidente do Conselho de Administração é o responsável pela empresa, liderando um conselho que geralmente é constituído por cinco membros, contando com o próprio presidente. Os membros do conselho são nomeados directamente pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, e exercem geralmente um mandato trianual.
Sendo um cargo de confiança política, os nomeados são geralmente membros ou independentes próximos dos dois partidos que se alternam na chefia do Governo de Portugal, o
PS e o PSD".
Nunca contribuí para a Wikipedia, nem vou fazê-lo neste caso, por isso terei de me incluir nos dez milhões de portugueses que, podendo contribuir para um artigo da wikipedia equilibrado sobre os caminhos de ferro portugueses, acabam por aceitar a normalização da ideia de que transportar pessoas e bens de forma eficiente é um trabalho de confiança política que deve ser entregue a militantes partidários.
São estas coisas que definem o nosso estado natural como país: a acédia (describes a state of listlessness or torpor, of not caring or not being concerned with one's position or condition in the world. It can lead to a state of being unable to perform one's duties in life).
henrique pereira dos santos, que não faz parte da lista (mas tem pena) e se limita a assinar este post

terça-feira, fevereiro 08, 2011

O mistério da linha de Leixões, o TGV e Alqueva (ou o drama da aplicação dos dinheiros públicos)



Ao video cheguei fazendo um caminho que começou num comentário no blog a nossa terrinha
Num dos seus pertinentes comentários, o anónimo especialista de comboios que nos tem ajudado a discutir comboios e mobilidade, respondendo ao Nuno, que persistentemente questiona o fecho da linha de Leixões, tem uma resposta notável:
"O motivo principal [do fecho da linha de leixões para passageiros] parece-me ter sido as Câmaras Municipais, que no protocolo de re-abertura ... se tinham comprometido a comparticipar as obras nos apeadeiros previstos, depois terem dito que afinal não tinham dinheiro... Como da parte do Governo o interesse na linha também esmoreceu (com a saída da Ana Paula Vitorino)...".
Ora aqui está o retrato do país numa penada. Se o quisermos compor, é apenas acrescentar sobre as estradas e as scuts "Se queriam fazer as AE (que o povo também andou a exigir...) e não tendo o Estado dinheiro para as fazer, como é que estas haveriam de ser feitas?".
Esta no fundo é a versão transportes do que diz o Ministro da Agricultura sobre Alqueva: "Sejamos claros, sem apoios do Estado não há regadio que seja viável". Esta extraordinária afirmação, aliás de uma ignorância de bradar aos céus (tanto do Ministro como do jornalista que o entrevista e que chama a isto um facto incontornável) por esquecer que a maior parte do regadio do país não tem apoio do Estado e é em grande parte viável, mantendo-se há pelo menos quatrocentos anos, corresponde a uma ideia muito espalhada em quem decide sobre dinheiros públicos: é preciso fazer, o importante é encontrar a solução para fazer.
Raramente se pergunta mas fazer (com dinheiros públicos, insisto) para quê?
Se o regadio de Alqueva será sempre deficitário e não é viável sem o Estado (coisa que o movimento ambientalista diz há décadas, e que agora a KPMG vem afinal confirmar, como se lê hoje no Público), para que raio queremos nós o regadio e Alqueva? O que fizemos foi gastar uma pipa de massa num investimento, não para ter retorno, mas para continuarmos a perder valor todos os dias porque é politicamente insustentável assumir as perdas e parar a hemorragia de recursos.
O que nos torna mais ricos, produzir mais, com prejuízo, ou produzir menos, criando valor suficiente para ter lucro?
Ora toda a lógica da discussão do TGV segue as miragens anteriores: auto-estradas cujos efeitos económicos nos levariam ao Céu, Sines que nos colocaria no centro do mundo, Alqueva que libertaria o Alentejo da sua pobreza atávica e o país da sua dependência alimentar e muitos outros amanhãs que cantam, sempre com dinheiro dos outros.
Durante muitos anos os cofres do Estado tinham um limite claro e inultrapassável: o dinheiro libertado pela economia para o Estado. O problema agravou-se muito com a invenção de um sistema em que se faz agora, e os nossos filhos pagam depois, sem que os instrumentos que garantam esse pagamento sejam usados seriamente. Nada me move contra as PPP, mas tudo me move contra a manipulação das regras das PPPs que retiram o risco ao privado e o colocam no Estado, como é o caso do pagamento de rendas por disponibilidade, em vez da indexação ao tráfego.
O argumento é o de que o risco de adoptar esse modelo de pagamento é demasiado alto para o privado, o que conduziria a concursos de concessão desertos.
Bom, se assim é, é um excelente indicador de que as projecções de tráfego e económicas estão efectivamente com um problema de credibilidade.
E é fácil de explicar porquê, mesmo sendo os consultores muito bons. Tomemos um exemplo clássico: a contabilização das horas poupadas, que são um dos benefícios económicos sistematicamente usados nestes estudos.
Em primeiro lugar, se o tráfego for menor, também o número de horas poupadas é menor. Mas a objecção de fundo não é essa. A objecção de fundo é o pressuposto de que essas horas poupadas serão usadas a produzir riqueza, sendo por isso contabilizadas do lado dos benefícios económicos. Mas se o passageiro do TGV resolver usar as horas poupadas numa grande farra com a amante espanhola, não só não produz riqueza, como ainda vai acentuar os desequilíbrios económicos, sobretudo se usar champagne francês em vez de um raposeira super bruto, aliás bastante catita.
Para mim isto é tipicamente economia voodoo, mas eu não sou economista, sou simplesmente um pagante, coisa menor, como se sabe.
Não digo que muito deste investimento público não devesse ser feito e não tenha efeitos positivos, o que me parece é que seria preciso discutir um bocadinho mais.
Do que já consegui fazer download do estudo da alta velocidade há coisas que me parecem que poderiam ser afinadas. O anónimo especialista de comboios dizia que não havia previsões para agora, porque o projecto só entraria em operação em 2013, mas essa é uma afirmação imprecisa, um dos cenários é exactamente o de 2010. Onde já se verificam alguns desvios em relação à realidade (num dos casos, até favorável ao comboio, porque se afirma que entre Aveiro e Salamanca existiria uma auto-estrada sem pagamento (esta ideia de que as coisas pagas pelo Estado não são pagas, a mim faz-me muito confusão, portanto vou corrigir), sem portagem, o que passou a não ser verdade, como se sabe).
Do mesmo modo acho extraordinário que nas explicações sobre Leixões não existam os conselhos de administração da REFER e da CP, as explicações falam de decisões de presidentes de câmara e secretárias de estado, como se fosse função de políticos decidirem da abertura ou fecho de linhas.
O resultado é esta miserável maneira de tratar o dinheiro dos contribuintes, gastando dinheiro a levantar carris na Lousã, para depois dizer que afinal não se vai fazer o previsto, ou abrir uma linha que não serve para nada sem se fazerem investimentos complementares que afinal não se vão fazer, porque nada disso corresponde a estratégias empresariais claras, que os conselhos de administração defendem nas assembleias gerais de accionistas, mas sim aos humores do político do momento, que interfere permanentemente na gestão das empresas, onde os funcionários se sentem como baratas tontas a fazer hoje o que desfarão amanhã e onde os clientes não sabem o que esperar hoje das promessas de ontem.
Que CP e Refer tenham déficits gigantescos nestas circunstâncias não admira, o que admira é que ainda assim continuem a funcionar razoavelmente.
E entretanto, nestas brincadeiras em que os conselhos de administração destas empresas se deixam arrastar, sem grandeza mas com muito proveito próprio, foram gastos milhões de euros dos contribuintes (nunca é de mais lembrar, onde se incluem os impostos pagos pelos pescadores de rabo de peixe).
henrique pereira dos santos

