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quarta-feira, dezembro 14, 2011

Expansão agrícola e sustentabilidade

Vale a pena ler o artigo que acaba de sair na revista PNAS e cujo acesso é gratuíto:

Global food demand is increasing rapidly, as are the environmental impacts of agricultural expansion. Here, we project global demand for crop production in 2050 and evaluate the environmental impacts of alternative ways that this demand might be met. We find that per capita demand for crops, when measured as caloric or protein content of all crops combined, has been a similarly increasing function of per capita real income since 1960. This relationship forecasts a 100–110% increase in global crop demand from 2005 to 2050. Quantitative assessments show that the environmental impacts of meeting this demand depend on how global agriculture expands. If current trends of greater agricultural intensification in richer nations and greater land clearing (extensification) in poorer nations were to continue, ∼1 billion ha of land would be cleared globally by 2050, with CO2-C equivalent greenhouse gas emissions reaching ∼3 Gt y−1 and N use ∼250 Mt y−1 by then. In contrast, if 2050 crop demand was met by moderate intensification focused on existing croplands of underyielding nations, adaptation and transfer of high-yielding technologies to these croplands, and global technological improvements, our analyses forecast land clearing of only ∼0.2 billion ha, greenhouse gas emissions of ∼1 Gt y−1, and global N use of ∼225 Mt y−1. Efficient management practices could substantially lower nitrogen use. Attainment of high yields on existing croplands of underyielding nations is of great importance if global crop demand is to be met with minimal environmental impacts.                 

quinta-feira, março 24, 2011

Em impressão

"são ideias enraizadas na convicção de que dar de comer a quem tem fome é, ao mesmo tempo, construir paisagens, moldar encostas, conduzir águas, estrumar terras".
henrique pereira dos santos

domingo, janeiro 23, 2011

Ainda o IVA para uma alimentação sustentável (III)

O maior lagar de azeite de Portugal
Cada vez estou mais baralhado.
As azeitonas, os tremoços, os figos secos, as amêndoas cai tudo na taxa de 13%, supostamente por serem alimentos processados (embora muito menos que os iogurtes XPTO, que caem todos nos 6%).
Mas o que verdadeiramente me divertiu foi verificar que as azeitonas caem nos 13%, por serem conservas, mas o azeite cai nos 6%.
A mim faz-me confusão, porque a regra geral (que é racional e está certa) é a de que um produto constituído por vários produtos é taxado pelo produto com taxa mais elevada (por exemplo, um kit de educação ambiental, com uma planta autóctone que inclua um vaso de papel reciclado é taxado pelos 23% do papel reciclado).
Ou alguém no Ministério das Finanças não sabe que o azeite vem das azeitonas, ou cheira-me que a agro-indústria manda mais que a produção agrícola.
henrique pereira dos santos

terça-feira, janeiro 04, 2011

Ainda o IVA sustentável

A compra de batatas fritas lá em casa quase se reduz a uns pacotes de batata palha para o bacalhau à Braz.
Ora foi ao olhar para um pacote desses e respectivo recibo de supermercado que me dei conta desta coisa fantástica: os tremoços e azeitonas, fundamentais nas nossas paisagens, pagam 13% de IVA, mas as batatas fritas, que são processadas, embaladas e seguramente não são nem um produto lácteo, nem um produto essencial, pagam seis por cento de IVA.
Estou cada vez mais baralhado sobre os critérios desta coisa.
henrique pereira dos santos

terça-feira, dezembro 07, 2010

"Será a crise suficiente para voltarmos a dar valor ao recurso solo?"

Vale a pena ver ampliada esta imagem tirada deste curto post
Num comentário ao post anterior um anónimo faz a pergunta que dá título a este post.
É uma pergunta interessante.
A resposta que eu tenderei a dar é não.
O recurso solo tem valor hoje. Tem até muito valor em alguns sítios. O que tem pouco valor relativo é a sua fertilidade, condição que durante séculos foi determinante no seu valor de mercado. Hoje é sobretudo o espaço que condiciona o preço, ou seja, a localização.
A razão para isto é o facto do rápido crescimento populacional, em simultâneo com a crescente urbanização, ter coincidido com os êxitos da revolução verde, que trouxe os preços dos alimentos para valores muito baixos, a que se junta o desenvolvimento do comércio mundial que nos permite tirar partido da maior eficiência de produção de um bem, independentemente da sua localização.
Tudo isto é inegavelmente potenciado pelo baixo preço da energia.
Ora a crise de que falamos parece ser uma crise conjuntural, razoavelmente regionalizada (a China, a Índia ou o Brasil continuam a crescer a ritmos impressionantes), e não afecta nenhum destes factores de forma muito marcada (eventualmente com a excepção do preço do petróleo que tem estado a subir nos últimos tempos e que no fim da semana passada passou os noventa dólares, tendo hoje descido qualquer coisa).
No longo prazo, se se confirmarem as tendências para a diminuição do crescimento populacional (ou mesmo algum decrescimento), o valor do solo para urbanização tenderá a baixar.
Por outro lado, se os neo malthusianos tiverem razão (neste blog o representante mais assumido é o Carlos Aguiar) e o fósforo e outros nutrientes começarem a escassear, a fertilidade natural do solo tenderá a ser valorizada.
Mas a diferença de valor entre o carácter urbano do solo e a sua fertilidade é de tal maneira grande, e as tendências de inversão são tão incertas, que eu direi que a crise poderá ajudar a aumentar a consciência sobre a importância do solo, mas dificilmente afectará o valor do solo tal como hoje existe.
O resultado será uma maior abertura das Câmaras para ceder parte do espaço urbano para hortas geridas de formas novas, algumas legislação de protecção dos solos férteis pode ser reforçada (ou tornada menos necessária pela diminuição da pressão para urbanizar tudo em toda a parte) e outros aspectos pontuais deste tipo.
E talvez sirva para os nutricionistas começarem a pensar também na sustentabilidade em vez de assumirem a saúde como o único valor que justifica a sua profissão.
henrique pereira dos santos

