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quarta-feira, julho 07, 2010

Fogos e conservação de Quirópteros



Nos últimos anos foram investidos recursos financeiros na construção e melhoramento de pontos de água para o combate a incêndios. O principal objectivo destes pontos de água é aumentar a disponibilidade de água para as viaturas de combate a incêndios e para os meios aéreos (helicópteros), contudo, estas estruturas representam uma mais-valia para os morcegos. No Norte de Portugal, estas estruturas estão normalmente instaladas em locais bastantes arborizados, altos e isolados (hidrologicamente), aumentando assim a disponibilidade de água potável para este grupo faunístico beber. Estes pontos de água são locais propícios para a inventariação e o estudo da sua diversidade, uma simples sessão de captura num deste pontos de água pode resultar na inventariação de 7-8 espécie apenas numa noite, que por si só expressa a importância deste tipo de estrutura para este grupo faunístico.
Apesar de esta medida (construção melhoramento de pontos de água para incêndios) não ter o objectivo de beneficiar os Quirópteros, esta, representa uma óptima medida de conservação de Quirópteros (das pouca implementadas com este âmbito), principalmente para as espécies florestais, foi pena que a avaliação concreta do benefício da construção destas estruturas para a conservação de Quirópteros não tenha sido devidamente avaliada.
A degradação destes pontos de água em alguns locais é evidente, dificultando a acessibilidade dos morcegos a estas estruturas, os bichos agradeciam a sua manutenção...

domingo, março 21, 2010

Lista Vermelha Europeia de Invertebrados

Imagem tirada do European Red List of Dragonflies. Luxembourg: Publications Office of the European Union. ( Kalkman et al. 2010).


No Ano internacional da Biodiversidade a IUCN, acaba de publicar a Lista Vermelha de Odonatas, Lepidopteros e Coleopteros.

Boas notícias.

sexta-feira, março 05, 2010

Lobos II

Portugal tem coisas estranhas.
Aqui há tempos o Público publicou (passe o aparente pleonasmo) os mapas aí de cima, indicando como fonte a tese de doutoramento de Francisco Fonseca.
Fui consultar a dita tese há umas semanas, um trabalho seminal sistematicamente citado em qualquer investigação sobre lobo em Portugal.
Devo dizer que não encontrei os mapas citados (posso não ter procurado com suficiente cuidado, não era esse o meu objectivo), embora tenha encontrado mapas a partir dos quais é possível fazer estes que se reproduziram.
A contração contínua da população de lobo parece evidente.
Mas concentremo-nos na parte superior destes maspas, que aqui reproduzo.
Aparentemente o lobo tem aumentado muito no Norte de Portugal e há hoje muitos mais lobos em Trás-os-Montes que nos anos 30.
Pois não é bem assim. A questão é que os primeiros mapas são reconstruções a partir de notícias de jornais, sobretudo consultados em Lisboa e os últimos são dados de inventário. A escassez aparente de lobos nos anos 30 é simplesmente uma escassez de notícias de jornal, ou porque não havia tantos jornais, ou porque os jornais não ligavam muito àquele fim do mundo, ou simplesmente porque ataques de lobo não eram notícia por serem normais.
O que é estranho não é que Francisco Fonseca tenha estes dados na sua tese: ele construiu a partir do nada e é normal, para quem faz pela primeira vez, que muitas coisas lá estejam que hoje poderíamos considerar erros de palmatória. É errado avaliar o que foi feito na altura com o que hoje temos de conhecimento e ferramentas de trabalho.
O que é verdadeiramente estranho é que vinte anos depois de publicada essa tese ainda seja aí que se vá beber a informação base da evolução das populações de lobo e que se continuem a apresentar estes mapas como sendo o retrato do que se passou.
Há qualquer coisa incompreensível na produção de informação de biodiversidade no país.
henrique pereira dos santos

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Myotis escalerai, espécie nova de morcego para Portugal?

Foto: Myotis escalerai



Depois de todos os resultados do CTC, expostos neste Post, não é que passado 6 meses ainda recebemos boas notícias, foi confirmada a presença de Myotis escalerai para o território Português.

“… the DNA-results of the bats caught during our stay in Serra da Estrela. As you probably have read on page 17 of the report, DNA-analysis is the only way to tell the difference between Myotis nattereri and Myotis escalerai. Analysis of the DNA-samples we collected, proved that all individuals were Myotis escalerai. A nice result!”


Paulo Barros