domingo, fevereiro 06, 2011

Conclusões de um ignorante

Gosto de falar sobre coisas de que não sei grande coisa.
Quase sempre tenho oportunidade de aprender, seja com os comentários de terceiros, seja com o que tenho de ir estudar para responder às críticas e comentários.
E ainda bem que falei de comboios.
Desta conversa, e respectivos comentários, vejamos o que concluí:
O comboio foi claramente preterido com o desenvolvimento do carro, em grande parte pela sua falta de flexibilidade. Aliás o comboio nasce para transportar cargas pesadas entre dois pontos fixos e é a partir daí que se desenvolve.
Há um renovado interesse recente no comboio, a partir de uma reorientação das suas formas de exploração: mais velocidade, ligando pontos de concentração de pessoas ou actividade económica.
Há também um interesse complementar em aumentar a capacidade de articular o comboio com outros meios de transporte, em especial com a carga marítima e, no caso dos passageiros, com os automóveis.
Partindo disto, e da escassez de recursos existente, quem verdadeiramente queira ver o Estado português mais empenhado no comboio que nas estradas o que deve defender? Ou melhor, o que é mais eficaz que defenda?
Em primeiro lugar parece-me que está, destacadíssimo, o acesso a informação clara, fiável e de forma fácil. Só com este tipo de informação a discussão pode ganhar racionalidade.
O absurdo do ramal da Lousã, que a mim me parece um caso de polícia antes de ser uma discussão sobre racionalidade na afectação de recursos, ou o estranho caso da linha de Leixões, parecem-me situações que merecem aprofundamento. O Nuno indicou este post, que é lógico e convincente, mas estou careca de saber que a melhor maneira de nos livrarmos da realidade é usar a lógica para suprir a falta de dados. Faltam portanto dados que me permitam perceber por que razão uma coisa tão aparentemente lógica e óbvia não foi executada (eu excluo sempre, por princípio, as teorias de conspiração).
Fiquei muito satisfeito de finalmente ter percebido melhor os números do TGV Lisboa Madrid. Estão num dos comentários bastante consistentes de um anónimo que sabe de comboios, ao contrário de mim.
Infelizmente não consigo aceder aos estudos propriamente ditos a partir da página da RAVE para perceber melhor que dizem. O que sei é que são estudos de 2004, o que me preocupa. Por exemplo, em 2004 as low cost quase não tinham expressão e hoje, no tráfego Portugal/ Espanha, penso que já representam um quarto do mercado. O que me leva a perguntar se não faria sentido actualizar estes estudos (eu sei que foram actualizados mas apenas na componente de investimento, não na análise da procura). Sempre se poderia confrontar os dados do que os estudos previram para estes últimos sete anos e verificar se os estudos aderem à realidade.
Ou seja, continuo a não estar convencido da bondade de fazer o TGV Lisboa/ Madrid agora, mas sinto a discussão mais próxima da racionalidade.
Já quanto a Lisboa e Porto parece-me muito consistente a ideia de que é preciso tirar o longo curso da linha do Norte. Percebo que sendo uma linha interna, talvez não tivéssemos acesso a fundos comunitários, mas estou cansado de ver projectos serem executados porque há fundos comunitários, em vez de serem executados porque são racionais. O resultado tem sido desastroso para o país.
Ora mesmo sem fundos comunitários parece-me bem mais razoável fazer Lisboa Porto que Madrid, mas gostaria de ter os números.
Incomoda-me um bocado sentir que há quem se concentre nas soluções de futuro óptimas e desvalorize completamente as soluções do presente que são boas.
A maneira como se discutiu a hipótese (que pode ser quase imediata) de fechar o círculo com o ramal Covilhã/Guarda, criando dois pontos de transbordo no entroncamento e pampilhosa, que permitam libertar a linha do Norte (ou pelo menos o seu troço entroncamento pampilhosa) de alguns comboios e ao mesmo tempo dar mais racionalidade à circulação Pampilhosa, guarda, covilhã, entroncamento (e vice-versa) é estranha para mim. Parece que resolver problemas concretos hoje não é importante porque amanhã haverá uma solução grandiosa. Parece-me um erro. De qualquer maneira não tenho números nenhuns que suportem o que estou a dizer.
Parece-me também muito claro que tudo o que seja reforçar as ligações dos portos às linhas de caminho de ferro é prioritário sobre grande parte do investimento dirigidos aos passageiros.
A questão da carga é muito pouco mediática mas essencial na competitividade do comboio e na sustentabilidade do transporte.
O fecho de linhas que não têm qualquer viabilidade é imperioso. Podemos discutir se devem ou não ser integradas em circuitos turísticos (e a mim não me parece que esteja ali nenhuma galinha de ovos de oiro, embora possa ser interessante em alguns lados).
E pronto, de comboios foi o que me ficou desta discussão.
henrique pereira dos santos

sábado, fevereiro 05, 2011

Dados concretos

Na sequência das críticas aos números do post anterior enviaram-me os dados do eurostat.
Aqui ficam, dizendo o mesmo que diziam os anteriores, mas mais claros no que diz respeito à Europa.
Note-se primeiro a diminuição do caminho de ferro na Europa, ao contrário do que parece ser voz corrente, depois a extensão das linhas por país, incluindo a percentagem electrificada, depois a densidade por área (onde Portugal está à frente de Espanha, ao contrário do que se costuma ouvir) e a densidade por habitante (onde Portugal está quase em último, mas no patamar normal dos países mais densamente povoados).henrique pereira dos santos