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Alimentação, sustentabilidade e crise

Esta notícia é muito curiosa.
O abaixamento da qualidade das refeições é caracterizado referindo-se que as refeições têm muita gordura, feijão e grão.
Deixemos de lado a gordura e vale a pena perguntar: desde quando refeições de feijão e grão é sinónimo de falta de qualidade?
Desde que a carne e o peixe à posta com arroz e batatas se tornou norma.
Mas a norma é que está errada.
Viva o feijão e o grão (e as favas e ervilhas). Se possível com criatividade (convém não esquecer que quer o feijão e o grão são suficientemente versáteis para ir desde as sopas às sobremesas).
A crise está a ter alguns efeitos muito interessantes do ponto de vista da sustentabilidade.
henrique pereira dos santos

sábado, dezembro 04, 2010

Excesso de computador e avião e falta de pés no chão


A discussão sobre este post (que continua nos comentários), pode fazer pensar que em matéria de conservação sou um louco tocador de concertina na banda do Titanic.
Pode ser que sim, mas repare-se nesta coisa extraordinária:
"A população portuguesa de lobos representa apenas cerca de 15% da ibérica e, ao contrário do referenciado para certas regiões da Península Ibérica (Blanco & Cortés, 2002) e para o resto da Europa (Boitani 2000), não existem evidências de expansão recente da mesma."
Este parágrafo é retirado da ficha do lobo que consta do livro vermelho.
Apesar dos imensos cuidados na escolha de cada palavra ("certas regiões da Península" pretendendo dizer-se que há evidência de aumento populacional em Espanha, mas o melhor é acentuar que não é assim em toda a Espanha, ou "não existem evidências de expansão recente" em Portugal, que é como quem diz, eu não digo que não haja expansão, mas não me comprometam a mim) o facto essencial é que o parágrafo diz que há expansão em Espanha e no resto da Europa.
E o que há de extraordinário nisso? O que há de extraordinário é que ninguém se dá ao trabalho de explicar que especificidade existe em Portugal que justifique uma tendência populacional diferente da de Espanha e da Europa, tanto mais que não existe uma população portuguesa de lobo, existe sim uma população ibérica que se distribui entre Espanha e Portugal.
Mas se eu sou um louco tocador de concertina na banda do Titanic, o melhor mesmo é ir ouvir o resto da banda, por exemplo, lendo o que dizem outros sobre o wildlife comeback in Europe.
O movimento conservacionista reaccionário pretende desesperadamente manter o discurso da desgraça anunciada ao virar da esquina.
O movimento conservacionista que se preocupar com a realidade sabe que a discussão a fazer se prende com o preço que boa parte do resto do mundo está a pagar por este wildlife comeback europeu que resulta sobretudo da diminuição da pressão produtiva alimentar em território europeu.
Daí o meu conselho aos académicos e ambientalistas que escrevem sobre o assunto: menos modelação computacional, menos inferência estatística, menos horas de avião em reuniões internacionais onde se aferem todos esses modelos e inferências e mais horas com os pés no chão seriam muito, mas mesmo muito úteis à conservação em Portugal.
E mais, muito mais atenção ao tempo e à paisagem.
henrique pereira dos santos

domingo, novembro 14, 2010

Ainda o IVA para uma alimentação sustentável

Motivado pela crónica do Ricardo Garcia (e pelo pedido subsequente de uma ONG para colaborar numa discussão sobre o assunto) olhei para o IVA de uma factura de compras de hoje.
É uma factura pouco característica cá de casa porque se trata de uma ida a um supermercado a que normalmente não vou, motivado por objectivos específicos.
Mas ainda assim surpreendente.
O IVA de 23% ficou reservado a um frasco de pimenta (nós que demos a volta ao mundo para a trazer para cá, agora consideramo-la um produto de luxo) e a uma mão-cheia de camarão com que irei dar gosto a um molho branco mais daqui a pouco. Razoavelmente justo, mais no camarão que na pimenta, perfeitamente aceitável do ponto de vista da sustentabilidade (o camarão provavelmente até mereceria uma taxação maior).
O IVA mais pequenino reflecte a ideia de que os produtos lácteos, que são tudo menos sustentáveis, são muito importantes na alimentação, nomeadamente das crianças. Do ponto de vista da sustentabilidade é um absurdo. Mas vamos admitir que seria preciso encontrar um equilíbrio com o pessoal do nutricionismo (ninguém conhece alguém ligado ao ensino desta coisa, agora que até há uma ordem profissional da profissão? É que tenho a ideia de que andam completamente a Leste do que seja a sustentabilidade). Seria por isso razoável taxar o leite simples no mínimo. Mas uns iogurtes claramente excessivos que comprei? Francamente não vejo razão para isso. Os iogurtes simples, ainda vá, mas os outros?
O peixe goza do mesmo estatuto de IVA reduzido. Nada a apontar se eu não tivesse comprado peixe congelado. A congelação é o método mais insustentável de conservação que conheço, por mim todos os congelados iam para o IVA máximo.
O mais curioso está no IVA intermédio.
Tremoços. Não costumava comprar, mas um dia o Chef António Alexandre serviu-me uma salada de sapata seca (sapata, não sapateira, inclui-se na procupação do Chef António Alexandre recuperar produtos desvalorizados, como o peixe seco) onde se incluíam uns tremoços. Passei a incluir tremoços em muitas das saladas que faço e por isso os comprei. Uma cultura pobre, que normalmente entra na rotação para azotar a terra (como as outras leguminosas), ou seja, uma clara muleta de uma gestão sustentável na agricultura a quem os teóricos das finanças atribuem o estatuto de marisco pobre para acompanhar cervejas, e portanto não taxam como o camarão, porque pobre, mas taxam a mais que os iogurtes, uma coisa totalmente insustentável nos nossos sistemas produtivos.
Mais estranho, as azeitonas (também entram muitas vezes nas saladas). Azeitonas? As azeitonas em Portugal estão no IVA intermédio? Taxadas acima do peixe e da carne e do leite? Alguém consegue explicar? Deve ser por serem consideradas um aperitivo.
Parece-me que vale a pena começar a olhar para o assunto numa óptica de sustentabilidade.
henrique pereira dos santos

segunda-feira, novembro 01, 2010

IVA sustentável

Reproduzo a crónica que Ricardo Garcia publicou ontem no Público.
"Graças ao Orçamento do Estado, dei por mim no outro dia a vasculhar as contas do supermercado. Não é o meu género. Por mera impaciência, sou essencialmente desatento à relatividade dos preços, razão pela qual raramente sou convocado para ir às compras, a bem da economia doméstica. Mas a prevista subida do IVA, com a qual o Governo pretende enriquecer o banquete fiscal, levantou uma legítima curiosidade.
"Vamos ver o que muda", disse a minha mulher, no outro dia, com a última factura das compras na mão. E eis que um mundo antes desconhecido, nebuloso e aparentemente ilógico - ou seja, normal -, se abriu à minha frente. Não fazia a menor ideia da diversidade de taxas de IVA que se aplicam aos alimentos, e confesso que, após laboriosa sistematização dos dados em folha Excel e respectiva análise formal e numérica, permaneço no vazio quanto aos critérios envolvidos na sua distribuição.
Os beneficiários da taxa mais baixa, seis por cento, parecem merecedores do privilégio: arroz, feijão, frutas, legumes, leite, ovos, manteiga, carne, peixe. Convenhamos, ninguém vive sem isso. São a base da subsistência digestiva do ser humano, nem deviam ter IVA.
Mas logo aí começam a surgir enigmáticos exemplos de insondável ilogismo. Tomemos o sector da panificação. Um pão inteiro paga 6 por cento de IVA. Se vier torrado, idem. Mas, se for ralado, apanha com 21 por cento. Em termos ambientais, é um contra-senso. O pão ralado é sinónimo de reciclagem. O seu consumo reduz a parcela de carcaças velhas e enrijecidas nos aterros sanitários. Ah, é bom para o ambiente? Então, toma lá 21 por cento.
Bem sei que já passou o tempo do proteccionismo, mas não deixa de chamar a atenção a falta de brio nacional na atribuição das taxas. Só isto explica como é que um queijo camembert, que é um símbolo pátrio, mas de outro país, faça companhia ao pão, às frutas e ao peixe no grupo dos bens alimentares imprescindíveis, enquanto uma alheira artesanal transmontana tenha 13 por cento de imposto em cima.
Justiça seja feita, há situações inversas. Basta observar que o vinho é taxado a 13 por cento, enquanto a brasileiríssima cachaça leva com 21 por cento. Na prática, uma caipirinha contribui mais para combater o défice do que uma taça de tinto - distinção que, em tempos de crise, atribui à bebedeira uma função económica inaudita.
Em certos casos, custa a crer na pertinência da aplicação dos 21 por cento. Bens de higiene pessoal, por exemplo, enquadram-se nessa categoria, o que significa que o agravamento do IVA aumenta o risco de efeitos colaterais sanitários claramente indesejáveis para a vida em sociedade.
A taxa mais elevada parece penalizar os produtos industrializados, algo que poderia traduzir um foco ambiental - possivelmente injusto - no exercício da fiscalidade. Mas, como vimos, o ambiente aqui não parece contar para nada. Se assim fosse, o veneno químico antitraça que estava na última factura de compras lá de casa deveria pagar muito mais IVA do que os 21 por cento que lhe foram atribuídos.
Eu, se fosse ministro das Finanças, ia por aí: declarava a insustentabilidade no consumo como inimigo público número um e calcava no IVA, de 30 por cento para cima, sobre os piores exemplos. Se o Governo ou a oposição quiserem discutir a ideia, estou, como o Teixeira dos Santos, disponível 24 horas por dia."