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Para desfazer equívocos

Clicar para aumentar, ir aqui para ver o original.
Aqui a densidade de linhas de comboio per capita.
henrique pereira dos santos

O mito do comboio

Confesso que não pensava escrever tanto sobre comboios e transportes.
Mas a quantidade de comentários aqui, e artigos noutros lados, sem o menor resquício de racionalidade na discussão do problema, faz-me voltar ao assunto.
Vou repetir a minha tese.
O comboio não é importante em si mesmo (como pretende muita da gente do sector ferroviário), o importante é a mobilidade. Por isso discutir o comboio é discutir, em primeiro lugar, mobilidade.
Como qualquer das alternativas de mobilidade, o comboio serve numas circunstâncias, não serve noutras.
As circunstâncias em que o comboio serve são aquelas em que existe um dimensão suficiente no volume potencial de transporte de pessoas e bens para quem o preço é mais importante que a flexibilidade. Defender linhas de comboio que não se encaixam nestas condições é contribuir para a perda de competitividade do comboio face às alternativas nas áreas em que o comboio poderia ser útil, económica, social e ambientalmente.
Discutir o comboio com base em patetices como as que mais uma vez vi hoje escritas no Público é diminuir a possibilidade de discutir seriamente as opções de mobilidade em Portugal. Dois exemplos das patetices que são muito edificantes: Beja não quer ser subalternizada em relação e Évora e não ter intercidades directo é uma desconsideração pelos Bejenses, ou o preço e o tempo de ir de comboio de Castelo de Vide para Coimbra é muito menor que ir de autocarro, sem discutir quantas pessoas por ano querem (ou mesmo podem vir a querer) ir de Castelo de Vide para Coimbra . De autocarro são sete horas e meia, de comboio, três horas e meia, diz o Público, e de carro são duas horas e um quarto (cumprindo os limites de velocidade), acrescento eu. Discutir nesta base é pregar pregos no caixão do transporte ferroviário.
Associado ao mito do comboio há o suposto isolamento da política ferroviária portuguesa, a contra-mão de toda a Europa civilizada, ilustrado pelos comentários do Nuno e do Tiago no último post que fiz, por exemplo "Há 50 anos ainda estávamos, na Europa desenvolvida, em plena era de expansão do automóvel e o conceito de mobilidade sustentável estava muito longe de se impor a uma política de transportes. Os tempos hoje são outros e enquanto o comboio cresce na Europa, perde passageiros em Portugal. Em vários países fecharam-se linhas (muitas aproveitaram-se para uso turístico, o que em Portugal parece ser uma heresia), mas inauguraram-se muitas outras. Enfim, remodelou-se a rede."
Uma visão idílica sobre "o estrangeiro" que não resiste ao mínimo de informação factual, por exemplo, vinda da wikipedia, para não dar muito trabalho: "En 1984 RENFE se encuentra en una situación crítica con déficits anuales gigantescos y es que, sus trenes se mueven básicamente en solo 5000 Km. de los 13000 Km. de vía que gestiona: Hay demasiadas líneas que no son rentables. Por ello se acuerda el Contrato Programa de 1984, por el que el 1 de enero de 1985 se cierran 914 km de vías y se dejan para uso exclusivo de mercancías otros 933Km.: 12 líneas y 132 estaciones se quedan sin servicio. Además, las Comunidades Autónomas salen al rescate de más de 600 Km. para evitar su cierre.[5]"
Num só dia de 1984, em Espanha, encerraram-se quase mil quilómetros de linhas de caminho de ferro, e abandona-se o transporte de passageiros em mais outros mil.
E se deixarmos de olhar para os comboios isoladamente o olharmos para a evolução dos principais meios de mobilidade entre 1950 e 2000 em Espanha a surpresa é ainda maior:
Sim, o gráfico acaba em 2000, e desde aí a coisa melhorou um bocadinho para o lado do caminho de ferro, com base nos resultados do investimento na alta velocidade, mas é só mesmo um bocadinho, quando se olha para a globalidade dos meios de mobilidade (já agora, poupem-me ao argumento de que a estrada tem mais gente por ter mais quilómetros porque os dados são de passageiro por quilómetro em todos os meios).
O que isto quer dizer é simples: deixemo-nos de lérias e olhemos desapaixonadamente para o assunto, pondo o comboio no seu lugar e discutindo o transporte ferroviário como deve ser discutido.
Repare-se que nos anos 80, nos governos de Cavaco, o IP5, hoje auto-estrada A25, foi feito sem perfil de auto-estrada. Dizem-me que Cavaco terá dito, a quem lhe apresentou a alternativa da auto-estrada, que não havia dinheiro para fazer uma auto-estrada e por isso fez-se com o antigo traçado e características. Que aliás serviam razoavelmente bem.
Depois disso veio um tal João Cravinho, mas sobretudo, é bom lembrar, um tal Jorge Coelho, que libertos da visão estreitamente economicista de um inculto Cavaco, decidiram que o que era preciso era fazer auto-estradas a esmo, rumo à modernidade, até porque assim o exigiam as forças vivas dos concelhos servidos pelo IP5, com Fernando Ruas à cabeça, bem como os imperativos éticos e políticos da solidariedade nacional.
Como não havia dinheiro para os seus delírios, inventou-se o faça agora que os seus filhos pagam depois, cujos efeitos reais e sérios começaremos a sentir a partir de 2014. Em si mesmo este modelo de alavancagem financeira (que seria apelidado de criminosamente neo-liberal se fosse executado por Cavaco, mas que é mais conhecido como modernização e desencravamento do interior e imperativo ético de solidariedade territorial por ser da responsabilidade de Guterres e Sócrates) não é grave, desde que a execução dos projectos conduza à libertação de meios que os paguem e paguem o serviço da dívida.
Mas como os projectos foram executados por imperativos éticos de solidariedade, ou como defesa da economia nacional, ou como contributo de combate o desemprego, ou mesmo como necessidade imperiosa de resistir à crise, o resultado é que temos as estradas e as dívidas mas não vemos como as pagar porque o famoso estímulo à economia que elas representariam não surtiu o efeito projectado.
Pretender que manter pitorescos comboios sem gente e sem mercadorias é melhor que isto, ou pode ser justificado porque na política de investimento rodoviário também se fizeram asneiras é uma coisa que não entendo.
Que a política ferroviária precisa de maior equilíbrio e atenção face à demência estradista, não tenho a menor dúvida.
Que isso é politicamente ruinoso também não tenho a menor dúvida, porque os utentes de estradas são incomparavelmente mais que os utentes dos comboios (e são ainda muito menos os utentes pagantes por inteiro do seu bilhete).
Por isso se tem mantido a demência estradista (vejam-se os resultados das últimas eleições), acentuada pelo peso económico e políticos dos grupos privados que cativaram a decisão pública, ao mesmo tempo que no sector ferroviário se considera tudo tão mau e difícil que a única hipótese é fazer TGVs e fechar quase tudo o resto a esmo (a única coisa em que os grupos privados estradistas estão de acordo com o comboio, porque também beneficiam da obra do TGV, e quem fica a pagar os prejuízos da operação é o contribuinte).
E enquanto o TGV não vem, usar o sector ferroviário para colocar um conjunto de desempregados da política, que tratam de comboios como peças de xadrez no jogo da influência política (a distrital de Beja lixa-me se eu não lhe der um intercidades, portanto o melhor é dizer hoje o contrário do que disse ontem, e se o ministro das finanças me chatear com o défice, primeiro peço ajuda à distrital de Beja e se mesmo assim estiver em risco de ser demitido logo anuncio outra vez o encerramento dando em troca uma promessa de ligação à alta velocidade que quando for a altura de a cumprir já devo estar noutra empresa).
É alias isso que explica uma série de decisões contraditórias, em que os Srs. Presidentes de Câmara tomam decisões que deveriam competir ao Conselho de Administração da CP, que depende do Ministro, que depende do Partido, que depende, em boa parte, dos Srs. Presidentes de Câmara.
Portanto, e sendo claro, a guerra pela colocação do comboio onde deve estar é muito, muito difícil.
A única alternativa é uma sólida racionalidade económica capaz de cativar a opinião publica para uma política de mobilidade mais sustentável.
O que significa, sobretudo para o movimento ambientalista, abandonar a diabolização do automóvel (principalmente onde ele é inegavelmente insubstituível) e o romantismo dos comboios pitorescos.
A realidade tem mostrado que em grande parte dos casos as pessoas querem comboios nas suas terras, mas para os ver passar, porque quando precisam de se deslocar, mesmo que as promessas de pagamento das despesas feitas pelos Srs. Presidentes de Câmara (que as omitem, na sua dimensão global e no seu valor per capita aos seus munícipes) resultaram na reposição de comboios, escolhem alternativas que as sirvam melhor.
E sim, é preciso investimento sério e boa gestão nos sítios onde o comboio tem a hipótese de ser a melhor alternativa. O que não pode ser confundido com a defesa do comboio sempre e em toda a parte.
henrique pereira dos santos