Pois estou com o Ricardo Garcia: não sei se o Governo ou a oposição querem discutir a ideia, mas parece-me muito razoável que o movimento ambientalista queira integrar a discussão para sustentar as suas propostas de reforma fiscal ambiental, que se têm centrado em questões de energia, deixando a alimentação e outros consumos de fora.
henrique pereira dos santos

sexta-feira, outubro 15, 2010

Lendo um jornal de hoje

O Financial Times de hoje tem um suplemento especial sobre alimentação que vale a pena ser lido numa óptica ambiental.
Num dos artigos mais interessantes fala-se do problema bem sério da ferrugem do trigo, que se pensou um dia que era um problema do passado, mas que desde 1998/ 1999, quando ressurgiu em força no Uganda, se tem vindo a espalhar, temendo-se que entre brevemente nas zonas produtoras da índia e bangladesh e afeganistão, o que poderia provocar milhões de mortes (esta discussão foi tida na lista ambio há algum tempo, incluindo o papel das plantas genéticamente modificadas na eventual defesa em relação a este risco, bem real).
É um exemplo típico das razões pelas quais a política de conservação da biodiversidade deve ser uma política pública já que o mercado lida mal com este tipo de problemas e não tem solução para eles.
Mas como quem lê este blog há mais tempo saberá, um dos meus maiores interesses é a relação entre alimentação e sustentabilidade (e dentro disto a gestão de paisagens a partir da alimentação).
E desse ponto de vista há um artigo muito interessante, que no essencial se baseia neste relatório do WWF, cuja leitura, pelo menos do sumário, merece o esforço.
Claramente uma perspectiva equilibrada dos impactos da alimentação, longe dos maniqueísmos frequentes nos meios veganos que pretendem que tudo se resolve mudando para dietas vegetarianas. O estudo tem análises preocupantes dos efeitos das nossas opções alimentares em países terceiros (no mesmo dossier do financial times refere-se a práctica cada vez mais habitual de garantir a produção de bens alimentares através da compra de terra em países terceiros, por parte das companhias mais ligadas ao negócio).
Um exemplo desses impactos, referido do relatório, é o do consumo de óleo de palma, mas poderia também ser o do consumo de azeite, referido neste estudo, que vários vezes tenho aqui referido em alternativa à manteiga, numa boa demonstração da complexidade da discussão em torno de uma alimentação sustentável.
A sustentabilidade não é um mar de rosas.
henrique pereira dos santos

quinta-feira, abril 29, 2010

COMER COM GOSTO

Deve haver poucas pessoas que não gostem de comer, e eu não sou uma delas. Gosto de experimentar receitas das sobremesas mais exóticas, amassar pão à procura do mais genuíno sabor, ficar-me esquecida nas livrarias a apreciar livros de cozinha recheados de resultados impossíveis de obter em casa. Mas não sou de olhar só para o resultado: os meus ingredientes escolho-os com cuidado e atenção porque é a minha família, a saúde e boa disposição de todos, que está em causa. E, neste capítulo, sou muito tradicional: procuro o melhor, sem compromisso. Por exemplo, se olho para a lista de ingredientes de uma embalagem de comida e vejo números além dos nomes... é porque foi feito no laboratório e não no campo. E o que sai do laboratório, pela minha lógica, não pode ser comida.

Mas mesmo eliminando o que inclui números ainda sobra muita coisa que não entra no meu carrinho de compras. Por exemplo, não aprovo ingredientes que, há cem anos apenas, ninguém usaria na cozinha, mesmo se começarem pela palavra Vitamina, ou jurarem que fazem bem aos intestinos. E depois ainda há aquelas comidas que se querem fazer passar por outras – chamo-lhes os travestis. Margarina e bolachas com "sabor" a chocolate são bons exemplos, mas os adoçantes que querem fazer de conta que são açúcar para poupar nas calorias são talvez daqueles a quem mais cuidadosamente barro a porta de casa. Quando tenho dúvidas, aplico uns testes muito simples: pode ser produzido numa quinta, ou pescado no mar? Percebo como passa do estado original para a embalagem final? Se a resposta é não, é porque não é para mim. Isso leva-me a passar ao lado de quase todo o pão dos supermercados e padarias, repleto que está de "melhorantes" e "enzimas", ou ainda da míriade de outros alimentos com espessantes, corantes, estabilizantes ou demais maravilhas da tecnologia alimentar.

Claro, a maneira como a comida é processada também conta, não basta escrutinar os ingredientes. A radioactividade, por exemplo, pode ter muitos fins úteis, mas comida irradiada rima com comida doente... e que nos põe doentes a nós. E a aplicação de radiação electromagnética (vulgo forno de microondas) garantidamente também não foi pensada para nos trazer mais saúde. Quanto ao leite UHT, o tal que ainda está igual a si próprio mesmo após seis meses de esquecimento no fundo do armário, bem, arranjem leite do dia pasteurizado, encham um copo de cada um e façam o teste à família toda, a ver se não distinguem o que ainda sabe a leite daquele que do leite já só tem o aspecto.