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Ceroulas e leggings

Na última etapa do campeonato nacional de surf, estava um frio de rachar na praia da Nazaré. A speaker achava que o vento gelado vinha lá do Norte da Europa, na altura sob uma intensa vaga de frio, e por isso era tão cortante, mas isso fazia parte da generalizada distorção da leitura dos fenómenos climáticos: de facto era vento Leste (mais especificamente, Nordeste, naquele caso), o mesmo que é responsável pelos dias infernais do Verão, quanto tudo parece arder irremediavelmente.
O que achei curiosa foi a afirmação de que seria bom era ter umas ceroulas, mas agora ninguém usava isso. Ri-me para dentro por duas razões.
1) De facto estava muito confortável com as ceroulas que uso em dias de frio intenso. Desde os tempos em que morei num quarto alugado em Bragança, quarto esse em que por vezes as janelas tinham gelo de manhã, não no lado de fora, mas do lado de dentro, que sei que não só as ceroulas são uma coisa útil, como há ceroulas bastante confortáveis;
2) Há muito gente por aí a usar ceroulas, só que agora chamam-se leggings, e usam-se por fora, em vez de se usarem da forma mais útil. É que em dias de frio, usar coisas justas directamente em contacto com a pele e com o ar exterior é de quem acha que há que sofrer para andar à moda.
Vem isto a propósito de um artigo profundamente desonesto sobre comboios escrito por Carlos Cipriano, ontem no Público.
De maneira geral leio tudo o que Carlos Cipriano escreve sobre comboios. Parece-me que tem uma perspectiva de filho de ferroviário mas, apesar do enviesamento, é uma perspectiva razoavelmente informada.
É por isso que digo que o artigo é desonesto: Carlos Cipriano, para melhor vender a sua ideia, não hesitou em amalgamar informação que sabia que, apresentada de forma clara, lhe estragava um bocadinho a história que queria contar.
Carlos Cipriano mistura a análise da evolução dos últimos vinte anos de comboio na Europa, com a discussão sobre a política de transportes em Portugal.
E porque razão o artigo é desonesto? Porque Carlos Cipriano escolhe criteriosamente o período de análise, e mesmo quando (na versão em papel) refere que o Governo lhe mandou números comparativos dos últimos cinquenta anos, para demonstrar que o que Portugal está a fazer agora (um agora relativo, já vem do tempo do Cavaco) corresponde ao que os outros países fizeram há muito tempo, limita-se a não ter esses dados em atenção com o argumento de que não são comparáveis com o período de estudo (definido por ele próprio).
Ninguém, no ser perfeito juízo, manteve linhas com médias de quatro passageiros por trajecto, o que aconteceu é que as encerraram há muito mais tempo.
Nós é que as mantivemos porque nos mantivemos muito atrasados no grau de mobilidade, de motorização individual e na qualidade das estradas até mais tarde, e por isso o regime anterior ao 25 de Abril foi mantendo umas linhas de comboio completamente obsoletas.
Nalguns países, algumas linhas foram mantidas por razões turísticas e patrimoniais, mas essas linhas foram claramente segregadas da política de transportes, porque não servem a política de transportes, servem a política de turismo e/ ou patrimonial.
Nestas circunstâncias era inevitável a perda de passageiros do comboio mal as pessoas tivessem oportunidade de ter verdadeiras alternativas de mobilidade, nomeadamente porque ficaram mais ricas, como efectivamente aconteceu.
Misturar isto com a política de infra-estruturação de transportes do país é muito, muito pouco sério.
Separando estas duas componentes a discussão é muito mais útil. Só que implica que realmente se discuta a utilidade social de algumas linhas. Por mais que se melhorem os horários e etc., e por mais que passem de 4 para 40 passageiros por trajecto (ou seja, mesmo decuplicando a sua utilização) continuam a ser um desastre económico e social.
O dinheiro gasto a manter uma infra-estrutura de mobilidade deste tipo, que serve mal as necessidades das pessoas em algumas circunstâncias, faz falta para outras lógicas de mobilidade que respondem melhor às necessidades das pessoas e têm melhores resultados económicos, sociais e ambientais.
Estou farto de citar aqui o transporte a pedido, em alternativa ao comboio, como uma solução incomparavelmente melhor que a do comboio em regiões de povoamento esparso.
Só que esta discussão não sai da cepa torta, parece a discussão da escolas com contrato de associação: funcionam melhor, são mais baratas para o contribuinte, mas devem fechar porque fazem concorrência ao Estado. Como se o imperativo constitucional não fosse ter um ensino público mas sim um ensino estatal. Curiosamente ninguém se levanta contra o financiamento dos grupos de teatro independentes, que funcionam exactamente na mesma lógica de associação ao Estado (só que sem metade das obrigações das escolas) mesmo que o Estado tenha teatros estatais às moscas.