Na busca da comida como "nos bons velhos tempos", gosto de reparar também nos ingredientes "invisíveis". Prefiro, tal como a restante população europeia, que as minhas hortaliças sejam sem pesticidas, o meu leite sem antibióticos e a minha carne sem hormonas... mesmo se trouxerem o selo europeu de autorizado. Se for do campo e não de aviário ou de aquacultura, melhor. E sendo colhido e comido na época, melhor ainda.

E que dizer da mais moderna de todas as invenções alimentares, os alimentos geneticamente modificados, ou transgénicos? Já ouvi as sete maravilhas sobre eles: mais nutritivos, mais duradouros, mais limpos de pesticidas, muito estudados e seguros, até a fome no mundo e a crise energética (através de biocombustíveis) eles se preparam para resolver. Mas eu confesso: a primeira vez que comprei óleo de soja e depois verifiquei pelo rótulo que continha soja geneticamente modificada senti um aperto abaixo do estômago que nunca me engana. Esta comida transgénica pode ser apropriada para cobaias de laboratório, mas não é comida de gente. Mas claro, o problema é poder escolher. Para já anda por aí soja e milho transgénico, mas já este ano a Comissão Europeia pretende aprovar arroz transgénico. Arroz! O mais castiço dos cereais que comemos em Portugal!

Fui informar-me e fiquei a saber que os portugueses são os "chineses" da Europa: cada um de nós come em média 17 quilos de arroz por ano, enquanto que os italianos, que estão em segundo lugar atrás de nós, não comem mais que uns míseros sete quilos. Os dinamarqueses, coitados, não sabem o que é arroz doce e não vão além de quilo e meio por ano. E agora, querem abrir a nossa porta ao arroz transgénico?! Isso é, para a gastronomia, o mesmo que deitar abaixo o Mosteiro dos Jerónimos seria para a nossa história e cultura!

Senhor Ministro da Agricultura: espero que goste de arroz de ervilhas, de arroz malandro, de arroz de forno e de arroz de pato. Espero, em suma, que goste de arroz, porque ser português também é isso: durante a última grande guerra devemos em grande parte ao arroz a nossa sobrevivência alimentar. Quando se sentar em Bruxelas e chegar a vez de votar o arroz transgénico, Senhor Ministro, vote por nós.

Margarida Silva, bióloga

terça-feira, março 02, 2010

Rompendo círculos sociais


Nos comentários a este post, Alexandre Vaz levanta um tópico de discussão muito relevante:
"Para terminar, este jargão neoliberal que sistematicamente nos atira com a necessidade de "acrescentar valor" a tudo e mais alguma coisa é profundamente desonesto... Pior do que isso só mesmo a panaceia que se tornou a ideia de "inovação".Quem julga que a ruralidade e o campesinato são sustentáveis alicerçados apenas no turismo e nos produtos diferenciados de excelência está profundamente enganado."
No fundo a pergunta é: há sustentabilidade sem sustentabilidade económica?
Eu diria que sim, em casos razoavelmente limitados e com apoio social muito alargado. As áreas protegidas (as bem geridas, em qualquer parte do mundo) são um exemplo disso, os santuários são outro exemplo, algumas instalações militares, outro exemplo.
Tudo sistemas artificiais mantidos por recursos externos durante largos períodos de tempo.
Mas isso não é possível para a ruralidade e o campesinato. Ou pelo menos, para a generalidade da ruralidade e do campesinato.
Para a manutenção da ruralidade e do campesinato é fundamental a sua viabilidade económica. Pode argumentar-se que essa viabilidade pode não vir do mercado mas de apoios do Estado, por exemplo. Mas este tipo de apoios externos são bem mais voláteis que a viabilidade económica, que estamos de acordo que não é nenhuma vaca sagrada nem uma mezinha que resolve tudo.
Mas é, entre todos os instrumentos possiveis para conservar património, a mais fiável, embora contingente, das ferramentas a que podemos deitar a mão.
Ora essa viabilidade económica, em economias de mercado (eu não sei o que é isso do neo-liberal, eu por mim sou liberal no sentido em que dispenso bem o Estado na grande parte da minha vida, e defendo um Estado forte nas suas funções clássicas, a que acrescento a da conservação da biodiversidade), dizia, a viabilidade em economias de mercado faz-se de competitividade: ou se produz mais barato, ou pelo menos ao mesmo preço do parceiro do lado, ou se produz diferente do parceiro do lado e essa diferença é relevante para um número suficiente de pessoas dispostas a pagar também um preço diferente. Não conheço outra maneira de prevalecer nos mercados.
A grande maioria do mundo rural com maior valor patrimonial de conservação tem handicaps de produção muito relevantes, doutra forma já teria sido transformado para produções intensivas, isto é, que competem pelo preço.
Se isto for assim, qual é a alternativa à diferenciação dos produtos?
E é aqui que a produção de biodiversidade é de facto relevante: a biodiversidade é um poderoso elemento de diferenciação com valor no mercado. Um valor limitado, com certeza, mas com valor de mercado.
Ou seja, nas áreas relevantes para a biodiversidade que dependem de gestão (porque a não gestão é uma opção que deve entrar na discussão, com certeza, porque é também uma opção de gestão) ou há diferenciação relevante para o mercado, ou há Estado, ou há mecenas. Pode haver de tudo um pouco, claro, mas um dos três tem de existir.
E se a diferenciação é um dado relevante para a sustentabilidade de sistemas ricos do ponto de vista da biodiversidade, parece-me evidente que romper o círculo social em que a conservação em Portugal se deixou enredar, chegando a públicos e mercados dispostos a pagar a diferenciação que permita equilibrar o facto da produção ser mais difícil e cara nestas áreas, é uma questão estratégica.
henrique pereira dos santos

segunda-feira, março 01, 2010

O gosto da biodiversidade (epílogo) V


Correu bem.
A ligação entre a alimentação e a paisagem funciona no contacto directo, parece claro que a escolha dos centros comerciais para comunicar está certa (juntamente com as praias são dos mais democráticos espaços públicos que temos), a natureza (esta é a palavra que é mais comum as pessoas perceberem quando se quer falar de paisagem, território, conservação, biodiversidade, etc.) é matéria que claramente interessa às pessoas pelos motivos mais díspares, e o interesse pela compra de terrenos para conservação é muito evidente (e, embora não ao mesmo nível, também o interesse sobre a possibilidade de venda de terrenos que ia aparecendo aqui e ali).
Foi uma acção que se fez pela primeira vez e seguramente aprendemos muito sobre como funciona um centro comercial. O projecto precisa de ser mais bem adaptado às características especiais dos centros comerciais.
Mas o potencial para a área da conservação e sustentabilidade, não aproveitado integralmente desta vez, é mesmo muito grande.
henrique pereira dos santos

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

O gosto da biodiversidade (publicidade) IV

A imagem veio daqui
Começa amanhã no CascaisShopping.

"A caça permite a muitos proprietários, tal como faz a ATN por razões de conservação, ter recursos para criar bebedouros para a fauna, fazer sementeiras para aumentar o alimento disponível, manter zonas de refúgio e abrigo, etc., de modo a que espécies como a perdiz e o coelho sejam mais abundantes.
Estas espécies, em especial o coelho, são a base da alimentação de muitas outras, como o gato bravo ou a águia real, presentes nas propriedades que a ATN gere.
A exploração racional da caça, com preocupações de conservação, permite que muitas outras espécies, para além da perdiz e do coelho, beneficiem da gestão do habitat. É o caso de borboletas e outros insectos, cobras, pássaros e morcegos.
A opção é sua:
usar carne de coelhos ou frangos produzidos intensivamente em gaiolas, muitas vezes sem nunca verem a luz do sol, resulta quase sempre em paisagens monótonas de produção intensiva de cereais, usados nas rações que os alimentam;
usar caça, quando gerida com respeito pela biodiversidade, é financiar paisagens com mais diversidade, criando espaços onde as águias, os gatos bravos ou as raposas podem viver sem risco de morrerem à fome.

Pudim de coelho bravo

Ingredientes:
1 coelho com 700 gr
100 gr de chouriço de carne
1 dl de vinho branco
Sal e pimenta a gosto
3 dentes de alho
1 ramo de salsa
5 grãos de pimenta
1 cebola grande
0,5 dl de azeite
50 gr de margarina
3 colheres de sopa de vinho do Porto
Noz-moscada a gosto
100 gr de pão duro levemente torrado
1 dl de leite
5 ovos
Preparação:
Corta-se o coelho depois de bem amanhado, aos bocados. Põe-se na marinada feita com o vinho branco, os dentes de alho picados, o ramo de salsa, a pimenta e o sal. Passadas cerca de 3 horas, leva-se ao lume com a marinada e o chouriço às rodelas. Tapa-se o tacho e ferve devagarinho (adicionando diversas vezes alguma água).
Misturam-se então o vinho do Porto, a pimenta e a noz-moscada. Depois de cozida a carne, desossa-se e passa-se pela máquina, e passa-se igualmente o pão, deita-se o molho da carne, o leite e os ovos previamente batidos. Envolve-se tudo muito bem. Vai a forno brando cozer, em forma de bolo inglês, bem untada com manteiga, durante cerca de meia hora (por cima colocam-se pedacinhos de manteiga). Desenforma-se e serve-se frio, cortado às fatias.
Nota: Feito com lebre, este pudim também fica muito bom.

henrique pereira dos santos, com receita do Chef António Alexandre

sábado, fevereiro 20, 2010

Saúde e alimentação

O gosto da biodiversidade (publicidade) III

Imagem roubada daqui, não da Faia Brava, claro

A propósito quer dos comentários do Henk Feith quer do Paulo Barros sobre o texto que faz a ligação entre o azeite e a produção de biodiversidade na Faia Brava aqui vai o texto sobre a pastorícia.
É que o projecto é só um projecto de comunicação, não é uma análise crítica da gestão da biodiversidade da Faia Brava. E não se pode pedir ao projecto mais que aquilo que ele pode dar.