O que se defende nesta lógica é o Estado, não as pessoas (tanto os alunos, como os contribuintes, ficam a perder).
É que transporte público, ensino público, espectáculo público, saúde pública quer dizer que todo o público pode usar, não quer dizer que o Estado tem de fazer. Pode fazer, quando não ha quem queira fazer, mas não precisa de fazer se lhe fica mais barato partilhar custos com quem está interessado em fazer.
Na mobilidade o problema é exactamente o mesmo: o essencial é uma política de mobilidade que permita que qualquer pessoa tenha condições de mobilidade aceitáveis: de comboio se for esa a solução, a pé, de carro, de avião, se for essa a solução (não se pense que o avião é piada, o Estado Português paga dois milhões de euros anuais à aerovip para manter uma carreira aérea regular de Bragança e Vila Real para Lisboa, e vice-versa, numa lógica de associação perfeitamente razoável).
Postas as coisas nestes termos, o que é preciso é verificar linha a linha, troço a troço, o que se justifica e não se justifica quer de investimento, quer de prejuízo na operação.
Ora nesta discussão (que é a da política de infra-estruturação, e não a da evolução comparativa no uso do transporte ferroviário, que implica um contexto social e económico mais alargado) falta demasiada informação, e corremos o risco de continuar no comboio os disparates que já fizemos (e continuamos a fazer, como a auto-estrada para Bragança) nas estradas, com argumentos inconsistentes como sejam o de dizer que Bragança era a única capital de distrito sem auto-estrada, no caso das estradas, ou dizer que Viseu é das maiores cidades europeias sem comboio.
São argumentos que valem zero.
O que é preciso é ver quanto custa infra-estruturar e quanto custa operar, nas várias soluções, e decidir com base em informação fiável (e na decisão ponderar os aspectos sociais e ambientais, não em abstracto, mas em concreto).
Por exemplo, as notícias sobre o aumento de frequência na linha do Vouga são praticamente omissas em dados substanciais. Quantos viajavam antes, quantos viajam agora, qual o aumento de custos, qual o aumento de receitas? Não sabemos. Repare-se que fui exactamente buscar um exemplo de uma área com muita gente, onde o comboio pode ser uma alternativa. Tanto quanto sei, neste caso, há um horário concreto que teve alterações importantes na frequência, mas não faço a menor ideia do que isso representa na conta de exploração da linha. Alguém sabe?
Não, e isso é que é grave.
Porque foi exactamente com essa falta de informação e o voluntarismo sobre o futuro do tráfego rodoviário que se construíram milhares de quilómetros de auto-estradas, em vez de resolver a mobilidade das pessoas (por vezes resolvendo o problema de mobilidade, mas a custos económicos e ambientais completamente disparatados).
Preparamo-nos para fazer o mesmo com o TGV.
Combater isso, combater este risco, não pode ser através de mais barulho a defender ideologicamente o comboio, mesmo quando não é a solução.
Combater isto, combater esse risco tem de ser feito através da discussão informada.
O que significa que a prioridade das prioridades seria romper o círculo mafioso que controla a informação sobre o sector dos transportes (o que em grande parte quer dizer, o sector de construção de infra-estruturas e o aparelhismo partidário).
O essencial é reivindicar o direito a informação pública, acessível, disponibilizada na internet sobre tráfego, receitas e despesas em cada auto-estrada, em cada linha de comboio, em cada concessão rodoviária de transportes, em cada concessão de linha aérea, nos portos e por aí fora.
E não vale a pena invocar o segredo comercial: quem quer segredo comercial que trabalhe apenas com o dinheiro dos seus accionistas.
Se há dinheiro público envolvido, quem paga, que são os contribuintes não é o Estado ou as empresas públicas, tem o direito de saber o que está a pagar e porquê.
Doutra forma corremos o risco de precisar de uma ceroulas porque temos frio e obrigarem-nos a usar umas leggings, porque está na moda.
E sendo verdade que ceroulas e leggings são a mesma coisa, a verdade é que o seu custo e o seu valor social são muito diferentes.
Se a maioria quiser passar frio pagando um ror de dinheiro por umas leggings à maneira, em vez de estar confortável com umas ceroulas que custam tuta e meia, não me resta alternativa se não aceitar, mas o que não aceito é que isso seja feito com informação errada sobre os preços e a utilidade de umas e outras.
henrique pereira dos santos

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Transportes, comboios e sustentabilidade