O crescimento dos matos em quase todo Portugal corresponde à acumulação de milhares de toneladas de combustível que, em condições meteorológicas adversas, ardem facilmente.
O corte de matos, manualmente ou com máquinas, é possível mas é uma tarefa penosa e cara. Por isso, reduzindo a estrumação das terras e deixando de cozinhar e nos aquecermos a lenha, deixámos ao gado miúdo a tarefa de gerir todo este combustível.
O excesso de gado, associado a queimadas frequentes, conduz a perda de solo e à degradação da paisagem como a que ainda existe em algumas partes das propriedades da ATN.
Hoje estas áreas estão em recuperação com um uso cuidado de alguns rebanhos e uma manada de cavalos garranos para diminuir o risco de incêndio.
A opção é sua:
comer carne de vaca ou queijo bola, resulta quase sempre em paisagens com grandes acumulações de combustível e fogos intensos quase todos os Verões;
comer também cabritos e borregos, ou queijos de ovelha ou cabra pastoreada nos montes é construir paisagens mais resistentes ao fogo e espaços onde as matas podem sobreviver anos a fio sem serem afectadas por fogos severos.

Bola de carnes pastorícias (Borrego da Beira IGP, Cabrito da Beira e da Gralheira IGP)

Massa:
Ingredientes:
3 ovos - 1,4 dl de azeite da Faia Brava – 600 gr de farinha – 1,5 dl de leite – 2 colheres de chá de fermento em pó – sal a gosto – 1 gema de ovo
Preparação:
Deitam-se os ovos numa tigela, batem-se e misturam-se com o leite. Em seguida acrescenta-se o azeite, o sal, e por fim a farinha com o fermento, amassando bem. Tapa-se a massa com um pano e descansa cerca de 4 horas. Depois estende-se a massa com o rolo até ficar fina e forra-se um pirex redondo.
Recheio
Ingredientes:
400 gr de carne de borrego desossado
400 gr de carne cabrito desossado
150 gr de toucinho
3 dentes de alho
2 dl de vinho branco
75 gr de manteiga
2 colheres de sopa de azeite Faia Brava
Sal e pimenta a gosto
1 gema de ovo
Preparação:
Cortam-se escalopes muito pequenos e finos das carnes ovina e caprina. Temperam-se com os dentes de alho picados, o sal, a pimenta, e o vinho branco. Leva-se a manteiga ao lume e fritam-se as carnes. Quando prontos, junta-se a marinada e fervilha, com o tacho tapado, durante uns minutos. O toucinho corta-se em tiras finas e frita-se no azeite. No pirex já forrado com a massa coloca-se uma camada de carnes, outra de massa, novamente carnes e o molho destas acabando com a massa a cobrir. Dobram-se as pontas, doura-se com a gema de ovo e vai ao forno quente para cozer (180ºC)

henrique pereira dos santos, com receita de António Alexandre

A vida é complicada

Num dos meus posts sobre o projecto "O gosto da biodiversidade" existe o seguinte comentário (implicitamente criticando a dicotomia entre o uso de azeite e de manteiga expressa num dos textos do projecto):
"Consumo manteiga dos Açores. Acaso esse local fica no outro lado do mundo? E os bichos ficam em que estábulos? Do que eu vi andam em liberdade pelos terrenos dos proprietários. E acaso a paisagem dos Açores é monótona?".
A crítica é razoavelmente justa no sentido em que o texto é demasiado a preto e branco (pelas razões que explico na caixa de comentários) mas um simples clik na internet permite questionar (verdadeiramente no sentido de levantar questões, não no sentido de contestar) várias frases do comentário.
Aconselho a leitura deste post, de Março de 2008, noutro blog.
Nesse post é evidente o uso (e um uso intenso, não apenas pontual) de rações produzidas no outro lado do mundo, não nos Açores, na produção de leite açoreano.
É isso que o projecto pretende: perguntarmo-nos de onde vêem e como se fazem os alimentos que usamos diariamente, muitas vezes com imagens estereotipadas na cabeça, como a visão idílica que todos temos (não apenas o comentador) da produção de gado nos Açores, por exemplo.
Essa produção é apesar de tudo muito mais sustentável que muitas outras com gado estritamente estabulado? Sim, sem dúvida.
E por isso o projecto põe a tónica na liberdade individual: cada um faça a sua apreciação, mas inclua a sustentabilidade informada nos critérios de decisão, por favor. Mesmo quando, como todos fazemos, uns mais outros menos vezes, sabemos perfeitamente que optámos por uma refeição completamente insustentável, o que é legítimo e muitas vezes razoável.
henrique pereira dos santos

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

O gosto da biodiversidade (publicidade) II

Imagem roubada daqui

A Associação Transumância e Natureza (ATN) produz e comercializa azeite.
O seu principal objectivo é gerir o habitat de algumas das espécies mais importantes da Reserva da Faia Brava, mantendo um mosaico de diferentes culturas.
Para conservar as águias de bonneli ou as águias reais que existem nas suas propriedades é preciso garantir condições favoráveis para outras espécies que lhes servem de alimento, sobretudo o coelho.
Por outro lado as oliveiras, produzindo azeitonas no Inverno, dão alimento numa altura em que muitas plantas estão sem folha e sem fruto.
Essa é a razão principal para a ATN se interessar por esta produção, investindo nela e vendendo o azeite para pagar o trabalho de gestão do habitat e libertar um pequeno valor para comprar mais terrenos para a conservação.
A opção é sua:
usar manteiga resulta quase sempre em paisagens monótonas de produção intensiva de cereais, usados nas rações para alimentar gado que não sai dos seus estábulos, muitas vezes do outro lado do mundo;
usar azeite, sobretudo este azeite, é construir paisagens com muito mais que oliveiras, é criar espaços onde sabe que as águias podem viver sem risco de morrerem à fome.

Pão
Massa de azeite
Ingredientes:
500 gr de farinha
20 gr de sêmola grossa
15 gr de fermento fresco
10 gr de sal
50 gr de azeite Faia Brava
320 gr de água (320 ml, mas se pesar é mais fiável)
Pré-aqueça o forno a 250 C. Misture a farinha e a sêmola e esfregue-as com o fermento, com a ajuda dos dedos, como se estivesse preparando umas migas. Junte o sal, o azeite e a água, e continue a amassar e virando a massa inúmeras vezes para que incorpore o máximo de ar.

Focaccia com sal e alecrim
1 massa de azeite depois de repousar 1 hora
5 colheres de sopa de azeite
6 hastes de alecrim
Flor de sal
Preparação:
Estender a massa sobre uma placa de forno pincelada com azeite. Espalhe o restante azeite sobre a massa e com a ajuda dos dedos estique a massa do centro para as extremidades da placa, sem a levantar ou retirar, cubra com um pano e deixe repousar num lugar ameno, ao abrigo de correntes de ar, durante 45 minutos. Volte a pressionar a massa com as pontas dos dedos e deixe repousar mais 30 minutos. Retires as folhas de alecrim das hastes e espalhe homogeneamente sobre a massa, salpique também com a flor de sal e em seguida leve ao forno previamente aquecido. Abaixe a temperatura para os 220C e deixe cozer por 25 a 30 minutos, até atingir uma cor castanha/dourada. Retire do forno e transfira para uma superfície neutra para arrefecer pincelando com um pouco mais de azeite enquanto está quente.
henrique pereira dos santos, com receitas de António Alexandre

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

O gosto da biodiversidade (publicidade)

Declaração de interesses: sou colaborador remunerado da ATN e sou em grande parte responsável pela concepção e execução deste programa específico da associação

Este é o primeiro de uma série de posts sobre o projecto "O gosto da Biodiversidade" cuja primeira realização concreta será nos dias 26, 27 e 28 de Fevereiro no Cascais Shopping.
O projecto tem dois objectivos essenciais: levar as pessoas a olharem para o seu prato do ponto de vista da sustentabilidade; divulgar a ATN e a Faia Brava, nomeadamente as suas opções de gestão para a biodiversidade.
Os posts serão constituídos por um texto de enquadramento que relaciona um produto com questões de sustentabilidade, seguido de uma receita que usa esse produto. As receitas são concebidas pelo Chef António Alexandre, que fará as sessões de live cooking e degustação que são parte essencial do projecto .

A Associação Transumância e Natureza não produz o seu próprio mel.
Fá-lo-á um dia porque a sua produção é uma das eficientes formas de valorizar os matos e a sua floração surpreendente.
Grande parte da diversidade que existe na natureza está nos insectos. A sua importância nos ecossistemas vai da polinização das flores até ao seu papel na alimentação de morcegos, noitibós ou abelharucos, um dos pássaros mais bonitos que encontramos em Portugal.
Pontos de água, recuperação de matas e linhas de água degradadas por anos de uso excessivo, uso de animais na gestão de habitats, em cujos excrementos muitos insectos (e também aves) se alimentam, estrumação e tratamentos sem recurso a produtos químicos, estão entre as medidas de gestão adoptadas adoptadas na Faia Brava para proteger os invertebrados.
A opção é sua:
usar açúcar refinado de cana resulta quase sempre em paisagens monótonas de produção intensiva em países tropicais;
usar o mel produzido nos matos de tomilho ou alecrim é construir paisagens com diversidade e criar espaços onde muitas outras espécies de insectos podem viver e prestar-nos serviços que muitas vezes nem imaginamos.

Pêra recheada com queijo de cabra e mel
Ingredientes
2 peras médias
1 colher de sopa de sumo de limão
100 gr de queijo de ovelha
100 gr de manteiga amolecida
8 a 10 folhas de manjericão ou poejo
1 colher de sopa de mel
Sal e pimenta a gosto
2 colheres de sopa de flocos de aveia
Preparação:
Descascar as peras e pô-las a cozer em água com 1 colher de sopa de sumo de limão, durante aproximadamente 4 a 6 minutos. A água deverá ser suficiente para cobrir as peras. Esmigalhar o queijo, misturá-lo homogeneamente com a manteiga e temperar com uma pitada de sal, pimenta e as folhas de manjericão ou poejo picadas. Retirar e escorrer as peras, cortando-as a seguir em rodelas da grossura de um dedo. Barrar todas elas com a massa de queijo e sobrepor em camadas. Espalhar em fio o mel sobre as peras. Tostar os flocos de aveia numa frigideira sem gordura, e polvilhar decorativamente sobre as peras.

henrique pereira dos santos