Na sequência das discussões, quer aqui no blog, quer na lista de discussão, sobre o comboio e a sustentabilidade, resolvi fazer um post que espero que seja mais claro sobre o que defendo nesta matéria.
Para atalhar caminho, deixo já claro que enquanto utilizador acho a gestão da CP (conheço ainda pior a da REFER, e por isso não me pronuncio) razoavelmente incompetente. Mas isso é um pequeno problema quando comparado com o grande problema: a gestão da CP é politicamente dependente de gente ainda mais incompetente.
A discussão tem sido despoletada pelas recentes decisões de fecho de algumas linhas, gerando duas posições pavlovianas: os que defendem o Governo, sempre e em qualquer altura, qualquer que sejam os argumentos necessários; os que defendem a manutenção de linhas de comboio, sempre e em qualquer altura, quaisquer que sejam os argumentos necessários.
Misturar a linha da Lousã (que é uma pura estupidez de decisores que deviam ser julgados por gestão danosa e abuso de dinheiros públicos), com a linha do Tua não tem pés nem cabeça.
No primeiro caso alguém decidiu pegar numa coisa que funcionava (bem, mal, com prejuízo, tudo isso podemos discutir, mas funcionava), desmantelá-la, e depois de desmantelar dizer que afinal se enganou nas contas e já não tem dinheiro para fazer nada do que pensou, portanto fica tudo desmantelado.
No segundo caso há uma linha que passa em sítio nenhum, que ninguém usa e que é o exemplo típico das situações em que o comboio não é a boa solução de mobilidade.
Comecemos pelo princípio: o comboio é um meio de transporte pesado que se justifica quando existem grandes números (de pessoas, de carga ou dos dois) a deslocar de um ponto a outro. Nessas circunstâncias o comboio é útil e bem mais sustentável que o transporte rodoviário. Noutras circunstâncias não é assim. À grande vantagem na capacidade de transporte o comboio alia uma baixíssima flexibilidade. Ao relativamente baixo vaor de investimento, o comboio alia um elevado custo de operação.
Ora sustentabilidade inclui sustentabilidade económica.
Faz por isso sentido perguntar se os recursos de investimento disponiveis na REFER devem ser usados na linha do Tua ou no ramal do Porto de Aveiro. Faz sentido perguntar se os recursos na CP devem ser usados na melhoria da eficiência económica dos suburbanos de Lisboa e Porto ou no ramal de Cáceres.
Sim, eu sei que me falarão do facto dos transportes públicos não terem de dar lucro, sim, eu sei. Mas isso não significa que sejam um poço sem fundo, pelo contrário, implica uma definição ainda mais clara de prioridades. E implica que seja a eficiência das linhas que podem ser economicamente sustentáveis a pagar outras onde pode haver um prejuízo sensato. E implica que o Estado seja claro no que quer dos transportes públicos, o que implica disponibilizar os recursos financeiros necessários à execução da sua política (não os necessários à existência de transportes públicos).
É claro que me fez confusão descer ontem na estação (apeadeiro?) de Paialvo e ver uma estação totalmente renovada, não há muito, e fechada. Parece ser um erro de investimento (e está longe de me parecer o único do género).
Dou de barato que existem milhares de erros desses nas políticas de investimento da REFER e da CP, que passam a vida a mudar de vida (como se demonstra com o processo da Lousã).
Mas o facto de ser possível apontar erros, o facto de ser possível apontar um monte de investimentos alternativos ainda mais estúpidos, como algumas auto-estradas vazias (um post que gostaria de ter escrito) ou coisas que não sei classificar como aquele descampado também conhecido por aeroporto de Beja não invalida que não se faça um esforço para evitar a armadilha de defender o comboio sempre e em toda a parte, defendendo-o para funções que ele nunca poderá desempenhar satisfatoriamente.
Essa é uma bela maneira de o enterrar definitivamente.
henrique pereira dos santos

quarta-feira, janeiro 19, 2011

A qualidade na discussão


"Ora diga lá, a Carris tem ou não razão em fechar o comboio para Beja? Diz aqui que o comboio tem uma média de três passageiros.
Óh Sr. António, os transportes públicos não são feitos para dar lucro".
Um pedaço da conversa enquanto eu comprava o pão.
Devo dizer que é um bom resumo das discussões sobre transportes, sustentabilidade, comboios e fechos de linhas que tenho ouvido há uns dias. E tem mais ou menos a qualidade da discussão na sofisticada blogosfera.
Eu gosto de me levantar cedo, a Rosarinho desde as cinco que está no quiosque mas eu só mais tarde passo por lá (com excepção dos dias em que vou apanhar o comboio das seis para o Porto) a comprar o jornal porque gosto de o ler enquanto bebo um café. Ora para não ter de esperar muito que a porta do café abra (há outro já aberto na esquina em frente, mas não gosto muito) só saio de casa normalmente depois da seis, cruzo-me com as últimas prostitutas da rua, que vou cumprimentando de nos cruzarmos tantas vezes, um ou outro taxista que está a pegar ou a sair, um ou outro trabalhador (mais trabalhadoras que trabalhadores, para ser exacto, mesmo descontando as prostitutas) e vou cumprimentando aqui e ali porque somos quase sempre os mesmos.
E vou ouvindo as conversas no quiosque, enquanto vejo as capas, no café onde demoro mais que a maioria àquela hora, porque leio o jornal de fio a pavio, na mercearia onde compro o pão, enfim, aqui e ali.
Nesta altura do ano ainda a luz não é muita e tenho pena de não ser bom fotógrafo para me pôr a fotografar os vultos que saem dos barcos, e os vejo atravessar o Terreiro do Paço de lés a lés, numa longa fila, quando vou apanhar o comboio a Santa Apolónia. Calculo que todos eles pensem, como eu, que não se pode esperar muito da produtividade de um país cuja capital tem um metro que funciona até à uma da manhã, mas que só começa às seis e meia, esquecendo-se dos milhares de trabalhadores que entram antes das sete da manhã, a maior parte dos quais evidentemente utilizadores de transportes públicos, se tiverem essa alternativa.
Ora quer as confusões e lapsos (a carris a ter comboios para Beja é evidentemente um lapso) de quem diz que o comboio vai acabar para Beja (não é verdade, a CP reformulou a oferta, aumentou os comboios directos para Évora e adaptou o serviço para Beja quer à procura, quer à capacidade técnica da linha, mudando os passageiros de comboio), quer de quem se recusa a discutir o número de passageiros debaixo da bandeira do serviço social, imune ao lucro (pensamos nós, que ainda acreditamos em almoços grátis) são o espelho da discussão supostamente mais sofisticada que a da madrugada da minha rua.
É por isso que se confundem na discussão os fechos da linha do Tua e da Lousã, que são coisas bem diferentes.
É por isso que quando se diz que bastava um bocado mais de investimento num sítio, se recusa a discussão do que faria esse investimento noutro lado qualquer.
É por isso que pessoas pertencentes à elite do país (suponho que a academia não pode deixar dse se incluir nas elites) dizem disparates do tamanho do mundo apenas para defender a sua côr partidária numa decisão mais que discutível.
E no entanto não custa muito mais dinheiro simplesmente procurar informação, organizá-la e discutir opções a partir daí.
Lembro-me sempre numa reunião de contencioso comunitário um jovem assessor de um ministro dizer com um ar assertivo para uma velha raposa do direito comunitário que determinada decisão resultava de uma opção política muito clara do governo de Portugal. Ouvindo em resposta um displicente "só há opções políticas dentro dos limites da lei, fora desses limites o que há é apenas ilegalidade".
Nós não acreditamos muito nisso.
henrique pereira dos santos

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Apitó comboio

Imagem com o mesmo título do post, retirada daqui
Metro do Mondego: 12 trabalhadores, sete dos quais administradores.
A defesa do comboio, que é uma evidência para quem procura sustentabilidade, não pode desvalorizar a defesa da sua racionalidade económica.
henrique pereira dos santos

terça-feira, janeiro 11, 2011

Uma história mal contada



A discussão sobre o uso do comboio em Portugal, muito contaminada pelo seu valor instrumental para a contestação à barragem do Tua, tem nesta reportagem um apoio sistematicamente usado.
Mas como é habitual no jornalismo de causas, é mais importante dizer o que se quer que dizer a verdade.
Começa desde logo quando se diz que em Espanha não foram fechadas linhas estreitas, ao contrário de Portugal.
Basta dar um salto à Wikipedia ou ao site da FEVE para perceber que o que distingue a operação dos comboios nos dois países não é a manutenção de situações financeiramente desastrosas na órbita do principal operador ferroviário (RENFE, em Espanha, CP, em Portugal) mas exactamente o oposto.
Desde os anos sessenta que as linhas estreitas estão fora da órbita da RENFE e são exploradas (as que não foram encerradas, que foram muitas) por outra empresa, em grande parte numa óptica turística.
E que nas linhas de bitola larga, a RENFE encerrou centenas de quilómetros há muito anos (num só dia de 1985 encerrou 900 km), concentrando-se nas linhas com retorno.
Ora são os resultados dessa política que permitem hoje à RENFE ter músculo financeiro, em vez da anemia da CP, permanentemente drenada por uma operação ruinosa que se teima em manter sem qualquer razão.
Significa isto que o comboio é um mau meio de transporte para mim? Nem por sombras, juntamente com o barco são mesmo os meios de transporte por que sinto mais simpatia, dada a sua inerente sustentabilidade.
Mas é fundamental perceber que o comboio serve para volumes de tráfego elevados entre pontos mais ou menos fixos, em que a flexibilidade não é grande critério de decisão.
Pretender que defender a operação da linha do Tua é uma opçáo de sustentabilidade não tem o menor sentido, porque impede quer a refer, quer a cp de terem meios para verdadeiramente investir onde há mercado para o comboio.
Claro que há as dimensões turísticas dos pitorescos comboios de linha estreita, mas é preciso ter consciência de que o comboio não cria turismo suficiente, no máximo potencia turismo existente.
Dito isto, parece evidente para qualquer utilisador da CP que se os comissáros partidários que têm preenchido o seu conselho de administração tivessem um mínimo de respeito pelos seus clientes, os resultados poderiam ser muito melhores.
Mas isso não resolve os problemas criados por querer usar o comboio para resolver as acessibilidades de áreas com povoamento esparso.
henrique pereira dos santos

terça-feira, agosto 17, 2010

Foto da várzea de Aljezur para memória futura

Foto do local onde vai passar a variante à EN120

No verão, Aljezur testamunha o problema do aumento de trânsito, consequência da afluência de milhares de turistas que suportam grande parte da vida económica do concelho. A EN 120 passa pelo centro da vila e diariamente há dificuldades de digerir as viaturas que procuram passar pela ponte sobre a ribeira e a zona das lojas onde os lugares de estacionamento são evidentemente insuficientes para o número de utentes, resultando em estacionamento em segunda fila.
Com o objetivo de o resolver, foi lançado pela Estradas de Portugal, o EIA para a construção de uma variante, que passa por um viaduto sobre a várzea de Aljezur e a Ribeira de Alfambras.
A Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur (ADPHA), tem manifestado sua posição contrária ao traçado escolhido para a variante, como se pode ler no seu blog. Vale a pena ler.
Este caso é emblemático para o valor do solo agrícola, não só em processos de construção de infraestruturas de transporte, mas em geral. É um facto que a várzea ainda é cultivada em partes significativas (a foto acima comprova-o), mas também assiste-se a um abandono continuado de terras semelhantes, mas mais afastadas da vila. Essas terras estão a ser invadidas aos poucos por arbustos e, se seguida, por sobreiros, cuja expansão é notória na região. Esta situação torna a defesa dos solos agrícolas mais difícil, porque baixa o seu valor intrínsico e imediato para a sociedade (baixa escassez faz baixar o seu valor). A perda de alguns hectares de solo agrícola (até classificada como RAN) não pesa muito no processo burocrático de decisão quando existem outros tantos mais abandonados nas proximidades.
Desconheço o processo de EIA deste tipo de iniciativas e quais os processos de consulta pública associados a ele. Mas certo é que a ADPHA já emitiu o seu parecer. Espero que haja mais organizações, desde políticas a ONGA a juntar-se à iniciativa da ADPHA, obrigando o Estado a olhar para outros traçados para essa variante, deixando a terra agrícola ser cultivada pelos agricultores locais.
Henk Feith



quinta-feira, julho 01, 2010

Da coerência na agenda ambiental

António Elói, com razão, manifesta-se, na lista de discussão ambio, estarrecido com esta notícia.
Poder-se-ia acrescentar também esta.
O caso não é para menos.
Para se perceber bem a pobreza franciscana da agenda energética em que o movimento ambientalista está afogado pode ler-se este post e respectivos comentários, ou então, reparar como nove associações se põem de acordo para criticar um fundo de conservação de uma empresa de produção de electricidade e, ao mesmo tempo, estão virtualmente caladas perante este valente embuste do carro eléctrico como medida ambiental, que tem como consequência colocar pressão para o aumento da produção de electricidade por parte das empresas criticadas .
Como medida de desenvolvimento industrial e tecnológico não discuto muito (tenho opinião mas fugiria das preocupações centrais deste blog) mas não tenho a menor dúvida que não é uma medida ambiental de mobilidade urbana.
Medidas ambientais de mobilidade urbana são aumentar o custo de trazer automóveis (eléctricos ou não) para as cidades e baixar o custo, melhorando o serviço, dos transportes públicos (que aliás em Lisboa são bastante razoáveis, digo que os uso bastante, embora reconhecendo que a minha opinião está condicionada pelo facto de viver no meio de Lisboa, facto pelo qual pago bastante, quer no momento da compra ou aluguer da casa, quer nos impostos que pago por viver em casas mais valorizadas).
henrique pereira dos santos

domingo, outubro 18, 2009

ciclovias em Lisboa


Local: Avenida Colégio Militar, em frente à CAP, Benfica, Lisboa.
Data: 9 de setembro 2009
Comentário: Como a Guarda precisa de limpa-neves, Lisboa irá precisar de limpa-carros, para manter as ciclovias desimpedidas. Espero que os limpa-carros tenham daquelas pás muito grande à frente...

Henk Feith

sábado, agosto 01, 2009

Linha férrea afecta 150 mil hectares de montado de sobro

Montado de azinho no sul de Grândola (Lousal)
Hoje o Público, na sua secção "Local", publica um artigo da autoria de Carlos Dias, cujo título me intrigou: "Quase 150 mil hectares de montado de sobro afectados pela linha férrea Sines-Elvas".

Estando habituado a estatísticas sobre a floresta Portuguesa, pensei: bolas, que tipo de linha férrea é aquela que afecta perto de 20% do montado de sobro em Portugal?

Ao ler o artigo comecei a perceber que, mais uma vez, o jornalismo ambiental recorre a manipulação de factos para insuflar notícias. Já no texto principal do artigo, é evidente que houve ou erro grosseiro ou intenção nos valores apresentados, uma vez que falam de uma faixa de 400 metros de largura e uma extensão de 40 km. Essa faixa, na sua totalidade ocupa 1600 hectares (40000*400/10000), por isso pouco mais do que 1% da área indicada no título. Também será de esperar que nem toda a área daquela faixa seja ocupada com montados de sobro, ou mesmo de montados em geral (não haverá montado de azinho naquela faixa? ou será que o jornalista desconhece essa espécie?).

40 km entre Sines e Elvas parece-me curto. Por estrada são 251 km (fonte: Google maps), admito que uma linha férrea seja mais rectilínea, por isso deve estar perto duns 200 km. Será que são 40 km a atravessar montados? Não se compreende do artigo.

Mais grave se torna quando se fala no possível abate de "cerca de 7000 sobreiros, muitos deles centenários" (para o leigo romântico, qualquer árvore que não se consegue abraçar é centenária). Tendo um montado adulto entre 50 a 100 sobreiros por hectare (um montado jovem poderá ir até 10 vezes esta densidade), este segundo valor apontaria para a perda de 70 e 140 hectares de montado. Pergunto eu onde estarão os 150 mil hectares afectados que o jornalista refere, sem indicar as suas fontes de informação.

Mas o que ponho em causa não é o impacte que esta linha férrea terá na paisagem e habitats alentejanas. Se calhar (é provável) estão em risco valores ecológicos muito mais relevantes que os sobreiros, aquela vaca sagrada dos ambientalistas portugueses. Conheço montados de azinho no sul do concelho de Grândola que são dos mais intatos e vigorosos que conheço. Conheço o vale do rio Sado junto às localidades Azinheiro dos Barros e Vale de Eira e é capaz de ser um dos segredos naturais mais bem guardados de Portugal (como é possível que a RN2000 não ligue os sítios de Estuário do Sado e Castro Verde através do vale do Sado?, assim sim seria uma Rede em vez de um arquipélago de áreas classificadas). A perda destes valores naturais seria uma perda significativa e deve ser evitada a todo o custo. O que ponho em causa é a qualidade jornalística de uma peça que, ou por ignorância ou por intenção, transmite uma mensagem que está manifestamente errada. É mau e é recorrente no jornalismo ambiental.

Henk Feith

sábado, julho 25, 2009

Comboios em Espanha de vento em poupa

Notícia extraída do El País:

"Renfe obtuvo en 2008 un beneficio bruto de explotación de 240,5 millones de euros, un 75,5% más que el ejercicio anterior. Los ingresos crecieron un 17%, sobre todo por la puesta en servicio de nuevas líneas de alta velocidad, y los gastos se incrementaron un 13%, según informó ayer la empresa pública.

La crisis económica mermó el número de viajeros un 1% (hasta los 499,7 millones), sobre todo en Cercanías y media distancia, y afectó más a las mercancías. El gasto en diésel aumentó un 22,7%, mientras que la factura energética total subió un 5%, hasta los 245 millones."

terça-feira, julho 21, 2009

mais barato de bicicleta :)))

foto sacada daqui

A notícia é verdadeiramente deliciosa. Um bordel de Berlim está a oferecer um desconto de 5 euros a quem provar utilizar a bicicleta como meio de transporte!

Segundo o seu dono, «é bom para os negócios, é bom para o meio ambiente e é bom para as meninas». O que eu não duvido. O propritário confirma ainda que a promoção tem ajudado a aliviar o trânsito e o estacionamento em redor do bordel Maison d'Envie, assim como tem ajudado a empresa a conquistar novos clientes. «Nós temos cerca de três a cinco novos clientes que chegam diariamente para aproveitar o desconto».

Cá está uma simpática ideia para alargar a outros negócios :)))

Gonçalo Rosa

segunda-feira, julho 20, 2009

Carros eléctricos


"Primeiros cinco mil carros eléctricos terão cinco mil euros de incentivo cada"

Esta foi a promessa de hoje de Sócrates. Não pretendo discutir se é boa ou má mas simplesmente perguntar se alguém que saiba suficientemente do assunto me pode explicar se do ponto de vista ambiental faz sentido ter muitos ou poucos carros eléctricos.
Do ponto de vista do ambiente micro, isto é, da qualidade do ar e do ruído nas cidades, sem dúvida.
Mas do ponto de vista global?
O que significa o ciclo de vida destas baterias? O que significa aumentar a percentagem dessa forma nobre de energia que é a electricidade? O que significa de pressão para novos centros de produção eléctrica (barragens, eólicos, térmicas, nuclear?).
Conheço pessoas que querem ter um carro eléctrico porque produzem a sua própria electricidade e isso permitiria melhorar a sua perfomance do ponto de vista da pegada carbónica.
Mas não será isso que estará em causa com a generalização dos carros eléctricos assente numa rede de abastecimento pública que será, penso eu, inveitavelmente alimentada pelos grandes centros de produção.
Confesso que não percebo nada disto mas gostava de ouvir opiniões descomprometidas sobre o assunto.
E insisto, estritamente do ponto de vista ambiental (que do ponto de vista global de sustentabilidade, que inclui as vertentes económicas e sociais a medida é desastrosa. Basta ter em atenção que o incentivo do Estado, que resulta também do dinheiro dos pobres, vai ser aplicado a apoiar quem pode comprar carros acima dos 20000 euros, em vez de ser aplicado em sistemas mais eficientes de transportes públicos).
henrique pereira dos santos
Adenda: encontrei este link, pode ser que ajude. Colocarei outros se os encontrar e com pontos de vista diferentes e que me pareçam minimamente crediveis (sim, numa base de opinião pessoal, não tenho outra base). Para além do comentário do Francisco que está na respectiva caixa.

sábado, julho 11, 2009

O custo das previsões de tráfego

Vale a pena, agora que se discute o plano estratégico dos transportes, ver este video.
É só fazer as contas ao que nos custam estas previsões sistematicamente erradas para o mesmo lado.
henrique pereira dos santos
PS É impressão minha ou não houve qualquer boicote ao financiamento da biodiversidade pela BRISA por causa desta campanha (e de outras)?